Infelizmente não pude usar os serviços de nenhuma IA para fazer esta análise, porque se trata de uma série recente. Peço que só recomendem livros, filmes e séries publicados há pelo menos dois anos, para garantir que o conteúdo já seja adequado para um processamento pela máquina. É claro que posso ler, ou assistir, como fiz neste caso (para manter minha promessa), mas eu gostaria de continuar tendo a opção de fazer isso apenas quando quiser. Ainda a respeito das IAs, é digno de nota que apenas o Claude assumiu, quando pedi uma sinopse, que não sabia do que estava falando realmente (embora tenha feito uma análise fictícia de uma série fictícia). Tanto o Chat GPT quanto o Kimi não só criaram narrativas falsas sobre um suposto documentário a respeito de tradições indígenas, como omitiram a sua ignorância a respeito da série. Isso é tão grave quanto mentir.
A respeito da série, o título original é “The Lowdown“, que é uma gíria meio difícil de traduzir numa expressão curta em português (significa chegar ao âmago das coisas, ao que interessa, o que importa no fim, etc.), então decidiu-se chamar a série de Verdade oculta.
A estória fala de Lee Raybon, um jornalista investigativo, também proprietário de um sebo, atuante na cidade de Tulsa, no estado de Ocklahoma, EUA. O personagem é um desastre em todos os aspectos da vida, seja familiar, profissional, etc., mas não deixa de ser um investigador da verdade, ou “truthstorian“, como ele gosta de se chamar. Seria um “historiador da verdade”, como se existisse outro tipo. Um propagandista disfarçado de historiador não é um historiador, afinal.
A trama inicia com a morte de Dale Washberg, irmão de Donald Washberg, candidato ao Governo do Estado. Inicialmente parece que foi um suicídio, mas Lee investiga o assunto, convicto de que há algum segredo obscuro e alguma mentira por trás dessa versão. Eventualmente descobre que Dale foi assassinado para forçar a venda de certas terras a um preço falso, como forma de suborno ao seu irmão Donald. A vontade de Dale era que essas terras fossem devolvidas ao povo indígena local. Mas Donald não estava pessoalmente envolvido na trama do assassinato do irmão. Lee descobre que a trama foi montada entre diversos beneficiários, entre os quais Betty, a viúva de Dale, o co-conspirador Frank, e os líderes de uma organização de supremacistas brancos chamada One Well. Depois de causar várias desgraças, Lee consegue fazer um acordo com Donald para que a vontade de Dale fosse realizada. As terras são devolvidas aos descendentes dos povos indígenas, e Donald é eleito Governador de Ocklahoma.
Nessa confusão toda quem tem razão é o personagem Ray, amigo de Lee, que diz o seguinte para a filha dele, Francis: o seu pai não entende que não adianta querer desfazer o mal, ele sempre volta, o que temos que fazer é cuidar da nossa vida.
Ele tem razão. Com a exceção daqueles que recebem poderes que constituem uma condição excepcional de deveres de estado, nós devemos amar a Deus e ao próximo, e não fazer a restauração do mundo. Jesus disse: “meu Reino não é deste mundo, se fosse meus servos teriam impedido que eu fosse entregue aos judeus“.
Lee, portanto, é um agente do Sistema da Besta que pensa lutar contra o Sistema da Besta, mas que permanece enganado por estar preso à Dialética do Ouroboros. Não reconhece, como diria o Apóstolo Paulo, que nossa guerra não é contra a carne e o sangue, mas contra os Principados e as Potestades, isto é, os espíritos infernais. E o principal campo de batalha é sempre a nossa própria alma.
Se quisesse revelar a verdade oculta, Lee iria muito além da conspiração de Betty, Frank, e os neonazistas da One Well. Esses personagens são moscas, vermes, no esquema do Ouroboros. Um amante da verdade descobriria o Pecado Original, e que a Verdade está em Deus, e não no Homem. Mas como um personagem que encarna o arquétipo do signo de Aquário, Lee só sabe enxergar a mentira que está na sua frente agora, e não tem a frieza para se afastar e enxergar numa perspectiva maior. Aquário, afinal, é um signo quente. Aqui é preciso a frieza de Peixes, a inteligência de reconhecer o governo divino da realidade.
Lee é um personagem desgraçado feito para impressionar pessoas ingênuas com o seu estilo descolado. A verdade, que é o que interessa, infelizmente continua oculta.
Nota espiritual: 2,6 (Moriquendi)
| Humildade/Presunção | 1 |
| Presença/Idolatria | 0 |
| Louvor/Sedução-Pacto com a Morte | 5 |
| Paixão/Terror-Pacto com o Inferno | 4 |
| Soberania/Gnosticismo | 3 |
| Vigilância/Ingenuidade | 2 |
| Discernimento/Psiquismo | 3 |
| Nota final | 2,6 |