Até que o PT perca realmente alguma coisa, ele só está ganhando

mailson

É arrepiante o poder humano de crer em coisas que não existem. Arrepiante.

Digo isto lendo o artigo de Maílson da Nóbrega na Veja de 01 de julho, chamado “Riscos para o PT em 2018”.

O título já é curioso.

Fosse o Brasil um país sério, o PT não sofreria quaisquer riscos em 2018 porque ele simplesmente não existiria mais.

Mas seguimos a vida, tocamos o dia, e lá vai o PT seguindo também, correndo os seus perigosos, seríssimos riscos, para o ano de 2018. Coitados.

Eles podem destruir o Brasil, e fazer os planos mais ousados para continuar operando livremente os seus estragos, e a grande preocupação de Maílson é que o PT vai mal como partido. O PT que existe não é o PT que Maílson gostaria que fosse. Ele não se aguenta em si mesmo com esta terrível preocupação política, e resolve compartilhar conosco sua meditação sobre a atitude da esquerda no Brasil.

Enquanto isso, no mundo real, há panelaços homéricos no país. E há quem diga que vamos encher avenidas, ruas, vielas, enfim, tudo quanto se possa, nas próximas manifestações em oposição ao governo. Vai ter gente até no lustre, como diria o nosso Nelson Rodrigues.

E na mídia nós lemos coisas assim, tão sábias:

A Carta ao Povo Brasileiro foi uma cortina pragmática para encobrir antigas e resistentes visões. A caminhada ao centro visava apenas a evitar uma quarta derrota eleitoral.”

Então vejamos isso aí.

O PT não é um partido da esquerda soft como é a européia, que Maílson acha muito mais decente, respeitável, realista. Não é um PSOE espanhol, não é um Trabalhista britânico. Lula não é um Gonzáles, não é um Blair. E eis que o petismo teve que fingir que era algo assim, só para “evitar uma quarta derrota eleitoral”. Eu nunca vi coisa igual em parte alguma: agora não se ganha eleições, se “evita uma derrota”. Foi o que o PT fez, fingindo-se de moderado, apenas para derrapar na amenteigada Nova Matriz Econômica.

Que o PT estivesse mesmo desde sempre com outros planos, DECLARADOS, aliás, nas suas manifestações intelectuais, nas suas manifestações de base, na sua aliança estratégica com a esquerda continental pelo Foro de São Paulo, tudo isso passa ao largo de todas as cogitações de Maílson. O mal do PT é não ser o que ele gostaria que fosse. E isto quer dizer que o PT vai mal. Tão mal que evitaram, depois da quarta derrota, a quinta, a sexta, e a sétima. Eis uma lógica formidável. O pobre PT, atrasado, corre o terrível risco de não conseguir evitar a oitava derrota em 2018…

Que o pragmatismo petista tivesse usado a idiotice dos péssimos intérpretes da realidade política com sua Carta ao Povo Brasileiro para tomar o poder e nunca mais largá-lo, eis uma possibilidade que as profundas meditações de Maílson não alcançaram.

Diz mais, o Maílson:

O PT valoriza a democracia, mas defende, paradoxalmente, o ‘controle social da mídia’, que violaria o princípio de liberdade de expressão.”

Vamos lá, lembrar os fatos: o PT comprou o Parlamento na ocasião do mensalão; usou (e deve continuar usando) a máquina pública, com Estatais, BNDES, Fundos de Pensão, etc., para criar um gigantesco esquema de poder que coloque todos os agentes políticos e econômicos no seu bolso; declarou, por ocasião e subsequentemente à vitória nas eleições passadas, que avançaria na independência política esvaziando o PMDB, e seguiria então para o controle da mídia, para eliminar as últimas possibilidades de oposição consciente. Isto é a história que se sabe.

Com tudo isso o senhor Maílson tem a duríssima cara de pau de dizer que o PT VALORIZA a democracia!

O PT valoriza a democracia como um ladrão valoriza o pé-de-cabra, meu caro Maílson!

A democracia para o PT é apenas uma ferramenta de trabalho, para tomar posse do poder e nunca mais largá-lo.

Será difícil entender isso? O que é preciso acontecer, ainda?

Depois ainda tenho que ouvir, em tom de grave indignação, esquerdistas dizerem que a revista Veja é de direita, conservadora, etc. Isso é uma PIADA. UMA PIADA.

Encerra Maílson o seu artigo:

O congresso [do PT, em Salvador] foi permeado por velhas visões e pela defesa de uma nova aliança para 2018, composta de partidos de esquerda, ou seja, sem o PMDB e outras agremiações tidas como conservadoras. Seria a saída para a vitória de Lula nas próximas eleições presidenciais. Como lembrou Dora Kramer, o PT tentaria retornar aos tempos em que sofria seguidas derrotas eleitorais. Ademais, a estratégia ocorreria em ambiente de declínio de filiações ao partido, da corrosão de sua imagem por corrupção e má gestão, e da queda da aura de líder imbatível que Lula conquistou por certo tempo. A história mostra que pode não funcionar.”

O que a história certamente mostra é que viver de ilusões não funciona.

Maílson já se esqueceu de que, com a colaboração da mídia, FHC instou a oposição a não impedir Lula na época do mensalão, com a brilhante estratégia de querer deixar o PT sangrar até perder as eleições.

As eleições vieram e Lula foi reeleito.

E o PT elegeu Dilma.

E reelegeu Dilma.

Fernando Henrique Cardoso entende muito de estratégia política, hein? Maílson deve babar na gravata de tanta admiração, e já imita o mestre: seca o PT para que ele perca em 2018.

Enquanto essas crenças ganham as mentes e os corações do socialismo soft, o PT ganha no mundo real, fazendo política todos os dias, disputando o poder de verdade.

É evidente que somente partidos de direita, conservadores e liberais sem reservas, com lideranças fortes, poderiam combater o PT. O resto é conversinha mole nas páginas de Veja, que só assusta os petistas e filo-petistas mais paranóicos.

Até que o PT perca realmente alguma coisa, ele só está ganhando.

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