Citação L0034-C01, em O Treinamento Continua, livro por Daniel MASTRAL.

Parece que o nosso treinamento na confusão da mistura de Luz e Trevas continua no quarto volume da série Filho do Fogo de Daniel Mastral (e Isabela).
Logo de cara a dupla está engajada na celebração do seu casamento, e encontramos esse testemunho acima, saído da pena de Isabela, que já requer a nossa análise e comentário. Esse tipo de coisa não pode passar despercebidamente. Meu trabalho é justamente o de fazer todos os apontamentos necessários para destacar o sentido espiritual das coisas que podem passar sem uma reflexão na leitura de terceiros.
Para começar, Isabela menciona as Bodas de Caná, e diz que “não havia mal algum em festejar“. Quer dizer, a mera presença de Jesus numa festa de casamento, por misericórdia, já serviu como aval para o sentido daquela ação humana. Uma visão mais extensa e compreensiva sobre o tema no âmbito da Bíblia, porém, poderia revelar sentidos diferentes, se Isabela quisesse ir atrás disso. Mas ela quer um endosso, um aval, para o desejo do seu coração. Mais adiante ela mesma confessa isso, o que nos dá a idéia de que, pelo menos da parte dela (de Daniel não sabemos), há mais ingenuidade do que malícia.
Para deixar claro, a presença de Jesus entre todas as pessoas, sempre foi uma ação de misericórdia, e não um aval divino à conduta humana. Mesmo quando estava entre seus amigos, os discípulos após o Pentecostes, Jesus afirma categoricamente que é melhor ele partir do que ficar entre a nossa raça, e que se soubessem para onde ele iria, todos concordariam. Isto é, a precariedade da condição humana, mesmo após a unção do Espírito Santo, é inescapável, e Deus não tem interesse em endossar nossos costumes e tradições. A presença de Jesus entre os nascidos das obras da carne não constitui aprovação desta situação, e muito menos das práticas oriundas dessa condição.
Ainda cabe-nos observar que se a ação de Isabela fosse totalmente de boa fé, ela não se veria na necessidade de justificar. Bendito é aquele que não se condena na decisão que toma. E toda ação que não é feita de boa fé, é pecado. Estou citando literalmente o Novo Testamento. Por que Isabela estaria justificando o seu desejo de festejar, se não fosse por uma luta contra uma condenação interior, e uma dúvida por falta de boa fé?
Mais adiante, Isabela reforça a sua linguagem no sentido que o seu casamento com Daniel fosse uma “Celebração“. Ela não quer que o matrimônio seja somente uma prática de acordo com um costume. Ela quer que isso tenha sentido espiritual, o que nos remete ao se tornar uma só carne, do Gênesis, possivelmente uma formulação que representa o sentido espiritual do Pacto Ouroboros. É importante pontuar isso para que fique claro que quem quer dar sentido maior ao matrimônio do casal Mastral não sou eu, mas Isabela e, a reboque, Daniel. Se eu busco o sentido espiritual deste testemunho, foi por uma provocação da parte deles neste sentido.
Mais adiante ela novamente declara a sua insegurança, apelando para o “se Deus tinha permitido isso“. Que engraçado. Desde a fundação do mundo Deus permitiu todos os homicídios, torturas, estupros, guerras, tirania e escravidão do mundo. Isto implica numa aprovação? É óbvio que não. O argumento de Isabela está totalmente vazio. Aliás, por um acaso (ou não?), a legitimação da ação humana com base na permissividade da Providência é um argumento satanista para o abuso da Liberdade humana. Teria Isabela talvez aprendido isso com Daniel?
O Altíssimo não permite o Mal, Ele permite a Liberdade.
É nossa responsabilidade desejar o Discernimento e, em todos os casos omissos, assumir humildemente, pela nossa ignorância, que não sabemos o que fazemos. O que Isabela faz é o contrário: abraçar o espírito de Presunção.
Logo adiante Isabela insiste nessa idéia de “Celebração”, e chega a afirmar que isto condiz com uma fidelidade de Deus à “Sua Aliança para conosco“. Que aliança é essa?
É a do Espírito Santo, revelada por Jesus Cristo, que mandou que amássemos a Deus acima de tudo, e não a Tradição dos homens, e que amássemos uns aos outros como irmãos? É desta Aliança que Isabela está falando?
Obviamente que não é. No contexto, essa “aliança” nada mais é do que o próprio Pacto Ouroboros, o Pecado Original, através do qual os casais se consagram ao Usurpador e oferecem suas vidas e as de seus filhos ao diabo.
Isabela afirma em seguida que “Deus já tinha preparado cada pedacinho do nosso casamento desde a fundação do mundo“. Quer dizer: Deus não tinha preparado a sua conversão ao seu Amor, e a busca da plena santidade. Deus não tinha preparado a sua fortaleza para carregar a cruz. Deus não tinha preparado a sua mansidão para o aceite da morte. Deus não tinha preparado a sua expectativa para a esperança da ressurreição. Não, tudo isso parece secundário. De todas essas coisas santas, Deus escolheu preparar, desde a fundação do mundo, o casamento do casal Mastral. Isto é o ser humano no seu elemento: colocando Deus a serviço de seus caprichos.
E para não me deixar mentir nessa interpretação, a citação encerra com Isabela afirmando que apresentou para Deus cada desejo, “especialmente do meu coração“. Isabela não está nem um pouco preocupada em entender qual é o desejo do coração de Deus, nem em discernir as coisas espirituais. Ela só quer saber de realizar a vontade do seu próprio coração, e Deus que sirva a Isabela. É a total inversão do “seja feita a Vossa vontade“.
Isto constitui quase que a total obscuridade da mônada, é a idolatria humanista em estado puro, configurada na forma da Tradição, isto é, no idealismo imanentista do passado, pelo costume da Religião.
Lord Voldemort is dead.