Tomem estas palavras como breves notas de uma investigação mais profunda, lenta e talvez um pouco complicada.
Já falei que a Psicologia, por dar um testemunho do espírito do Psiquismo, é uma nova espécie de Astrologia. É apenas mais um jeito, com uma roupagem cientificista, de propagar aquele outro espírito maligno, o da Idolatria. Ou pode ser um jeito, porque algum ímpeto sincero e científico é sempre também sincero nesse âmbito. Como teoria que embasa terapias que geram parte da forma mentis moderna, de todo modo, a Psicologia compõe a cultura de cativeiro que sustenta o Sistema da Besta, especialmente como ferramenta de Legitimação da Mistura.
Ao analisar o livro daquela mulher, discípula de Jung (Maria Louise qualquer coisa mais), a respeito do Puer Aeternus, expliquei como essa visão da necessidade de uma certa maturidade poderia ser uma idéia anticristã, e até mesmo uma reformulação da cultura da iniciação no Pecado Original, se isso significasse justamente a perda da inocência humana. Convenientemente mistura-se, na denúncia do distúrbio do Puer, o que é infantilidade e o que é inocência, sem talvez se perceber como corremos o risco de perder a segunda junto com a primeira, se não fizermos as distinções necessárias.
Mas o que ainda não me tinha dado conta era o do quanto isso provinha de toda uma cultura muito mais abertamente satanista do que se poderia supor (no sentido literal de “adversarial”), já que o tal guru da mulher cujo livro analisei, o próprio Jung, parecia admirar, para não dizer louvar, a tal da entidade Abraxas, que seria a personificação do Ouroboros, como o próprio Deus da Mistura, aquele que integra os pares de Bem-Mal, Luz-Trevas, etc.
É claro que os cultistas dessa tal “maturidade” vão rejeitar Jesus Cristo, que veio revelar a obra divina da Separação. E mais, dirão que Jesus pode ser compreendido como o arquétipo do Deus-Criança, por representar apenas um aspecto da totalidade da divindade, a jovialidade, a expansão das possibilidades, etc., o que viola o testemunho do próprio Evangelho quando Jesus mesmo diz que não veio abolir a Lei (um grande símbolo do arquétipo do Senex), mas para consumá-la.
Toda a Psicologia poderia ser vista, assim, como uma metodologia de iniciação no Pecado Original por vias mais modernas, já que as formas anteriores da Tradição Primordial perderam força (todas as religiões de forma geral, para não falar de outras tradições como a já mencionada Astrologia). Isso derivou do processo inevitável da Dialética do Ouroboros: quando a autoridade de uma tradição particular perde força é necessário dissolvê-la numa suposta Revolução em nome da verdade e da liberdade, mas isto apenas para reintroduzir o mesmo esquema novamente sob nova roupagem. Ou seja, mudam-se somente as aparências para se manter tudo na mesma substância. Este é o sentido contínuo, na História, do que é o solve et coagula, o ordo ab chaos, etc. Este esquema é indiscernível para a maior parte da humanidade que está lutando na tola defesa de um dos lados da Dialética. Esse é o poder do esquema da produção da falsa liberdade das contradições controladas.
Mas não há nada de oculto que não venha a ser revelado, para a vergonha desses seguidores dos vazios. Tudo o que precisamos ter é paciência, serenidade, e confiança no nosso Deus, que está levando tudo para um destino providencial.
Agora não é o momento, mas oportunamente poderemos repensar essa idéia da repaginação da iniciação no Pecado Original nos sólidos enquadramentos dos Cinco Conceitos Sinóticos da Monadofilia, especialmente a dupla Mistura e Limite, ou Condição da Escolha e Forma do Escolhido.
Lembremos que a Psicologia como puro estudo da psique humana, por óbvio, como qualquer ciência, é espiritualmente indiferente, e pode ser levada para este ou aquele lado. Poderia haver, por exemplo, uma Psicologia Monadofílica, se quiséssemos fazer isso.
Mas, como teoria que embasa uma prática que se propõe como meio de uma cura, partindo de premissas do que seria normal ou funcional na psique humana, a Psicologia produz sim o testemunho do Psiquismo, da Idolatria, e serve como iniciação camuflada no Pecado Original ao gerar ao seu modo uma Legitimação da Mistura.
O que podemos fazer, então, com a nossa saúde mental? Seria prudente descuidar disso, como se nossa pura crença pudesse dispensar-nos de entender como funciona a mente humana? É claro que não. A Separação deve operar também aí, como em tudo o mais. É preciso usar o que há de verdadeiro, de científico, para aceitar os termos do que pode ser considerado saudável para o tratamento da psique humana.
Os perigos estão nos extremos, como geralmente é o caso. O aceite indiscriminado das categorias da Psicologia como sabedoria inquestionável para o cuidado da psique vai gerar problemas espirituais inevitáveis, porque as premissas dessa idéia possuem valor espiritual passível de juízo. Quem aceite, por exemplo, a Psicologia do Puer, pode aceitar implicitamente a necessidade da perda da inocência como requisito para a sua saúde psíquica. A Psicologia possui teorias que devem ser questionadas como as de qualquer outra ciência, especialmente no seu sentido espiritual.
Por outro lado, não é menos grave supor-se imune às várias patologias que obviamente agravam a experiência humana, simplesmente por se postular uma determinada crença. Afinal, agir funcionalmente na sociedade pode ser um ato de caridade, embora isso não deva levar um João Batista a desejar impedir que o mundo lhe considere louco por um juízo falho das razões de suas ações e palavras.