Confiar ou não?

Por um lado, confiar é bom, é melhor que desconfiar.

Por outro lado, “maldito é o homem que confia no homem“.

Como resolver a contradição?

Não existe contradição.

Uma coisa é confiar no Bem através das nossas ações, ou seja, naquilo que de nós depende.

Outra coisa é confiar no Bem através da ação alheia, ou seja, no que depende do arbítrio do outro.

Confiar é bom quando precisamos acreditar na boa ação que fazemos, mesmo que não sejamos reconhecidos por quem quer que seja no mundo, inclusive e especialmente os beneficiários da nossa ação. O bem da ação está nela mesma, e o nosso prazer com o bem tem que vir dessa suficiência.

Confiar é ruim quando precisamos acreditar na boa ação da parte dos outros, quando depositamos qualquer esperança numa bondade que não seja a divina.

Em suma: confie para fazer o bem, porque o próprio bem é confiável em si mesmo, mas não confie para esperar o bem, senão de Deus, como se algo de bom pudesse partir do homem ou do mundo que não tenha origem na bondade divina.

Guerreiros da Luz, livro por Daniel MASTRAL

Apesar de irritante, o testemunho adicional da esposa de Daniel Mastral, Isabela, fez a diferença por tornar a situação mais humana, mais densa, e mais compreensível, especialmente no entendimento de como as pessoas são ignorantes das coisas espirituais, mesmo quando elas têm, muitas vezes, razões para considerar as coisas com maior prudência.

Alguns pontos de observação a partir desta leitura:

1. Deus, seu Amor e seu Poder, continuam ainda pequenos demais, como que em “guerra” contra o Mal, reconhecidos por relação como o “maior” numa equação que ainda confunde e mistura o que é divino com o que não é. Deus é muito, infinitamente mais poderoso e Absoluto do que se dá a entender neste testemunho;

2. Mastral é ingênuo demais, e na sua vontade de ter uma vida “normal”, deixou passar a oportunidade de ver as coisas com muito maior profundidade espiritual. Querer viver no mundo, neste mesmo mundo governado pelas Trevas, como se isso fosse algum tipo de vantagem, apenas fingindo que a ação do Mal não existe, é algo impróprio para o tamanho do livramento que ele recebeu. Sua salvação foi oportuna para uma liberdade muito maior do que a convencionalidade de uma vida “normal”, especialmente na busca do casamento e da paternidade;

3. A dependência de sinais e confirmações restringiu muito a pureza da vida espiritual de Mastral, para não dizer até que o tenha levado de volta à influência de forças demoníacas mais discretas. Enxergar que algo seja um sinal da vontade divina num sentido, como se tudo não o fosse em qualquer sentido que ignoramos, significa restringir formidavelmente o âmbito da ação de Deus. A confiança total e mais pura sempre constitui um caminho mais pleno, mas isto requer uma entrega maior. Mastral e sua esposa ainda querem mais poder do que amar. No caso dele, Daniel, em específico, parece ser muito considerável o dispositivo da sua alma voltado para a busca de confirmações de afeição, possivelmente nutrido e originalmente disparado por uma frustração familiar (possivelmente frieza da parte dos pais), gerando um padrão que mais tarde moldou a forma da sua vida espiritual, como se nunca lhe bastasse intuir ou simplesmente confiar num amor, mas fosse preciso uma garantia de alguma espécie;

4. Fica mais evidente ainda aquilo que já observamos anteriormente, que provavelmente a primeira grande abertura de Mastral para os demônios foi através da tentação da ira, que é uma particularmente poderosa manifestação do Orgulho. É recomendável a associação que ele fez entre a prática do kung fu e a ira, pelo menos no contexto da sua própria vida espiritual. O problema é a pretensão do universalismo. O mal não estava no altar do seu mestre, na reverência, nos exercícios, etc., mas no que estas coisas significavam no coração de Mastral. A vida espiritual é interior;

5. A sucumbência diante do assalto do espírito de Terror, ou o Pacto com o Inferno, é muito óbvia e mostra o quanto Mastral, assim como sua esposa, esteve pouco disposto a aceitar o dom da Paixão. Isto não é difícil, quando é aceita em primeiro lugar a Justiça do Decreto de Gen 3,22. Igualmente, ele mostrou pouca ou nenhuma Vigilância diante das aparições de “anjos”, rituais religiosos, etc. Tudo o que ele entendia como reforço para a Fé, era na verdade o contrário. O que nos mostra que ou ele esteve muito enganado, ou estava querendo nos enganar a todos com essa história de conversão.

