O custo do calor humano

Relógio Morte

É gozado que se você cuida da sua vida e dos seus negócios, as pessoas te olham meio estranho.

De algum modo eu tive sempre comigo a intuição de que em geral a convivência humana no cotidiano não é um bom negócio. Perde-se muito tempo. E ganha-se muitos vícios. As pessoas se entusiasmam com coisas estúpidas e como, apesar de não parecer, elas possuem realmente uma alma, você acaba se deixando impressionar em alguma medida. A convivência estupidifica, amolece, gera puxa-saquismo, rebaixa a inteligência média (uma discussão tende a ter o nível de sofisticação necessário para o membro mais burro participar).

O ideal é procurarmos as melhores pessoas para conviver, sempre as melhores. Sempre. E isso quer dizer que as melhores pessoas estarão notavelmente mais cercadas de gente do que as medíocres. Assim é a vida, assim é a lei natural das influências. Ou pelo menos assim deveria ser. O hábito social dos incapazes de reconhecer a grandeza alheia faz os medíocres se sentirem melhor esfregando-se mesmo uns nos outros, trocando mutuamente a sua atenção, o que equivale –repito meu ponto inicial—apenas a perder tempo, porque ninguém ganha coisa nenhuma com isso. Qual é o sentido de participar disso se você pode, por exemplo, conviver com uma pessoa melhor, ler um livro, ver um filme, ou simplesmente dormir? Asinus asinum fricat.

Não sou anti-social por um distúrbio qualquer, ou por um defeito na minha formação. O sou por escolha deliberada, consciente e meditada.

O tempo é muito precioso, bem como a atenção das pessoas que REALMENTE valem a pena: nossos amigos, os melhores com os quais aprendemos, e os piores que aceitam aprender conosco. O resto da convivência social é bobagem, perfumaria, perda de tempo.

É como se diz, em inglês: “I’m not antisocial, I’m anti bullshit”, que traduzindo fica “não sou anti-social, sou anti-bosta” (ou “anti-bobagem”, para as almas mais sensíveis).

Curiosamente estava aqui lendo uma reportagem da Época Negócios de Junho/15, que mencionou o seguinte: “segundo estudo da consultoria Basex, a ‘cultura da interrupção’ causa um prejuízo anual gigantesco de US$ 588 bilhões à economia americana”. A cultura da interrupção é o nome que se dá à prática de usar entre 40% e 60% da jornada de trabalho em interrupções ou solicitações fora de hora. “Além do desperdício, esse problema afeta o desenvolvimento profissional, provoca erros evitáveis e cria problemas de retrabalho”, continua o texto. Não se iludam: essas interrupções e solicitações só são impertinentes porque as pessoas não se aguentam nas suas porcas vidas. Não se aguentam, elas têm que atrapalhar a vida alheia o tempo todo, o tempo todo.

Alguém diria que o desperdício vem da ineficiência de processos, e não da sociabilidade humana. Discordo. A ineficiência dos processos vem justamente dessa socialização excessiva dos ambientes de trabalho, todo o  bla-bla-bla inútil que não leva ninguém a lugar nenhum, essa perda horrorosa de tempo e recursos. As pessoas se tornam o centro do trabalho, quando o centro do trabalho deve ser sempre uma tarefa a ser cumprida, um serviço, um produto, etc. O para isso é desmontar a visão de valor na disponibilidade temporal das pessoas, e a padronização dessa disponibilização –que pensando bem é irracional–, e metrificar resultados ligados às tarefas e não o tempo despendido, acelerar e intensificar o uso de home office, etc., para que as pessoas façam no trabalho apenas o que devem fazer, o que é realmente necessário delas, e possam usar o resto do seu tempo para ficar com seus familiares, amigos, etc.

Eis o prejuízo, eis o estrago.

Eis o custo do calor humano. Só nos EUA, são quinhentos e oitenta e oito bilhões de dólares por ano.

Para não se falar do tempo humano perdido, o tempo concreto, essa quantidade determinada a cada um de nós desde o nascimento, e que diminui a cada segundo, separando o momento presente do momento da nossa própria morte.

Tempo é muito valioso!

Vale muito mais do que dinheiro, como diria o Silvio Santos.

Está na hora de abandonar essa bobagem de comportamento inútil. Está na hora de cada um cuidar da sua vida.

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