Projeto Mockingbird: recursos da falsa associação e redução ao absurdo para desmentir conspirações reais

Certamente sempre fez parte da sacola de truques do diabo, no intuito de manter e expandir o seu governo sobre este mundo, o recurso de contar com a sempre disponível estupidez humana em todas as formas possíveis, entre as quais a confusão entre as essências e os acidentes das coisas, o que sempre serviu para o maior proveito dos projetos diabólicos.

A verdade é que uma mente humana é uma máquina muito poderosa, capaz de produzir para si mesma a imagem da verdade com recursos sofisticadíssimos. Vai tão longe esse poder que somos capazes de dizer, com relativa segurança, que em nada o ser humano se aprofundou tanto quanto na arte de mentir para si mesmo.

O único recurso para o escape da mentira é a renúncia ao próprio poder cognitivo e raciocinante: a virtude da humildade, a renúncia ao psiquismo gnóstico e admissão da verdade da ignorância fundamental que é a base da nossa experiência da vida e do mundo.

Pois bem, a maior parte dos membros da nossa raça parece não ter muita disposição para essa experiência espiritual de rendição, preferindo avançar na técnica milenar do autoengano com todos os requintes possíveis.

Eis que faz parte desse repertório também o poder de simular a ignorância, ou de fingir que não se percebeu algo, usando para isso de todo tipo de alegação possível. Quando alertamos, por exemplo, para as perversidades das artes das trevas que governam o mundo decaído e amaldiçoado desta humanidade perdida, é comum encontrar a reação de indiferença ou de suposta prudência cética.

Até certo ponto é verdade, digamos utilitariamente, que não se deve dispersar os nossos escassos recursos com a consideração de coisas que escapam ao nosso controle. Mas se não somos apenas seres funcionais e se já não estamos dispostos a olhar as coisas funcionalmente, podemos entender o sentido da vida no sentido mais amplo, onde a indagação sobre a natureza da nossa realidade deve entrar no escopo da mente humana interessada em compreender realmente o mundo onde vive.

É aí que as mais diversas artes diabólicas estão prontíssimas para repelir os avanços da mente humana em direção a qualquer verdade relevante, por uma série de artifícios.

Como já falei no Capítulo 9 do meu livro Monadofilia, há o vasto caminho da escravidão das massas através do bolchevismo espiritual da coletivização da humanidade como gado, mas há também alguns caminhos particulares designados para almas mais interessadas em qualquer aprofundamento, onde a uma mente desavisada é permitido, saindo do grande engano geral, cair em qualquer engano particular que lhe seja mais atraente.

Num desses caminhos particulares se criou o Projeto Mockingbird, com a intenção de direcionar as almas eventualmente atraídas para a consideração da grande mentira deste mundo para uma saudável “correção de curso”.

Se a mente humana é atraída a descoberta do segredo através da denúncia de conspirações reais que evidenciam a natureza da realidade em que vivemos, iniciativas como a do Projeto Mockingbird atuam para a dispersão da sua atenção e finalmente para o alívio catártico que permite a essa mente voltar à “vida real” mais ou menos como uma pessoa volta para casa em segurança depois de assistir a um filme de terror no cinema.

Esse tipo de ação funciona muito bem porque por natureza nenhuma mente humana fica confortável diante do caos e da insegurança a respeito das suas crenças mais elementares sobre a natureza da realidade em que vive. Isto é, a mentira já está meio pronta na cabeça do enganado, porque ele deseja profundamente continuar enganado a ter que tolerar que o seu mundo não seja exatamente como acredita que seja.

A maneira mais fácil para se descreditar as denúncias a respeito da profunda perversidade que atua no governo deste mundo (o “Mistério da Iniquidade” de que fala o Apóstolo, que é o Culto Ouroboros) é misturá-las com outras muitas denúncias que sejam obviamente falsas.

As mentes mais comuns estarão muito mais dispostas a atribuir falsidade às denúncias reais em virtude da óbvia mentira das realmente falsas, já que isso convém ao seu desejo profundo, do que a operar uma análise fria e calma das razões de credibilidade de cada alegação, de forma justa e precisa.

O modo como as iniciativas do tipo do Projeto Mockingbird atuam é simples: é uma combinação entre as falácias da falsa associação e da redução ao absurdo.

Por um lado, faz-se uma associação incorreta entre conspirações diferentes, confundindo objetos distintos pela semelhança do gênero maior, que é o do questionamento de uma verdade estabelecida e aceita pela opinião pública. Por outro lado, feita a falsa associação, reduz-se o argumento conspiracionista ao absurdo, levando à rejeição da possibilidade de algumas idéias legítimas pela evidente absurdidade da aceitação de outras a elas falsamente associadas.

Assim pode-se, por exemplo, escapar com alívio da hipótese sinistra de que o pouso do homem na Lua tenha sido forjado, forçando uma associação incorreta com a hipótese terraplanista.

O ser humano comum, amedrontado com a suposição de que o seu mundo seja governado por mentirosos psicopatas, sente grande conforto com o truque que lhe permite descartar uma idéia perigosa usando de um truque falacioso obviamente enganador.

É por isso que o Annuit Coeptis funciona tão bem e nós não devemos protestar contra esse estado de coisas: porque é algo permitido pelo Altíssimo para que a liberdade humana se realize plenamente, com uma salvação maior em vista.

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