Correção do idealismo imanentista pela Reflexão YX

Já pudemos verificar antes o quanto o idealismo imanentista é pernicioso por esvaziar o poder da imaginação humana, um dom concedido para o Louvor a Deus, para objetos entrópicos de todo tipo de idolatria e causar, com isso, a dispersão das almas em direção ao Vazio.

Convém ampliar esse entendimento com o desenvolvimento de uma ferramenta espiritual e psicológica que corrija o idealismo do erro imanentista ao acerto transcendentalista, a Reflexão YX.

Esta experiência implica na estimativa da realização da nossa Esperança na Vida Eterna pelo encontro de uma subjetividade perfeita (X) com uma objetividade perfeita (Y).

O Eixo X se desenvolve observando a pureza da animação espiritual que Deus concede graciosamente para o aproveitamento de qualquer circunstância externa para a produção da melhor experiência ou, em termos simples, a comunhão com o Espírito Santo que nos torna infalíveis para a felicidade plena a que fomos designados pela Providência.

O Eixo Y se desenvolve observando quaisquer cenas ideais que podem ser acreditadas como manifestações da perfeição da vida, refletindo a expectativa do que seria a criatividade monádica em sua plena capacidade, orientada para a melhor felicidade esperada.

O foco da imaginação se dá no Eixo Y, já que aí é que se encontra o poder de produção de imagens da felicidade, e tal ação deve ser sempre desimpedida de quaisquer elementos da presente experiência de vida decaída e amaldiçoada, principalmente: a) a necessidade da escassez, b) a inviolabilidade das causas, e c) a irreversibilidade dos efeitos.

Já o Eixo X serve para o reconhecimento da total dependência ao Amor de Deus para a realização da imagem projetada no Eixo Y, de vez que não temos nem o poder de desejar o bem, nem o de aceitá-lo na sua perfeição, e nem o de criá-lo. A comunhão com Espírito Santo, representada por este Eixo X, implica tanto na infalibilidade dos nossos desejos e da capacidade de fruição dos mesmos, quanto no poder de atualizar aquela criatividade monádica que no Eixo Y é refletida apenas como virtualidade.

Em outras palavras: devemos imaginar justamente o que nos é impossível realizar, seja por pureza e bondade de intenção, ou por capacidade de criação ou experiência, mas que constitui justamente o objeto mais excelente como reflexo da maior felicidade que possamos intuir (Eixo Y), de modo que fique óbvio que apenas o Amor de Deus graciosamente concedido ao nosso ser nos permitirá experimentar a felicidade mais plena, tanto pela perfeição da nossa subjetividade, quanto pela perfeição da objetividade realizada pelo poder divino concedido para a realização da nossa criatividade monádica (Eixo X).

Qualquer pessoa que queira viver bem com Deus tem à sua disposição esse recurso de um idealismo sadio que não leva a nenhuma frustração com a vida no mundo presente, já que a experiência presente é secundada pela expectativa do ideal justificado pela crença mais perfeita que é a que se ampara no Amor divino.

Ao contrário, esse tipo de idealismo transcendental, bem ajustado ao seu objeto mais justo, que é a vida paradisíaca com Deus, permite um relaxamento mais pleno com a aceitação das limitações atuais, bem como um convívio mais caridoso e paciente com o próximo que pode ser a qualquer momento reconhecido como uma alma convidada à mesma promessa que recebemos.

É com o dom da Esperança plena que nos reconciliamos com Deus e com o Próximo, atentos ao que se prepara para o futuro, às expensas das imperfeições presentes que nos foram impostas por seres desarmoniosos e infelizes que rejeitaram a promessa do Amor divino.

Se atentarmos bem, veremos que o Apóstolo, em suas grandes exortações a favor do Amor e da Salvação, estava falando exatamente deste poder que temos de nos conectarmos imediatamente à perfeição do destino designado pelo Altíssimo. Igualmente, entendemos porque o Eterno é chamado de “A Rocha” por sobre a qual podemos finalmente repousar, desiludidos e desenganados a respeito da realidade do mundo em que nascemos. E assim tudo fica bem para quem confia no Bem, usando de recursos já disponíveis para a finalidade dessa Esperança.

O Japão contra o Ouroboros

É muito interessante observar como as duas ferramentas fundamentais do governo do diabo sobre este mundo, isto é, (1) a reprodução da próxima safra de escravos, e (2) a manutenção destas novas safras sob império das religiões, são corroídas com o desenvolvimento humano na forma de prosperidade material e então das liberdades civis correspondentes ao fortalecimento da classe média.

Por esta razão o Conservadorismo é a arma mais formidável do Ouroboros para governar o mundo (como já expliquei no meu livro A Coruscância, no capítulo “O diabo, esse conservador”), tornando toda possibilidade de liberdade absurda sob a falsa Revolução exterior gnóstica que promove valores anti-humanos, de modo a levar uma humanidade assustada a agarrar para sua proteção todo tipo de solução reacionária, na forma dos costumes que reforçam o Ouroboros, como uma tribo amedrontada se prostrando diante de seu totem.

Entre as nações que mais desafiam o império do Ouroboros encontramos o Japão.

Peço que observem os seguintes mapas:

A) Importância da Religião:

B) Importância da Religião:

C) Taxa de Natalidade:

D) Equidade econômica ajustada pelo Desenvolvimento Humano:

Com as ilustrações acima podemos visualizar duas informações importantes sobre os japoneses:

1) que eles não acham que a prática de uma religião seja algo importante para as suas vidas;

2) que eles não estão interessados em encarnar novas almas neste mundo amaldiçoado, já que taxa de natalidade média do país fica abaixo dos 2.0, que é a taxa mínima de reposição da população.