Por tudo isto, entre outras coisas que poderiam ser mais detalhadamente estudadas, o terceiro livro da série Filho do Fogo é bastante espiritualmente contraproducente.

Nota espiritual: 1,1 (Moriquendi)

Humildade/Presunção4
Presença/Idolatria0
Louvor/Sedução-Pacto com a Morte3
Terror/Terror-Pacto com o Inferno0
Soberania/Gnosticismo0
Vigilância/Ingenuidade0
Discernimento/Psiquismo1
Nota final1,1

“O que adianta, de agora em diante, é dizimar, ofertar, obedecer.”

Citação L0032-C07, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

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Eis no que restou toda a experiência de aprendizado depois de três volumes de vai e vem entre a participação no satanismo da Irmandade e na tradição do Cristianismo: a troca de uma escravidão por outra.

Além do erro medonho, psíquico, do quid pro quo nas coisas espirituais, com essa presunção do casal Mastral de que eles foram roubados porque estavam “desprotegidos”, e que esta era a sua condição por não terem ofertado o dízimo, que já seria um problema tremendo (a idéia de que se pode comprar a proteção divina, como se o Céu fosse uma cosa nostra), temos aqui o ainda mais grave erro, por ser mais básico, de confundir o que são princípios espirituais com princípios religiosos.

Tudo o que é espiritual pode ser pervertido para um sentido religioso.

Assim, a Humildade a Deus se torna Modéstia aos Homens, a Gratidão a Deus se torna Bajulação aos Homens, e a Obediência a Deus se torna Subserviência aos Homens.

Quando alguns seres humanos se colocam diante de outros como representantes de Deus, isto constitui imediatamente uma condição de elevado risco moral, por várias razões óbvias. Foi na lida contra esse risco que Jesus trouxe a liberdade do Evangelho e nos revelou Deus como um Pai amoroso, e foi por esta mesma razão que essa raça de víboras desejou a morte do Filho de Deus, pois o triunfo da sua mensagem significava nada menos que a ruína dos poderes religiosos no mundo, a grande sede do domínio do Ouroboros.

Não podemos nos esquecer, desde a leitura de Gênesis 4, de que a primeira imagem do Ouroboros como deus da humanidade se dá por esse formato religioso. Todos os projetos humanos que envolvem a construção de uma civilização emancipada do Amor divino são gerados a partir dessa semente mentirosa, da grande mentira dessa Usurpação ancestral.

O casal Mastral saiu das garras do Leviathan para cair nos braços do Behemoth, pulando apenas de um lado da Dialética do Ouroboros para o outro.

“Eles são inteligentes, muito inteligentes… muito mais do que os homens!”

Citação L0032-C06, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

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Que testemunho desgraçado e infeliz!

Isso é o contrário de toda a verdade do Evangelho, e mesmo do espírito dos Profetas desde o Antigo Testamento.

A felicidade do fiel está fundada na indiferença quanto à inferioridade da raça humana diante de todo o resto da Criação, inclusive os anjos, justamente porque somos amados pelo Criador de todas as coisas, Aquele que está infinitamente acima de qualquer poder ou inteligência que tenha criado.

Pior ainda, Jesus decreta a nossa paz no seu triunfo, quando afirma que apesar de vivermos tribulações momentâneas, que devemos ter um bom ânimo, porque Ele venceu o mundo. Isto é uma obrigação para os cristãos. A abominação demoníaca não é nada diante da majestade divina, e nós, enquanto fiéis ao Amor divino, somos cobertos pelo verdadeiro Poder.

O testemunho de Isabela é tão abominável que chegamos perto da suspeita de que na verdade Daniel Mastral continuou fiel à sua Irmandade satanista até o fim, e que a sua verdadeira missão não era a de participar da política nacional, mas de infiltrar as fileiras das igrejas e envenenar a cultura evangélica com o testemunho do espírito do Terror, ou Pacto com o Inferno.

