Guerreiros da Luz, livro por Daniel MASTRAL

Apesar de irritante, o testemunho adicional da esposa de Daniel Mastral, Isabela, fez a diferença por tornar a situação mais humana, mais densa, e mais compreensível, especialmente no entendimento de como as pessoas são ignorantes das coisas espirituais, mesmo quando elas têm, muitas vezes, razões para considerar as coisas com maior prudência.

Alguns pontos de observação a partir desta leitura:

1. Deus, seu Amor e seu Poder, continuam ainda pequenos demais, como que em “guerra” contra o Mal, reconhecidos por relação como o “maior” numa equação que ainda confunde e mistura o que é divino com o que não é. Deus é muito, infinitamente mais poderoso e Absoluto do que se dá a entender neste testemunho;

2. Mastral é ingênuo demais, e na sua vontade de ter uma vida “normal”, deixou passar a oportunidade de ver as coisas com muito maior profundidade espiritual. Querer viver no mundo, neste mesmo mundo governado pelas Trevas, como se isso fosse algum tipo de vantagem, apenas fingindo que a ação do Mal não existe, é algo impróprio para o tamanho do livramento que ele recebeu. Sua salvação foi oportuna para uma liberdade muito maior do que a convencionalidade de uma vida “normal”, especialmente na busca do casamento e da paternidade;

3. A dependência de sinais e confirmações restringiu muito a pureza da vida espiritual de Mastral, para não dizer até que o tenha levado de volta à influência de forças demoníacas mais discretas. Enxergar que algo seja um sinal da vontade divina num sentido, como se tudo não o fosse em qualquer sentido que ignoramos, significa restringir formidavelmente o âmbito da ação de Deus. A confiança total e mais pura sempre constitui um caminho mais pleno, mas isto requer uma entrega maior. Mastral e sua esposa ainda querem mais poder do que amar. No caso dele, Daniel, em específico, parece ser muito considerável o dispositivo da sua alma voltado para a busca de confirmações de afeição, possivelmente nutrido e originalmente disparado por uma frustração familiar (possivelmente frieza da parte dos pais), gerando um padrão que mais tarde moldou a forma da sua vida espiritual, como se nunca lhe bastasse intuir ou simplesmente confiar num amor, mas fosse preciso uma garantia de alguma espécie;

4. Fica mais evidente ainda aquilo que já observamos anteriormente, que provavelmente a primeira grande abertura de Mastral para os demônios foi através da tentação da ira, que é uma particularmente poderosa manifestação do Orgulho. É recomendável a associação que ele fez entre a prática do kung fu e a ira, pelo menos no contexto da sua própria vida espiritual. O problema é a pretensão do universalismo. O mal não estava no altar do seu mestre, na reverência, nos exercícios, etc., mas no que estas coisas significavam no coração de Mastral. A vida espiritual é interior;

5. A sucumbência diante do assalto do espírito de Terror, ou o Pacto com o Inferno, é muito óbvia e mostra o quanto Mastral, assim como sua esposa, esteve pouco disposto a aceitar o dom da Paixão. Isto não é difícil, quando é aceita em primeiro lugar a Justiça do Decreto de Gen 3,22. Igualmente, ele mostrou pouca ou nenhuma Vigilância diante das aparições de “anjos”, rituais religiosos, etc. Tudo o que ele entendia como reforço para a Fé, era na verdade o contrário. O que nos mostra que ou ele esteve muito enganado, ou estava querendo nos enganar a todos com essa história de conversão.

Por tudo isto, entre outras coisas que poderiam ser mais detalhadamente estudadas, o terceiro livro da série Filho do Fogo é bastante espiritualmente contraproducente.

Nota espiritual: 1,1 (Moriquendi)

Humildade/Presunção4
Presença/Idolatria0
Louvor/Sedução-Pacto com a Morte3
Terror/Terror-Pacto com o Inferno0
Soberania/Gnosticismo0
Vigilância/Ingenuidade0
Discernimento/Psiquismo1
Nota final1,1

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