Erronia de Dilma

Dilma

Não posso dizer onde se encontra a passagem bíblica que diz que Deus enlouquece os poderosos soberbos, embora esteja quase certo de que esta passagem exista. Mas posso citar Ésquilo. Essa possibilidade da loucura do governante como resultado da ousadia desmedida não escapou aos antigos gregos, e ficou gravada em trabalhos como Os Persas.

Lembrei desta referência pois desde ontem minha mente tenta entender o ininteligível: o discurso lamentável da “presidenta” Dilma, saudando a mandioca e honrando as “mulheres sapiens”. Então me ocorreu: é da natureza do poder assoberbado ser premiado com a loucura.

É claro que Dilma não é Xerxes, e a crise petista não é a Batalha de Salamina. Mas, mutatis mutandis, o fato mesmo de uma mulher despreparada, desqualificada, como a dona Dilma Rousseff –nossa “presidenta”, com muito respeito, é claro– ocupar o posto máximo da República do Brasil, já mostra a soberbia, punível pelos deuses pela erronia. Lula foi –e é– um soberbo, e gerou esta criatura mais descompensada ainda, que tolamente acreditou poder governar um país de 200 milhões de habitantes e um PIB de mais de dois trilhões de dólares, sem antes sequer aprender a governar a própria cachola. A ambição foi grande demais. Os petistas enfeitiçaram-se a si mesmos, acreditaram nas próprias mentiras, e hoje pagam o preço com a revelação da sua loucura nas formas mais cruas.

Diz Jaa Torrano, comentando a obra de Ésquilo: “A doutrina da hýbris, tal como aparece disseminada nos coros trágicos, ensina que a grande prosperidade (ólbos), riqueza (ploûtos), boa sorte (agathâs týkhas) ou boa situação (eû prássein) induz os mortais nessa situação à soberbia (hýbris), e suscita a recusa dos Deuses (Theôn phthónos), quando os mortais prósperos e soberbos se tornam presa de erronia (áte), de modo a agirem em detrimento de seus próprios interesses, ignorando-os e arruinando-se (ólethros)“.

Não arruína-se assim essa tal de Dilma, e também o seu tutor, e o seu Partido, levando junto desgraçadamente todo o país consigo? A causa da loucura atual não difere, porém, da loucura secreta que movia os ousados, soberbos, desde o começo da sua trama. A desgraça não está somente no fato de que as coisas deram errado agora. A questão não é essa. Toda a patifaria revolucionária, socialista, do petismo, sempre esteve na trilha do erro, e tinha que dar nisso mesmo. Aqueles que não puderam perceber o problema antes, se deixaram levar pelo engano coletivo, pelo entusiasmo político tolo dos falsos bons tempos. Estes mesmos agora se espantam com a erronia de Dilma.

E o que podemos nós fazer a respeito?

Primeiro, cante-se Ésquilo, a falar desta natureza humana essencial. Muitas vezes, como observou Aristóteles, a ficção é mais científica do que a história, pois revela o que há de mais permanente e contínuo por trás de todas as histórias concretas.

Depois –vou explorar em outro texto– podemos tentar entender mais exatamente como é que acontece de uma pessoa como Dilma ocupar a Presidência da República, para a grande vergonha de todos os que votaram nela, e para a vergonha alheia dos brasileiros que protestaram, mas foram vencidos no às vezes amargo jogo da democracia.

Ésquilo:

Permanecem onde Asopo rega planície

com águas, gordura grata ao chão beócio,

onde lhes resta sofrer máximos males,

paga de soberbia e de planos sem Deus.

Ao chegar à Grécia, não temiam pilhar

imagens de Deuses, nem queimar templos;

e desaparecem altares e estátuas de Numes,

arrancadas a esmo, reviradas dos pedestais.

Por seu mal feito, sofrem não menores

males, e sofrerão; não se tocou ainda

o fundo dos males, mas ainda evolui,

tão grande será a libação de sangue

no chão de Plateia, sob a dórica lança.

Pilhas de mortos, até a terceira geração,

sem voz falarão aos olhos dos mortais

que mortal não deve ter soberbo pensar.

A soberbia, ao florescer, produz a espiga

de erronia, cuja safra toda será de lágrimas.

Quando estes se veem assim punidos,

lembrai-vos de Atenas e de Grécia; ninguém,

por desprezo ao seu presente Nume,

por querer outros, verta grande opulência.

Zeus punitivo vigia os demasiado

soberbos pensamentos, severo juiz.

Portanto, com bons conselhos inspirai

àquele carente de prudência que cesse

de ofender a Deus com soberba audácia.”

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