O coração da indecisão

A gente pode perder muito tempo e energia preciosos no lusco-fusco indolente e pusilânime da indecisão. Eu acho que uma boa parte disso é que porque somos racionais (ou ao menos sentimos que podemos sê-lo ilimitadamente) e achamos que devemos entender tudo o que fazemos. É um defeito da percepção da temporalidade, do devir. Nós estamos no tempo, mas também estamos dentro do infinito e do eterno, então não tem essa de entender tudo primeiro para agir depois, isto é impossível. Só se perde tempo assim, todos os nossos juízos são mais ou menos precários no fim das contas, então a gente tem que ter prudência e seguir em frente, e quando decidir fazer alguma coisa, fazer com firmeza. Só assim as coisas podem funcionar.

Agora, tem que tomar cuidado com a armadilha que fica no extremo oposto disto, que é a armadilha da idolatria de uma praxis. É aquele sujeito que não quer saber de “pensar”, só quer “viver”. Digo que isto é idolatrar “uma” praxis, e não “a” praxis, que não pode existir para o ser humano integral uma visão tão idiota assim de querer só viver e não pensar, este ser humano não sabe quem é, acha que é um bichinho. Também é impossível viver sem saber de nada. Este é o ponto!

Vivemos, ou devemos viver, no equilíbrio entre duas impossibilidades, a de querer entender tudo antes de ser e de viver, e a de querer ser e viver sem entender nada. Temos que ficar no caminho do meio, que é prudente, e que permite o contínuo aprimoramento de nossas almas na vida. O tempo afinal serve para isso.

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