Inversamente, tanto a importância da religião quanto a taxa de natalidade são altas justamente nos países com menor desenvolvimento humano e econômico, como em boa parte da África, do Oriente Médio, e parcialmente na América Latina.

No Japão temos uma sociedade que já se desenvolveu por tempo suficiente para que as novas gerações tirassem as conclusões mais óbvias a respeito da condição humana, contra o Pacto Ouroboros, algo que lhes foi permitido justamente pelo encontro das duas variáveis em questão.

Vejam que em outras sociedades razoavelmente desenvolvidas também por tempo suficiente, e talvez até por mais tempo, principalmente como o caso dos Estados Unidos, não vemos o mesmo fenômeno. E isso pela razão muito simples de que os EUA foram fundados sob a forte influência da tradição do Cristianismo e da Maçonaria, braços da Tradição Primordial como desenvolvimentos posteriores do Judaísmo.

No caso do Japão, a invasão cultural da Tradição Primordial pela via do Cristianismo jesuítico foi bloqueada e exterminada pelo shogunato Tokugawa.

Dir-se-ia que o Shintoísmo, ou mesmo o Budismo, ambos presentes na cultura japonesa, são manifestações da mesma Tradição Primordial subordinada ao Ouroboros. Porém observamos pelos fatos mesmo que estas culturas não possuem a mesma força de submissão que o Cristianismo ou o Islamismo, por exemplo, já que o povo japonês flagrantemente prefere se abster tanto da prática religiosa quanto da reprodução de descendência, coisa que não se permitiria fazer se tivesse sido convertido por qualquer tradição abraâmica.

Isto quer dizer que se em outros países, como nos EUA, a redução da natalidade entra em choque contra uma resistência cultural provinda da religião, no Japão o Ouroboros não tem essa defesa à sua disposição, por causa da indiferença da população local com relação a esse tipo de poder (o papel do Bispo no Sistema da Besta).

Convém observar que em outras nações, como no caso da China e da Coréia do Norte, o comunismo ateístico não concede necessariamente liberdade contra o Ouroboros, já que a natalidade pode ser incentivada ou até mesmo exigida por força de um governo totalitário que tem entre as suas metas mais óbvias a conservação da sua existência. Porém, também aí o japonês sempre se destacou da média ao seu redor, sendo extremamente contrário a todo tipo de socialismo político importado do exterior, já que tem acesso a uma forma interna de amparo coletivo que funciona bem por si. É um país com uma das menores desigualdades sociais do mundo em relação ao seu desenvolvimento econômico (imagem D) e, ao mesmo tempo, um dos mais contrários a toda utopia política do tipo de revolução externa gnóstica e messiânica que contaminou as nações atacadas pelo comunismo. Os japoneses não querem fundar o paraíso na Terra: eles querem ir embora daqui.

O Japão pode, assim, maravilhosamente, escapar duplamente do Ouroboros, da sua dialética perversa, constituindo-se como uma nação disposta a aceitar espontaneamente a sua extinção voluntária como resultado de um progresso moral.

Dificilmente poderemos encontrar esse grau de renúncia voluntária ao poder na sua forma mais elementar, que é a da subsistência na condição decaída e amaldiçoada, em qualquer outra nação do mundo no mesmo grau, talvez com a exceção da Coréia do Sul, e mesmo assim nem tanto porque a Coréia do Sul sofreu uma maior invasão do Cristianismo.

Na Europa os países escandinavos são os candidatos mais óbvios a seguir o exemplo japonês, mas com o agravante da participação num organismo político maior, o da União Européia, o que dá alguma permeabilidade a influência de outras culturas através do processo migratório, especialmente na forma do Islamismo.

No Japão, além dos elementos culturais já assinalados, tem-se ainda uma forte cultura isolacionista contra a imigração.

Tudo isso junto leva ao provável cenário de um grande declínio populacional naquela nação.

Seria o Japão o primeiro país na fila da aceitação plena do sentido do decreto da Maldição de Gênesis 3? Uma nação disposta a voltar ao pó?

Uma coisa é certa: o Ouroboros não deve estar nada feliz com a liberdade japonesa contra os seus mecanismos de controle, o que nos leva a crer que a Nova Ordem Mundial deve querer agir contra o Japão de modo especial, no mínimo com a intenção de conter essa cultura de liberdade para que não se corra o risco de que ela se espalhe pelo mundo.

A liberdade é, afinal, perigosamente contagiante.

A Questão Abraâmica: O Deus dos cristãos é o mesmo dos judeus e muçulmanos?

Toda vez em que o espírito do Anticristo, aquele que nega que Jesus Cristo seja o Filho de Deus, atua no mundo com uma nova proposta que obviamente viola a verdade revelada, nós aprendemos algo novo sobre como funciona o esquema da mentira.

É uma fatalidade para o inimigo que ele tenha que se mostrar toda vez que avança na conquista de novos poderes neste mundo. Bem acostumado às trevas que lhes são peculiares, o Adversário precisa se esconder não só porque é, como sempre foi, covarde diante do Espírito Santo, mas também porque, sendo mentiroso, a sua exposição à luz sempre evidencia a sua fraqueza, sua verdadeira natureza de perdedor e vencido, humilhado e rebaixado.

