A armadura da caipirice

Se você não ativar a consciência e começar a usar o seu escudo mental e espiritual (eu já usei “blindagem individuante”) você vai receber um monte de vírus. Estes vírus têm efeito retardado: só lá mais tarde é que se manifestam, quando você menos espera. Quando você não espera, você já está falando e agindo de acordo com aquela influência. Daí é lógico que dá muito mais trabalho para desfazer o encanto, é claro. Precisa de terapia, de meditação, ou de muita oração, vai dar algum trabalho. Muito mais trabalho do que se você tivesse se defendido desde o início. É preciso escolher ativamente, separar as coisas. Essa que é a preguiça, eu acho, que faz todos esses problemas surgirem, as pessoas não querem ter espírito presente para escolher estas coisas (o que seria natural de se esperar), porque de alguma maneira isso cansa nelas. Mas o preço a pagar assim é mais alto. E os critérios de escolha, para esta presença espiritual ativa, não são tão estranhos assim. Pode ser feito quase que com ingenuidade, como uma caipirice, se assim quiser.

É como aquele negócio do Warren Buffett, um dia ele foi convidado para um jantar, mas só tinha comida japonesa. Ele nunca gostou disso, sempre foi de comer junk food: pipoca, batata frita, hambúrguer, steaks… daí colocam umas coisas cruas na frente dele. Ele não comeu nada. Perguntaram se havia algum problema. Ele disse “olha, eu tenho uma regra simples para alimentação: se uma criança de seis anos não come, eu não como”. Entendeu? É assim que você se defende das coisas, especialmente das esquisitisses diabólicas. Você diz “não, esse negócio a minha avó não entende, o meu sobrinho de dez anos não entende, então eu vou passar!”, isso funciona.

É evidente que a caipirice tem limites: dificilmente a sua vó e o seu sobrinho vão saber alguma coisa de epistemologia e metafísica, mas até chegar nestas coisas você já vai ter se livrado de uns bons abacaxis com esse método simples de suspeição ingênua. Quando chegar nos degraus elevados, troque sua avó e seu sobrinho por sábios confiáveis, troque por exemplo por S. Tomás. Diga assim “o Doutor Angélico não entenderia patavinas desse negócio, então deixa para lá…”, é só fazer essa troca.

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