Que belo é o dia

Que belo é o dia em que acordamos querendo viver mais. Sobre o que é a felicidade aprendemos com Sócrates e Santo Agostinho. Mas a pista de que se é feliz deve estar nisso: você acordar e dizer que quer viver mais, mais, mais. Mas não é uma cobiça, ou uma ansiedade. É algo mais ingênuo, sincero, tranquilo.

Tudo vai bem até o primeiro aborrecimento do dia: alguém enchendo o saco, ou as notícias dos planos das potestades do mundo.

Hoje me ocorreu que o ser humano não é tão burro de achar que se o pé cresceu e já não cabe no sapato a solução deve ser cortar uns dedos fora. Individualmente, ao menos, ninguém normal pode ser tão estúpido assim.

Mas não subestime os acadêmicos, os iluminados, os especialistas. Nós ainda não representamos para o planeta Terra o que uma espinha representa para um rosto, mas há esses experts dizendo que chegamos ao nosso limite, e que seria bom exterminar umas pessoas para continuar levando a vida, sabe como é.

Dizem isso de forma mais sutil, mas acreditam mesmo que o problema do mundo é que tem muita gente nele. Mais exato, eu diria que o problema é que tem muitos especialistas e poucos sábios.

Eu acho que tem muita gente em São Paulo, por exemplo. Aliás, tenho certeza. Uma cidade deste tamanho não deveria existir. É uma realidade massacrante para quase todos os seus habitantes. Todos os tipos de poluições, pressões e abusos que se sofre ao viver num lugar como São Paulo, isto tudo serve como alimento do alarme para os supostos problemas globais. O que é uma tremenda burrice, é claro. O provincianismo devora a razão, e os problemas da cidade se tornam os problemas do mundo. É o alarmismo Urbi et Orbi do pontificado globalista.

Nenhum indivíduo vive no mundo. Nós vivemos na cidade, essa grande invenção do ser humano. Só que algumas cidades são muito entulhadas de gente, como São Paulo. Ao invés de se querer resolver modestamente os problemas urbanos locais, os especialistas querem salvar o mundo.

E mesmo quando os problemas locais são enfrentados, as respostas são esquisitas. As ciclofaixas em São Paulo, por exemplo, resolvem tanto os problemas do trânsito quanto um band-aid cura uma perna amputada. No mesmo dia em que o prefeito Haddad inaugurou esse band-aid na Avenida Paulista, saía a denúncia de que ele recebeu R$ 2,6 milhões da UTC, de dinheiro roubado da Petrobras. E ninguém teve a dignidade de jogar sequer um ovo no cara.

Porque eu não joguei o ovo eu mesmo? Estava dormindo. Aliás, falando de São Paulo, ciclofaixas e Haddad, quase me esqueço de que é belo o dia, e já penso em voltar a dormir.

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