Ora, contemporaneamente temos o caso não só da proposta das Leis de Noé (Noahide Laws) pelo messianismo cabalista, como também o dos chamados Acordos de Abraão (Abraham Accords). O primeiro versa sobre a universalização da Torá para as Nações, especialmente na forma da condenação como idolatria, sob pena de capitação, para os cristãos que reconheçam Jesus Cristo como Filho de Deus. E o segundo versa sobre a paz e segurança no Oriente Médio, entre os povos que descendem dos filhos de Abraão, isto é, entre Ismael e Isaac.

Pois bem, nas duas situações judeus e muçulmanos muito convenientemente se irmanam com grande facilidade, podendo reconhecer facilmente o seu deus como o mesmo, tanto quanto reconhecem o seu ancestral comum como o mesmo, o velho Abraão, igualmente Patriarca de Israel e Profeta do Islam.

Na linha do que já investigamos antes a respeito de outros temas próximos, principalmente o da questão da instituição do sacrifício de sangue, é conveniente refletir sobre o que os cristãos verdadeiros têm a ver com essa linhagem judaico e muçulmana, ou melhor, e já indo à conclusão, refletir sobre tudo o que não há em comum entre essas mentalidades.

Se judeus e muçulmanos rejeitam Jesus Cristo como o Filho de Deus, essa decisão lhes associa ao espírito do Anticristo. É por esta razão que podem instalar com suposta justiça os tribunais para a sentença e execução dos cristãos como idólatras, o que aliás farão em associação com os falsos cristãos conduzidos pela maçonaria.

Do mesmo modo, com a sua paz em nome da descendência comum de Abraão, sob o poder da carne e do sangue, tanto judeus quanto muçulmanos rejeitam a descendência cristã de Abraão, sob o poder do Espírito Santo.

Aceitando que o Ouroboros vêm se colocando diante do homem no lugar de Deus desde o início dos tempos, se a exclusividade da libertação vem do Filho de Deus que é o único que pode revelar o Pai (“Eu Sou o Caminho, a Verdade, e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim“), é bem possível e até viável que o Deus dos cristãos não seja o mesmo que o dos judeus e muçulmanos, principalmente se verificarmos a negação de Jesus Cristo como o Filho de Deus, e a presunção das obras da carne contra as obras do Espírito na questão da filiação carnal ou espiritual de Abraão.

Muitos cristãos tradicionalistas, escravos do Culto do Ouroboros na forma do Cristianismo, negarão essa possibilidade, justamente pela necessidade da indicação da descendência de Jesus a partir de Abraão. Ora, Jesus mesmo desprezou essa descendência, já que ela servia, assim como o conhecimento da Lei mosaica, apenas para o reconhecimento da sua autoridade, coisa em que os judeus flagrantemente falharam. Ou seja, no que importava a associação com Abraão e Moisés, de nada adiantou que os judeus possuíssem o Antigo Testamento. Pode-se pensar diversamente com a alegação de que os Apóstolos foram os primeiros cristãos enquanto judeus, mas isso viola a realidade da supremacia do Evangelho sobre todas as nações, sendo uma corrupção da verdadeira universalidade da Salvação e do Amor de Deus. Os Apóstolos não aceitaram Jesus Cristo por serem judeus, mas apesar de o serem.

Em nada a escravidão da religião cristã institucionalizada ao Culto do Ouroboros é tão evidente quanto na aceitação do sacrifício de sangue como mandamento divino. E nisso os religiosos se associam, percebendo ou não, com os assassinos de Jesus, os mesmos que até hoje entendem o Cristianismo como manifestação da vontade de Deus de converter as nações ao messianismo judaico.

Aos descendentes carnais de Abraão, entre os quais podem se incluir ao lado dos descendentes de Isaac também os de Ismael, por associação ideológica e espiritual, Jesus disse como continua dizendo: “por isso não me ouvis, pois sois do vosso pai, o diabo“.

De que adiantou a descendência carnal, do sangue de Abraão, se a descendência espiritual daqueles que recusam Jesus Cristo como Filho de Deus os associa com o espírito do Anticristo?

Pior do que tudo isso, obviamente, é a perversão do Cristianismo que se associa com o culto de sangue do paganismo disfarçado.

Sendo assim, devemos condenar totalmente qualquer noção cultural ou histórica de sociedade “judaico-cristã”, bem como o valor da falsa paz dos Acordos de Abraão, já que tudo isso só serve para a execução das Leis de Noé, produzindo a confusão entre o Deus verdadeiro, revelado como Pai pelo Filho, com o falso deus dos judeus e muçulmanos, que é o Ouroboros que institui como principal ritual o assassinato.

Este é o Príncipe deste mundo, um mentiroso, ladrão e assassino: mente sobre ser deus quando não o é, rouba os méritos do Criador colocando-se no lugar santo, e legitima o assassinato de todos os que se opõe à sua maldade, como se isso fosse a obra de Deus.

O verdadeiro filho da promessa veio nos libertar do cativeiro do mundo decaído e amaldiçoado denunciando a traição cometida pelos nossos pais. Ele é quem deu a verdadeira alegria a Abraão, não sendo constituído pela virtude da carne e do sangue, mas da fidelidade espiritual que revelou da forma perfeita que o seu ascendente carnal não pôde fazer.

Do outro lado, o filho da falsa promessa da redenção pelo sangue não só executou o assassinato de Jesus Cristo na cruz, como vai levar o mundo à total apostasia sendo reconhecido no lugar de Deus sendo apenas um homem, filho do pecado, descendente da carne e do sangue de Abraão.

