15 de setembro de 2015

Dilma e Lula

A premissa essencial para julgar as atitudes dos petistas é a de que eles são revolucionários com um projeto de poder total, e que esse é o seu objetivo central.

Não podemos achar que as opiniões e circunstâncias políticas e econômicas afetem esse núcleo estratégico tanto quanto deveriam, como se os petistas fossem o que eles nos fazem achar que são e não o que são mesmo.

O que interessa é o PT sair do poder, o resto é resto, inclusive a pior crise econômica de todos os tempos.

Em fevereiro do ano passado eu já disse que o PT estaria preparado até para avançar numa fase mais grave da estratégia, mexendo no pagamento da dívida pública. Isso em fevereiro de 2014, quando as coisas não tinham chegado nem perto da gravidade atual. Então não me venham dizer que o PT está contra a parede, prestes a cair, etc. Eu quero ver.

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Marcos da Costa

A revista Época de 24 de agosto (estou correndo rumo ao presente!) dedicou o “tomate da semana” para Marcos da Costa, presidente da OAB/SP, por ter dito em processo aberto contra a redução dos limites de velocidade nas marginais: “Não é possível que milhões de paulistanos e paulistas sejam responsabilizados pela morte de pedestres irresponsáveis que desafiam o Direito e manifestam o desejo de perder a vida voluntariamente.”

Ok, posso concordar que em parte o tomate seja justo, porque Costa foi um pouco infeliz na escolha das palavras. Mas o cara está lá fazendo um serviço admirável contra as sandices de Haddad. Será que não tem ninguém mais merecedor desse tomate aí?

Marcos da Costa foi o meu herói na primeira edição do Roda Viva especial da crise. Foi o único que disse coisas que faziam sentido diante do problema, embora não falasse tudo que precisasse ser dito, o que é natural e aceitável para a sua posição.

Agora descubro que o advogado está desafiando essa maluquice da prefeitura nas marginais. Está querendo ser candidato a alguma coisa?

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Lula

Se os investigadores acham que mesmo com todos os elementos legais determinados a prisão de Lula seria um “ato extremo” (expressão que li na mídia), que teria uma repercussão política danosa para a Lava-Jato, colocando tudo em risco, então sinto muito mas toda a institucionalidade está em risco desde já.

Não se decreta a prisão de um indivíduo conforme a conveniência política ou midiática, exceto em democracias mulambentas e dependentes de forças maiores.

Não sou ingênuo, ao contrário, cobro a ingenuidade dos outros que vivem gritando pelas esquinas que as instituições no Brasil são uma beleza, etc. Ora, se ouvimos o tempo todo que a hora chegou de o Brasil ser “passado a limpo” e coisas semelhantes –expressões que eu acho tolas, aqui comigo–, qual é então o medo de se cumprir a lei? Se a lei não vale para todo mundo, se tudo tem que ser feito com um arranjo delicado de forças e pressões para sustentar o mero cumprimento das regras do jogo, então a alegada institucionalidade já é uma farsa. Mas se é uma farsa, para quê perder tempo com ela?

Sou mais favorável a que se jogue o jogo real de uma vez. Os petistas não estão jogando?

Não são eles, afinal, os maiores beneficiados pelo ar de institucionalidade civilizada que ainda se busca preservar no ambiente político?

Ficamos assim, então: o PT é radical nas suas intenções e estratégias, mas finge-se de moderado; os seus adversários, por medo do radicalismo na política, aceitam o fingimento de moderação, como se estivessem atuando numa consolidada democracia européia; enquanto isso o país vai sendo arrastado pela estratégia real do petismo, que é totalitária e radical, e sua liderança segue razoavelmente imune aos perigos do legalismo institucionalista que teme o mero cumprimento da lei, que seria um “ato extremo”.

A política não é mesmo para os covardes.

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O problema de comentar o noticiário é que você sai contaminado e exausto da tarefa, e no fim não cria nada novo, substancial.

É como tomar uma xícara de areia todos os dias.

Já fiz a minha parte, já mostrei como se faz, assim como me mostraram antes como é que eu deveria fazer. Agora divirtam-se desmontando as notícias como quiserem. Se não o fizerem, pelo menos lembrem-se sempre: não confiem no jornalismo. Leia e ouça tudo com a premissa de que estão querendo te enganar o tempo todo. Frequentemente é esse o caso.

Faz mais de uma semana que não leio a Veja e já me sinto bem melhor.

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Hoje é 15 de setembro. O PT ainda está no poder.

Dilma não cairia em setembro? Estou esperando.

Os futurologistas e oráculos políticos já estão pensando em prorrogar suas previsões… nem isso funciona no Brasil.

