Rendição aos fatos: resta a anarquia intelectual

Um problema com a intelectualidade moderna é que, se você tirar os que são confessamente maus e corrompidos, os que são loucos, e os que são burros, vai sobrar uns poucos e bons que, na maior parte dos casos, estão se borrando de medo, paranóicos, hipercríticos, desconfiados da própria sombra, paralisados e paralisantes. Os mais criativos são dominados pela ortodoxia dos mais prudentes, pela patrulha do bom-mocismo intelectual, e os mais velhos, zelosos da sua integridade, já não sabem mais se abrir para entender o que o jovem quer dizer.

A solução para que o espírito filosófico não seja preso não pode ser outra senão uma disposição intelectual libertária e até mesmo anárquica.

Você pode ter vida sem filosofia, mas não pode ter filosofia nenhuma sem vida, a não ser que seja a filosofia do fracasso, da decadência, e da depressão total. Ou se mantém as aparências em cima de uma situação social absolutamente caótica, o que acaba virando piada, ou se rompe de vez com os compromissos sociais.

Há algo de nobre na rebelião contra o pacto intelectualista, tanto o dos acadêmicos, quanto o dos dissidentes que, mal o percebem, estão querendo refundar instituições que se provaram inúteis no processo histórico, apenas para se sentir bem uns com os outros. O espíritos mais livres simplesmente não podem aceitar essa politicagem, esse fingimento.

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