Não posso afirmar que isto seja verdade. Mas também não posso afirmar que não o seja, e nem tenho autorização para dispensar esta suspeita. De acordo com a instrução do dom de Vigilância, devemos redobrar agora a guarda sobre quaisquer testemunhos que saiam da pena ou da boca do casal Mastral.

Como pode um cristão ter tempo para exaltar os poderes infernais, ao invés de decretar a absoluta supremacia do Altíssimo?

Por exemplo, falemos apenas de dois aspectos do erro monstruoso desse testemunho das trevas, para dar uma amostra de como seria fácil quebrar toda essa lógica, caso eles quisessem.

Primeiro, se os demônios fossem inteligentes, eles não rejeitariam a vida na Presença, sob a Graça divina. Qual é a inteligência de desprezar o Amor divino? Ao contrário, se há uma grande burrice, uma grande estupidez acima de todas as outras, é justamente a do Orgulho. Inteligência, afinal, é o poder de reconhecer a verdade, e a verdade do Ser é a sua constituição pela forma e finalidade do Sumo Bem. O espírito de Orgulho é uma cegueira arrogante e estúpida, nada mais do que isso. Se os demônios possuem uma inteligência operacional capaz de enganar os seres humanos, isso se dá pela grande justiça que provém da imitação humana daquele espírito de Orgulho infernal. Ou seja, quando a burrice humana decide acompanhar a soberba demoníaca, aí com toda razão a inteligência infernal tem pleno direito de enganar e dominar as suas vítimas humanas, em virtude da perversão do arbítrio destas, especialmente no desprezo ao Amor divino.

Segundo, a “armadilha certeira” dos demônios nunca escapou, desde a Eternidade, dos planos infalíveis da Providência, que tem o poder de converter toda a maldade em um destino adequado para a plena realização da Obra divina. A suposta certidão das armadilhas demoníacas só pode aterrorizar justamente o coração daquele que é fraco na sua fé, e que acha que algo ainda pode escapar do domínio divino de algum modo. O cristão tem o prazer de cair mil vezes, se for o caso, nas armadilhas dos seus inimigos, porque se isso não derivou de seu vício de desconfiança do Amor divino, é apenas mais um abuso que constitui o caminho da Cruz que nosso Senhor já nos convidou a carregar até o fim. E carregamos com alegria, a alegria da confiança amorosa, porque sabemos que nosso Deus é fiel. E esse é o nosso prazer: nos deleitar na fidelidade divina. Qual é o sentido, nesse contexto espiritual, de considerar as armadilhas certeiras de um adversário que não pode nos separar do Amor do Pai? Nenhum. Esse testemunho só serve como tentação do espírito de Terror, ou Pacto com o Inferno, para abalar a nossa fé.

Até agora, essa foi a passagem mais abominável, mais horrível, de todos esses livros de Mastral. Que coisa hedionda!

Vejam bem: todos os pecados são perdoáveis, absolutamente todos, menos o pecado contra Espírito Santo, o pecado mortal de desconfiar da eficácia e do poder do Amor divino.

Quando recebemos qualquer testemunho que nos testa neste sentido, estamos diante de nada menos que uma oferta verdadeiramente infernal, o próprio diabo batendo à nossa porta.

Como já vimos antes, no estudo daquela citação de Moisés, o Negro, desde a Patrística os cristãos têm a clareza de que os demônios nos superam em tudo, menos no que interessa, ou seja, na Humildade da vontade de viver pela Graça divina. A nossa fraqueza é justamente o caminho para a nossa abertura ao Amor divino, para toda a Salvação. Por outro lado, foi justamente a superioridade de Lúcifer que deu ocasião para a sua Queda, na tentação do Orgulho. Isto significa que a nossa pequenez deveria nos alegrar, porque nos aproxima mais do Amor divino do que aquela grandeza do mais elevado querubim. Diante disso, qual é o sentido de exaltar as superioridades demoníacas nos vários âmbitos que não fazem diferença nenhuma na nossa vida na Presença?

