Globalism detected

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Vivo lendo as notícias de ontem. Ou de anteontem, ou de antes ainda…

Um dia, se possível ainda nesta vida, eu quero poder ler as coisas no seu devido prazo, com a abundância de tempo que exige uma análise cuidada das coisas. É verdade que nós podemos, graças a Deus, levar a nossa vida com poucas notícias. Mas quis o mesmo bom Deus que eu tivesse essa sanha, essa comichão, de ler tudo o tempo todo.

Por mais intempestivo que seja esse meu expediente, toco em frente. Estou aqui lendo o jornal Folha de São Paulo de segunda-feira, dia 27. Pelo menos é um jornal desta semana, ainda. Já é alguma coisa.

Não sou nem um pouco fã da Folha de São Paulo, mas tive que comprar essa edição por causa da manchete principal de capa: “SP quer tirar agente federal das rodovias no Estado”. A notícia me chamou a atenção devido a uma conversa que tive com um amigo no último sábado (me chamou atenção também por outras razões, mas guardo-as para mim, por ora). Entre as coisas que falamos, estava a questão do crime. Este meu amigo tem um ranço brabo com o PSDB e em especial com o senhor Alckmin, por várias questões, e acha que o partido governa SP faz muito tempo, etc., etc.

Eu sou a favor da rotatividade no poder, acredito sim que isso faz parte da democracia, e que tudo fica melhor quando os caras não se acostumam demais com o estofado das cadeiras. Mas o Brasil, meus caros, é governado por um partido chamado PT, que tem um projeto totalitário descarado. Esses caras não querem sair de Brasília nem a pau, não querem largar o osso por nada desse mundo. Então eu digo o seguinte: sou tão favorável ao PSDB sair de SP quanto ao PT sair de Brasília. E como o PT é, como partido, mais totalitário do que o PSDB, então eu quero que eles saiam de Brasília antes que o PSDB saia de SP. Minha lógica é essa aí.

Mas já estou saindo do assunto.

Falava o meu amigo, então, horrores sobre a gestão do PSDB no Estado de São Paulo. E veio falar do crime, etc. Eu me lembrei daquele acordo com o PCC, na época dos ataques, o que até hoje é uma história esquisita, embora na ocasião o Governador em exercício fosse o Claudio Lembo (o melhor sósia do Sr. Burns, dos Simpsons, que eu já vi na vida). Mas eu me lembrei também de que as estatísticas em São Paulo sobre o crime até que são boas em relação ao resto do Brasil. E disse que na minha visão o grande problema do crime é a questão do tráfico de drogas em nível nacional, e também do tráfico de armas. Poderia ter citado a legislação penal, que talvez seja o segundo maior problema, mas não sou especialista para dizer.

Quando vi a manchete na Folha, comprei o jornal para ler só sobre este assunto. E está lá o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, dizendo dois dias depois mais ou menos o que eu disse ao meu amigo. Perguntado sobre qual seria a razão da medida de tomar o policiamento das rodovias federais, respondeu o Secretário: “Em função do tráfico de drogas, porque a droga não é produzida em SP, e do tráfico de armas, porque os fuzis não são fabricados em SP. E também do roubo de carga, porque onde há mais roubo a carga em SP é na Régis Bittencourt”. Fiz um quadradinho com caneta na fala do Secretário. Vou mostrar ao meu amigo neste final de semana, se encontrá-lo de novo.

Mas, acreditem se quiser, o assunto deste texto não é este ainda!

Acontece que irresistivelmente eu tive que dar uma olhada no jornal inteiro. Por este meu maldito vício de ler. Só ressalvo que ler tudo, realmente ler, não li mesmo, porque haja saco para tanto… mas lá pelo segundo caderno encontrei alguma coisa, e essa coisa me fez vir aqui contar toda essa história.

Na página A17 lemos: “Os geoengenheiros estão chegando”. É um artigo escrito por Ronaldo Lemos. Que diabos é geoengenharia? Tive que ler.

Em resumo, a Academia de Ciências dos EUA lançou dois relatórios sobre o assunto, que se trata de buscar intervir no problema climático (“climate intervention“) com medidas específicas para resolver os problemas. Alguém diz que se poderia soltar uma nuvem se sulfato na atmosfera para diminuir o aquecimento global (uma solução que me lembrou o filme Matrix, onde é contado que o ser humano tacou fogo no céu para bloquear a luz do sol que abastecia o império das máquinas), ou então que se poderia jogar ferro nos oceanos para fertilizar as algas que captam carbono, e por aí vai.

A priori acho tudo isso legal. Porque me tornei um otimista. Ainda tenho umas suspeitas, mas comecei a achar que me tornei mesmo um otimista. Acho que não há confusão prática que com o tempo não se resolva com tecnologia, inclusive o problema ambiental. A história mostra isso. Sinceramente, entendo que o que a tecnologia não resolve são os problemas fundamentais do ser humano, morais e espirituais, que requerem outro tipo de intervenção, ensinamento, educação, etc. Então acho bom que se inventem mesmo uns modos de arrumar a bagunça climática com tecnologia, para não ficarmos na assim chamada “solução” de bloquear o desenvolvimento e a prosperidade dos povos para salvar o planeta Terra.

