Para quê Deus precisa de uma espaçonave? Ou: como a mera confiança na excelência divina expõe a mentira do Ouroboros

Tem um filme chamado Jornada nas Estrelas: a Fronteira Final que conta uma história interessante, onde o pessoal vai até a suposta fronteira do universo conhecido e lá encontra uma entidade que diz ser “deus”.

Esse ser então afirma estar exilado por alguma razão obscura, e diz então que para ser libertado precisa tomar posse da espaçonave dos visitantes.

Daí o bom e velho Capitão Kirk, com a simplicidade de um ceticismo saudável, questiona: “com licença, para quê Deus precisa de uma espaçonave?

Bastou esse questionamento tão singelo para o tal “deus” se revelar um mentiroso, e de um ser aparentemente amoroso, ele se mostrou irado e vingativo.

É interessante notar que toda a temática de Star Trek é ateística, ou pelo menos agnóstica, mas mesmo assim não foi difícil colocar essa fala na boca do personagem principal, mostrando como a mera confiança no conceito da excelência divina pode servir para expor a mentira de qualquer falso deus. Isso já que o Deus verdadeiro, mesmo a uma mente cética, só poderá ser concebido como pleno e perfeito em si mesmo, portanto independente e desnecessitado de tudo, como amante pleno e total que é por sua natureza ideal.

Pois bem, eis a vergonha dos soi dissant cristãos que acreditam que depende deles a criação de uma descendência de almas humanas: até a lógica de um personagem ateu numa série de ficção científica supera a sua, porque vocês não são capazes de fazer o questionamento lógico mais básico que desfaria a mentira do Ouroboros.

A Serpente do Mundo é como aquela entidade exilada no fim do universo: quer fazer enganar que é deus apenas para adquirir o veículo necessário para poder escapar de seu estado de isolamento. E a mera lembrança da excelência da natureza divina é suficiente para se saber que isso é uma mentira.

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