Que dancem no inverno!

Ouço reclamações de empresários aflitos, amarrados em dívidas, afundando na atual crise brasileira. E me pergunto: no que são tão diferentes assim, esses aí, dos irresponsáveis no governo petista? O grande barco chamado Brasil está afundando para todos, e especialmente para aqueles que quiseram ocupar posições privilegiadas na aventura da prosperidade, como se não houvesse amanhã.

É fácil para quase qualquer um supor-se acima do nível da administração petista, ainda mais na posição de gestor na iniciativa privada. O difícil é assumir que se viveu de ilusão por vários anos, fiando-se justamente no projeto político dessa gente incompetente e irresponsável que governa o país.

Os perdulários não têm salvação, estejam onde estiverem, sejam eles quem forem.

Provavelmente o pior dos vícios financeiros é o otimismo irracional (“exuberância irracional”, diria Alan Greenspan) que posterga as decisões de arrocho orçamentário necessárias no curto prazo presumindo que por alguma razão misteriosa a renda aumentará no médio e longo prazo. Este vício se torna extremamente tóxico quando é alavancado pelo crédito farto, exatamente como aconteceu no Brasil nestes últimos anos.

O equilíbrio orçamentário é a matriz básica da saúde financeira de qualquer pessoa, organização ou governo. Todo tipo de “solução” financeira que pareça garantir a prosperidade sem estar vinculada a um aumento real da renda e ao equilíbrio orçamentário é uma FARSA, e nada mais que isso.

Se alguns dos brasileiros –e não acho que sejam poucos– fizeram o contrário do que recomendava a prudência nos tempos de prosperidade, agora que paguem o preço.

A armadilha psicológica que captura os desavisados –principalmente os nouveaux riches, como essa suposta “elite” que prosperou nos governos petistas– é a crença de que a riqueza não é efeito de causas determinadas, mas de um tipo de fortuna de origem mística, oculta, que faz dos seus beneficiários ricos independentemente de como atuem no mundo das realidades financeiras.

Essa mentalidade é ainda mais reforçada pelo gozo dos bens e serviços sofisticados que são financiados pelo crédito abundante nas épocas de prosperidade. A presença física do luxo encanta os sentidos e entorpece a percepção dos fatos.

A causa da ruína é a ignorância, como de costume.

A sabedoria econômica moderna anuncia o valor das chamadas “medidas anti-cíclicas”: quando você ganha bem, deve guardar o excesso, para que possa continuar vivendo quando passar a ganhar menos. Mas esta sabedoria é tão antiga quanto esta fábula grega, de Esopo:

Era inverno e as formigas estavam secando o trigo encharcado, quando uma cigarra faminta lhes pediu alimento. As formigas lhe disseram: ‘Porque, no verão, você também não recolheu alimento?’. E ela: ‘mas eu não fiquei à toa! Ao contrário, eu cantava canções melodiosas!’. Elas tornaram, a rir: ‘Mas, se você flauteava no verão, que dance no inverno!‘.”

Que dancem no inverno!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s