O Cristianismo é o culto do Mashiach ben Yoseph

O Cristianismo é o culto do Mashiach ben Yoseph para preparar o mundo para a chegada do Anticristo e a implantação das Leis de Noé.

Ou pelo menos é assim que parece que as coisas são quando associamos a probabilidade da ambiguidade bíblica entre o culto do Amor e o do Poder com a forma com que os cristãos religiosos estão sendo enquadrados pelos proponentes do noeísmo.

Digo por mim mesmo, neste blog já recebi comunicações de quem tivesse conexão com essa agenda, justamente para indicar que o que o cristão chama de “Graça” tem uma função religiosa bem diferente dentro do cabalismo, significando, etimologicamente, “Sacrifício”. A observação dessa alegação me fez prestar atenção à importância do sacrifício de sangue dentro da soteriologia cristã.

Se você procurar, como eu fiz, pela pergunta “Jesus tinha que morrer?“, ou “Did Jesus have to die?“, você só vai encontrar as expressões confirmativas, mesmo na forma de questão, como “Por que Jesus tinha que morrer?“, ou “Why did Jesus have to die?“, subentendendo sempre que essa necessidade está acima de qualquer suspeita.

Seria de se supor que as explicações fossem todas muito convincentes a esse respeito, porém o que encontramos é o atendimento à antiga Lei, chamada mosaica (já veremos como isso é questionável), principalmente com as indicações no Livro de Hebreus. Se o sacrifício de sangue for retirado da equação, toda essa “salvação” cai por terra imediatamente.

Mas convém que todo e qualquer cristão seja capaz de apelar imediatamente para as razões da sua Fé, como diria o Apóstolo Pedro, sem precisar fundar a sua crença num dogma inquestionável. Mistérios existem, sem dúvida, e devem ser aceitos na sua inefabilidade. Mas será que a Salvação é tão misteriosa assim? Será que não existe uma deliberada confusão religiosa com a intenção de manter como prisioneiros da mentira as vítimas do Ouroboros?

Podemos seguir uma linha simples e clara de raciocínio para verificar a viabilidade do sacrifício de sangue como pagamento pelos pecados. Lembrando que não se trata aqui de questionar a intercessão e a petição de salvação, quando estas coisas são puras, ou seja, baseadas com exclusividade na Graça divina. Estamos tratando da crença de que para que haja remissão dos pecados seja preciso derramar sangue (Heb 9).

E que o sim seja sim, e o não seja não, sem meias palavras.

Questão 1: Jesus tinha que morrer?

Sim ou não?

Se não, então já escapamos do paradigma do sacrifício de sangue. Jesus não tinha que morrer: ele tinha que ser reconhecido como o Filho de Deus e Rei dos Reis. Foi assassinado injustamente, e na Cruz sacrificou a sua majestade e provou duplamente tanto o Amor do Pai quanto a mentira assassina do Acusador. A Salvação não se dá por magia de sangue, mas pela aceitação do Amor de Deus, especialmente na forma de Misericórdia através de um arrependimento sincero por toda participação na traição contra Deus das Obras da Carne.

Se sim, cabe então uma próxima pergunta.

Questão 2: Quem matou Jesus tinha a liberdade de não fazê-lo?

Se não, então não é uma ação de responsabilidade imputável, de modo que isso equivaleria a dizer que Jesus se matou, ou ainda que não teve nenhum sentido a petição dele na Cruz quando disse “perdoa-os, eles não sabem o que fazem“. Se eles não sabiam o que faziam, praticavam um mal, ainda que ignorantes da natureza de seu ato. Em suma, se não fossem livres para decidir da forma que decidiram, os assassinos de Jesus não seriam assassinos, e sim executores da Justiça divina. Se a Crucificação foi real e moralmente substantiva, ela não pode ser uma farsa. Essa hipótese deve ser descartada como absurdo.

Se sim, cabe-nos então uma última pergunta.

Questão 3: Quem matou Jesus praticou o Bem?

Se não, então Jesus não tinha que morrer: sua execução foi um assassinato. Saímos novamente do paradigma.

Se sim, então voltamos ao absurdo da negativa anterior, ou até pior que isso. Pois não só Jesus seria novamente, neste caso, uma espécie de suicida, como também seria absurdo o seu pedido de perdão a favor dos seus assassinos, que não seriam homicidas, mas executores do Bem.

O Cordeiro de Deus não se entregou em sacrifício para a morte certa, como forma de Justiça, pois essa só poderia ser exigida por Deus mesmo.

