Das auditorias de estilo

Quando se quer fazer alguma coisa, pode ser que se perca e se distraia com os meios. O estilo é uma destas coisas nas quais podemos nos perder. Especificamente no trabalho intelectual isto é um problema maior, porque a figura pode se confundir muito com o conteúdo, na cabeça do autor evidentemente. O melhor estilo é o que não aparece, mas funciona. É, portanto, aquele que foi empregado na medida exata visando o fim da expressão mais perfeita possível de algo que se tem a dizer. O estilo aparentemente mais tosco do mundo, mas que leva o leitor ou ouvinte ao ponto que se pretendia, vale infinitas vezes mais do que o estilo esteticamente majestoso que no fim das contas não cumpre o seu dever e só faz o autor se perder, junto com todos os seus leitores que estão querendo saber do que aquilo se trata. Claro que algumas pessoas são movidas, na construção do seu estilo, pelo medo do seus fiscais futuros. Isto é inevitável. Eu posso perder o tempo que eu quiser refazendo textos, revisando expressões, para que tudo fique como uma platéia virtual de auditores estéticos gostaria que fosse. Mas isso é inútil porque eu não quero saber destas coisas, que me vale ser aplaudido por um bando de afetados e desocupados? O que interessa é produzir algo que preste com o que está a disposição… na melhor das hipóteses o estilo será um eficiente e sutil condutor invisível, que leva o discurso ao real.

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