Os judeus dizem que Abraão foi sacrificar Isaac no Monte do Templo.

Os muçulmanos dizem que Abraão foi sacrificar Ismael no Monte do Templo.

Mas o Deus verdadeiro poupou Abraão de fazer o que não poupou a Si mesmo: o Filho de Deus se fez homem para entregar-se como Cordeiro de Deus para ser aceito pelos seus, submetendo-se à rejeição daqueles que o odiaram sem motivo e o executaram injustamente.

Realizou-se assim a Revelação perfeita: a da pureza do Amor de Deus, e ao mesmo tempo a da mentira do Acusador que não resistiu à tentação de condenar Jesus, revelando assim a sua verdadeira natureza assassina.

Do mesmo modo, quando os usurpadores se levantarem para a execução dos cristãos verdadeiros, pelos frutos conhecereis a árvore: os fiés a Deus aceitarão o martírio com a felicidade da confirmação da sua filiação espiritual, ao passo em que os traidores de Deus praticarão a injustiça confirmando a também a sua própria filiação espiritual.

No que Abraão repetiu o pecado de Adão, ele produziu a continuidade da traição contra Deus.

No que Abraão precedeu a virtude de Jesus, ele produziu o testemunho da verdade em favor de Deus.

Quanto aos cristãos religiosos, institucionalizados, principalmente associados com a prática do reconhecimento do ritual de sangue, digo-vos alinhado com a orientação já recebida antes: sai dela, povo meu.

Abraão não pôde sacrificar a sua obstinação por ter uma descendência carnal em imitação ao Pacto de Adão, do qual seu Criador quis lhe poupar. Mas Deus não se poupou de tomar a forma do Filho do Homem para trazer a Redenção a todos os prisioneiros da mentira e da injustiça que quisessem aceitá-lo como o executor do espólio espiritual de Abraão, o que o próprio Abraão não pôde fazer através da descendência do seu sangue.

Amplia-se, assim, o sentido das palavras de Jesus quando este revelou: “antes que Abraão fosse, EU SOU“.

Jesus Cristo é o filho da promessa para a verdadeira redenção que não é da carne nem do sangue, mas do espírito.

Por uma reabilitação da filosofia moderna e do ceticismo

Já pude verificar abundantemente a conveniência de uma filosofia cínica contra o triunfo dos vários iluminismos humanos, como verificamos na avaliação do poder espiritual do enfoque moral sobre o epistemológico na sucessão do legado socrático.

Convém-nos, porém, avançar com uma mais generosa reabilitação da filosofia moderna, ou de partes dela, entendendo que tudo o que sucedeu ao império das luzes antigas e medievais se deveu a um desdobramento daquelas explorações filosóficas. Longe de um historicismo falacioso (post hoc ergo propter hoc, “depois de então por causa de”), essa visão deve nos levar a um equilíbrio ponderado que aceita erros em todos os tempos, sob a ótica muito razoável de que os seres humanos sempre foram mais ou menos do mesmo jeito, moral e intelectualmente. Vejam que com a rejeição de uma vantagem antiga ou moderna, o processo histórico não se revela como dedutivo e fatal, mas certamente como consequência no mínimo do ponto de vista da adaptação e evolução dos interesses humanos a respeito de determinado tema. Por exemplo, desanimados com a dispersão e quase futilidade da degeneração do período helenístico da filosofia antiga, os filósofos medievais tiveram legítimo interesse em renovar as investigações sob a inspiração da renovação da metafísica à luz da universalidade tanto do Evangelho quanto das redescobertas obras aristotélicas. Igualmente, depois os modernos, desanimados por sua vez com a aridez extrema dos últimos desdobramentos da escolástica medieval, puderam redirecionar seus interesses na direção de um reavivamento humanístico na revitalização da filosofia.

Mas para não cairmos numa questão impossível de resolução a respeito do sentido da História da Filosofia, podemos conciliar da forma mais simples a orientação que Jesus Cristo nos deu, de sermos “astutos como as serpentes”, no sentido da confirmação de certo ceticismo moderno, ao menos até certo ponto.

Encontramos suficientes absurdidades na defesa de certos teísmos extremos, talvez fundamentalistas do pior modo, como na supervalorização das aparências externas, ou na insuportável taxação dos códices moralistas. Todo esse modo de proceder denigre a vida humana, o ser feito à imagem e semelhança do Altíssimo para viver uma muito mais elevada realidade espiritual, não centrada nessas práticas fetichistas, totêmicas, animistas, etc., em uma palavra, práticas pagãs, no sentido de ignorantes.

Diante desses horrores que rebaixam a dignidade do ser humano, o Ceticismo prudente, que não seja extremo e dogmático ele mesmo, como na forma de Ateísmo, é um colaborador do espírito cristão verdadeiro que fica tão abalado quanto o de qualquer outro ao enxergar a decadência da religião.

Repito o que já disse antes: a maior invenção do diabo foi a Religião.

Responsável ele mesmo pela ruptura, já criou a alternativa da religação ao seu modo, isto é, colocando-se no lugar de Deus para o falso resgate da mesma raça que ele fez se perder. Bem típico.

É verdade que o Cientificismo moderno é uma nova forma de religiosidade, de culto dogmático, de justificação de uma casta sacerdotal cujas razões são inacessíveis ao laicato, e nesse sentido não configura a solução para o problema da Religião, sendo apenas o outro braço do mesmo mecanismo dialético, opondo a um mal outro simetricamente análogo, apenas com sinal invertido.

