
O empirista, enquanto cético, retoma a antiga labuta socrática de determinar limites à especulação da Razão natural, isto é, a este poder ilimitado que a psique tem de produzir a imagem da verdade.
Com isto a ciência, bem como a própria filosofia em geral, pode seguir seu custo sem ser incomodada com quaisquer obstruções do dogmatismo de qualquer parte, tanto da parte das credulidades quanto das incredulidades, para reconhecer o que é o seu domínio próprio de clareza.
Isto significa que uma boa Razão serve para assumir o arbítrio das proposições dogmáticas, e de criticar se essa espécie de proposição convém ou não à estrutura da possibilidade cognitiva do ser humano.
Como cristãos, somos obrigados a desconfiar da sabedoria dos homens (que é loucura para Deus), o que inicialmente nos poderia dar a idéia de rejeitar in limine todo tipo de especulação filosófica que não se baseasse em dados diretos da Revelação, inclusive a filosofia kantiana.
Mas um ser humano livre, consciente e responsável, não deveria antes indagar-se sobre se a investigação da Crítica da Razão não está justamente trabalhando a favor da denúncia da loucura da sabedoria dos homens, de modo a restringir o entendimento ao que é razoável? E não seria isto um estímulo ao dom de Humildade?
Pode ser que sim, mas também pode ser que não.
A resposta vai depender de como o limite da Crítica é usado pelo fiel que quer entender, com base na Graça divina, e com a finalidade de glorificar o Santo Nome, a condição da vida humana, principalmente a realidade de amar a Deus e ao próximo. Neste sentido a obra kantiana é indiferente: pode ser usada para este ou outro propósito, como uma ferramenta que pode ser usada para construir ou destruir, dependendo da intenção do seu usuário.