Será possível que quem enriqueça na base de um orçamento saudável empreste indefinidamente o seu patrimônio para aqueles que tiveram prejuízo, sem ganhar nada com isso? É claro que isso é materialmente possível, mas a questão não é essa.

A questão é que se fosse assim, e não existisse juros para remunerar o capital, então seria uma punição, uma penalidade para quem fez tudo certo. Nós estaríamos dizendo para alguém que geriu bem o seu orçamento: “ok, você fechou no azul? Bom, então você será punido por isso, quem mandou administrar bem as suas contas? Pior para você. Nós vamos pegar isso aí e emprestar para fulano de tal, que está todo ferrado, e devolver um dia, quando e se for possível”.

A premissa oculta é que a riqueza sempre está de algum modo ligada ao roubo, estelionato, mentiras e falcatruas, enfim, algum tipo de picaretagem hipoteticamente cometida no passado remoto, de forma que justifique crimes reais a serem cometidos no futuro. Isto para não falar da ideia de que a pobreza material é, por si mesma, um mérito moral. Recomendo que não se ria disso, por mais vontade e razão que se tenha. Porque não se trata apenas de uma ideia estúpida digna de um quadrúpede, mas de um credo que contamina como um vírus a mente da legião de fiéis da propaganda socialista.

Esta é a mentalidade que criou o imposto de renda, a previdência social, todas essas maluquices do governo moderno. Se a sociedade fosse administrada assim até as últimas consequências e em todas as instâncias, é claro que ninguém se preocuparia em fechar orçamentos positivos, porque “alguém” teria que pagar a conta. Mas daí não sobra ninguém para gerar riqueza, é claro.

Esse é o problema da expectativa socialista e esquerdista em geral, querer que o governo resolva os problemas das pessoas, sem entender que as pessoas vêm antes do governo. Esta não é uma prioridade emocional, ideal, fictícia. Trata-se da realidade mais grosseira e óbvia do universo.

Quando você coletiviza os problemas, cria imediatamente a noção de que as soluções também são coletivas. Com o esvaziamento do valor da Caridade através da propaganda antireligiosa, e a contínua propaganda dos lindos deveres do Estado conosco, afunila-se a percepção de possibilidades dos indivíduos a tal ponto que parece restar apenas a solução coletiva. Os políticos agradecem. Esta é a engrenagem silenciosa que pavimenta a ditadura esperta, que faz grande parte do povo aceitar a coleta de 40% do Produto, enquanto se divertem com futebol e dívidas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s