Um verdadeiro Ceticismo deve ser capaz de abalar a legitimação de toda presunção dogmática, seja do modo da antiga religião, ou de qualquer nova, e assim uma filosofia moderna que não pretenda demonstrar o que não pode –principalmente a inviabilidade de qualquer metafísica–, mas que queira somente questionar uma autoridade humana que se proponha definitiva, será sempre aliada do interesse cristão verdadeiro que consiste numa rendição à majestade divina, já que os dois processos, o filosófico e o espiritual, colaboram no sentido da realização da virtude da Humildade, cada qual ao seu modo.

Redenção vs. Normalização

Toda a perspectiva colaboracionista, de comprometimento e acordo com o espírito do mundo, deve ser entendida como componente do processo de Normalização dentro do Sistema da Besta, especialmente no desempenho da função do Bispo, como vemos, por exemplo, no papel das igrejas cristãs.

Qualquer Igreja Cristã verdadeira deveria ser em primeiro lugar isto mesmo: cristã.

O que isto quer dizer?

Cristão quer dizer Messiânico, a crença numa Unção especial designada para a Redenção de uma realidade decaída, desordenada, amaldiçoada e caótica.

Todo processo de Normalização vai no sentido contrário, o da justificação do estado caótico como derivação de um jusnaturalismo, isto é, de uma visão idólatra da natureza, de um naturalismo com sentido espiritual.

Ser cristão é o mesmo que ser Redencionista, crente numa Redenção, na consumação de um desígnio divino que implica na restauração do ideal criativo do Deus que ordena todas a coisas a sua finalidade ótima.

Deste modo entendemos, em confirmação com o que já pude explicar em A Coruscância a respeito do conservadorismo diabólico, que há uma perspectiva algo revolucionária na verdadeira visão cristã das coisas, embora esta revolução possa ser sempre pervertida ela mesma para uma finalidade equivocada, quando seu alvo é identificado fora da alma humana, ao invés de localizar seu objeto no interior do próprio ser humano.

Isto quer dizer que de todo modo a conservação do status quo sempre valida o Pacto Ouroboros com as suas consequências, ou seja, o governo de Satanás sobre este mundo, ao passo que a rejeição da traição contra o império de Deus não é inequívoca, sendo ambiguamente interpretável no sentido da revolução exterior do messianismo histórico, a reforma do mundo, ou no sentido da revolução interior do messianismo espiritual, a reforma do homem.

A ação de toda igreja “cristã” que serve apenas para a legitimação e normalização do governo do mal sobre o mundo é, assim, sempre equivocada, embora a solução de rompimento com esse estado de coisas não seja sempre inequívoca, conforme a exterioridade ou interioridade da ruptura com o Pacto Ouroboros se revele gnóstica e iniciática, com o objetivo de dominar o processo histórico na presunção da execução de um mandato divino (a origem das revoluções que implantam todo tipo de desordem no mundo, o alvo principal da iniciativa das defesas conservadoras), ou baseada na Humildade, com consciência e responsabilidade, com o objetivo de renunciar a todo poder que constitua traição ou usurpação contra a autoridade divina.

O que a Sinagoga de Satanás ainda não entendeu

Olhando a história sob a perspectiva vantajosa da noção de Revelação contínua da vontade deliberada de um Deus Todo-Poderoso (Pantokrator Theos) que governa sobre todas as coisas, não é difícil enxergar a perspectiva judaizada de um Maimônides que viu, com o crescimento do movimento cristão, uma indicação da confirmação da profecia em favor do “seu lado da história”, por assim dizer.

O que a Sinagoga de Satanás ainda não entendeu, porém, é que a profecia pode ser vista dos dois modos, o antigo e o novo. Se a velha Aliança perdeu efeito com a flagrante desobediência dos seus subscritores, e as profecias apontaram para Jesus Cristo como o cumpridor perfeito da nova Aliança, as profecias não podem ser vistas justamente do modo novo, cristão?

Assim, Mashiach ben Yoseph e Mashiach ben David (respectivamente, Messias filho de José e Messias filho de David) não são pessoas diferentes com funções diferentes, mas são a mesma pessoa em posições diferentes no tempo, realizando aquilo que é designado pela providência divina de acordo com o componente fundamental do livre-arbítrio humano.

A visão de certo rabinato instruído pelas luzes de Maimônides é que a função de Jesus Cristo foi a de servir, como Mashiach ben Yoseph, para que através do seu sofrimento as nações fossem preparadas, convertidas ao messianismo a ser plenamente realizado pelo Maschiach ben David, para aceitar a revelação final da supremacia da Torá e do povo eleito para ensiná-la às nações. O sucesso da religião cristã indicaria a razão dessa interpretação, mostrando a revelação, através da História, da vontade de Deus.

Acontece que se as profecias de Isaías forem interpretadas de acordo com a Nova Aliança, o Filho de Deus se revela consecutivamente primeiro como o Messias sofredor, rejeitado pelo seu povo, para depois retornar como o Messias triunfante, conquistador do mundo.

Revelado primeiro como Cordeiro para os seus, convertidos pelo perdão e pela misericórdia, Jesus Cristo se revelaria então, ao Fim dos Tempos, como Leão para os que lhe rejeitaram, convertidos pela plena Revelação (ou Apocalipse).

