18 de setembro de 2015

Porco feliz

Se no Brasil tem muito dono que não pensa como dono, imagine pedir que empregados pensem como donos?

O Brasil é a pátria da segurança financeira. Todos nascem com perfil conservador automático e aos dez anos de idade já estão começando a pensar na aposentadoria. Por isso sempre teremos juros estratosféricos e estrovengas como o BNDES.

A distância que há entre isso aí e o capitalismo é inimaginável. O brasileiro não quer prosperar, ele quer sobreviver.

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A terceira e última edição do Roda Viva especial da crise me surpreendeu e foi a melhor de todas. Tenho uma precaução quase higiênica com as especializações do conhecimento, mas desta vez tenho que tirar o chapéu para os economistas que compuseram a roda do programa.

A única ressalva é que, como já era de se esperar, o entendimento econômico da questão esbarra no limite da vontade política, área essa onde realmente o Brasil é uma zona.

A economia do país deveria ser conduzida por inteligências liberais, só que estas estão ocupadas ganhando dinheiro na iniciativa privada, restando aos socialistas a política. Essa distribuição das atribuições é extremamente tóxica e não tem prazo para acabar.

Quando as melhores pessoas de um país resolvem apenas cuidar de suas próprias porcas vidas, está tudo perdido.

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Dilma: “usar a crise como mecanismo para chegar ao poder é uma versão moderna do golpe”.

Antagonista: “versão arcaica do golpe é fraudar as contas públicas e se eleger com dinheiro roubado da Petrobras”.

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Novo

O TSE aprovou o registro do Partido Novo.

Muito bem.

Adivinhem qual será o meu esporte predileto para os próximos dias?

Encontrar problemas nas propostas do Partido Novo.

É assim que se faz política queridos amigos. Todo partido brasileiro é culpado de socialismo ostensivo ou discreto até que se prove o contrário. Agora vou atrás da prova.

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A questão não é nem ainda a de cobrar do Partido Novo que cumpra as suas promessas.

A questão é: quais são as promessas?

Até agora está tudo lindo, mas eu quero ver as idéias, os planos e os projetos.

Por exemplo, pelo que vi até agora o partido entende que o Estado deve fornecer alguns serviços públicos, como saúde e educação, e os cidadãos devem ter os meios de cobrar efetivamente a prestação destes serviços com eficiência, qualidade, etc.

Ok, mas isto é função temporária de governo dentro de um plano de desenvolvimento econômico ou é um dever permanente do Estado? Em outras palavras, o Novo defende a Constituição de 1988 ou seria favorável a uma reforma?

O liberalismo, nos termos em que eu o compreendo e defendo, entende que os serviços executivos do Governo devem ser essencialmente: Diplomacia, Defesa, Justiça e Polícia.

É possível encaixar os direitos universais de Saúde e Educação num pensamento político liberal?

Sim ou não? Se sim, como fazer? Se não, como fazer? O que pensa o Novo a respeito?

Quais são as idéias do Novo sobre a Previdência Social?

Enfim, as dúvidas brotam. Vejamos as respostas.

O socialismo é ardiloso e funciona como um vírus.

É preciso ver tudo com cuidado procurando o desgraçado, atrás dos móveis, debaixo do tapete, dentro dos armários.

O programa do então candidato Pastor Everaldo, do PSC, por exemplo, não sobreviveu ao primeiro exame. Estava empesteado de socialismo mulambento e populista. Dedicaram-se, enfim, como é natural no Brasil, em rodar a sua bolsinha demagógica.

E o Novo?

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Putin Assad

Se Putin está colocando agora mais ainda a sua pesada banca do lado de Assad é porque a questão do combate da Coalizão contra o Estado Islâmico na Síria está em vias de se modificar mais rapidamente. Diante do risco da queda do próprio Assad no meio da confusão, a Rússia joga o seu jogo. Enquanto as viúvas latino-americanas da URSS estão encantadas com o repaginamento da guerra fria em pleno século XXI, o povo sírio sofre na pele as consequências dos movimentos estratégicos das potências globais no OM.

