O caso Brasil

Enquanto meus coetâneos adolescentes viajavam para destinos turísticos extravagantes, frequentavam baladas regadas a álcool e drogas, assistiam futebol ou BBB, entre outros expedientes úteis do gênero, eu lia história. Grossos volumes, pilhas inteiras deles. Não o fazia por ser melhor ou pior do que ninguém, nem para sê-lo, mas por pura decisão livre da minha parte, por interesse pessoal. É natural que hoje a minha geração, e também as gerações anteriores de semianalfabetos, não consigam atinar com a situação política do país da mesma maneira que aqueles que estudaram alguma coisa.

Escrevo este documento hoje, aos 21 de Fevereiro de 2014, com o intuito de registrar a visão atual que tenho dos fatos, antes que certas coisas aconteçam. Se o faço, não é por nenhuma genialidade, garanto, mas só porque busquei as informações e o treinamento necessário. Quem o fizesse também chegaria em conclusões próximas, ou até melhores que as minhas certamente.

Vamos pensar na história recente, na descrição da situação do país, na história mais remota, e finalmente no futuro.

História recente

O país é governado por criminosos. A Presidente da República já participou de assalto, e compôs uma organização considerada terrorista. Em geral a classe política brasileira nunca foi grande coisa em termos morais, mas pode-se dizer que com o PT nós alcançamos um novo nível. A ex-senadora Heloísa Helena descreveu o partido como composto de pessoas absolutamente obcecadas pelo poder: corruptos, ladrões, assassinos. Existem diversas denúncias a esse respeito, desde o mando direto de certos homicídios, até as conexões com o crime organizado nacional (CV e PCC) e internacional (FARC), com negócios que vão do tráfico de armas ao de drogas.

O partido foi flagrado comprando o Parlamento através do chamado “mensalão”, que aliás até hoje ninguém me convenceu de que acabou de fato. Ninguém acompanha o Parlamento, eu sei, mas eu acompanho. Eu sei que a já minguada atividade oposicionista que havia por volta do ano de 2005 praticamente acabou. O expediente lulista de montagem do PSD via Kassab esvaziou a já cambaleante força do antigo PFL, hoje Democratas. E ninguém vai me dizer seriamente que o PSDB faz “oposição”, porque isto seria uma piada.

O PT possui fibra ideológica mais consistente do que qualquer outro partido brasileiro. Porque a sua ideologia é a da conquista do poder a todo custo, o que sempre é a política mais simples e mais prática que existe. É a política comunista padrão. Como sempre ocorreu, historicamente, os comunistas são politicamente mais firmes que os social-democratas. A social-democracia funciona apenas como ante-sala do verdadeiro socialismo, sempre. No Brasil não foi diferente: quem começou a revolução social foi o senhor Fernando Henrique. A virtude do Plano Real é acompanhada pelos vícios dos programas de distribuição de renda. A utopia social-democrata é no fim das contas estúpida do ponto de vista da realpolitik. Eles não reconhecem na liberdade econômica a sua real virtude, desconfiam dos mercados, e criam os instrumentos de inclusão social que mais tarde o comunista vai usar como sistema de compra de votos. O exemplo dos americanos não vale para os social-democratas. Ingenuamente, o social-democrata acredita sempre que há uma terceira alternativa entre a liberdade capitalista democrática e a ditadura comunista. Serve, na sua boa vontade, como bucha de canhão da vanguarda comunista. Eles podem não entender nada, e podem se perder em idéias e abstrações, mas garanto que se tem alguém que entende de realpolitik é o senhor Lula.

A história recente do Brasil é a da chegada ao poder dos comunistas, e da sua articulação com amigos no continente, com vistas à formação de uma unidade regional socialista. No poder, os comunistas fazem a sua típica propaganda para convencer os outros de que eles são inofensivos, e de que são comprometidos com a democracia. A propaganda funciona com o aparelhamento maciço dos meios de comunicação, através das verbas das estatais. A internet serve para a divulgação de informações, mas estas sofrem da desqualificação pública, e exigem mais conhecimento que o normal para serem conferidas e absorvidas. A população fica desorientada e segue a liderança, que é mentirosa como a peste. Porém, como sabemos a mentira tem pernas curtas, e uma hora os fatos exigem pela sua força a sua revelação. É nesta situação que nos encontramos hoje.

O momento de proximidade do limite da estrutura de mentiras do governo comunista não é justamente a hora certa para eles avançarem na próxima etapa da revolução?