O pior de tudo, ou a última pá de cal em cima dessa história, foi um outro testemunho que encontrei mais adiante, desta vez do próprio Daniel Mastral, que terminou por reduzir ao máximo várias notas da avaliação espiritual deste livro, como podemos ver abaixo.

Citação L0032-C08, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL:

Esta última expressão, de que “nem o Poder de Deus é forte o suficiente”, é totalmente contraditória.

A definição mais elementar a respeito do Deus verdadeiro é a que o considera Absoluto e, portanto, com a qualidade de total suficiência, em qualquer âmbito considerado.

Isto quer dizer que Mastral, na melhor das hipóteses, apenas considerou o Deus cristão como um entre outros, talvez o maior, mas não o Absoluto, o primeiro e principal, mas não o Único, um primus inter pares.

Na pior hipótese, ele é um satanista infiltrado (qualquer que seja o seu grau de consciência disto) com a função de perverter a Fé verdadeira no meio dos cristãos através desse tipo de testemunho.

“Tínhamos a certeza de que agora era Ele que daria as diretrizes.”

Citação L-0032-C05, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

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Esta formulação está até que próxima do acerto, aparentemente, mas ainda apresenta uma linguagem defeituosa que requer uma correção, ou no mínimo uma ressalva.

Quando Isabela diz que “agora era Ele que daria as diretrizes”, ela confunde o que é uma mudança da sua consciência a respeito da realidade, com o que é real em si.

O que muda quando eles fizeram “a nossa parte”? O que aconteceu quando eles entregaram “aquele problema nas mãos de Deus?”

No mundo das realidades, não aconteceu absolutamente nada. Ou melhor, aconteceu que, repousando na Providência, eles diminuíram a sua exposição ao espírito de Terror, ou seja, abriram seus corações para receber o dom da Paixão. Isto é: na melhor das hipóteses, se a oração foi verdadeira, o que mudou foi a disposição espiritual dos fiéis.

Mas a presunção humanista e antropocêntrica é tão forte que na sua linguagem Isabela dá a entender que agora Deus é que teria o domínio da situação, só agora, depois que eles, Isabela e Daniel, entregaram o problema para Deus!

A situação nunca esteve fora do domínio divino, ou Deus não seria Deus.

A fraca fé do casal Mastral dá a entender que Deus depende do arbítrio humano para ser Onipotente, quando no máximo o que depende de nós é o alcance dos dons divinos, como o da Paixão, por termos a liberdade de aceitar ou não a realidade de que Deus está, como sempre esteve, no total domínio de todas as situações.

Por esse tipo de engano comum a respeito desse tipo de coisa é que eu insisto tanto em abordar a vida espiritual como vida interior, e especialmente no ponto de vista monadofílico em que toda a realidade é uma mera manifestação da unidade do nosso ser, de modo que a indeterminação que precisa ser definida é sempre a da nossa disposição de aceitar ou não a supremacia do Amor divino. É só isso o que interessa! E é por isso que o amor a Deus é o Primeiro Mandamento. Isto é a essência e o fundamento da vida espiritual.

Essas considerações a respeito da interferência nas coisas do mundo, e pior ainda, nas consecuções das diretrizes do inimigo, tudo isso é uma perda de tempo derivada do engano da Idolatria. Se vivemos na Presença do Senhor, imediatamente dispensamos todas essas confusões e dispersões da nossa alma, e nos concentramos na única coisa que interessa: a satisfação de viver na confiança amorosa na bondade do nosso Pai.

Mas essa satisfação é restrita àqueles que querem ser amados, e infelizmente parece que essa sempre é uma minoria.

“A oração é eficaz para reverter o plano do inimigo.”

Citação L0032-C04, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

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Em primeiro lugar, o que significa colocar “tanto uma quanto outra hipótese diante de Deus”?

Significa que o Altíssimo tem realmente alguma obrigação de corresponder a esta expectativa de esclarecimento?

Obviamente que não. Isso é uma temeridade enorme. Quando se força esse entendimento, de algum tipo de obrigação colateral da parte de Deus em face de uma situação qualquer, já se coloca no perigoso terreno da frustração, na melhor das hipóteses, ou mesmo na especulação da interpretação de sinais como exercício de interpretação da vontade divina.

