É o indivíduo!

Hoje acordei de bom humor, como as bolsas do mundo inteiro, levantando-me milagrosamente sem ressaca depois de uma semana que foi um porre. A Grécia foi a cachaça vencida que a Europa tomou. Quanto a mim, deixe para lá, que reclamar da vida não faz bem para a alma.

Para mim a semana acabou ontem, que foi um Domingo improvisado para todos os paulistas. A cidade de São Paulo, particularmente, fica uma delícia nos feriados prolongados. A massa viaja, e os poucos da elite da boa vida –os que sabem mesmo viver bem– ficam por aqui aproveitando as ruas como deveriam ser sempre: com bem menos gente. São Paulo não deveria existir, é uma cidade obviamente inviável.

Mas fujo do assunto. Hoje é uma Sexta-feira com cara de Segunda, algo assim. É como se fosse outra semana, e outra semana perfeita: de apenas um dia útil, porque amanhã já é Sábado. Toda semana deveria ser assim.

Acordei de bom humor porque acordei cedo. Sempre fico bem quando acordo cedo. É como um sacramento que me religa ao estado de bem-aventurança da vida neste mundo. Precisava fazer isso mais vezes.

Mas o assunto não sou eu. De cara, quero dizer duas coisas, uma mais essencial e outra acidental: 1) o que interessa é o indivíduo, e 2) preciso escrever mais sucintamente.

Sobre o indivíduo, resumidamente, é simplesmente a razão de ser deste Curso de Introdução à Formação Intelectual. Não sejamos ridículos de presumir que eu quero formar realmente qualquer pessoa: o processo de formação dura uma vida inteira. Se eu quisesse formar uma pessoa no Curso, eu teria que ensinar tudo o que sei de mais essencial, e logo em seguida matar essa pessoa. Esta seria a conclusão do curso: um homicídio. Longe de mim. Prefiro fazer uma Introdução (está no nome do Curso por isso, não por boniteza) que leve a pessoa a se interessar, se eu fizer um serviço decente, pela sua própria formação intelectual. Pois bem, estive pensando nesta função do Curso, e cheguei a esta conclusão simples e que resume mesmo tudo: o centro é o indivíduo! Tudo que faço conspira para fortalecer as pessoas individualmente. E como poderia ser diferente, tendo como mestre Olavo de Carvalho, o defensor por excelência da individualidade humana no meio dessa bagunça? Fico feliz de não ser original nisso, pelo contrário, de ser nada mais que um imitador. Só espero imitar com felicidade.

Com o tempo virão –assim espero como consequência do meu trabalho–, as críticas que noticiarão uma veia coletivista nas coisas que digo e escrevo, principalmente nas considerações sobre economia política. Quando isto acontecer eu me defendo propriamente. Não antecipemos o busílis. Mas já adianto que não, não me perdi no meio do caminho: o que interessa é o indivíduo, mesmo quando consideramos as ações e consequências das potestades do mundo. Não há utopia liberal, progressista, nada disso.

Feita esta observação, sobre a qual poderia me estender muito se não tivesse uma pilha de tarefas para resolver (ainda não conheci o meu mecenas para me tirar disso, e certamente não me prostituirei ao Estado nem a ideologia alguma), sobra este detalhe técnico: preciso escrever melhor, ou seja, dizer mais com menos palavras.

Minha prolixidade é pedagógica. Sempre quis ser mais professor do que escritor. Daí o meu constante querer explicar, detalhar, exemplificar, etc. Não quero ser consumido como autor: quero ser entendido. Desde que eu não maltratasse demais a língua portuguesa, não haveria muito mal nisso. Acontece que, indiferentemente aos nossos planos, sonhos e ideais, o dia continua tendo apenas 24 horas. Não é possível, simplesmente, fazer tudo o que adoramos fazer da forma mais perfeita. Então mudemos de perfeição: da quantidade mais exuberante, à qualidade mais genial. O problema é ter algum gênio para fazer isso. Não custa tentar? Custa sim: o erro. Mas isso é só humilhação diante dos fatos, vale a pena. Que bom que estou cagando e andando para a crítica dos desocupados, imagine se ligasse para isso! A dica é: não liguem mesmo. Eu queria ter sabido disso antes. Tenham compromissos e dívidas com quem interessa, que no fim é sempre pouca gente.

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