Ele se entregou para ser reconhecido na majestade do Amor sem defesas, de modo que a crença na Graça fosse pura da parte dos fiéis, como é de fato até hoje e será até o Fim dos Tempos.

Uma questão final talvez se imponha como a decisiva:

Quem pediu pelo sangue de Jesus?

Se o sacrifício de sangue é legítimo, isto quer dizer que a divindade, como na pessoa do Pai, pediria pelo sangue de uma vítima de sacrifício, como o do Filho. E se assim fosse, novamente nos caberia reconhecer que a morte de Jesus não seria uma injustiça, e seus assassinos não seriam imputáveis.

Por outro lado, se o sacrifício não era legítimo, quem pediu pelo sangue de Jesus foi o Acusador, o Pai da Mentira, que se coloca diante dos homens no lugar de Deus.

A verdade do sacrifício da Cruz foi a da entrega de Jesus à condição de Filho de Homem para que pela sua inocência ficasse provada a bondade de Deus e a maldade do Acusador.

Satisfazendo-se injustamente com o sangue do Cordeiro de Deus, a Serpente do Mundo, o Ouroboros, expôs a sua verdadeira natureza, não a de Promotor de Justiça, mas de Mentiroso e Assassino.

Assim, a Religião Cristã, ou Cristianismo, independente de sua forma mais ou menos tradicional, está ligada ao culto do assassinato como ritual de sangue iniciado pelo Ouroboros desde o princípio dos tempos.

E, cabalisticamente, isso se conecta com o mito messiânico judaico que reconhece, com Maimônides e muitos outros, que em Jesus realizou-se a profecia concernente ao Mashiach ben Yoseph, com a função de converter as nações à Torá e preparar o mundo para a chegada do seu Maschiach ben David, o Messias Triunfante, que implantará então as Leis de Noé num mundo previamente preparado pelo Messias Sofredor.

A verdade é que o verdadeiro Messias é um só, e que ele já veio como Cordeiro Sofredor para os seus, até que os tempos se completem e ele volte como Leão Triunfante para o Juízo Final. É preciso que o trigo cresça junto com o joio, para que no tempo da colheita o agricultor possa fazer a separação entre eles.

Jesus disse que não veio abolir a Lei, mas levá-la a perfeição.

Mas de que Lei ele está falando?

Da Lei de Moisés, na forma dos Dez Mandamentos determinados diretamente pela autoridade divina, ou da Lei de Aarão, na forma da Legislação Levítica e Sacerdotal, inventada pelos homens a partir do que aprenderam com seus pactos com o Ouroboros, desde a Tradição Primordial?

Sendo a verdadeira Lei mosaica aquela que os judeus desprezaram, já que se amassem a ela, reconheceriam o seu verdadeiro Messias, o aperfeiçoamento que Jesus trouxe foi a revelação do Pai e do seu Amor, com os definitivos Mandamentos de amor a Deus e ao próximo.

O Cristianismo é o culto do Maschiach ben Yoseph para a conversão das nações à autoridade da Besta, o falso deus que instaurou o culto mentiroso do derramamento do sangue do Cordeiro de Deus como administração da Justiça. Revelando a sua própria verdade, o Anticristo reiniciará no Terceiro Templo as ofertas de sangue, até que estas sejam cessadas na Grande Tribulação, antes do Fim dos Tempos.

Durante muitos séculos e para muitos povos o Ouroboros pôde sustentar a legitimidade da continuidade da traição contra o Amor de Deus com base na mentira, com a anuência dos fiéis que viveram seus tempos de usurpação e miséria sustentados pelo culto do sacrifício do Cordeiro. E Deus assim o permitiu, até a consumação dos tempos, para que a sua colheita fosse a mais completa.

Nenhuma religião se sustenta espiritualmente, de vez que a substância da vida espiritual é a vida na Presença de Deus, a realidade individual de cada alma totalmente independente das aparências.

Muito menos ainda se sustenta o Cristianismo, na perfídia da mentira travestida de uma verdade muito próxima, mas sempre omitida.

Tire de qualquer Religião, inclusive da Cristã, as funções de lavanderia moral, validação da superstição e cultura sentimentalista, e o que sobrará? A ignorância equivalente a de qualquer paganismo.

O ponto central do entendimento desta verdade, para os cristãos, é a observação da pureza da santidade da Graça divina em contraste com a graça que não é divina justamente por não ser gratuita, mas somente um produto de troca na espelunca espiritual do diabo, esse farsante.