Tudo isso está muito longe do repouso na Presença de Deus, um benefício que depende do amor à liberdade divina de fazer o que bem entender. O mais sábio não é o de buscar a diferenciação de uma situação que esteja determinada ou permitida por Deus, mas sim aceitar o que quer que seja arbitrado pelo domínio da Providência.

Jesus Cristo mesmo, o próprio Filho de Deus, nos ensina a pedir especialmente, e eminentemente, que “seja feita a Vossa vontade“. Esse desejo pelo arbítrio da vontade divina é totalmente incompatível com a busca da diferenciação entre as coisas que são passíveis de mudança pelo arbítrio humano e as que não são. Essa busca já constitui uma diminuição da vida na Presença, e uma vontade gnóstica de controle.

Em segundo lugar, o que significa “reverter o plano do inimigo”?

Quem disse que qualquer plano do inimigo já não está totalmente considerado, compensado e absorvido pela divina Providência, e isso desde a Eternidade? E, portanto, quem disse que nós, reles míseros seres humanos, tão ignorantes e fracos, temos a capacidade de peticionar por algo melhor do que aquilo que já seria permitido pela Providência, se o desejo do Bem só pode partir do Amor divino sobre nós?

Ou seja, Deus tem o poder de converter o mal que se trama contra nós em um bem, mas nós mesmos não temos essa capacidade. Por isso a nossa total entrega à divina Providência é uma sabedoria muito superior a essa pretensão postulada pelo casal Mastral.

Às vezes o que precisamos, ou seja, o que constitui o nosso maior bem, é justamente que os planos do inimigo se realizem exatamente como foram tramados, pois somente através desses atrevimentos injustos se abre o território de legalidade que permite-nos, por exemplo, sermos abundantemente beneficiados por ações extraordinárias da Graça divina.

Talvez esteja na hora de considerarmos esse aspecto da guerra espiritual, isto é, o outro lado do legalismo.

Assim como o Inferno ganha permissões na exploração de brechas que deixamos abertas pela falha do nosso amor à Deus, o contrário também ocorre: o abuso das injustiças contra os amantes fiéis a Deus cria toda a base jurídica para a proteção e benefício dos mesmos.

Se o casal Mastral estava tão interessado na guerra espiritual, eles deveriam experimentar esse tipo de tática infalível, que é a entrega a Deus de um coração fiel, sem ressalvas e restrições, de modo que cada assalto da parte das forças infernais constitui um motivo para uma exibição mais formidável da Graça divina em nosso favor.

Em suma, a guerra espiritual pertence a Deus. Nosso papel é o da docilidade obediente das ovelhas que seguem o Bom Pastor.

“Diante do risco que isso representava, o Senhor mostrava que poderia cercar aquele lugar com anjos.”

Citação L0032-C03, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

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Infelizmente, o diabo deve se divertir muito com esse tipo de testemunho.

Toda a experiência de Cruz envolve “um risco”. E a felicidade do fiel é a de confiar no Amor de Deus apesar de todos esses riscos.

O testemunho dos Mastral mostra a total inversão psíquica das coisas espirituais: se o coração dos dois se escorava na presença dos anjos para confirmar uma determinada linha de ação, seja a do tal “Ministério”, ou mesmo o casamento deles, isso deveria servir como uma fortíssima indicação do contrário, isto é, que algo queria tomar o lugar do Deus para enganar a fraqueza humana que só deveria se sustentar na pura Fé no Amor divino.

Os Usurpadores agem exatamente deste modo: exploram a brecha concedida pela adesão humana ao espírito de Ingenuidade.

O crescimento espiritual do casal Mastral estava no fortalecimento da pureza do Amor, indo na direção contrária ao que fizeram. Deveriam, com Vigilância, possuir a astúcia para desconfiar imediatamente daquele teatro sobrenatural, esse circo hediondo e abominável, e procurar a segurança que só existe na confiança na bondade de Deus, sem nenhuma garantia.

A força de Deus é encontrada na nossa fraqueza.

Se eu quero sinais e manifestações de que o Poder de Deus me protege aqui e agora, eu estou desejando sinais que satisfaçam o meu psiquismo a respeito de uma falsa salvação, às custas do enfraquecimento da vida espiritual. Queremos substituir a vida espiritual pela psíquica, o coração pela mente.