É evidente que a solução da crise dos refugiados não passa pelo afrouxamento das regras de imigração na Europa, mas pelo combate ferrenho até a completa aniquilação do EI, e pela pressão brutal em cima de Assad para o fim da guerra civil. Quanto mais Putin se aproxima deste teatro de guerra, mais cara vai ficando a solução do problema.

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O PT e todo o seu sistema político mantém regularmente a metodologia básica da conquista do poder por criminosos: corrupção e ameaças. Isto é generalizado, para todos os lados, em todos os níveis, com todas as forças e todos recursos possíveis e imagináveis.

Se até o mapeamento de toda essa rede de ações criminosas já é algo quase impossível, imagine combater esta monstruosidade?

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Fora Dilma

A atitude dos puristas que pedem uma grande união suprapartidária contra a crise econômica seria comovente se estes se mostrassem minimamente preocupados também com a injustiça toda da situação, para não falar da agenda totalitária do PT.

Se, por um lado, é verdade que a oposição que aumenta os custos e vai contra o aumento dos impostos acaba apenas colocando mais gasolina no fogo da crise, por outro lado é igualmente verdade que o governo petista NÃO MERECE apoio político de nenhuma natureza para salvar a sua catastrófica atuação executiva.

“Ah, mas e o país, como fica?”

Ora, pergunte ao PT!!!

O partido não pode fazer chantagem usando a crise para se beneficiar politicamente.

Isto é moralmente pior, mas muito pior, que a pior das crises econômicas.

Em resumo: chantagistas não precisam ser cortejados ou adulados, precisam ser denunciados.

Atenção! O radicalismo É DO PT, eles criaram a situação toda!

Eles não podem sair ilesos dela usando a crise do país para obter favores dos adversários. Não podem!

Tudo o que os petistas querem é conversinha mole de “união pelo país”, etc., para salvar a sua pele e o seu projeto.

O pensamento político agora deve ser monolítico, incondicional e intransigente:

Brasil sair da crise = PT sair do poder

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Enquanto não nos surpreendermos com a nossa própria capacidade ilimitada de crer no que quisermos –que se você pensar bem é algo quase “sobrenatural”– jamais entenderemos o valor real tanto da filosofia quanto da religião.

Toda a metodologia científica de verificação de fatos, teste de hipóteses, etc., é apenas uma derivação limitada do método filosófico mais amplo. E a própria filosofia, como diria Platão, é apenas aquilo que conseguimos fazer de melhor sem a revelação divina, ou seja, abaixo ainda da sabedoria da própria religião.

A segurança intelectual humana é muito menor do que se supõe.

Com a filosofia nós podemos alcançar o estudo da nossa própria capacidade de conhecer e de todo o Ser na sua completude, para muito além das ciências especializadas, mas o preço moral cobrado por essa proeza intelectual só pode ser pago individualmente por cada um de nós, o que inviabiliza a filosofia verdadeira de ser coletivizada e transformada em um conteúdo de domínio público, como é o objetivo das ciências.

A nossa pequenez intelectual só é compreensível quando aceitamos que a maior parte das nossas certezas são acreditadas, não verificadas, e mais ainda, que o pequeno núcleo de verdades “insubornáveis” que conhecemos com grande segurança são absolutamente impossíveis de se provar para além do nosso mero testemunho individual.

Quando entendemos intelectualmente essas nossas duas dependências, das crenças em geral e da verdade verificada solitariamente, só aí é que conseguimos compreender e respeitar o valor intelectual da filosofia e da religião.