Da conveniência espiritual do sistema reprodutor

Tudo é feito para o bem daqueles que amam a Deus, desde que o bem próprio do Eterno é a realização do benefício da sua Criação, sendo Ele mesmo livre de qualquer carência e tendo restante toda a sua potência voltada para a perfeição das suas criaturas.

Igualmente, é preciso dizer que nada é feito senão pela atividade divina que é a única capaz de trazer ao ser quaisquer possibilidades que o próprio Altíssimo percebe em si como convenientes para a atualização do maior grau de felicidade possível.

Dadas essas duas premissas, já é tempo de resolvermos uma questão que eventualmente vive ressurgindo, a saber, a da razão de ser de um sistema reprodutor nos seres humanos que, sendo tido como instrumento fundamental da traição contra Deus através do Pacto Ouroboros, precisa ser explicado na sua origem e na sua finalidade a tal ponto que não nos reste dúvida da sua justificação.

Ajudando-nos o próprio Criador como sempre foi o caso, parece que a solução não difere muito daquela que encontramos ao lidar com a questão do Antinatalismo (v. “Contra o Antinatalismo” em A Coruscância), tendo aliás os dois temas uma conexão muito óbvia e até mesmo essencial.

Tendo o Todo-Poderoso antevisto a necessidade que certas almas tinham de determinada experiência do mal para que a sua escolha pelo bem fosse a mais plena e perfeita possível (uma realidade por sua vez justificada no nosso estudo da Eleuteriodiceia), foi apropriado permitir que estas almas explorassem aquilo que não lhes era benéfico a priori, mas que constituiria um bem secundário em virtude da fraqueza do seu caráter, um elemento fundado na razão suficiente de que é melhor para estas almas sofrerem e causarem algum sofrimento e, não obstante, obterem com isso a grande felicidade da Vida Eterna, do que dispensar essa experiência limitada do mal e com isso desperdiçar um bem muito superior, tão superior que a proporção da sua vantagem é incalculável e imediatamente recomendável.

Vejam bem: não foi Deus quem instituiu a necessidade do mal e de qualquer espécie de sofrimento para a salvação de qualquer criatura, mas foi a própria criatura, perdida e obstinada, soberba e pretensiosa, que se propôs um caminho mais difícil para que a sua escolha pelo Amor de Deus fosse suficientemente qualificada.

Ora, tudo isso de algum modo já compunha o entendimento anterior daquele juízo contrário ao Antinatalismo. Mas poderia se realizar a decisão humana de procriar e, com isso, de experimentar certa medida do mal como reflexo de suas trevas interiores, sem que tivesse ao seu dispor os recursos necessários ao desempenho da sua vontade? É claro que não. E é por isso que enxergamos com clareza a conveniência espiritual do sistema reprodutor do ser humano como mera concessão de Deus para a realização do propósito maior da sua Obra.

Não foi de bom grado, ou por desígnio originário, que Deus concedeu ao ser humano um sistema mais complexo do que aquele que poderia refletir mais fielmente a simplicidade do seu Ser, mas para que esta criatura levasse a termo os seus propósitos e experimentasse a sua carência do Amor, de modo que pudesse voltar-se do seu pecado para a reconciliação com o Pai.

Este é o sentido da parábola do Filho Pródigo, que tem que viver a sua rebeldia para conhecer sua própria fidelidade no fim. O coração do Pai se contorce com a dor de ver essa decisão de rompimento com o seu Amor, mas aceita e deixa estar, e até contribui com a distribuição de parte da sua herança, porque sabe que isto tudo será necessário para o melhor resultado ao fim.

Há uma teologia rasteira que entende o ser humano como co-criador eleito como veículo de uma absurda dependência divina, como a que diz que a função da história é a salvação dos eleitos e inclui nisso, obviamente, a reprodução de novas safras de escravos, como se Deus precisasse do mal para fazer o bem. Este é o ser humano que aprendeu a mentir com o seu tutor, o próprio diabo, e finge que está executando um mandamento divino quando na verdade está apenas fazendo a sua própria vontade.

Deus nunca desejou a degeneração da sua Criação no aumento da complexidade dos entes manifestados, mas o ser humano quis experimentar as trevas, e isso lhe foi permitido para a realização de uma escolha perfeita pela verdade da luz divina.

Sendo assim, dizemos que o sistema reprodutor do ser humano foi feito por Deus, como não poderia deixar de ser, e com o propósito benéfico da salvação daqueles que, realizando a sua rebelião, poderiam assim escolher o Amor como seu destino final. Convém entender que este sistema foi criado em latência, dependendo de uma ativação pela vontade humana que resolve atualizar essa possibilidade, de modo que os Corpos de Queda são particularmente definidos como produtos dessa atualização da liberdade do homem. Assim, os Vanyar, por exemplo, teriam um sistema análogo preservado em latência e jamais ativado, mais ou menos como uma pessoa nascida Sindar pode viver uma vida inteira sem sofrer de pericoronarite (a inflamação e infecção decorrente da erupção de dente do siso) ou de apendicite.