Do mesmo modo, aqueles entre os gentios que interpretam o Cristianismo unicamente como uma conspiração para a destruição da independência das nações devem responder, em primeiro lugar, pela evidência da supremacia de tal projeto vitorioso, concedendo que se Deus não está com os judeus, pelo menos eles merecem vencer por sua grande capacidade; e então, em segundo lugar, devem responder pela hipótese de que a interpretação de Maimônides desde a validade da Antiga Aliança pode estar equivocada se, justamente como foi revelado pelo Evangelho, o que tem valor atual e que explica o sentido da História é a validade da Nova Aliança realizada pelo Filho de Deus.

Ou seja, incapazes de atribuir ao mero desígnio humano a consecução de tamanho projeto de conversão de boa parte dos povos do mundo, podemos aceitar a perspectiva de interpretação histórica de Maimônides, enxergando a História como plano de realização da vontade divina, porém deixando em aberto a dupla interpretação possível da validade da Antiga ou da Nova Aliança, conforme aceitamos ou não a validade da revelação evangélica.

Vitória garantida: crie a Condenação e jogue os seus inimigos dentro dela

Como já disse várias vezes, a Arte da Guerra é a arte de mentir, de enganar o seu adversário, fazendo-o jogar o seu próprio jogo, onde a sua vitória é uma premissa do jogo todo, já que ele será disputado com as suas próprias regras que lhe darão toda a vantagem.

Este poder insidioso deveria ser considerado também, ou até principalmente, no cenário da guerra espiritual.

Uma prática que dá vitória garantida ao diabo é o de criar a certeza de uma Condenação, e depois jogar as almas humanas dentro dessa certeza, com o truque de forjar a aparência da verdade ou até da virtude naquele mesmo esquema onde mais tarde se revelará o truque.

Foi assim que o Cristianismo foi inventado pelo diabo, na forma das várias religiões cristãs que se espalham pelo mundo, trocando o objeto do culto espiritual verdadeiro, que é o Amor do Pai revelado pelo Filho, por objetos de idolatria e práticas condenáveis, como a adoração de imagens, santos, livros, relíquias, e a prática de sacrifícios de sangue, necromancia, magia na forma de sacramentos, etc.

Sei que tudo isso pode ser muito escandaloso, e peço a mim a proteção do Espírito Santo para que só uma alma madura persista na avaliação das coisas que escrevo e digo, contando para isso com a óbvia conveniência de que só me lê e me assiste quem quer, porque graças a Deus fui dispensado de qualquer falso papel de autoridade, ou da posse de um poder ilegítimo.

O ser humano nasce desde o Pecado Original, o Pacto Ouroboros, sob a Maldição e a Queda, e é criado em cativeiro sob a mentira do mundo, sendo tentado, assim, a considerar todas as coisas carnalmente.

Assim, o ser humano comum entende a sua relação com o Altíssimo, desconsiderado da pureza da sua santidade, como entende a relação entre um proprietário e um escravo, ou entre um negociante e um mercenário, comparando as coisas espirituais com as carnais com as quais foi condicionado a conviver desde que nasceu pelos seus pais. Também é deste modo que o ser humano aprende a ser idólatra, crente não só de relações de poder e troca, mas também de sinais e prodígios, menos disposto a ser afetado pela virtude e santidade das coisas de Deus do que pela impressão do sobrenatural.

Digo isso para que se entenda a realidade com o devido contexto, antes que caiamos na tentação de condenar o próximo que foi vendido como escravo ao diabo, sem chance de defesa senão a misericórdia divina da qual devemos ser os embaixadores neste mundo, se é que ousamos assumir a filiação adotiva do Pai em associação com Jesus Cristo como o Filho perfeito.

O que o diabo quer no fim das contas lhe será negado.

Porque não triunfará essa mentira toda, especialmente no caso dos cristãos que foram enganados pela invenção do Cristianismo, e isso pela intenção reta dos seus corações, que o Altíssimo experimentará infalivelmente.

Lembremos que por mais que a mentira tenha se insurgido no meio da veneração ao Deus verdadeiro, o testemunho legítimo da confiança no Amor de Deus nunca abandonou o seio da Igreja espiritual, o verdadeiro Corpo de Cristo. E isso porque o astuto inimigo do homem nunca foi capaz de produzir qualquer substituto da Verdade, dependendo sempre da parasitagem, o que o forçou a trabalhar a favor do plano divino para o esclarecimento daqueles fiéis que desejaram de fato a vida espiritual na Presença do seu Criador. É assim que todas as coisas serão justificadas no fim.

A vitória garantida no fim das contas se revelará uma derrota garantida: querendo corromper, perverter e subverter, o adversário apenas executou a providência divina que sempre odiou, servindo à força, para a sua maior humilhação.

A ousadia da verdade obrigatória por decreto humano

Se há algo forte o suficiente para se manter firme por sua própria virtude, é certamente a própria Verdade.

Resolvida qualquer confusão que possa haver entre a experiência subjetiva de uma verdade relativa e a necessidade de uma verdade objetiva, mesmo que esta escape completamente ao nosso domínio, resta-nos a tranquilidade do repouso de saber que o que é, é, e que o que não é, não é. Tiramos da autoevidência da supremacia da Verdade até mesmo os nossos princípios elementares de qualquer lógica possível, a saber, os de identidade, não-contradição, e terceiro excluso, razões supremas de qualquer conhecimento possível não produzidas como invenções, mas deduzidas como descobertas.

