Que será, será

§ 1. SERÁ que eu devo voltar a escrever no Facebook? Quem sabe? Usar como um caderno de notas, um esboço literário? Será que devo ser um escritor cristão, ou melhor, um cristão escritor? O que será? Que será, será… O que será, será… O futuro não é nosso para vermos… Que será, será… O que será, será.

§ 2. Mas o hoje, que já foi, foi um dia belíssimo. Graças a Deus! Deus me liberta. Ele se apieda de mim e me leva ao prazer de ser para Ele. Que resta, nestes casos, além de louvar o seu santo Nome? Pouca coisa ou quase nada. As outras chamadas felicidades, perto desta, são tolices.

§ 3. E mal digo isso e o terrorista de Pyongyang, a obesidade infante, solta mais um balístico. Vivemos em tempo de orações aflitas, mas não podemos deixar de ser gratos, nunca, jamais. Hoje vivi um inverno de 40 graus, mas com sombra e brisa e, mais que isto, com o repouso daqueles que conhecem Jesus. Ai dos que se atribulam sozinhos e querem dominar a vida, inclusive e principalmente os que querem fazer isso em nome de Deus. Os obedientes não cobiçam a vida, eles a ganham, e recebem a vida para a Glória Dele, porque a nossa felicidade canta a Glória de Deus.

§ 4. Hoje eu escrevi uma cartinha a um amigo meu, aquele, para quem se lembra do rolo, que me incentivou a obter um diploma que atestasse publicamente a minha alfabetização. Um dia preciso contar o desfecho desta história. Mas hoje vamos ficar com a cartinha mesmo. O seu título seria (e digo “seria” porque acabei falando o seu conteúdo pessoalmente e não precisei de maiores formalidades) “Me deixe ser feliz com Deus”. O subtítulo poderia ser: “Não queira que eu compre com medo o que posso ganhar por amor”.

§ 5. Dizia eu o que segue: “Agradeço a boa intenção de me ajudar com a questão escolar, e eu entendo que isto faz sentido na sua cabeça de alguma forma, mas esta não é e nem será jamais a minha vida. Graças a Deus. Eu preferiria, se necessário fosse, voltar a São Paulo e trabalhar num emprego como o que tinha antes, do que participar disso, porque aquela vida que eu abandonei era ainda muito mais digna e feliz do que a miséria da submissão ao Leviatã. Não é justo, eu sabendo o que sei, e sendo abençoado como sou por Deus, me submeter ao Estado desta forma, pedindo que a autoridade estatal me reconheça como capaz disto ou daquilo, e implorando para que me dê um lugar seguro dentro da sociedade. Quem me deu a vida foi Deus e ela pertence a Ele, e glória a Ele que é uma vida muito boa, muito digna, cheia de bênçãos, a qual não mereço nem um pouco, mas que recebo gratuitamente para glorificar cada vez mais o santo nome Dele. Que indignidade imensa seria agora buscar segurança no Estado, que grande adultério contra o amor Dele! Estaria como Israel liberto, vivendo do maná e olhando para trás com saudades do Egito, traindo o amor de Deus. Amigo, eu não posso fazer isto. Se me resta dar um testemunho final a este respeito, é o de que a vida passa muito rápido para que percamos tempo cultivando medo em nossos corações e nos submetendo às seguranças e garantias deste mundo, porque este mundo passará num piscar de olhos meu amigo, tudo passará, e só restará o que cultivamos no coração para a Eternidade, pois nós viveremos eternamente para amar e nada mais. O medo será extinto junto com este mundo, para a glória de Deus. A Paz do Senhor esteja contigo.”

§ 6. Não sei se me entendem. Como eu posso ser quem eu sou, com a vida que tive e que tenho, e ficar de joelhos diante de uma potestade?

§ 7. Como posso promover o Reino de Consciência e ao mesmo tempo trair a confiança de Deus buscando as garantias e seguranças do Reino do Fruto da Separação?

§ 8. Como posso honrar a misericórdia que Deus tem comigo submetendo os outros a me servirem e a serem obrigados a me aceitarem socialmente, usando para isso o peso encarnado de uma entidade demoníaca?

§ 9. Como posso viver um pedaço da minha vida separado de Deus, reservando-me um domínio e uma parte desligada da Sua presença?

§ 10. Tudo isto deveria ter sido ainda mais óbvio para mim do que foi (pois já tinha minhas suspeitas acesas ao longo do processo), mas nós prudentemente devemos deixar as coisas amadurecerem e os frutos aparecerem naturalmente. Foi o que fiz, e hoje tive a minha colheita, porque Deus não tarda no favor de seus filhos. Glória a Deus nas alturas!

§ 11. Nosso problema é que nós amamos pouco. Uns e outros dirão que não, que isso e mais aquilo. Mas eu tenho a prova de que amamos pouco, e ela é facilmente demonstrável: contabilize em sua mente a quantidade de pensamentos, idéias, raciocínios, etc., que você alimentou por medo. Vai contando e veja consigo mesmo como o medo lhe move na vida como se fosse um rio e você um peixe dentro dele. Mas assim, também, e tanto quanto queiramos, é a nossa relação com Deus pela Fé, pois podemos também dentro Dele navegar como peixes num rio. Vejam bem, não no mundo. Porque o mundo não é um rio para nos jogarmos nele. Não. O mundo é como um peixão, uma baleia imensa, ou vários peixões, navegando no mesmo Grande Rio que é o Livro da Vida cujo Autor habita nas alturas. E eis provado, aí mesmo, a falta de amor: escolhemos o medo facilmente, rapidamente. E esquecemos de amar o nosso Deus e de confiar Nele.

§ 12. Não fazemos isso porque somos uns cagões de natureza, mas é que ao redor há uma massa inteira pusilânime e infeliz de idéias produzidas pelos mais variados terrorismos, e essa massa nos arrasta consigo. Essa gelatina suja é que polui e soterra o Rio da Vida, como uma barragem de Mariana estourando no Rio Doce. Nossa parte não é a de ser covardes natos, mas é a de escolher a covardia a cada dia, dizer todo dia um novo sim ao medo do futuro.

§ 13. Pior ainda, chamamos o medo de prudência, porque não basta esquecermos de Deus e perdermos a Fé Nele, temos que justificar a nossa atitude com as mais louváveis e beatas razões humanas. Ah, o seru mano. Do que ele não é capaz? Pega até mesmo a Palavra de Deus e faz com ela o diabo, tornando todas as opções dos corações não atos livres de amor (que são a nossa razão de ser), mas ações com embasamento bíblico, fechadinhas, bonitinhas, tim tim por tim tim. E eis que a Palavra serve de escora para argumentos humanos explicarem o próprio adultério contra Deus! É muito para a minha cabeça.

§ 14. Meu leitor pode se perguntar a essa altura o que é que está ganhando com essa estória toda. E eis que há um ganho leitor, sim. Aliás, depois de mim, se tem alguém que está saindo ganhando nesta onda é você. Porque eu fui liberto, mais uma vez, do cativeiro. E você, leitor, ganhou um escritor prolixíssimo que vai te entupir de palavras até elas saírem pelo seu nariz. E todas com sentido! Todas por amor, porque é isso que vale a pena fazer. Só façam, meus amigos, aquilo que faz sentido fazer eternamente, ou seja, amar, amar, amar. Porque o resto será jogado na grande privada do Nada daqui a pouco.

Esse non videri,

RS

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