Mas é evidente que a geoengenharia se torna polêmica, porque assim como a discussão das causas das mudanças climáticas não se conclui com nenhuma unanimidade, a determinação técnico-científica dos efeitos das soluções da geoengenharia não é precisa e também não gera consenso. Até aí, tudo bem ainda, porque é uma discussão dos especialistas para ver o que é que dá para fazer.

Só que num ponto o artigo disse algo que foi o suficiente para eu ficasse mais atento, a ponto de escrever este texto aqui. Diz o artigo o seguinte: “Dar um chapéu nesses obstáculos políticos é um dos grandes atrativos (e perigos) da geoengenharia. Enquanto diplomatas do mundo todo se reúnem há anos sem encontrar uma solução efetiva, um único país poderia decidir tomar o problema em suas próprias mãos e agir, produzindo efeitos em escala global”. Opa, opa, opa! Globalism detected.

Não é nenhuma novidade que o globalismo, como qualquer picaretagem que já existiu no mundo, trabalha criando dificuldades para vender facilidades.

A histeria sobre a questão climática (que não se deve confundir com o estudo científico do problema) é um dos programas centrais do globalismo no mundo de hoje. Porque se os problemas climáticos foram criados pelo homem em escala global, e afeta o mundo em escala global, e não pode ser resolvido por apenas um país em particular, então é necessário uma solução em escala global. E a solução em escala global requer um poder global, capaz de centralizar as decisões, administrar, tributar, punir, etc., como um Estado mundial.

Muito bem. Acontece que essa conversa de apocalipse climático está aí faz anos, e as nações não parecem se preocupar muito com o assunto, ou pelo menos não tanto quanto o alarmismo globalista deseja. Essa semana mesmo aconteceu um fiasco, uma gafe tremenda. Um navio com especialistas (ah, os especialistas) que estavam indo lá não sei onde investigar o degelo por causa do aquecimento global ficou preso… no gelo. Um gelo inesperado. Um gelo que não deveria estar ali. Um gelo que deveria ter derretido e nos afogado a todos, a nós que produzimos o aquecimento global. Pois bem, esse maldito gelo interrompeu a viagem desses heróis, dessas santidades modernas.

Por essas e outras é que todo mundo fica com o pé atrás com a conversa do aquecimento. O assunto das mudanças climáticas, em resumo, já se tornou muito mais uma disputa de poder político do que uma questão técnica, que é o que deveria ser sempre e exclusivamente.

O que o artigo na Folha me mostra é que os globalistas podem estar montando uma nova solução para o seu “problema”, ou seja, para o problema de criar problemas tão grandes que obriguem as pessoas a aceitar um governo mundial.

Senão vejamos.

Sob a perspectiva globalista, a narrativa seria a seguinte: a falta de iniciativa e liderança da classe política para resolver o problema climático “obrigaria” um país qualquer (sob forte pressão globalista nos seus bastidores… como um Brasil, por exemplo) a adotar, ou mesmo sequer ameaçar seriamente a adotar, a solução da geoengenharia. Esta traria, real ou virtualmente (e para os globalistas isso realmente pouco importa), como efeitos, problemas novos em escala global (e com “novos”, quero dizer verdadeiros) que obrigariam, finalmente, que houvesse o concerto das nações em busca das soluções, ou seja, seria o avanço da agenda globalista.

Não há nada de estranho com essa metodologia. É muito simples. Se os problemas climáticos não são reais o suficiente para oprimir as pessoas psicologicamente com o medo generalizado, vamos criá-los. Teremos, literalmente, problemas climáticos causados pela ação humana, e que requerem uma intervenção política em nível global. Estou avisando. É o que me cabe.

Essa forma de agir me lembra outra coisa que especulei, analisando aquele artigo da Veja Online que falava do relatório da Stratfor para 2025. Quando o documento se referiu ao risco de terroristas capturarem armas do arsenal nuclear russo após o “colapso” do governo, minha mente disse “pimba!”: eis um colapso muito conveniente para que se possa trazer os EUA a negociar uma Nova Ordem, usando as armas russas como se não fossem russas, nas mãos de “terroristas” que se aproveitariam das circunstâncias…

Sou um paranóico? É tudo paranóia minha? Nada…

Primeiro que tenho Marte na I em Escorpião: sou um detector nato de trapaças, de safadeza, de manipulação suja e traiçoeira.

Segundo que estudei um pouquinho de história: o inverossímil é a marca da ação humana com relevância histórica.

Terceiro que acho que a liberdade não é um estado natural do homem civilizado: é uma conquista permanente de quem quer ser livre. Como já se disse muitas vezes, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

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