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Esse calor de rachar catedrais deve estar fazendo mal para o raciocínio de muitos brasileiros. Se fazia algum sentido o PSDB ou qualquer outro grupo político abrir mão do poder em 2015, antes da deflagração da crise total atual, agora a realidade já é outra: a bomba da credibilidade petista já explodiu. Todo mundo sabe de onde vem o mal cheiro. Não há razões quaisquer para não se querer o poder político agora, até porque a reversão das expectativas com relação a credibilidade do governo seria o suficiente para a retomada do crescimento, o aumento da arrecadação, etc. Tudo o que teria que ser feito seria uma amostra clara, inequívoca e forte de corte de gastos públicos, com, por exemplo, a venda de estatais, a começar pela Petrossauro.

Então não há motivos para ceder à essa conversa mole de que os políticos de PSDB e PMDB desejam evitar assumir o problema criado pelo PT. Essa é uma leitura que não funciona mais, e apenas atesta o quanto esses partidos não são, no fundo, tão melhores que o PT, em termos de visão de Estado. Podem não ser totalitários, mas também não cheiram bem. E é por isso que o dólar deve alcançar e ultrapassar os R$ 4,00 em breve. O mercado não é burro.

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Joan Costa i Font

A revista Exame perguntou ao economista Joan Costa-i-Font se o modelo de administração dos hospitais implementado na década de 1980 na Catalunha não seria uma forma de privatização.

“Os críticos dizem que o modelo é a privatização de um serviço essencial do Estado. Faz sentido?”

Respondeu o economista:

“A privatização aconteceria se os pacientes tivessem de pagar pelo tratamento. Mas, na maioria das experiências de parcerias entre governo e organizações sociais, a estrutura de clínicas e hospitais continua a ser do Estado. Só a administração é privatizada –e passa a ser melhor.”

Continuo lendo coisas inacreditáveis na mídia, não raramente explicadas por “especialistas”.

Quer dizer que a privatização ocorreria se os pacientes pagassem pelos serviços?

E ELES NÃO PAGAM?

SE ELES NÃO PAGAM, QUEM PAGA?

Eu estou cansado disso tudo, muito cansado, mesmo.

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O Estado só tem que servir naquilo em que ele é o único provedor qualificado, ou seja, nas atividades que requerem credibilidade pública específica: Defesa, Justiça, Polícia.

No mais o Estado se torna apenas um atravessador inconveniente, que cobra caro para prestar uma porcaria de serviço.

Isso inclui, sim, Educação, Saúde e Previdência. O Estado provedor tão amado apenas infantiliza, desmoraliza e escraviza a sua própria população, enquanto beneficia os grupos de interesse próximos ao poder político, além de permitir os obscenos desvios de dinheiro através da corrupção e de conter sempre os riscos de tirania totalitária.

Se defender essa idéia significa ser um liberal radical, então eu sou um liberal radical com muito gosto.

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Todos os bandidos possuem alguma forma de racionalização para justificar a sua atitude.

Aderir a qualquer uma das várias narrativas do sistema petista de produção de versões políticas dos fatos significa assumir uma racionalização do banditismo. Há muitas formas interessantes, intrigantes, sofisticadas e até elegantes de concordar com os petistas até mesmo quando não parece que se está concordando.

Quanto papel e tinta não estão sendo gastos, nestes dias, apenas para colaborar com a sociopatia (quando não com a própria psicopatia) do banditismo petista?

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O ótimo é inimigo do bom.

Por causa do tempo e da entropia.

O “ótimo temporal” (ou seja, não o ótimo determinado pela simplicidade divina, ou das “leis supratemporais”) é necessariamente mais complexo que o “bom temporal”.

Tudo o que é mais complexo exige mais energia para manter-se ao longo do tempo, ou seja, é mais caro e custoso que o “bom” mais simples, que é temporalmente mais eficiente, isto é, mais produtivo proporcionalmente aos recursos disponíveis.

E tudo o que é mais complexo tende a se destruir entropicamente, ao contrário do que é “bom”, que por ser mais simples resiste mais ao processo de decadência.

O ótimo é inimigo do bom.

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