A verdadeira Salvação está no Amor de Deus que é tão santo e tão puro que eu jamais teria a menor condição de adquirir as mínimas garantias psíquicas a respeito.

Em suma: aquilo que os Mastral tomaram como uma certeza de uma idéia, através do seu Psiquismo, deveria servir para a certeza da idéia exatamente contrária, através do Discernimento que eles não quiseram ter.

“Como se Deus confirmasse a nossa aliança, é isso?”

Citação L0032-C02, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

Parece que essa aliança de Daniel com Isabela tem como função o engano mútuo a respeito daquilo que tem a aparência do divino, mas que não é.

Eis o que é divino: a confiança no Amor do Pai.

Eis o que parece ser divino, mas não é: a aparência do Poder de Deus.

Se Daniel e Isabela se interessassem pela própria Palavra de Deus, ao invés de se dedicar tanto a reuniões religiosas, rituais de livramento, grupos de oração, etc., enfim, se eles se interessassem mais por Deus do que pela Religião, aprenderiam do Apóstolo Paulo que até o diabo pode se travestir de anjo de luz.

Tudo, absolutamente tudo o que me faz confiar mais no Amor divino sem garantias, sempre me aproxima de Deus.

Igualmente, tudo o que me faz confiar menos no Amor divino procurando garantias e sinais do Poder, sempre me distancia de Deus.

É por essa razão, inclusive, que aquele escritório de advocacia chamado Inferno peticiona e ganha o deferimento, junto a Deus, da permissão para enganar os incrédulos com manifestações impressionantes, como aparições angélicas. Este é o mesmo dispositivo que será usado ad nauseam no Fim dos Tempos, quando o Anticristo, bem como o Falso Profeta, receberá grande autoridade para enganar todas as nações da Terra.

O testemunho do casal Mastral nos prova cabalmente o quanto a Religião é corrosiva, destrutiva, da verdadeira vida espiritual.

A entrega a Deus deve ser total: a aceitação de todos os decretos divinos, até a morte. Quem faz essa entrega pode continuar vivendo com medo, como é muito natural e humano que ocorra, mas não vai trocar essa entrega, mesmo com medo, por garantias de proteções que sirvam para a falsa sensação de segurança nesta tão efêmera passagem por este mundo.

Daniel Mastral deveria saber que as boas sensações subjetivas são enganosas, porque na sua própria experiência do satanismo, na Irmandade, ele já tinha experimentado sensações muito boas que serviram apenas para o seu engano.

Também deveria saber que se ele se corrompeu pela visão de realidades interdimensionais antes, isso poderia continuar ocorrendo, apenas com o sinal trocado, ou seja, ao invés de simplesmente procurar um “outro lado” da disputa, seria mais prudente procurar o que está acima de todos os lados, ou seja, o Deus verdadeiro que é louvado e adorado exclusiva e diretamente, sem que seus anjos tenham que participar da particularidade da experiência humana.

Também deveria saber que, se ele mesmo já tinha notícia de que aquele local era suspeito, por sinais que sua inteligência já lhe tinha apontado, como a clara percepção de vasos marcados com sinais esotéricos, fora a sensação geral de desconforto e perigo, ele deveria receber o dom de Vigilância e virar a mesa em cima do seu culto religioso imediatamente, já que eles tinham escolhido aquele local. Porque eles foram incompetentes ou comprometidos. Os próprios satanistas mandaram a mensagem de que se ele estava no domínio deles, a culpa era dele. Por ser ingênuo, por rejeitar a Vigilância do Espírito Santo. A profunda carência emocional de Mastral lhe impediu de buscar uma vida espiritual independente de grupos, bem como uma vida sem a necessidade do tormento de namoros, noivados e casamentos. Foi assim que ele caiu nos braços do mal, desde sempre, através da ira e do desejo de pertencimento: a gangue da 29, os grupos de kung fu, a Irmandade, e finalmente a sua Igreja.

