Notas para o CIFI (3)

17) Como desbloquear a trava cultural da dispersão psicológica da atenção?

Devemos entender que todos nós possuímos uma complexidade própria que não pode ser desconsiderada sob o desejo intenso de se ter convicções e posições definitivas, e também devemos nos lembrar do fato da própria morte como garantia de sentido da vida individual e, com isto em mente, buscar a realização de algo que valha a pena ser vivido.

 

18) Qual é a complexidade própria que o ser humano possui?

É a concomitância que existe entre as ações de Ser (eu ideal), Existir (eu profundo), Lembrar (eu narrativo) e Mostrar (eu social). Sem a admissão clara destas camadas simultâneas da nossa vida, sempre corremos o risco de perder a noção da proporção das nossas ações e reações no mundo, conforme o nível de realidade da nossa individualidade que corresponda à situação.

 

19) Como a própria morte pode garantir o sentido da vida?

A finitude do tempo disponível nos obriga a priorizar e escolher entre as melhores possibilidades de vida. Inevitavelmente encontramos uma maior parte das ações que não requerem a nossa presença individual para a sua realização, enquanto que algumas coisas só podem ser feitas por nós mesmos, sendo essas as que caracterizam um sentido de vida, ou uma vocação. Exemplos: a constituição de uma família, o desempenho de um papel social relevante e/ou a realização de uma obra duradoura (em negócios, política, artes, ciências, etc.).

 

20) Como podemos começar a escolher entre as melhores possibilidades de vida?

É preciso ter foco na própria vida. Faz-se isso tendo a noção clara da escassez do tempo, compreendendo a diferença entre planejamento e execução (ordenamento e informação), aprendendo a aplicar a técnica do desdobramento hierárquico, e definindo, enfim, Propósitos, Objetivos e Metas sob parâmetros mensuráveis. Além disto, negativamente é essencial evitar atitudes especialmente dispersivas, como transformar diagnósticos de situações em processos de atribuição de culpas, crer-se detentor de direitos especiais de tratamento e atenção mesmo sem a contrapartida de realizações que justifiquem isso, e mais algumas atitudes menores: falar mal dos outros, fofocar, reclamar, etc.

Além desse foco individual, é preciso ampliar as perspectivas de possibilidades humanas através do consumo consciente de cultura simbolicamente relevante, como literatura, biografias, etc., para além do que constitui o nosso consumo típico do dia-a-dia.

Isto tudo já é o começo da trajetória de formação intelectual.

A continuidade deste processo em si dependerá de uma atividade crítica específica ao longo do tempo, tanto de crítica das próprias opiniões (e do rastreamento das origens materialmente localizadas no tempo e no espaço), quanto da cultura consumida, passando no fim para o mapeamento das fontes remotas de todas as idéias públicas com o estudo da alta cultura.

Para fins introdutórios, porém, basta-nos avaliar se dentro do processo de tomada de posse da vida individual e da definição dos alvos pessoais restou algum interesse pelo processo particular de formação intelectual. Se sim, segue-se a introdução à própria Filosofia.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s