Metropolis, filme por Fritz LANG

Análise do título F0020, Metropolis, filme por Fritz LANG.

O filme começa facilitando a nossa vida com o seguinte Epigrama: “o mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!” A película terminará com um final feliz, repetindo a mesma idéia.

O coração, porém, é enganador e traiçoeiro, e pode nos fazer iludir e mentir para nós mesmos e para os outros. O amor, que é o desejo do bem, por outro lado, é infalível, desde que seja dirigido ao seu objeto mais adequado, isto é, a um Bem transcendente que só pode ser concebido idealmente na presente condição humana.

O filme não quer saber de nada disso, porém. O problema do ser humano é presente, mundano, temporal, terreno. Apesar disso, não nos engana muito com relação à qualidade dessa experiência. É um retrato fiel do Sistema da Besta e do Pacto Sadomasoquista, embora omita que esse mecanismo seja alimentado pela grande falta do povo, o Pecado Original.

Por exemplo, quem é Moloch, que recebe os sacrifícios das vidas humanas para a manutenção do sistema? É a máquina social, política e econômica? Não. É um operador do Ouroboros que depende diretamente da continuidade da Tradição Primordial. O sofrimento humano é congênito, ou melhor, herdado como condição adjacente à continuidade do costume.

O filme gosta de trabalhar simbolismos profundos, como o da imagem da Besta do Apocalipse que ganha vida, e que se torna a própria Grande Prostituta. Esta representaria, inicialmente, a vitória contra o Decreto de Gênesis 3. Mas esse homem-máquina, por fim, levará a humanidade à beira da destruição, culminando o processo mais ou menos natural da dialética histórica na luta de classes.

O herói, Freder, apaixona-se por Maria, a heroína que profetizará a vinda do Mediador (Mittler) para conciliar a Cabeça com as Mãos, isto é, a classe dos capitalistas com a classe dos trabalhadores. Ela conta o mito de uma Torre de Babel em que os homens se desentendem por conflitos de interesses (de classes), o que impede a consecução de um projeto de triunfo da humanidade. O lema dessa civilização é o de que “grande é o mundo e seu criador, e grande é o homem“. O verdadeiro Criador de todas as coisas não disputa lugar e nem qualidade com o que quer que seja. Logo, esse “criador” é na verdade o Usurpador, o Ouroboros.

O filme parece ter antecipado um tema que será muito comum na cultura cinematográfica mais tarde, que é a idéia do cancelamento do fim do mundo.

No fim o herói intermedia a cabeça e o coração, isto é, as partes da luta de classes. Isto pode representar a intelligentsia como um todo, inclusive e especialmente os artistas, que é o papel do Bispo no Sistema da Besta: normalizar e legitimar a Mistura.

É preciso nos aprofundarmos mais para explicar a qualidade espiritual de um roteiro que reconhece e embeleza o projeto da Torre de Babel?

Nota espiritual: 2,4 (Moriquendi)

Humildade/Presunção2
Presença/Idolatria1
Louvor/Sedução-Pacto com a Morte3
Paixão/Terror-Pacto com o Inferno5
Soberania/Gnosticismo2
Vigilância/Ingenuidade2
Discernimento/Psiquismo2
Nota final2,4

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