Vejamos mais uma passagem de O Descortinar da Alta Magia, de Daniel Mastral:

Esta passagem mostra uma grande ignorância das coisas divinas, como é de costume na cultura geral, e mesmo entre as mentiras dos vários cultos iniciáticos.
São dois os grandes erros nesse grosseiro juízo a respeito da conduta divina:
Primeiro erro: o procedimento defendido pelo autor é obviamente injusto, já que constitui Justiça da parte daquele que é Juiz não fazer acepção de pessoas, isto é, não dar preferência para quem é próximo em detrimento do distante, para o conhecido em prejuízo do desconhecido, etc. Assim, se os filhos de Aarão pecaram e isso lhes foi imputado como erro, a sua filiação não lhes poderia salvar sem que isso maculasse a Justiça divina.
Nem se fala, aqui, da dúvida a respeito de qual foi a realidade por trás dos fatos do caso em questão, já que sempre convém verificar a interferência do Ouroboros, que tipicamente age para prejudicar a integridade do testemunho da Palavra. Não é necessário nem mesmo entrar nesse tipo de mérito, para verificar a ignorância do argumento, a respeito do mais superficial e óbvio aspecto do que um proceder justo da parte de qualquer Juiz. Basicamente o autor da citação reclama que Deus não é injusto como se poderia desejar que o fosse, mundanamente, e ainda chama isso de injustiça.
Segundo erro: a suposição, por premissa oculta, de que qualquer relacionamento com Deus implique em qualquer tipo de garantia, mostra uma profunda ignorância da realidade da vida espiritual, e do que significa viver na Presença de Deus. A malícia típica dos seguidores do Usurpador é tosca e grosseira demais para compreender a força da confiança no Amor divino, e de como que qualquer idéia de garantia só significaria uma diminuição nessa alegria da entrega confiante no Bem de Deus. Novamente, o autor reclama por algo que seria indigno até dos fiéis que amam a Deus, nem para falar da ofensa contra o próprio Deus.
E aqui, novamente, nem precisamos falar de segundas implicações na alegação da qualidade de Aarão como “Sumo Sacerdote”. Como já vimos, na nossa leitura do Êxodo, este ofício religioso foi provavelmente instituído no contexto do Culto do Ouroboros, e não na adoração livre ao Deus verdadeiro, como Moisés fazia. Mas não é preciso sequer levantar este tema. A fraqueza do argumento já o destrói por dentro, sem ser necessária esta análise secundária.







