Um mês

Aos amigos e demais interessados,

Depois de notar repetidamente, por anos, o quanto a cultura ao nosso redor é tóxica, uma cultura de cativeiro, uma cultura de tristeza e de morte que nega direta ou indiretamente tudo o que leva a Deus, observei mais recentemente que a nossa –não só minha– omissão em cultivar ativamente as coisas de Deus pode contribuir para o fortalecimento desta cultura maldita em nossas vidas.

Vivo pessoalmente mais ou menos alheio a este risco, abençoado abundantemente com uma vida muito protegida e distante da desgraça intelectual da nossa sociedade, e isso já faz uns anos. Em 2015 propus a vocês mesmos que encontrássemos um refúgio para toda essa confusão. Não posso dizer que fizemos isso enquanto grupo, mas individualmente recebi a graça dessa proteção. Mas não estou ainda totalmente imune, e pior, pelo que vejo vocês estão menos ainda. Para cada uma palavra de um minuto eventual em que eu ou alguém mais contribua dando o testemunho de Deus, uma avalanche de horas e horas de excremento espiritual, cagado pelos demônios, despenca sobre as cabeças de todos, vindo de todos os lados e origens possíveis.

Com relutância, reconheço que o cultivo de idéias não é em si maligno, é uma atividade necessariamente neutra. Tamanho foi o descalabro que encontrei nos últimos anos decifrando o sentido espiritual do humanismo em toda parte, tamanha foi a pestilência detectada, que me foi necessário acionar um certo sentido paranóico automático e constante. Não me arrependo dessa decisão. Diz a Escritura: “Fugir do mal, eis a inteligência“. Não devemos confiar na nossa perspicácia a ponto de baixar a guarda. Não baixarei a guarda.

Mas não posso pagar para ver o preço de uma possível omissão da NOSSA parte com relação ao cultivo das coisas de Deus. E, por isso mesmo, não baixarei a guarda nem contra mim mesmo. Sobretudo, e em adição ao que já fiz nos últimos anos trabalhando com a Escritura selecionando o melhor quinto que pude encontrar nela, e depois distribuindo o produto desse trabalho entre vocês, cai somente sobre mim a responsabilidade de cuidar para que a mensagem desta seleção chegue até os seus destinatários circunstancialmente mais eminentes, ou seja os meus amigos próximos. Repousei demais no conforto de ter selecionado as 1438 passagens, impresso os tantos volumes para familiares e amigos, e então ter entregue tudo isso em mãos.

Eu queria ir para casa descansar, mas isso não existe. Nesta vida e neste mundo, nós descansamos depois do trabalho, depois da cruz. Essa é uma experiência real. Porém, a obra não é nossa, ela é de Deus. Não controlamos o bem que podemos fazer porque esse bem não nos pertence e não nos pertenceu jamais.

Colocando, assim, as coisas nos seus devidos lugares, quero fazer uma experiência. Esta experiência consiste em fazer um esforço para instalar ao lado dessa cultura miserável uma cultura NOSSA, de alternativa ao mal que nos rodeia, não porque somos bons nós mesmos, mas porque seremos corajosos de reconhecer que somos amados, que é o que esse mundo condenado rejeita com toda a sua violência.

Um mês. Se hoje é o primeiro dia, dia 20 de março próximo pode ser o último. Somente um mês de esforço, de foco, é isso o que estou propondo. Vamos fazer algo diferente.

Meu papel é fazer a proposta e conduzir os trabalhos. Cá entre nós, é o trabalho mais pesado. Mas também é o meu maior prazer. Subi no mamoeiro. Catei os mamões. Trouxe abaixo. Descasquei, cortei em pedaços, e servi num prato. Um come um pedacinho aqui, outro engole um pedaço ali… não está funcionando. A fome não encontra o alimento. Vou fazer o seguinte, então: amassar o mamão, fazer papinha de mamão, e levar com uma colher até a boquinha de vocês.