Resta-nos apontar brevemente que o mesmo se dá por analogia em todos os seres vivos que se reproduzem de acordo com processos submetidos ao Princípio de Geração e Corrupção, a partir do momento em que estes seres existem num modo de reflexão da experiência da liberdade humana e vivem igualmente uma queda da simplicidade originária da criatividade divina, e aguardam igualmente pela sua redenção para se verem livres de seus próprios processos complexos de reprodução (assim como os de nutrição). Um mundo Vanyar, portanto, é povoado por todo tipo de ser vivo que experimenta a multiplicação de suas espécies e a sustentação nutritiva de seus membros sem que em nada isso constitua complexidade e corrupção, e portanto sem nenhuma experiência de dor ou sofrimento (como se promete sobre a realidade redimida em Is 11:6-9).

Por fim, a conexão essencial entre a justificação da rejeição do Antinatalismo com a da realidade do sistema reprodutor se dá obviamente pelo entendimento de que este sistema foi criado para realizar, como causa eficiente, o desígnio que permitiu a procriação como causa final de salvação.

Tudo isso deve servir para o desarmamento das idolatrias naturalista e antropocentrista que disputavam autoridade com Deus, já que a verdade não está em nenhuma razão subsidiária à simplicidade do Amor divino. As resoluções morais dos seres humanos que não se submetem à supremacia do Amor divino são decadentes e pervertidas, e em consequência os processos naturais que introduziram maior complexidade na Criação não resultam de um reflexo da Sabedoria divina, mas da medida de concessão da bondade de Deus com vistas ao melhor resultado possível.

A Questão Abraâmica: O Deus dos cristãos é o mesmo dos judeus e muçulmanos?

Toda vez em que o espírito do Anticristo, aquele que nega que Jesus Cristo seja o Filho de Deus, atua no mundo com uma nova proposta que obviamente viola a verdade revelada, nós aprendemos algo novo sobre como funciona o esquema da mentira.

É uma fatalidade para o inimigo que ele tenha que se mostrar toda vez que avança na conquista de novos poderes neste mundo. Bem acostumado às trevas que lhes são peculiares, o Adversário precisa se esconder não só porque é, como sempre foi, covarde diante do Espírito Santo, mas também porque, sendo mentiroso, a sua exposição à luz sempre evidencia a sua fraqueza, sua verdadeira natureza de perdedor e vencido, humilhado e rebaixado.

Ora, contemporaneamente temos o caso não só da proposta das Leis de Noé (Noahide Laws) pelo messianismo cabalista, como também o dos chamados Acordos de Abraão (Abraham Accords). O primeiro versa sobre a universalização da Torá para as Nações, especialmente na forma da condenação como idolatria, sob pena de capitação, para os cristãos que reconheçam Jesus Cristo como Filho de Deus. E o segundo versa sobre a paz e segurança no Oriente Médio, entre os povos que descendem dos filhos de Abraão, isto é, entre Ismael e Isaac.

Pois bem, nas duas situações judeus e muçulmanos muito convenientemente se irmanam com grande facilidade, podendo reconhecer facilmente o seu deus como o mesmo, tanto quanto reconhecem o seu ancestral comum como o mesmo, o velho Abraão, igualmente Patriarca de Israel e Profeta do Islam.

Na linha do que já investigamos antes a respeito de outros temas próximos, principalmente o da questão da instituição do sacrifício de sangue, é conveniente refletir sobre o que os cristãos verdadeiros têm a ver com essa linhagem judaico e muçulmana, ou melhor, e já indo à conclusão, refletir sobre tudo o que não há em comum entre essas mentalidades.

Se judeus e muçulmanos rejeitam Jesus Cristo como o Filho de Deus, essa decisão lhes associa ao espírito do Anticristo. É por esta razão que podem instalar com suposta justiça os tribunais para a sentença e execução dos cristãos como idólatras, o que aliás farão em associação com os falsos cristãos conduzidos pela maçonaria.

Do mesmo modo, com a sua paz em nome da descendência comum de Abraão, sob o poder da carne e do sangue, tanto judeus quanto muçulmanos rejeitam a descendência cristã de Abraão, sob o poder do Espírito Santo.