O que observamos, com tristeza, é que o que havia por trás da tremenda ira de Mastral, que ele sempre mostrou desde bem jovem, foi uma grande covardia de enfrentar a vida sozinho com Deus. Foi essa sua sucumbência diante do medo que o jogou nos braços de relacionamentos que mais o atormentaram do que o ajudaram no caminhar com Deus, bem como nos vários grupos que mais o distraíram, ou mesmo desviaram, do que o aproximaram da vida espiritual na Presença do Altíssimo.

Quando os vários satanistas membros da Irmandade mandaram mensagens, repetidas vezes, afirmando que Mastral ficaria sozinho, e que não haveria ninguém para ajudá-lo, isto era um óbvio sinal de que esse era o seu ponto fraco, o medo da solidão. Essa foi a brecha que serviu para ele ser intimidado, e para buscar refúgio em mentiras, como relacionamentos amorosos, ou grupos sociais, quando o único refúgio era a vida na Presença.

O patético da ilusão da salvação mútua do casal fica evidente pela linguagem empregada. “Como se Deus confirmasse a nossa aliança“. A que ponto chegamos? Quer dizer que o Altíssimo sobre todas as coisas moveria seus anjos para aparecerem para a confirmação da aliança entre esses dois filhos de Adão e Eva, para que eles apenas repetissem exatamente a mesma coisa, e como se não houvesse nada mais importante, como qualquer dom espiritual a respeito da Salvação? Isso é o cúmulo da Ingenuidade, já virou estupidez e total ignorância, e até mesmo narcisismo. É um gesto desesperado das duas partes do casal, como se fossem salvar um ao outro, e desejando que Deus fosse o fiador dessa insanidade.

Parece que tudo o que Daniel Mastral fez foi trocar um lado da Dialética do Ouroboros por outro: o da Revolução pelo da Tradição.

Por fim, devemos considerar aquilo que os autores, Daniel e Isabela, não quiseram: que o diabo é chamado por Jesus de Pai da Mentira.

Isso quer dizer que todos os enganos experimentados, seja através da visão de anjos, ou da confiança em instituições religiosas, foram permitidos com o subsídio legal da adesão ao espírito de Ingenuidade. Jesus mandou os cristãos serem astutos como as serpentes.

Mastral e sua esposa não fizeram isso, ou porque foram enganados, ou porque quiseram nos enganar. Isso só Deus sabe.

“O Reino Físico, o que é? Pura ilusão”

Citação L0032-C01, em Guerreiros da Luz, por Daniel MASTRAL.

Aqui temos uma manifestação de Isabela, a irritante esposa de Mastral, que aqui acabou por dar um tremendo testemunho gnóstico, assim, do nada, como se isso tivesse alguma coisa a ver com as coisas divinas, ou com o próprio Evangelho.

São dois problemas.

Em primeiro lugar ela fala de um tal “Reino Físico”, que eu nem sei bem o que é.

Tenho conhecimento de algo que nós chamamos de realidade: uma realidade em que existem experiências sensíveis, ou físicas, que possuem uma forma lógica, ou psíquica, e um sentido finalístico ou teleológico, ou espiritual. Tudo isso está junto numa só realidade que Deus criou.

Quando Isabela afirma que existe um “Reino Físico”, o que ela quer dizer? Que existem realidades paralelas? Ou dimensões paralelas? Ela não esclarece. Do nada tira da cartola esse conceito que não é bíblico, ou pelo menos não num sentido rigoroso. Fala-se, por exemplo, das coisas que se vêem, em contraste com as coisas que não se vêem, mas isso não configura a consistência de “reinos” separados. Isto é, ela está inventando alguma coisa, ou misturando alguma invenção que aprendeu em algum outro lugar (não no Evangelho).

Daí ela não só faz uma separação entre o que é Físico e o que é Espiritual em dois “reinos” diferentes, mas afirma que o “Reino Físico” é pura ilusão.

Essa é uma formulação totalmente gnóstica.

Jesus Cristo, o Filho de Deus, não tomou a forma de Filho do Homem, e nem ressuscitou também como Filho do Homem, para que nós acreditemos que o Reino Físico é pura ilusão. Ao contrário: a fisicalidade, ou corporeidade, foi totalmente justificada tanto pela Encarnação quanto pela Ressurreição. O Evangelho é o túmulo do Gnosticismo. Pelo menos para aqueles que crêem.

