Apatheia com Desmond

É como aquele negócio que o Desmond fala para o Jack, no último episódio, The End. Ele diz assim, “nada disso importa, sabia? Se eu morrer aqui, só vou para um outro lugar”. Ele está para descer por um buraco de estranhas propriedades sobrenaturais, o Coração da Ilha. Mas ele já está acostumado com essas viagens de um lado para o outro: sua consciência já viajou algumas vezes e neste trânsito ele captou a permanência de si mesmo. Ele não perde a sua identidade, sua substância anímica. Ele sabe que é imortal, sabe que ele próprio não se perde nas transições, e que morrer é só mais uma passagem.

O que é que isso aí tem a ver com a apatheia? Ora, é a própria aplicação concreta dela. A realidade da permanência, da imortalidade da alma, é o que há de substancial por debaixo das nossas picuinhas biográficas. Se você se agarra ao que é passageiro, você fica confuso. Por outro lado, se você começa a puxar os elos do Universo, vê que tudo está conectado, que a raiz fundamental é um Infinito que não se perde, que se basta, e pensando bem a sua própria existência é uma bobagem diante disso.

Tem que ter essa visão, de que você não precisa existir para nada, que as coisas estão aí e em ordem. Mas a maravilha é que depois que você vê isso, você vê que ainda assim que você existe, que foi chamado a existir no meio desta maravilha toda! E você não morre, você continua participando. É maravilhoso. Deus nos quer, mesmo que nós não tenhamos a mínima dignidade e valor para sermos com Ele.

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