Aceitando que o Ouroboros vêm se colocando diante do homem no lugar de Deus desde o início dos tempos, se a exclusividade da libertação vem do Filho de Deus que é o único que pode revelar o Pai (“Eu Sou o Caminho, a Verdade, e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim“), é bem possível e até viável que o Deus dos cristãos não seja o mesmo que o dos judeus e muçulmanos, principalmente se verificarmos a negação de Jesus Cristo como o Filho de Deus, e a presunção das obras da carne contra as obras do Espírito na questão da filiação carnal ou espiritual de Abraão.

Muitos cristãos tradicionalistas, escravos do Culto do Ouroboros na forma do Cristianismo, negarão essa possibilidade, justamente pela necessidade da indicação da descendência de Jesus a partir de Abraão. Ora, Jesus mesmo desprezou essa descendência, já que ela servia, assim como o conhecimento da Lei mosaica, apenas para o reconhecimento da sua autoridade, coisa em que os judeus flagrantemente falharam. Ou seja, no que importava a associação com Abraão e Moisés, de nada adiantou que os judeus possuíssem o Antigo Testamento. Pode-se pensar diversamente com a alegação de que os Apóstolos foram os primeiros cristãos enquanto judeus, mas isso viola a realidade da supremacia do Evangelho sobre todas as nações, sendo uma corrupção da verdadeira universalidade da Salvação e do Amor de Deus. Os Apóstolos não aceitaram Jesus Cristo por serem judeus, mas apesar de o serem.

Em nada a escravidão da religião cristã institucionalizada ao Culto do Ouroboros é tão evidente quanto na aceitação do sacrifício de sangue como mandamento divino. E nisso os religiosos se associam, percebendo ou não, com os assassinos de Jesus, os mesmos que até hoje entendem o Cristianismo como manifestação da vontade de Deus de converter as nações ao messianismo judaico.

Aos descendentes carnais de Abraão, entre os quais podem se incluir ao lado dos descendentes de Isaac também os de Ismael, por associação ideológica e espiritual, Jesus disse como continua dizendo: “por isso não me ouvis, pois sois do vosso pai, o diabo“.

De que adiantou a descendência carnal, do sangue de Abraão, se a descendência espiritual daqueles que recusam Jesus Cristo como Filho de Deus os associa com o espírito do Anticristo?

Pior do que tudo isso, obviamente, é a perversão do Cristianismo que se associa com o culto de sangue do paganismo disfarçado.

Sendo assim, devemos condenar totalmente qualquer noção cultural ou histórica de sociedade “judaico-cristã”, bem como o valor da falsa paz dos Acordos de Abraão, já que tudo isso só serve para a execução das Leis de Noé, produzindo a confusão entre o Deus verdadeiro, revelado como Pai pelo Filho, com o falso deus dos judeus e muçulmanos, que é o Ouroboros que institui como principal ritual o assassinato.

Este é o Príncipe deste mundo, um mentiroso, ladrão e assassino: mente sobre ser deus quando não o é, rouba os méritos do Criador colocando-se no lugar santo, e legitima o assassinato de todos os que se opõe à sua maldade, como se isso fosse a obra de Deus.

O verdadeiro filho da promessa veio nos libertar do cativeiro do mundo decaído e amaldiçoado denunciando a traição cometida pelos nossos pais. Ele é quem deu a verdadeira alegria a Abraão, não sendo constituído pela virtude da carne e do sangue, mas da fidelidade espiritual que revelou da forma perfeita que o seu ascendente carnal não pôde fazer.

Do outro lado, o filho da falsa promessa da redenção pelo sangue não só executou o assassinato de Jesus Cristo na cruz, como vai levar o mundo à total apostasia sendo reconhecido no lugar de Deus sendo apenas um homem, filho do pecado, descendente da carne e do sangue de Abraão.

Os judeus dizem que Abraão foi sacrificar Isaac no Monte do Templo.

Os muçulmanos dizem que Abraão foi sacrificar Ismael no Monte do Templo.

Mas o Deus verdadeiro poupou Abraão de fazer o que não poupou a Si mesmo: o Filho de Deus se fez homem para entregar-se como Cordeiro de Deus para ser aceito pelos seus, submetendo-se à rejeição daqueles que o odiaram sem motivo e o executaram injustamente.

Realizou-se assim a Revelação perfeita: a da pureza do Amor de Deus, e ao mesmo tempo a da mentira do Acusador que não resistiu à tentação de condenar Jesus, revelando assim a sua verdadeira natureza assassina.

