Sendo a Singularidade inefável senão para um Intelecto infinito (divino), a única relação possível do ser finito com o infinito é o de amor como contemplação, confiança e repouso, atos antes volitivos do que intelectuais (§2, Cap. I)

§ 2. Sendo a Singularidade inefável senão para um Intelecto infinito (divino), a única relação possível do ser finito com o infinito é o de amor como contemplação, confiança e repouso, atos antes volitivos do que intelectuais. A Singularidade, ou Unicidade, é a qualidade de Absoluto e Infinito que Deus possui e que só Ele mesmo pode conhecer. Que exista o Infinito e o finito e a relação entre os dois é uma necessidade metafísica derivada da Percepção de qualquer contingente, já que sem Limite não há Percepção de formas discretas (conteúdos formais cuja primeira qualidade é a de participação no Ser e de formalização pelo Princípio de Identidade), e sem o Infinito não há atualidade possível a qualquer ser informado por um Limite. A operação do Intelecto é sempre garantida, do contrário não há sequer a Percepção da relação. O Uno, que transcende infinitamente, na sua completude, a capacidade de apreensão de um intelecto finito, só pode ser objeto de Amor e não de Gnose. O conhecimento sempre pode se expandir, da parte do intelecto finito, mas nunca alcança aquilo que só a vontade completa por sua crença voluntária sobre a essência da Unidade, especialmente na qualidade da Bondade. Daí o moto da Monadofilia ser “Coram Uno Amor Tantum” (“Diante do Uno, apenas o Amor”). A Unidade plenamente cognoscível ao ser contingente perderia sua essência e integridade, e se reduziria apenas a uma imagem do Ser da Unidade, como ocorre com as idolatrias da Natureza e do próprio Homem, por exemplo. O Uno só pode ser conhecido adequadamente, assim, através do amor que completa por desejo voluntário aquilo que o intelecto finito alcançou no seu Limite. Essa é uma aplicação direta das súmulas do Evangelho: “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11:27), “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14:6), “A vida eterna é esta: que eles te conheçam, a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que enviaste, Jesus Cristo” (17:3), “Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo 17:22) e “Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles” (Jo 17:26).

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