Você pode viver apaixonado pela sua própria capacidade de ver as coisas, algo simples assim. Porque pode se lembrar muito facilmente que nada disto precisava ser, e não obstante é.

Então a concepção que um ser humano normal e saudável tem da vida é quase que de um maravilhar-se contínuo. Ele não precisava ser, mas é. Não precisava ver, mas vê. Não precisava muito menos ser chamado a vida eterna, e mesmo assim é. E tudo quanto lhe falta, só conhece a ausência porque conhece igualmente a abundância de possibilidades, neste e no outro mundo.

É só depois da aceitação de tantas gratuidades benéficas que podem entrar, depois e já relativamente, os núcleos conflitivos e tensionais que darão peso, profundidade e cor a história. Mas a estrutura fundamental da experiência humana é assombrosamente igual e generosa, de forma inescapável.

Esta noção simples pode ser perdida, através das prisões obsessivas e possessivas, das cadeias que as pessoas constroem para se trancar dentro. Porque elas querem entender e dominar as regras do jogo, e querem ser espertas. A esperteza acaba sendo burrice. Enquanto não enxergarem claramente que o fato da morte destroça todas as suas seguranças e pretensões, e não se jogarem aos pés do Transcendente, nada feito. E no mesmo instante em que fizerem isso, dir-se-ão: “porque eu não fiz isso antes?”.

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