Da apatia do aluno

A situação humana real é intelectual e espiritualmente muito desafiadora, para qualquer um. Quando eu observo um colega ou aluno qualquer sentindo-se imune a esse tipo de problema, vem à mente a idéia famosa: “a ignorância é uma bênção”. Mas acontece que não é bênção coisa nenhuma. A situação de conforto e de imunidade não é normal, embora a alegria de viver, e até uma certa leveza, o sejam. Daí a complexidade da situação: ao mesmo tempo em que não se pode condenar o sujeito por estar “livre, leve e solto” pelo mundo, feliz da vida, não se pode também passar a mão na cabeça dele por ser um ignorante. Eis um desafio para o educador de alto nível: levar o aluno a um “estado superior de normalidade”, ou seja, justificar a sua alegria de ser pelas causas e razões certas, e não por uma bobeira qualquer.

Por um lado, é errado querer que alguém sofra por sua ignorância. Eu já vi intelectuais supostamente modelares reclamando da felicidade alheia, como se o destino humano tivesse que ser uma vida soturna e triste, o que não faz sentido algum.

E, por outro lado, já vi também a situação contrária, de um intelectual mais esclarecido se confundir e se deixar intimidar diante de um sentimento de suposta superioridade da alegria gratuita dos ignorantes, como se faltasse a ele a capacidade de apreciar uma vida simples.

Só há um jeito de superar este imbróglio: despertar e destacar o interesse intelectual legítimo que deve existir em todo ser humano que não esteja já totalmente entorpecido. Para chegar lá é preciso coragem dos dois lados: do professor e do aluno. O professor não pode fugir da situação com pose de ofendido, e o aluno não pode fugir com falsa afetação de vitória. Ambos precisam ser corajosos para chegar ao objetivo da educação superior, o qual, se minimamente realizado, vai impedir o aluno de ser um bobo alegre e, ao mesmo tempo, vai lhe dar razões mais que suficientes para uma alegria realmente sincera, sem ter que se deixar nada debaixo do tapete, ou “para depois”.

Na verdade, isto é um drama. Pesa sobre as costas do educador uma missão terrível e importantíssima: contrabalançar, sozinho, toda a imensa pressão anestesiante da cultura moderna exercida ao longo de anos e anos sobre a mente do aluno. Isto é uma espécie de heroísmo. Ao seu favor, o educador conta, é claro, com o poder infinito da Verdade.

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