8 de setembro de 2015

São Paulo

Provavelmente não terei muita energia por enquanto para escrever, pois estou me recuperando de uma gripe que me derrubou em viagem recente.

Como já voltei para a poluída São Paulo –que é o meu habitat natural– e já estou no processo de reintoxicação, acredito que vou melhorar em breve.

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Dos episódios recentes do cenário político brasileiro, sempre abundante de excentricidades, destaco a lataria montada para blindar o desfile de Dilma no feriado de ontem, rapidamente chamado, com acerto, de “Muro da Vergonha”, e o Decreto 8515.

O Muro da Vergonha é um fato de significado tão completo e evidente que realmente não é preciso gastar muitos miolos para compreender a sua natureza: este governo não faz mais sentido dentro da democracia. Ou este governo cai, por qualquer via que seja, ou nós vamos nos aproximar cada vez mais de outra coisa que pode até parecer uma democracia, mas não será com certeza.

Já o Decreto 8515, esse precisa ser lido e interpretado no contexto político.

Há quem garanta –e sempre haverá– que o texto não diz nada demais, que fala apenas da transferência de autoridade da Presidência da República para o Ministério da Defesa, uma medida até que boa para a administração militar. Apenas o momento seria ruim, etc.

Há também quem afirme que o documento é o próprio golpe bolivariano em ação, e que a sua derrubada no Congresso seria a última defesa contra a implantação da ditadura petista.

O tempo mostrará a efetividade desse Decreto, se ele não for derrubado, tanto na forma da instrumentalização pelo governo, quanto na forma da reação do comando militar. Se de fato os almofadinhas, os generais de caneta, se venderem ao bolivarianismo, isso não implica automaticamente na aceitação dos comandantes de tropas. Estes últimos são minoria quantitativamente falando, mas são os líderes de fato.

Enfim, podemos pensar o que quisermos, só os fatos é que irão eliminar as nossas dúvidas. A única reação que me parece anestesiada demais para o fenômeno é a que diz que o Decreto não é nada demais.

Lembro a estes algo que Franklin D. Roosevelt, Presidente dos EUA, disse: “Na política, nada acontece por acidente. Se acontece, pode apostar que assim foi planejado.”

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Mestre dos Magos

Persistem aqui e ali as análises políticas da atitude de Rodrigo Janot na PGR que variam tão enormemente nos diagnósticos, que é o caso de nos perguntarmos: “sabe-se mesmo do que se está falando?”

Como já disse antes, a política brasileira é palaciana demais, ou seja, não favorece as análises naturais em um ambiente realmente democrático. Você só consegue enxergar com maior precisão e até antecipar eventos futuros quando absorve não os discursos dos agentes políticos, mas as agendas implicadas nas ações dos mesmos. E não é fácil fazer isso.

Rodrigo Janot é como o Mestre dos Magos de Caverna do Dragão: até hoje ninguém sabe dizer se está do lado dos mocinhos ou dos bandidos. Em tese ele ajuda, faz o seu serviço, embora seja sempre meio misterioso e enigmático. Mas há quem diga que é o verdadeiro vilão da história. E seria possível até, imaginem só!, que um vilão mais tradicional como o Vingador/Collor, possa ser apenas mais uma vítima da sinistra trama do feiticeiro.

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Burocracia

Quando um Renan Calheiros diz que o Estado brasileiro não cabe mais no PIB, ele está apenas verbalizando uma constatação óbvia diante dos desdobramentos da planificação da sociedade ocorrida desde a Constituição de 1988.

Esse Estado assistencialista é um desastre anunciado desde o começo e não tem como dar certo.

Não se esqueçam, aliás, de uma coisa muito importante: o maior programa assistencialista que existe é o funcionalismo público da burocracia estatal. Perto disso, os valores do bolsa-esmola são uns trocados de padaria.

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Finalizada a leitura de Introdução à Nova Ordem Mundial, me parece ser fundamental a centralização da reação contrária ao plano de implantação de um governo mundial no cristianismo como núcleo positivo de visão de mundo e de valores morais, apoiada lateralmente pela valorização da soberania das nações contra o globalismo.

Se a reação contra a NOM não for alimentada pela proposta positiva do cristianismo e da soberania das nações, corremos sempre o risco de revisitar os capítulos obscuros da história onde as revoluções buscavam exclusivamente o combate ao status quo globalista, que era anteriormente chamado de “internacionalista” pelos nazistas, e é ainda hoje denunciado pelos sucessores e herdeiros do império comunista como uma conspiração “atlantista”. O caráter destrutivo dessas visões revolucionárias deveria bastar como alerta preventivo contra o desejo puro de libertação da humanidade da tirania dos banqueiros internacionais, que historicamente serviu para fazer tanto mal para as populações nas várias guerras.

A quem duvide de que a abordagem positiva, a favor do cristianismo e das soberanias nacionais, seja a única saída segura, eu recomendo um estudo dos discursos históricos dos nacional-socialistas contra a conspiração do judaísmo internacional, tanto quanto dos discursos dos eurasianos contra a mesma conspiração atlantista. Estão todos esses, ao seu modo, também querendo supostamente combater a NOM, embora acabassem por servir a ela no fim das contas.

O que quero dizer é que não basta querer combater o mal. É preciso combater o mal em nome do bem.

Senão serve-se ao mal da mesma forma, já que é da natureza dialética da estratégia globalista o aproveitamento das várias forças revolucionárias a seu favor.

A única coisa que o globalismo não consegue aproveitar de jeito nenhum é o cristianismo, desde que este esteja manifesto nos seus próprios termos e não numa versão amigável aos interesses globalistas, evidentemente.

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Dilma cairia em Setembro de acordo com certos oráculos políticos.

