Redenção vs. Normalização

Toda a perspectiva colaboracionista, de comprometimento e acordo com o espírito do mundo, deve ser entendida como componente do processo de Normalização dentro do Sistema da Besta, especialmente no desempenho da função do Bispo, como vemos, por exemplo, no papel das igrejas cristãs.

Qualquer Igreja Cristã verdadeira deveria ser em primeiro lugar isto mesmo: cristã.

O que isto quer dizer?

Cristão quer dizer Messiânico, a crença numa Unção especial designada para a Redenção de uma realidade decaída, desordenada, amaldiçoada e caótica.

Todo processo de Normalização vai no sentido contrário, o da justificação do estado caótico como derivação de um jusnaturalismo, isto é, de uma visão idólatra da natureza, de um naturalismo com sentido espiritual.

Ser cristão é o mesmo que ser Redencionista, crente numa Redenção, na consumação de um desígnio divino que implica na restauração do ideal criativo do Deus que ordena todas a coisas a sua finalidade ótima.

Deste modo entendemos, em confirmação com o que já pude explicar em A Coruscância a respeito do conservadorismo diabólico, que há uma perspectiva algo revolucionária na verdadeira visão cristã das coisas, embora esta revolução possa ser sempre pervertida ela mesma para uma finalidade equivocada, quando seu alvo é identificado fora da alma humana, ao invés de localizar seu objeto no interior do próprio ser humano.

Isto quer dizer que de todo modo a conservação do status quo sempre valida o Pacto Ouroboros com as suas consequências, ou seja, o governo de Satanás sobre este mundo, ao passo que a rejeição da traição contra o império de Deus não é inequívoca, sendo ambiguamente interpretável no sentido da revolução exterior do messianismo histórico, a reforma do mundo, ou no sentido da revolução interior do messianismo espiritual, a reforma do homem.

A ação de toda igreja “cristã” que serve apenas para a legitimação e normalização do governo do mal sobre o mundo é, assim, sempre equivocada, embora a solução de rompimento com esse estado de coisas não seja sempre inequívoca, conforme a exterioridade ou interioridade da ruptura com o Pacto Ouroboros se revele gnóstica e iniciática, com o objetivo de dominar o processo histórico na presunção da execução de um mandato divino (a origem das revoluções que implantam todo tipo de desordem no mundo, o alvo principal da iniciativa das defesas conservadoras), ou baseada na Humildade, com consciência e responsabilidade, com o objetivo de renunciar a todo poder que constitua traição ou usurpação contra a autoridade divina.

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