Uma parte do engano gnóstico é derivado da confusão entre o que é a verdadeira separação entre Luz e Trevas, uma Obra totalmente concentrada na vida espiritual, isto é, no sentido das coisas, com uma suposta separação entre esses “reinos” físico e espiritual. Isso decorre da falta dos dons divinos de Presença, Soberania e Discernimento, entre outros.

Por fim, Isabela afirma que Deus não resolve as coisas sozinho, o que em outras palavras significa: a Salvação não é uma Obra exclusivamente divina, ou seja, não é uma Graça pura.

E Deus não faria isso sozinho porque isso não nos traria nenhum conhecimento, ou aprendizado, ou seja, nenhuma Gnose.

Quer dizer, traduzindo: Deus não nos salva, Ele nos ensina o conhecimento através do qual nós nos salvamos a nós mesmos.

Gnosticismo puro.

Não tenho nada a objetar que as pessoas queiram ser gnósticas, se esta for a sua escolha que desde a Eternidade foi permitida por Deus. Meu problema é chamar esse tipo de doutrina de “cristã”. Porque isso não é, nunca foi, e jamais será.

Parece que Mastral, já bastante atrapalhado e confuso na sua própria experiência espiritual, ganhou um poderoso aporte de confusão da sua companheira. É como se diz: cônjuge é aquela pessoa que está sempre ao seu lado te ajudando a resolver os problemas que você não teria se fosse solteiro.

O medo da solidão é uma desgraça, uma grande porta aberta para o Inferno.

Mas os testemunhos ainda não acabaram. Sejamos generosos e esperemos que a qualquer momento na leitura esses enganos sejam remediados.

Os Rejeitados, filme por Alexander PAYNE

Neste filme três pessoas frustradas se consolam mutuamente, demonstrando algum amor mútuo, mas sem alcançar nenhuma grande sublimação da situação geral de sofrimento: O Professor, o Aluno e a Cozinheira.

O Professor não teve a carreira acadêmica que teria desejado, tornando-se um tanto ressentido, e um pouco alcoólatra; o Aluno perdeu a presença do pai para uma doença mental, e se viu afastado da mãe que se casou novamente e o matriculou num internato, nem sequer pode passar o Natal em família; e finalmente, a Cozinheira perdeu o filho, morto na Guerra do Vietnã.

Apesar da última nota positiva, que se dá por um bonito sacrifício do Professor em favor do Aluno (para que ele não seja expulso e enviado para uma escola militar, o que equivaleria a enviar o pobre coitado para o Vietnã), em geral o filme é deprimente e não passa muito disso.

Existem vitórias morais inúteis no contraste entre os nossos três personagens e os outros seres humanos que não são tão sensíveis e corretos, mas isto não chega a lugar nenhum, já que o filme teve que mostrar sucessivamente a fraqueza moral própria dos protagonistas, com exceção da Cozinheira.

O fracasso profissional ou familiar, inclusive o luto, deveria servir para nos aproximar de Deus. O filme não dá a mínima bola para essa possibilidade espiritual. Embora a Cozinheira seja religiosa, ela mal consegue rebater o ateísmo do Professor, que está convencido da superioridade doutrinária das filosofias humanas, especialmente na forma do estoicismo de Marco Aurélio.

Onde está a felicidade da Vida na Presença? Onde está o repouso na Providência divina? Onde está a consolação na Ressurreição?

Nenhuma notícia… tudo o que importava era ser feliz nesta vida, aqui e agora, e nos termos que se pressupunha corretos.

O filme não faz bem, além de ser bastante chato. Até mesmo a trilha sonora é cansativa, e o texto cheio de clichês. As melhores coisas do filme são a paisagem e a beleza de alguns atores, ou seja, justamente aquilo que foi Deus quem fez, e não o próprio homem.

Nota espiritual: 3,7 (Moriquendi)

Humildade/Presunção4
Presença/Idolatria4
Louvor/Sedução-Pacto com a Morte3
Paixão/Terror-Pacto com o Inferno3
Soberania/Gnosticismo4
Vigilância/Ingenuidade4
Discernimento/Psiquismo4
Nota final3,7