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Rodrigo Constantino

A leitura que o Luciano Ayan fez do artigo de Rodrigo Constantino está impecável. Leiam: http://lucianoayan.com/2015/09/13/por-que-rodrigo-constantino-esta-errado-em-descartar-a-direita-cetica/.

Luciano acertou um headshot na mosca quando disse “a direita precisa ampliar o pensamento dialético”.

E como precisa!

Rodrigo Constantino como analista de estratégia política é um ótimo economista.

Ele sempre torceu o nariz para o discurso dialético. Ok, é uma opção que o indivíduo pode fazer, é um seu direito. Porém, se os adversários usam esse treco e ganham poder com isso, recusar-se a admitir a superioridade da dialética revolucionária não muda em nada a nossa situação.

Estou já é de saco cheio de ouvir que o PT acabou, que a esquerda está nas cordas, etc., inclusive de gente muito boa e inteligente, enquanto ainda falta combinar essa maravilha toda com o mundo real.

No fim o que mais me entristece é que no terreno da economia os liberais como Constantino aparentemente não fazem o seu serviço direito. Digo “aparentemente” para ressalvar a minha possível ignorância sobre algum trabalho. Mas olhem que eu leio muita coisa sobre tudo quanto é assunto, e até agora não vi uma porcaria de um plano liberal para o Estado brasileiro. Eu, na minha grande pequenez e insignificância, já fiz umas contas: potencial de economia de R$ 251 bilhões para 2017, R$ 516 bilhões para 2020, R$ 687 bilhões para 2030 e R$ 1,1 trilhão para 2045. Eu não sou o dono da verdade, estou muito longe disso. Mas cadê a pressão? Cadê o esclarecimento do distinto público com os números?

Aguardo as contas dos liberais, que parecem estar ocupados demais comemorando o colapso da esquerda brasileira…

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Burocracia

Disse e repito: o maior programa assistencialista do governo é a própria burocracia estatal.

Enquanto isso não for assimilado pelos próprios adversários da esquerda, toda discussão sobre “ajuste fiscal” é ridícula e pura perda de tempo.

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Reprovado

Tem que ser muito filho da puta ou inconsciente para comparar na maior cara de pau quem fura fila ou estaciona em local proibido com os ladrões de bilhões na Petrobras, como se estes fossem apenas espécimes crescidos da mesma raça daqueles. A corrupção não é um fenômeno alheio à realidade das grandezas e das proporções. Não reconhecer isso é sinal de uma grave estupidez ou de uma decadência moral hedionda.

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Amir Khair

Terminei finalmente –coletando do fundo da alma o resto de paciência que me sobrou– de assistir a segunda edição do Roda Viva especial da crise. Foi melhor que o primeiro, mas ainda está longe de resolver as coisas.

A sugestão de Amir Khair de usar US$ 100 bilhões de reservas para aliviar a dívida é racional, evidentemente. É claro que entre você manter reservas que rendem 1% ao ano e pagar uma dívida que custa 14%, é melhor pagar a dívida.

Só que essa amortização não tem origem em superávit público, ou seja, você está tapando um buraco enquanto aparece outro pior. Isso é elementar. Entendo que Khair falou do curto prazo, mas é justamente o pensamento focado no curto prazo que nos trouxe aqui.

Agora fiquei sabendo que tem uma terceira edição especial do Roda Viva… vou buscar assistir usando as minhas ultimas forças. Caso eu suma, vocês já saberão a causa mortis.

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Dilma rindo

Quando eu falava que era melhor comprar dólares, achavam que era exagero. O dólar valia então 2,20 e hoje vale uns 3,85.

Quando eu falava que o Brasil perderia o investment grade, achavam que era exagero. O Brasil tinha então o selo de bom pagador e hoje já foi rebaixado pela S&P (ainda faltam a Moody’s e a Fitch).

Quando eu falava que o Brasil não pagaria a dívida, porque a melhor maneira de roubar um credor é não devolver o seu dinheiro, achavam que era exagero.

Será?

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As pessoas ainda não entendem que o PT e os seus líderes não têm um projeto político para o país: eles têm um projeto de poder.

Há alguma dúvida, ainda, de que essa gangue possa abrir mão da segurança econômica do Brasil para avançar no seu plano político?

Que isto é possível, ou seja, governar um país economicamente destruído, é uma realidade já atestada abundantemente pela história e que persiste até hoje.

É duro acreditar que a única força política, com repercussão institucional, que se opõe hoje ao esquema de poder petista é o corrupto, vendido, imprestável, PMDB. Vocês vão ter que se virar com isto, meus amigos.

 

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