Da manutenção da dignidade

Ofende-me a recusa de dignidade que há, não em mim, mas naquilo que creio representar no mundo, junto, é claro, com muitos outros. Daí que se pode fazer um paralelo bem saliente entre a filosofia e o cristianismo, pois parece ser da natureza do empreendimento filosófico a incompreensão do mundo, muito similar ao que os cristãos vivem desde o início de seus tempos. Talvez a história da Europa cristianizada tenha nos deixado mal acostumados? Ou talvez o idealismo excessivo de certos historiadores que se colocam como defensores de um dever-ser social pró-cristão e/ou pró-filosófico? Definitivamente, acho que a incompreensão, e a recusa de dignidade faz parte do sistema como um todo. Isto faz muito sentido. A verdade é boa num sentido especial: ela é realmente fundamentada no Bem, de forma que se ela fosse amada pelo mundo, isto consistiria no fim do mesmo tal como o conhecemos. A experiência nossa de queda, de vida no mundo da contingência, é ao mesmo tempo a da aceitação de que nós não vamos ganhar nada buscando e respeitando o que tem verdadeiro valor: pelo contrário, seremos incompreendidos, na melhor das hipóteses, e seremos até mesmo atacados, como a história o prova. Ainda assim, a situação indigna do dia-a-dia, de ter que competir em tempo para a filosofia, com outras bobagens absolutamente pueris, e a necessidade de respeitar as opiniões mais estúpidas, é ofensiva de qualquer maneira. Respeitar o desprezível é cuspir no que você ama. Nós simplesmente não podemos fazer isso.

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