Hoje é dia 08, e nada ainda. Estou esperando.

Ainda temos 22 dias, há tempo para a profecia se cumprir…

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As pessoas acham que conseguem abstrair as suas crenças habituais facilmente, mas confundem o exercício de testar hipóteses através da suspensão intelectual das crenças com o verdadeiro questionamento crítico e existencial delas.

Esta confusão é derivada do gosto pelas discussões, derivado, por sua vez, da nossa ilimitada capacidade de abstração, de tomar realidades apenas enquanto possibilidades para um trabalho puramente imaginário.

Mexer realmente nas crenças é sempre difícil e no mínimo bastante incômodo, porque não se trata aí apenas de especular possibilidades diferentes, mas de tomar essas outras hipóteses como verossímeis ao ponto de alterar o que cremos que seja a realidade na qual habitamos, crença essa que baseia uma multidão sem fim de decisões, posições, sentimentos, etc.

Um aprendizado intelectual ou espiritual robusto, que não seja só papo furado ou academicismo, só é possível quando esse risco é enfrentado. É um retorno ao estado natural do homem, no sentido de ser um bicho largado por aí no mundo, o que pode parecer uma liberdade maravilhosa, mas é realmente algo terrível.

Podemos dizer, assim, que a verdadeira liberdade contém algo do risco existencial elementar da vida. A liberdade tem algo dessa violência, dessa brutalidade de ser sem garantias, sem manual do usuário. E isto é, cá entre nós, algo terrível.

Desse terror natural é que nasce a sabedoria.

Se a civilização nos conforta contra esse terror, por ser ela mesma uma intermediadora concreta e simbólica entre a natureza hostil e uma ordem transcendente, ela o faz sem nos transmitir necessariamente todo o legado espiritual e intelectual que baseia a legitimidade da sua tarefa de intermediação.

Ou seja, cabe a cada um de nós, individualmente, resgatarmos essa herança.

Eventualmente, quando a civilização já está decadente e muito bagunçada culturalmente, é preciso retornar à experiência básica do terror existencial, que é esse “fundo insubornável do ser” que não nos permite mentir nem falsear qualquer experiência, se serve de referência para garantir a integridade da nossa relação com a comunidade e com a cultura.

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Não sou irônico por derrotismo com relação à Dilma e ao PT. É uma questão de avaliação dos fatos.

O PT está no poder. O grande obstáculo a ele é o PMDB no Congresso Nacional. “Ah mas o próprio legislativo petista vai contra Dilma…”, alguém poderia dizer, como se tudo não fosse jogo de cena e aproveitamento de circunstâncias, como de costume.

Sou irônico com relação às instituições porque elas dependem dos seus ocupantes. Idealmente alguém com função pública tem como interesse a execução do que se espera para a sua ocupação. Sim, lindo isso. Mas nós vivemos num país ideal, ou vivemos no Brasil?

Vivemos no Brasil e sabemos que a nossa política é uma pizzaria muito criativa, servindo sempre novos e surpreendentes sabores à nação.

Então, repito: quero ver as instituições funcionarem na prática. Até lá, tudo pode acontecer, inclusive o PT continuar no poder.

A Dilma, o Lula e o PT são vaiados. Ok. Mas no Brasil, como diria o nosso Nelson Rodrigues, até o minuto de silêncio é vaiado. Como já falei antes, as manifestações populares por si mesmas e limitadas ao que já vimos até agora –sem desdobramentos em organização política, sem apelos à atos de desobediência civil, etc.– não fazem mais do que criar uma atmosfera social hostil ao PT, mas que não determina a sua derrota na política real.

A Operação Lava-Jato está pegando todo mundo. Ok. Mas Sergio Moro sozinho não pode arrumar toda a bagunça brasileira. Dependemos das outras instâncias da própria justiça, como STJ e STF, para julgar os recursos e validar todos os resultados da Operação. Antes mesmo destes testes mais derradeiros, já suamos frio a cada dia para saber o que Janot ou Zavascki decidem ainda nessa fase do processo. Todo mundo já deveria saber, a despeito dos nossos sentimentos e expectativas, que nada é garantido, especialmente no Brasil onde o PT já mostrou conseguir alinhar, aparelhar, comprar e ameaçar em todos os níveis.

O PT está no poder. Pode sair de lá a qualquer momento, mas ainda não saiu.

A crise financeira não é suficiente para a queda do petismo, tanto quanto os escândalos não são, ou as manifestações, ou mesmo os ataques da imprensa. De um modo ou de outro, com a exceção das manifestações espontâneas, tudo está sob a rede de influências do petismo e, até certo ponto, sob controle.

Se o PT recuperar o apoio da maioria no Congresso Nacional, a despeito de todos os protestos possíveis e imagináveis, nada poderá impedi-lo desde a sua posição para continuar a executar o seu projeto de poder e manipular tudo a seu favor, como tem feito faz mais de dez anos.

Aliás, isto já estava agendado para 2015.

Kassab ajudaria a desmontar o PMDB como fez o esvaziamento do PFL anos atrás (com a criação do PSD). Sem a dependência das lideranças peemedebistas no Congresso, o PT poderia seguir em frente aprovando barbaridades como o Decreto 8243, entre outras coisas, podendo chegar até numa Constituinte bolivariana. Tudo caminharia muito bem, se o PMDB não reagisse, e criasse todos os embaraços possíveis e imagináveis.

O que separa o PT do sucesso no seu caminho totalitário é principalmente a oposição do PMDB no Congresso Nacional.

O resto se divide entre o que é ajustável e o jus esperneandi.

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Gravaram outro Roda Viva especial sobre a crise… vou tomar coragem para assistir.

Se sobreviver volto para contar depois como foi.

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