Do mesmo modo, quando os usurpadores se levantarem para a execução dos cristãos verdadeiros, pelos frutos conhecereis a árvore: os fiés a Deus aceitarão o martírio com a felicidade da confirmação da sua filiação espiritual, ao passo em que os traidores de Deus praticarão a injustiça confirmando a também a sua própria filiação espiritual.

No que Abraão repetiu o pecado de Adão, ele produziu a continuidade da traição contra Deus.

No que Abraão precedeu a virtude de Jesus, ele produziu o testemunho da verdade em favor de Deus.

Quanto aos cristãos religiosos, institucionalizados, principalmente associados com a prática do reconhecimento do ritual de sangue, digo-vos alinhado com a orientação já recebida antes: sai dela, povo meu.

Abraão não pôde sacrificar a sua obstinação por ter uma descendência carnal em imitação ao Pacto de Adão, do qual seu Criador quis lhe poupar. Mas Deus não se poupou de tomar a forma do Filho do Homem para trazer a Redenção a todos os prisioneiros da mentira e da injustiça que quisessem aceitá-lo como o executor do espólio espiritual de Abraão, o que o próprio Abraão não pôde fazer através da descendência do seu sangue.

Amplia-se, assim, o sentido das palavras de Jesus quando este revelou: “antes que Abraão fosse, EU SOU“.

Jesus Cristo é o filho da promessa para a verdadeira redenção que não é da carne nem do sangue, mas do espírito.

O Japão contra o Ouroboros

É muito interessante observar como as duas ferramentas fundamentais do governo do diabo sobre este mundo, isto é, (1) a reprodução da próxima safra de escravos, e (2) a manutenção destas novas safras sob império das religiões, são corroídas com o desenvolvimento humano na forma de prosperidade material e então das liberdades civis correspondentes ao fortalecimento da classe média.

Por esta razão o Conservadorismo é a arma mais formidável do Ouroboros para governar o mundo (como já expliquei no meu livro A Coruscância, no capítulo “O diabo, esse conservador”), tornando toda possibilidade de liberdade absurda sob a falsa Revolução exterior gnóstica que promove valores anti-humanos, de modo a levar uma humanidade assustada a agarrar para sua proteção todo tipo de solução reacionária, na forma dos costumes que reforçam o Ouroboros, como uma tribo amedrontada se prostrando diante de seu totem.

Entre as nações que mais desafiam o império do Ouroboros encontramos o Japão.

Peço que observem os seguintes mapas:

A) Importância da Religião:

B) Importância da Religião:

C) Taxa de Natalidade:

D) Equidade econômica ajustada pelo Desenvolvimento Humano:

Com as ilustrações acima podemos visualizar duas informações importantes sobre os japoneses:

1) que eles não acham que a prática de uma religião seja algo importante para as suas vidas;

2) que eles não estão interessados em encarnar novas almas neste mundo amaldiçoado, já que taxa de natalidade média do país fica abaixo dos 2.0, que é a taxa mínima de reposição da população.

Inversamente, tanto a importância da religião quanto a taxa de natalidade são altas justamente nos países com menor desenvolvimento humano e econômico, como em boa parte da África, do Oriente Médio, e parcialmente na América Latina.

No Japão temos uma sociedade que já se desenvolveu por tempo suficiente para que as novas gerações tirassem as conclusões mais óbvias a respeito da condição humana, contra o Pacto Ouroboros, algo que lhes foi permitido justamente pelo encontro das duas variáveis em questão.

Vejam que em outras sociedades razoavelmente desenvolvidas também por tempo suficiente, e talvez até por mais tempo, principalmente como o caso dos Estados Unidos, não vemos o mesmo fenômeno. E isso pela razão muito simples de que os EUA foram fundados sob a forte influência da tradição do Cristianismo e da Maçonaria, braços da Tradição Primordial como desenvolvimentos posteriores do Judaísmo.

No caso do Japão, a invasão cultural da Tradição Primordial pela via do Cristianismo jesuítico foi bloqueada e exterminada pelo shogunato Tokugawa.

Dir-se-ia que o Shintoísmo, ou mesmo o Budismo, ambos presentes na cultura japonesa, são manifestações da mesma Tradição Primordial subordinada ao Ouroboros. Porém observamos pelos fatos mesmo que estas culturas não possuem a mesma força de submissão que o Cristianismo ou o Islamismo, por exemplo, já que o povo japonês flagrantemente prefere se abster tanto da prática religiosa quanto da reprodução de descendência, coisa que não se permitiria fazer se tivesse sido convertido por qualquer tradição abraâmica.

