Pode ficar tranquilo, estaremos providenciando

Antes que ocorra o aumento de produtividade que permita uma verdadeira e robusta distribuição de renda, é urgente garantir a libertação intelectual, cultural, espiritual e filosófica do homem socialmente deslocado, problema difícil (se não o maior de todos) da nossa época.

Essa modesta missão me atrai como um ímã, como a banana atrai o macaco.

Digo, com o fôlego que me resta, a qualquer um: pode ficar tranquilo, estaremos providenciando.

Sacanamente, uso essa senha do ambiente corporativo, que não chega a ser um eufemismo, mas é mesmo todo um código secreto que diz mais ou menos o seguinte: salve-se quem puder, essa merda não vai sair nunca!

Brinco. Apesar de realmente não contar com o olímpico fôlego de um Michael Phelps da filosofia, eu me viro. Escrevo minhas coisas, faço meus planos. Digo isso, e não prometo coisas muito melhores e mais rápidas por ora, porque realmente eu carrego saquinhos de pedras nas costas, e uns pianinhos. Digo essas coisas nesse arranhado diminutivo porque não posso me gabar do meu sofrimento, que não é grande coisa mesmo. Detesto reclamação, tenho alergia. Não sou um grande sofredor, graças a Deus. A cota de piedade de Deus comigo é homérica, monumental, morro de vergonha de reclamar da vida. Mas o dia continua tendo 24 horas, e eu continuo não podendo fazer tudo o que deveria, porque é impossível mesmo, com esses saquinhos de pedras, esses pianinhos.

Meus planos seguem mais ou menos inalterados, intelectualmente falando, faz vários anos. A forma sempre mudou com o tempo, mas a intenção manteve-se praticamente a mesma por trás da zona cotidiana.

No artigo de Olavo O maior problema do mundo –que tem para mim toda a força de um mandamento filosófico, de um diagnóstico avassalador, completo, terminal, sobre a nossa realidade social–, escancara-se a situação do homem refém da sua própria capacidade ilimitada de transformar o mundo, de enriquecer. Esquecido de outros valores, o homem bestialmente devora a si mesmo na loucura moderna.

Estive pensando nesses dias (domingo último, para ser mais exato) sobre o quanto está intrinsecamente relacionada a revisão, por parte da Igreja, da doutrina da justiça social, com a profecia que fala da Consagração da Rússia. Vou longe, respirem.

