As palavras podem te enganar, mas o que existe não te engana

A prioridade do Ser sobre a razão humana e o trabalho humano não pode ser esquecida. Isso só acontece quando o universo da linguagem já virou um mundinho que o sujeito resolveu habitar. Claro que isso é só na imaginação dele, na verdade ele habita o mundo real, só que não sabe disso. É uma alienação flagrante, isso é dar a atenção a uma coisa que é secundária, remota, em relação ao real e verdadeiro. O que é que tem de tão sedutor no jogo de palavras e criações humanas, que faz a pessoa querer se enfiar aí e esquecer o “resto”, em suma, o universo ao redor? Só pode ser uma sedução de poder, porque a manipulação destas coisas é muito mais viável e atraente que lidar com a dureza do real. Mas quem foi que disse que o real é um negócio tão áspero assim? No fundo não é, mas o sujeito chegou ao ponto de crer nisso, e ele fica lá no joguinho dele. Há também a possibilidade de o cara entrar nisso porque está copiando os outros, mas daí é um idiota mesmo, não tem o que falar. Quando ele resolver existir a gente conversa. Mas o sujeito que fez a substituição mais ou menos consciente, esse aí tem uma piração diferente. Ele tem algum medo, receio, desconfiança com o universo real. Ele entende o mundo da razão humana como um paraíso, um refúgio. É um negócio de certo modo kantiano, isso não vai dar certo. Tem que recuperar a abertura ao real, com todo o seu mistério e amplitude. Se não se fizer isso, todo trabalho será mais ou menos tautológico, porque aos poucos perde-se a referência a realidade, vai tirando um pé de cada vez, até estar no mundo da lua. Lá tudo fará sentido, é claro, mas só para quem compartilha da mesma alucinação. Enquanto isso os terráqueos observarão perplexos essa acrobacia intelectual, e não vão entender nada do que se passou. O trabalho é, assim, estéril. E até contraproducente, nefasto. Porque não podem ser os pensadores de uma época, mesmo que não sejam sábios, ainda assim bastante convincentes na sua loucura? Não podem com isso arrastar junto de si multidões de desavisados?

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