Isto quer dizer que se em outros países, como nos EUA, a redução da natalidade entra em choque contra uma resistência cultural provinda da religião, no Japão o Ouroboros não tem essa defesa à sua disposição, por causa da indiferença da população local com relação a esse tipo de poder (o papel do Bispo no Sistema da Besta).

Convém observar que em outras nações, como no caso da China e da Coréia do Norte, o comunismo ateístico não concede necessariamente liberdade contra o Ouroboros, já que a natalidade pode ser incentivada ou até mesmo exigida por força de um governo totalitário que tem entre as suas metas mais óbvias a conservação da sua existência. Porém, também aí o japonês sempre se destacou da média ao seu redor, sendo extremamente contrário a todo tipo de socialismo político importado do exterior, já que tem acesso a uma forma interna de amparo coletivo que funciona bem por si. É um país com uma das menores desigualdades sociais do mundo em relação ao seu desenvolvimento econômico (imagem D) e, ao mesmo tempo, um dos mais contrários a toda utopia política do tipo de revolução externa gnóstica e messiânica que contaminou as nações atacadas pelo comunismo. Os japoneses não querem fundar o paraíso na Terra: eles querem ir embora daqui.

O Japão pode, assim, maravilhosamente, escapar duplamente do Ouroboros, da sua dialética perversa, constituindo-se como uma nação disposta a aceitar espontaneamente a sua extinção voluntária como resultado de um progresso moral.

Dificilmente poderemos encontrar esse grau de renúncia voluntária ao poder na sua forma mais elementar, que é a da subsistência na condição decaída e amaldiçoada, em qualquer outra nação do mundo no mesmo grau, talvez com a exceção da Coréia do Sul, e mesmo assim nem tanto porque a Coréia do Sul sofreu uma maior invasão do Cristianismo.

Na Europa os países escandinavos são os candidatos mais óbvios a seguir o exemplo japonês, mas com o agravante da participação num organismo político maior, o da União Européia, o que dá alguma permeabilidade a influência de outras culturas através do processo migratório, especialmente na forma do Islamismo.

No Japão, além dos elementos culturais já assinalados, tem-se ainda uma forte cultura isolacionista contra a imigração.

Tudo isso junto leva ao provável cenário de um grande declínio populacional naquela nação.

Seria o Japão o primeiro país na fila da aceitação plena do sentido do decreto da Maldição de Gênesis 3? Uma nação disposta a voltar ao pó?

Uma coisa é certa: o Ouroboros não deve estar nada feliz com a liberdade japonesa contra os seus mecanismos de controle, o que nos leva a crer que a Nova Ordem Mundial deve querer agir contra o Japão de modo especial, no mínimo com a intenção de conter essa cultura de liberdade para que não se corra o risco de que ela se espalhe pelo mundo.

A liberdade é, afinal, perigosamente contagiante.

A pedra rejeitada pelos construtores se tornou a pedra angular

Já vimos que os maçons, pedreiros ou templários são espiritualmente definidos pela sua associação com o projeto da construção do Templo de Jerusalém, no que se envolvem fraternalmente com a Sinagoga de Satanás contra a revelação da verdade do Amor de Deus.

O que ainda não vimos e talvez muito nos convenha é que sendo essa associação maligna uma organização a serviço do Príncipe deste mundo, a Velha Serpente, também é viável verificar o quanto o Culto do Ouroboros é representado nessa traição em outra forma de culto.

Isto é, sendo o corpo humano reconhecido pelo seu propósito espiritual, reconhecemos que serve como um templo onde o local mais sagrado é o coração, o altar do sacrifício, em que são queimadas as ofertas (a comida) à divindade adorada pelo administrador do templo, o que o mantém em funcionamento (o sangue bombeado que mantém vivo o corpo).

Ora, sendo assim, se o templo vivo do ser humano for criado em traição ao Espírito Santo, e as pessoas que guardam esses corpos viverem em cativeiro, alienadas da verdade de Deus e dirigidas ao culto dos ídolos e principalmente da Serpente do Mundo, então há uma função óbvia na reprodução humana em associação com essa perversão, desde que os encarnados num estado amaldiçoado e decadente são conduzidos ao culto, no templo de seus corpos e no altar de deus corações, aos falsos deuses deste mundo, entre os quais e em especial o próprio Ouroboros.

Os templários podem ser vistos, assim, como todos os construtores destes templos vivos dirigidos para a idolatria, de modo que os Avari continuem a usurpação do lugar de Deus no coração dos homens escravos da mentira do mundo.