Na minha mitologia pessoal atual, o movimento revolucionário nas suas mais variadas formas, sinteticamente abarcável pela idéia de socialismo, resolveu disseminar a loucura através de uma interpretação macabra do fenômeno capitalista. Não falo da mentalidade revolucionária, que é mais abrangente ainda, mas especificamente da sua configuração concreta como ideal socialista. O capitalismo é consequência da sofisticação do sistema de trocas dentro da sociedade ao longo de milênios, o que por sua vez é antes de uma realidade puramente comercial, um sistema de “doações mútuas” para o beneficio coletivo, que deriva em última análise do Segundo Mandamento de Deus, o amor ao próximo. Ocorreu que a velocidade com que as moedas de troca foram se aprimorando, bem como os instrumentos financeiros atrelados a elas –criando todo o moderno sistema de crédito–, aliados ao surgimento de tecnologias revolucionárias como a imprensa escrita, a locomotiva a vapor, o automóvel, o avião, o telefone, rádio, internet, etc., deu ao homem a febre de imaginar a solução do problema econômico fundamental da escassez definitivamente. Não que esta imaginação seja tola em si, mas ela leva a toda uma revolução na concepção da sociedade. Por exemplo: sempre existiram pobres. A pobreza é a natureza humana. Nós nascemos, todos, carecas, banguelas, analfabetos, pelados, e sem nenhum tostão no bolso. A riqueza sempre foi uma exceção, uma raridade. Conforme a prosperidade aumenta formidavelmente o nível de vida médio de massas inteiras da população, parece ser possível pela primeira vez alterar o estado natural do homem, que é o de pobreza, para algo que é muito melhor. Repito: não há nada de tão errado em desejar a prosperidade, o problema é como esse processo mental evolui na cabeça dos iluminados seres humanos. Vemos que o processo de evolução espontânea do capitalismo começa a ser criticado. É claro que no decorrer do enriquecimento médio da população, os que já tinham mais posses se tornaram mais ricos ainda, e isto gerou uma grande inveja e ressentimento para aqueles que passaram a achar que a pobreza é um problema imediatamente resolvível com o socialismo, com a distribuição igualitária da renda gerada pela atividade econômica. De repente a pobreza, que era a característica mais evidente da espécie humana, se tornou um problema social. Pois bem. O socialismo e a idéia toda de justiça social vão inevitavelmente destruir o que era a Caridade legítima e inerente à vocação espiritual do ser humano. Existiria uma justiça humana que não pode depender da boa vontade, da caridade generosa, por parte dos ricos. É necessário um poder estatal que faça essa justiça por bem ou por mal. O que ocorre aí é que esse poder estatal, para poder arbitrar a justiça social em todo o seu domínio, deve acumular mais poder e autoridade que todos os demais agentes políticos. O Estado socialista, ao fazer isso, além de concorrer para uma prática tirânica totalitária, e de incentivar a corrupção em escala gigantesca, é tremendamente ineficiente para coletar os impostos e distribuir os benefícios sociais, por uma razão monstruosamente óbvia: o sistema de trocas capitalista é o modo mais eficiente e barato de benefício da vida humana em sociedade. Assim ocorre que o socialismo nunca entrega o que promete, e, de quebra, como parasita os recursos da sociedade de forma constante e crescente, impede que cresçam os ganhos de produtividade que gerariam mais riqueza no capitalismo, através do investimento dos recursos chupinhados na sustentação da vida palaciana dos tiranos, da corrupção, e do funcionalismo público tremendamente ineficiente. Os socialistas não só não enriquecem ninguém, como geram o empobrecimento geral da sociedade, sob a sua alegada missão de justiça social. Esta febre criou monstros totalitários que espalharam o seu vírus pelo mundo, e esses erros da Rússia seduziram os especialistas (ah, os especialistas), os doutores, acadêmicos, economistas, políticos, sociólogos, o show business, artistas, intelectuais, etc. Todo mundo passou a querer justiça social. Não querer justiça social se tornou crime de opinião. Seduziram até os membros da Igreja Católica. Parte da Igreja, buscando modernizar-se (sabe-se lá porquê), atendeu à reivindicação socialista, e justificou o conceito de justiça social como uma espécie de prática política cristã. Outra parte da Igreja, buscando salvar-se do socialismo, e vendo a sua impregnação na mentalidade moderna, virou-se ao passado, à tradição, querendo fingir que a situação real não é real, e desejando apagar do mundo tudo aquilo que levou à alucinação moderna no seu entendimento, ou seja, as causas materiais (tecnológicas, econômicas) do modus vivendi moderno. Assim sendo, entre a Igreja socialista revolucionária homologadora da justiça social, e a Igreja tradicionalista anti-moderna, não restou quase nada de Igreja realista, que se ponha no seu lugar de ensinar as almas a viver corretamente. Não dá, simplesmente, para transportar a humanidade de volta a Idade Média. E mesmo que fosse possível, alguns poderiam não querer, e justamente. Eu, por exemplo, gosto muito de ter privada para cagar, confesso. E não acho isso um luxo da vida moderna, acho que é uma conquista da civilização, um achado que não abala em nada a Igreja. Whathever. Não dá para voltar no tempo, sinto muito. E também não dá para endossar esse lixo humano que é o socialismo, a ideologia da justiça social, etc. O necessário, então, seria (ouso especular, sim, que sou fã do despudoramento das idéias, da pornografia mental) a Igreja reconhecer os méritos da tecnologia moderna, entender que a prosperidade dos povos depende do bom funcionamento dos investimentos na economia produtiva, e JULGAR SEM PERDÃO A IDÉIA DE JUSTIÇA SOCIAL COMO LOUCURA SATÂNICA, E RENOVAR A SUA MISSÃO DE PREGAR A CARIDADE HUMANA EM ACORDO COM A PROSPERIDADE DOS POVOS DA TERRA. Esta Igreja da Caridade é a que providenciará a Consagração da Rússia. Porque o Papa e os Bispos que conseguirem renovar a Caridade e condenar a justiça social serão os mesmos que reconhecerão a sua missão da Consagração no seu tempo.

Agora é preciso voltar ao “maior problema do mundo”. A opressão econômica sobre as outras vocações humanas não relacionadas com a produção de riquezas de algum modo é alimentada pela loucura revolucionária socialista. Pois a atividade política é sequestrada e comprimida no debate do noticiário econômico, na disputa entre as idéias liberais e socialistas. Esse debate, no entanto, é viciado pela mentalidade revolucionária, pois que todos os ideais e sonhos humanos se resumiram, por esta obsessão demoníaca, à riqueza terrestre. Assim sendo, a reviravolta no debate econômico, e as suas consequências, desde o destravamento dos investimentos pela desmoralização da idéia de justiça social, passando pelos ganhos de produtividade em todos os setores econômicos, até chegar na renovação da Caridade cristã, causaria no Ocidente uma tal prosperidade que, paradoxalmente, liberaria as outras vocações humanas para o seu pleno e livre exercício, já que a obsessão socialista seria vencida de uma vez por todas e as pessoas não precisariam mais ficar discutindo dinheiro e sucesso social e material 24 horas por dia.

O desenvolvimento dessas idéias acima constituem mais ou menos 1/6 da minha tarefa, pelos meus cálculos atuais. Não pretendo me tornar um especialista no assunto, só um provocador qualificado e pertinente, digamos assim. Minha situação não comporta grandes e profundas pesquisas, eu precisaria antes de uma transfusão de vida. Acho importante discutir pelo menos essa questão de economia e de moral, apesar de tudo, porque nada disso é questão de profecia, mas de trabalho intelectual, entendimento, detalhamento, aprofundamento, etc., por parte de quem se interessar.

Como disse lá no começo, é urgente garantir a liberdade e a força intelectual que permitam esses avanços na mentalidade das novas gerações. Vamos em frente.

Só falta o tempo. Quero escrever. Quero dar aulas. Você quer me ler? Quer assistir minha aula?

Ótimo. Pode ficar tranquilo, estaremos providenciando.

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