Das virtudes essenciais

Da polaridade das virtudes se apreende a prioridade da fé como celeste e da humildade como terrestre. Uma é dom puro, a outra é oferta pura. As virtudes regem a segunda ordem celeste. As regências celestes se interpõem entre as terrestres e as de louvor, e em cada plano são do número de três. Cada primeira regência de ordem ministra o dom próprio daquela ordem, seja o governo da terra, do céu ou do louvor, submetendo o que lhe está subordinado. Cada segunda regência custodia ou fixa o ordenamento sob sua chefia. E cada terceira regência submete a ordem ao que lhe transcende, possibilitando a mutabilidade necessária à preservação do próprio dom, para que na transitoriedade permaneça sempre o mesmo. De muitas e incontáveis virtudes se declaram essenciais a fé e a humildade, e assessórias a estas, respectivamente, a caridade e a sabedoria, e a obediência e a gratidão. Em cada qual se distribui uma porção de dom e de oferta, exceto nas virtudes puras. A obediência tem maior parte de oferta do que de dom, pois depende mais da humildade, e a gratidão tem maior parte de dom que de oferta, pois depende mais da fé. Mas nas duas a parte de oferta é maior do que nas outras. A caridade tem mais parte de oferta do que de dom, e a sabedoria tem mais parte de dom que de oferta. Mas nas duas a parte de dom é maior do que nas outras. A humildade é prioritária enquanto terrestre pois dela dependem as virtudes com parte de oferta, e a fé é prioritária enquanto celeste pois dela dependem as virtudes com parte de dom. A humildade é primeira na vida porque nascemos primeiro de mulher e depois do Espírito Santo, e por isso precisamos abrir o coração para receber a graça das virtudes com parte de dom. A fé é a primeira no poder porque dela deriva o ser possível de todas as virtudes. E porque não se pode dar o que não se tem, uma medida mínima de fé e de sabedoria é inicialmente requerida para permitir o progresso da humildade e, consequentemente, o crescimento espiritual como um todo. Até para começar a amar a Deus necessitamos primeiro de sua Graça. O homem sozinho e por si é nada. Ele existe por Deus e para Deus, sempre e em tudo, sem nada reservar e nada separar, e está é a felicidade.

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