O papel de vocês é abrir a boca e comer. Um mês. E depois disso nos perguntamos novamente o que será que Deus quer com tudo isso. Porque se o projeto é nosso, já está fadado ao fracasso. Mas se é de Deus, ninguém nos impedirá.

Insisto, no entanto, que o trabalho como um todo é NOSSO. Estou insistindo muito nisso. Eu não consigo fazer nada disso sozinho. Sim, a criação, todas as adaptações e apresentações são por minha parte, mas se eu vou fazer um serviço, tenho que ter a quem servir. Deus em si jamais precisou de ninguém para nada. Mas Ele nos faz precisarmos uns dos outros e, quando nos servimos uns aos outros, é aí que somos servos de Deus nesta terra. Esta tese pode ser testada na prática.

Um mês, é o que peço.

São dois trabalhos:

1ª missão: Retomada de posse da Escritura sequestrada pelas tradições dos homens. Leremos juntos, de maneira que eu explique tudo da melhor maneira que puder, os 1438 versos selecionados em Prata Pura Sete Vezes Refinada. O trabalho prático consistirá numa seleção pessoal dupla dos versos em dois grupos, um de 20% e o outro de 20% desses primeiros 20%. Ao fim do processo cada um de nós –eu mesmo preciso fazer isso– terá em mãos uma seleção pessoal qualificada das passagens bíblicas. Quantifico que isso é trabalho de umas 70 horas, ou seja de 20 a 30 dias, se dispormos de algo entre 2 e 3 horas por dia de serviço.

2ª missão: Executar uma rotina de reflexão espiritual mínima com um acompanhamento focado. Usaremos uma ferramenta de avaliação que eu quero testar, que se divide em duas partes, um score sobre 10 elementos espirituais básicos, e uma classificação de nossas atividades rotineiras por sua natureza espiritual. Preciso de umas 4 horas para explicar como fazer este serviço. Podemos fazer isso em uma sessão única ou dividir em dois dias, se vocês preferirem. Em seguida, executaremos um acompanhamento diário usando a ferramenta com disciplina, o que pode ser feito pelo Whatsapp, até o final do período de um mês proposto.

Outras pessoas podem ser convidadas para estas missões? Sinceramente, eu não sei. Desde que nossa harmonia não esteja em risco, não vejo problemas em tese, mas preferiria ficar entre nós, pelo menos por enquanto.

Por que um mês? Porque se não existir um prazo rigidamente imposto, a possibilidade de nos perdermos e dissolvermos o ímpeto inicial é muito grande. Já estamos todos com mais de 30 anos de idade. Sabemos muito bem como esse mundo lobotomiza as mentes e impede que um pensamento concentrado dure mais que uns 60 segundos. Se formos rigorosos na organização do tempo, eu sei que podemos dar um jeito nas coisas. As prioridades da vida tendem a expulsar para os cantos o que não tem importância. Mas sobre o que temos prioridade, afinal? Essa é a minha indagação: será que não podemos dar prioridade para estas coisas por UM MÊS?

Tudo isso DEVERIA SER FEITO PRESENCIALMENTE. Mas entendo que a dificuldade de fazer tudo isso, mesmo remotamente, já é considerável, de modo que não podemos nos dar ao luxo de idealizar algo tão bom que jamais poderemos realizar.

Não darei a mínima para educação financeira, pelo menos agora. E se for trabalhar com isso, o primeiro capítulo consistirá na leitura deste trecho libertador de Jesus em pessoa, o único verdadeiro Mestre: “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Quem, com suas preocupações, pode acrescentar um só dia à duração de sua vida? Observai os lírios do campo, como crescem, e não trabalham nem fiam. Eu vos asseguro que nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que existe hoje e amanhã não mais, não fará ele muito mais por vós, fracos na fé? Não andeis preocupados, dizendo: “Que iremos comer? Ou beber? Ou vestir?”. São os ignorantes que estão à procura de tudo isso. Vosso Pai celeste sabe que precisam dessas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Sendo o que me cabia no momento, coloco-me a disposição para os preparativos.

Obrigado.

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