Situação econômica

Os social-democratas construíram as bases da estabilização da moeda e da saúde econômica deste rico país que é o Brasil, e os frutos evidentemente vieram. Apenas, eles foram coletados pelos comunistas. Uma boa definição de comunista é a de um coletor de impostos. O comunista é uma cigarra no meio das formigas, enfim, um parasita. Ele nada produz, só explora, ao mesmo tempo que acusa os outros de serem exploradores.

A engrenagem econômica, no entanto, requeria ser mantida em funcionamento dentro de regras firmes de controle, para que o crescimento fosse contínuo e seguro, ou, como gostam de chamar hoje, “sustentável”. Pois bem, tudo o que o governo deveria fazer, fez o contrário. Falemos do famoso “tripé econômico”.

A política fiscal é um desastre. A contabilidade criativa do nosso Secretário do Tesouro, Arno Augustin, o “Trotsky de bombacha”, é responsável pela camuflagem de uma catástrofe nas finanças públicas, causada pelo simples expediente de se gastar mais do que se pode. Isto vai muito além de qualquer conceito de “medidas anticíclicas”. O gasto não tem controle, simplesmente. Ano após ano, mais e mais, o governo passou dos seus limites ampliando os programas assistenciais, pagando um funcionalismo público obeso e doente a peso de ouro, dando dinheiro para aliados do Foro de SP e, é claro, desviando horrores com a roubalheira turbinada via Copa e Olimpíadas. Não há fim para a lista de gastos. O governo quer engolir, quer comprar o próprio país.

Nós sabemos que isso não funciona, é claro. Já já vou falar do problema da dívida.

O sistema de metas de inflação foi estourado pelo “sistema Lula” de crescimento, embora ele tenha saído dali na hora certa, e a bomba-relógio tenha ficado armada nas mãos da senhora Dilma. Exatamente ao inverso da China, o Brasil cresceu com poupança e investimentos muito baixos, mas com consumo alto. É claro que isto conduz ao crescimento, mas este é tão falso quanto a construção da musculatura via esteroides. Com o salário-mínimo anabolizado, programas assistenciais sem fim, e a expansão conduzida do crédito pela via do consignado e dos programas de subsídios do governo, a “renda cresce”. Só que esta renda cresce muito mais que a produção, meu Deus do Céu. Só um burro não vê que ali na esquina o dragão inflacionário já está pronto para torrar esta renda rapidamente, porque não é possível comprar o que não foi produzido. Que jumento não entende isso? A população já está superendividada, e os juros baixos já tiveram de ser revistos para tentar controlar a fúria draconiana. Mas é claro que o bombeiro só chega quando a casa já está pegando fogo. O governo abusa flagrantemente do seu poder sobre a Petrobras, e faz esta empresa trabalhar com a missão primária de pagar com o seu caixa pela contenção da inflação. É só mesmo na terra da jabuticaba que quanto mais uma empresa produz, mais prejuízo ela tem. Em última análise, até a composição dos índices de medição começa a ficar comprometida, desde que a população percebe nas feiras e mercados que o ritmo dos preços está dando bailes nos números do IBGE.

O câmbio flutuante foi talvez o elemento menos prejudicado da política econômica, pelo menos até agora. E certamente este será o “ponto da virada” da economia, a consequência desta grande série de medidas erradas: a desvalorização brutal do Real. Uma desvalorização que o governo comunista do Brasil vai tentar segurar ao máximo usando seus quase US$ 400 bilhões de reservas internacionais, criadas com o dinheiro de todos nós, os trouxas.

Não podemos esquecer que o mínimo de produtividade que o Brasil conseguiu ter nos últimos anos se dá em muito pelo investimento privado externo. Nossa eficiência é em grande parte importada. A manobra dos comunistas é clássica: agrade o capital estrangeiro. Isso foi feito com a composição destas reservas internacionais e a troca da dívida externa pela dívida interna. O Investment Grade, que por sinal está para ser perdido e vai ajudar a colocar mais gasolina na fogueira, foi comprado com esta performance de bom-mocismo para o capital externo.

Aí eu me pergunto, assim, como quem não quer nada: o que faz um país improdutivo, endividado, mas que é credor líquido externo, e deve até as calças em títulos emitidos no mercado doméstico? Vamos… me surpreendam… façam as contas…

O burguesinho brasileiro típico é tão mal educado, que não entende que todo o seu dinheiro já está com o governo. Todos os fundos, aplicações e investimentos servem para financiar esta porcaria! Quando a conta apertar a ponto de que nem a criatividade augustiniana do Tesouro consiga mais dar jeito, adivinha quem vai pagar a conta? Na visão tosca do idiota brasileiro, o governo teria que tomar “medidas de confisco”, como se fosse uma cerimônia em rede nacional, um tipo de ritual satânico em praça pública.

