Ser Sol ou ser Lua

Luminares

 

Um dia um colega fez o questionamento sobre como é possível sabermos quando o momento pede que avancemos, e quando pede que aguardemos. Você pode dividir todas as suas situações vividas por esta perspectiva: há o momento quando agimos, e quando aguardamos; quando fazemos algo, e quando esperamos.

Não é tão fácil responder esta pergunta, embora esteja evidente e implícito no próprio questionamento que o ser humano é capaz de fazer as duas coisas, ou seja, é capaz tanto de agir quanto de repousar, é capaz de buscar e é capaz de esperar, é capaz de fazer e é capaz de sofrer, etc. Mas se esta dualidade é real e, mais do que isso, somos capazes de perceber que há a melhor forma de usar uma ou a outra potência a cada momento, porque a sabedoria deste discernimento não parece ser tão óbvia quanto sentimos que deveria ser?

É porque a regra de distinção da conveniência particular de cada uma destas duas potências, resumidamente, a da atividade e a da passividade, não obedece a causalidade da mecânica terrestre.

Não quer dizer que seja irracional. Aqui é que os céticos, cientificistas e positivistas, ficam para trás. Tudo o que não obedece à ciência da quantificação terrestre, para estes não existe ou se existe é irracional. Isto é um problema. Só que é problema deles, não é problema meu.

A racionalidade que discerne as potências referidas obedece, digamos, a uma “mecânica celeste”, identificável pelo estudo dos luminares do simbolismo tradicional, Sol e Lua.

A apreensão com uma mínima profundidade no sentido destes símbolos nos permite identificar analogicamente em nós os estados de ânimo, e a correspondência dos elementos circunstanciais, que fornecem a pista para que a cada momento saibamos, com boa distinção, se é melhor “ser Sol ou ser Lua”.

Eu poderia falar horas e horas sobre este assunto, mas como ainda estou estudando a questão, e este texto aqui é apenas uma anotação a respeito do tema, deixarei a questão em aberto para futuras especulações.

Mas o negócio funciona, eu garanto, e sem nenhum tipo de “magia” ou de “técnica de ocultismo”. Tudo depende de você ser sincero e de se conhecer bem, de não ter em si partes obscuras demais que não possam ser absorvidas na sua identidade autoconsciente, nem que seja de forma poética.

Sendo íntegro –o que é uma experiência mais moral do que intelectual– o resto ocorre por consequência, e o conhecimento do simbolismo tradicional opera aí com uma funcionalidade muito natural, como uma receita de pudim de padaria.

E o melhor de tudo é que o simbolismo jamais se esgota numa única aplicação. Isto é apenas um negocinho, que é uma grande coisa para nós, mas é pouca coisa para o simbolismo em si mesmo, na sua riqueza. Ficamos mais sábios só de usar uma coisa de um milhar, ou de um milhar de milhares. O simbolismo tem a sua profundidade magnânima, que explica e se aplica a um sem número de casos, situações, etc., e não se esgota. É uma maravilha mesmo.

Diante disso, e fazendo uma ponte com a questão da virtude da sabedoria, como é possível não amar a Deus sobre todas as coisas? Só se enfiando mesmo a cabeça num buraco.

Uma faísca da sabedoria divina é uma explosão galática na consciência humana. Como podemos amar uma coisa boa mais do que a sua origem? A nossa pobre sabedoria humana vem de Deus como uma migalha vem de um pão, como um fruto vem de uma árvore. Amar a origem de tudo o que nos é bom é apenas ser coerente e decente, nada mais.

O primeiro mandamento é um princípio de decência e de realismo espiritual, porque toda a nossa dignidade está na nossa humildade, nada além disso.

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