Vencida essa etapa epistemológica que ainda pode amolecer algumas mentes menos acostumadas com os rigores da ontologia geral, ou Filosofia Primeira, podemos entender como escapa obviamente ao domínio humano o poder de decretar que algo seja verdadeiro, de vez que a força da evidência torna o testemunho humano apenas um indicador de uma realidade transcendente a todo discurso possível. O papel humano não é o de produzir a verdade, mas de reconhecê-la e apontar para ela com maior ou menor eficiência. E faz parte desse recurso humano à investigação do império da Verdade que lhe é exterior e invencível, desnecessitada de defesa, a manutenção da liberdade de investigação e inquirição de tudo aquilo que não for universalmente considerado pacífico.

Assim, discute-se tudo o que é discutível, e o indiscutível não precisa ser defendido pela razão mesma –e exclusiva!– de que ninguém quer, ou consegue, fazer isso.

Mas quem segura a criatividade da nossa espécie para a propagação da mentira e para a perversão de todas as coisas?

Há “verdades” que são tão obviamente contestáveis, e diríamos que perigosamente contestáveis para determinados interesses de certos poderes, que precisam ser ridiculamente obrigadas por decretos humanos. A ousadia desse absurdo não precisaria ser explicada, é claro, mas aqui estamos nós, à beira do Fim do Mundo, tentando dar conta dos tempos em que vivemos.

Podemos usar como princípio elementar que qualquer verdade obrigatória por lei humana –e que fique claro que se trata de uma versão histórica da verdade, e não de um princípio moral necessário para a manutenção da ordem social– e cuja contestação incorra em punição, deve ser imediatamente considerada falsificável ainda mais do que o seria normalmente pelo método científico, justamente pelo agravante do uso do poder público para a sua proteção.

Quer fazer uma experiência para verificar que tipo de assunto entra nessa sistemática?

Experimente, por exemplo, gravar um vídeo no Youtube que verse claramente sobre quaisquer um desses temas:

  • Mudanças climáticas
  • Holocausto
  • Covid-19
  • Família Rothschild
  • Maçonaria
  • Atentados de 11/Setembro

Provavelmente você vai receber uma sinalização da plataforma indicando que há uma verdade estabelecida sobre o assunto, com a indicação, por exemplo, de um artigo no site Wikipedia.

Nosso dever de consciência é o de mantermos a mínima dignidade necessária à estatura da inteligência humana e recusar interiormente qualquer verdade imposta por vontade ou capricho de desejo de um grupo de interesses, qualquer que seja.

Reparem que não estou falando que esta ou aquela teoria da conspiração tenha embasamento real. Não é disso que se trata. Falo da absurdidade da proibição de um assunto como tema de investigação, pesquisa e entendimento.

O que honra realmente a Verdade na sua completude não é a sua imposição num molde acabado, mas a sua busca com a premissa de que ela nunca nos pertence completamente.

Projeto Mockingbird: recursos da falsa associação e redução ao absurdo para desmentir conspirações reais

Certamente sempre fez parte da sacola de truques do diabo, no intuito de manter e expandir o seu governo sobre este mundo, o recurso de contar com a sempre disponível estupidez humana em todas as formas possíveis, entre as quais a confusão entre as essências e os acidentes das coisas, o que sempre serviu para o maior proveito dos projetos diabólicos.

A verdade é que uma mente humana é uma máquina muito poderosa, capaz de produzir para si mesma a imagem da verdade com recursos sofisticadíssimos. Vai tão longe esse poder que somos capazes de dizer, com relativa segurança, que em nada o ser humano se aprofundou tanto quanto na arte de mentir para si mesmo.

O único recurso para o escape da mentira é a renúncia ao próprio poder cognitivo e raciocinante: a virtude da humildade, a renúncia ao psiquismo gnóstico e admissão da verdade da ignorância fundamental que é a base da nossa experiência da vida e do mundo.

Pois bem, a maior parte dos membros da nossa raça parece não ter muita disposição para essa experiência espiritual de rendição, preferindo avançar na técnica milenar do autoengano com todos os requintes possíveis.

Eis que faz parte desse repertório também o poder de simular a ignorância, ou de fingir que não se percebeu algo, usando para isso de todo tipo de alegação possível. Quando alertamos, por exemplo, para as perversidades das artes das trevas que governam o mundo decaído e amaldiçoado desta humanidade perdida, é comum encontrar a reação de indiferença ou de suposta prudência cética.

Até certo ponto é verdade, digamos utilitariamente, que não se deve dispersar os nossos escassos recursos com a consideração de coisas que escapam ao nosso controle. Mas se não somos apenas seres funcionais e se já não estamos dispostos a olhar as coisas funcionalmente, podemos entender o sentido da vida no sentido mais amplo, onde a indagação sobre a natureza da nossa realidade deve entrar no escopo da mente humana interessada em compreender realmente o mundo onde vive.

É aí que as mais diversas artes diabólicas estão prontíssimas para repelir os avanços da mente humana em direção a qualquer verdade relevante, por uma série de artifícios.

Como já falei no Capítulo 9 do meu livro Monadofilia, há o vasto caminho da escravidão das massas através do bolchevismo espiritual da coletivização da humanidade como gado, mas há também alguns caminhos particulares designados para almas mais interessadas em qualquer aprofundamento, onde a uma mente desavisada é permitido, saindo do grande engano geral, cair em qualquer engano particular que lhe seja mais atraente.