A realidade é muito mais simples e banal que isso. Quem pega o seu dinheiro emprestado não precisa te roubar: basta não devolver.

E as explicações já existem, já estão prontas. É pelo “bem da nação”.

E na melhor hipótese, mesmo sem o PT no poder (apenas imaginando), não é impossível que uma moratória seja declarada por simples inviabilidade prática econômica de pagamento da dívida. Afinal, às vezes o dinheiro não é devolvido não por uma sacanagem, mas porque o devedor não tem como pagar mesmo. Daí o que te sobra é sentar e esperar a vida passar… um dia eles devolvem, quem sabe.

Situação social

O brasileiro é um bicho entorpecido, anestesiado, alienado até a medula, por ser amante da ignorância. Apesar disso, a sua sensibilidade é atingida pelo caos social causado por todos os conflitos que são estimulados até o limite. O comunismo cria a discórdia pela sua idéia de luta de classes, que é uma coisa muito simples: é o velho sentimento de inveja transformado em virtude. Isto sim é um troço flagrantemente satânico. O direito universal à igualdade cria um exército de monstros, alguns mais despertos, e outros ainda por acordar. A horda de bandidos que assalta a população não precisa ser doutrinada em lições de terrorismo, porque a sua delinquência é fruto da sua cobiça imediata, da sua revolta facilmente estimulada pela propaganda dos seus direitos e das “injustiças sociais”. E não é necessário muito mais do que uma pequena porcentagem de delinquentes para você aterrorizar todos os segmentos da população.

Na engenharia social é que a arte comunista se desdobra com maior brilhantismo. Vemos isso na aplicação da estratégia gramsciana de hegemonia cultural, e na tática da ocupação de espaços.

Da hegemonia, é fácil falar, mas difícil perceber. Porque é preciso que você não esteja preso dentro do cobertor ideológico para vê-lo desde fora. E, ironicamente, só os muito bem educados ou os muito mal educados conseguem enxergar a cultura socialista hegemônica: os primeiros por terem treinamento especial que fura e transcende a redoma de controle cultural, e os segundos por não terem sido contaminados pela sua baixa escolaridade e pela sua simplicidade de vida. Quem for “mais ou menos educado” está geralmente fodido, por ser extremamente dependente, para sua informação, dos meios de disseminação da cultura hegemônica: universidade, mídia, etc.

Para um comunista, a sociedade é, afinal de contas, uma rede enorme de espaços a serem ocupados. Não é preciso ser onipresente, porque uma lista determinada de funções reúne as mais vitais e importantes para o controle de tudo.

No aspecto cultural geral, a hegemonia transborda flagrantemente quando vemos a proibição de certas discussões e fiscalização explícita da linguagem. As polícias são criminalizadas, e os criminosos são defendidos. Todas as minorias são defendidas contra o “sistema”. A mídia desmoraliza a população fazendo-a perder mais tempo discutindo a questão do beijo gay na TV do que os mais de 50 mil homicídios por ano no país. A população aceita os termos passivamente.

As resistências pontuais são ignoradas, atacadas via “assassinato de reputações” e outros modos. Os oponentes do bloco hegemônico são pintados como paranóicos, conspiracionistas, golpistas, etc. Quem não resolve combater a resistência cultural, no mínimo resolve tomar distância por desejo de evitar polêmicas.

Eu teria muito mais a escrever, mas vai ficar para uma continuação, especialmente para tratar da situação política. Em síntese, há para o PT uma grande importância na conquista do Governo do Estado de São Paulo, o que está para acontecer, e pode significar uma mudança grave na situação do país.

Não entendo o pensamento de quem afirma que no Brasil não vai acontecer nada. Vivo questionando: “qual é o privilégio do Brasil?”, e ninguém sabe me responder. Não sabem, é claro, porque a sua resposta íntima deve ser algo como “o privilégio é que eu vivo nele”.

No meu entendimento, e no da grossa parte dos economistas, ou o Brasil faz ajustes sérios e graves logo, ou a coisa descamba em 2015. Na “melhor hipótese”, fora disso, o governo pisa na jaca da dívida de uma vez. Neste caso, a coisa fica ruim mesmo por volta de 2018/2019.

Espero não ter razão em nada do que digo, espero que tudo isso seja paranóia mesmo, e que tudo vá acabar bem de algum modo. Mas não pago para ver.

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Uma resposta para “O caso Brasil”

  1. Excelente o texto.
    O que ando lendo de renomados economista, não é nada diferente do que li aqui.
    Infelizmente não é paranoia nem coisas do tipo, o Brasil está caminhando a largos passos à quebra.

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