Mas do que é que estamos falando?

A nossa função nominativa, discursiva, lógica, é muito secundária e dependente: a inteligência está na percepção da realidade tal como é. E a visão é a preferida entre as sensações justamente, exatamente, precisamente, porque é a que nos dá mais detalhes do real. Não foram raras as vezes que eu encontrei soluções para problemas apelando com simplicidade e rapidez aos fatos. Nós somos especializados por natureza em perceber a realidade, esta é a grande dignidade e base da racionalidade humana. Mas é fácil confundir este poder com o poder nominativo, a simples capacidade de falar.

A comunidade, por sua vez, nos treina muito mais nesta habilidade consequente da percepção, que é a linguagem, do que na sua base, que é o conhecimento da realidade. Daí podem decorrer problemas que atingem desde a elite intelectual até a vida mais simples da pessoa menos “educada”, i.e. adestrada no formalismo comunitário. Estamos todos vivendo dentro deste engano, que de algum modo é um eco até mesmo do pecado original. Não foi o pecado de Adão e Eva acreditar mais em palavras do que em realidades?

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