Num desses caminhos particulares se criou o Projeto Mockingbird, com a intenção de direcionar as almas eventualmente atraídas para a consideração da grande mentira deste mundo para uma saudável “correção de curso”.

Se a mente humana é atraída a descoberta do segredo através da denúncia de conspirações reais que evidenciam a natureza da realidade em que vivemos, iniciativas como a do Projeto Mockingbird atuam para a dispersão da sua atenção e finalmente para o alívio catártico que permite a essa mente voltar à “vida real” mais ou menos como uma pessoa volta para casa em segurança depois de assistir a um filme de terror no cinema.

Esse tipo de ação funciona muito bem porque por natureza nenhuma mente humana fica confortável diante do caos e da insegurança a respeito das suas crenças mais elementares sobre a natureza da realidade em que vive. Isto é, a mentira já está meio pronta na cabeça do enganado, porque ele deseja profundamente continuar enganado a ter que tolerar que o seu mundo não seja exatamente como acredita que seja.

A maneira mais fácil para se descreditar as denúncias a respeito da profunda perversidade que atua no governo deste mundo (o “Mistério da Iniquidade” de que fala o Apóstolo, que é o Culto Ouroboros) é misturá-las com outras muitas denúncias que sejam obviamente falsas.

As mentes mais comuns estarão muito mais dispostas a atribuir falsidade às denúncias reais em virtude da óbvia mentira das realmente falsas, já que isso convém ao seu desejo profundo, do que a operar uma análise fria e calma das razões de credibilidade de cada alegação, de forma justa e precisa.

O modo como as iniciativas do tipo do Projeto Mockingbird atuam é simples: é uma combinação entre as falácias da falsa associação e da redução ao absurdo.

Por um lado, faz-se uma associação incorreta entre conspirações diferentes, confundindo objetos distintos pela semelhança do gênero maior, que é o do questionamento de uma verdade estabelecida e aceita pela opinião pública. Por outro lado, feita a falsa associação, reduz-se o argumento conspiracionista ao absurdo, levando à rejeição da possibilidade de algumas idéias legítimas pela evidente absurdidade da aceitação de outras a elas falsamente associadas.

Assim pode-se, por exemplo, escapar com alívio da hipótese sinistra de que o pouso do homem na Lua tenha sido forjado, forçando uma associação incorreta com a hipótese terraplanista.

O ser humano comum, amedrontado com a suposição de que o seu mundo seja governado por mentirosos psicopatas, sente grande conforto com o truque que lhe permite descartar uma idéia perigosa usando de um truque falacioso obviamente enganador.

É por isso que o Annuit Coeptis funciona tão bem e nós não devemos protestar contra esse estado de coisas: porque é algo permitido pelo Altíssimo para que a liberdade humana se realize plenamente, com uma salvação maior em vista.

A dupla humilhação da Segunda Ressurreição

Diz-se que o Destino se realiza por bem ou por mal, pelo amor ou pela dor.

Talvez em nenhum caso isto seja tão óbvio como na comparação entre a Primeira Ressurreição e a Segunda Ressurreição.

A Segunda Ressurreição é um gesto vastíssimo de salvação da parte do Criador e amante de todas as coisas, o Deus verdadeiro que a tudo fez para o propósito da satisfação do seu Amor.

Já dissemos aqui que este momento, naquele Dia do Juízo Final, é o mais terrível de todos, quando abrir-se-ão os livros que condenarão, de maneira inequívoca e inapelável, todos os que recusaram o Amor de Deus. Isto porque abundarão as razões divinas que mostrarão as muitas oportunidades perdidas para se tomar uma decisão mais razoável e benéfica, e tudo por fraqueza, timidez, medos e vaidades mesquinhas, bobagens que serão muito humilhantes diante da majestade da Glória divina. O desprezo pela salvação se mostrará na sua total indignidade e tolice.

Este momento serve, porém, como já dissemos, para que num último suspiro de vida o ressuscitado se declare culpado sem reservas, atraindo assim, para si, o poder invencível da misericórdia divina, que ninguém tem autoridade ou poder para conter. Só escaparão dessa destinação designada pelo Amor divino as almas obstinadas na sua recusa, que persistirão na sua mentirosa alegação de inocência.

Pois bem, além de toda essa santa humilhação a que todos nós assistiremos, sem exceção, soma-se uma segunda razão humilhante que será revelada na leitura dos livros, quando se mostrará então o quanto foi possível ao poder divino converter todos os males humanos e demoníacos em uma solução aprazível ao Espírito Santo de Deus, de modo que serão revelados como servidores do Altíssimo mesmo aqueles todos que mais furiosamente se recusaram a aceitar o império do Eterno sobre todas as coisas.

Esta é a dupla humilhação: que além de ter recusado o maior de todos os bens, uma alma tenha servido de qualquer modo ao projeto divino de salvação universal, forçados por uma sabedoria providencial inigualável, que é a Arte Divina por excelência.

Não é pouca coisa. Será, de fato, muito humilhante, mas será maravilhoso ao mesmo tempo. Tudo estará pronto e acabado para que qualquer alma ainda capaz de alguma humildade consiga finalmente reconhecer, em seu último suspiro, a Glória do Criador de todas as coisas, e a grandeza do seu Amor.

Para quem quiser meditar mais sobre este tema, recomendo a leitura dos Capítulos 40 a 50 do livro do Gênesis, onde a história de José do Egito evidencia a vitória divina apesar de todas as perversidades humanas que tentam disputar inutilmente contra o triunfo do Bem.