Desde o Pecado Original a raça humana constituiu, assim, essa fraternidade de construtores de templos de idolatria, e traindo a Deus desde o início, rejeitaram a pedra angular, que era o Amor de Deus totalmente revelado mais tarde em Jesus Cristo, que encarnou justamente não do pecado humano, mas da virtude da santidade divina.

A pedra rejeitada pelos construtores, o Amor de Deus, que é o único legítimo Criador de todas as coisas para todo o sempre, se tornou a pedra angular, e isto é maravilhoso para nós, já que agora vivemos libertos da grande mentira do mundo e podemos reconstituir o culto verdadeiro nos altares dos nossos templos vivos.

Entendam que muito antes de qualquer organização templária ou maçônica querer erguer um edifício feito de pedras, o Terceiro Templo de Jerusalém, muito antes o Culto do Ouroboros ergueu milhões ou até bilhões de templos vivos dirigidos para o seu culto mentiroso e abominável, templos construídos pelos partícipes por omissão ou comissão do Pecado Original, como será feito até o fim do mundo.

A dupla humilhação da Segunda Ressurreição

Diz-se que o Destino se realiza por bem ou por mal, pelo amor ou pela dor.

Talvez em nenhum caso isto seja tão óbvio como na comparação entre a Primeira Ressurreição e a Segunda Ressurreição.

A Segunda Ressurreição é um gesto vastíssimo de salvação da parte do Criador e amante de todas as coisas, o Deus verdadeiro que a tudo fez para o propósito da satisfação do seu Amor.

Já dissemos aqui que este momento, naquele Dia do Juízo Final, é o mais terrível de todos, quando abrir-se-ão os livros que condenarão, de maneira inequívoca e inapelável, todos os que recusaram o Amor de Deus. Isto porque abundarão as razões divinas que mostrarão as muitas oportunidades perdidas para se tomar uma decisão mais razoável e benéfica, e tudo por fraqueza, timidez, medos e vaidades mesquinhas, bobagens que serão muito humilhantes diante da majestade da Glória divina. O desprezo pela salvação se mostrará na sua total indignidade e tolice.

Este momento serve, porém, como já dissemos, para que num último suspiro de vida o ressuscitado se declare culpado sem reservas, atraindo assim, para si, o poder invencível da misericórdia divina, que ninguém tem autoridade ou poder para conter. Só escaparão dessa destinação designada pelo Amor divino as almas obstinadas na sua recusa, que persistirão na sua mentirosa alegação de inocência.

Pois bem, além de toda essa santa humilhação a que todos nós assistiremos, sem exceção, soma-se uma segunda razão humilhante que será revelada na leitura dos livros, quando se mostrará então o quanto foi possível ao poder divino converter todos os males humanos e demoníacos em uma solução aprazível ao Espírito Santo de Deus, de modo que serão revelados como servidores do Altíssimo mesmo aqueles todos que mais furiosamente se recusaram a aceitar o império do Eterno sobre todas as coisas.

Esta é a dupla humilhação: que além de ter recusado o maior de todos os bens, uma alma tenha servido de qualquer modo ao projeto divino de salvação universal, forçados por uma sabedoria providencial inigualável, que é a Arte Divina por excelência.

Não é pouca coisa. Será, de fato, muito humilhante, mas será maravilhoso ao mesmo tempo. Tudo estará pronto e acabado para que qualquer alma ainda capaz de alguma humildade consiga finalmente reconhecer, em seu último suspiro, a Glória do Criador de todas as coisas, e a grandeza do seu Amor.

Para quem quiser meditar mais sobre este tema, recomendo a leitura dos Capítulos 40 a 50 do livro do Gênesis, onde a história de José do Egito evidencia a vitória divina apesar de todas as perversidades humanas que tentam disputar inutilmente contra o triunfo do Bem.

Projeto Mockingbird: recursos da falsa associação e redução ao absurdo para desmentir conspirações reais

Certamente sempre fez parte da sacola de truques do diabo, no intuito de manter e expandir o seu governo sobre este mundo, o recurso de contar com a sempre disponível estupidez humana em todas as formas possíveis, entre as quais a confusão entre as essências e os acidentes das coisas, o que sempre serviu para o maior proveito dos projetos diabólicos.

A verdade é que uma mente humana é uma máquina muito poderosa, capaz de produzir para si mesma a imagem da verdade com recursos sofisticadíssimos. Vai tão longe esse poder que somos capazes de dizer, com relativa segurança, que em nada o ser humano se aprofundou tanto quanto na arte de mentir para si mesmo.

O único recurso para o escape da mentira é a renúncia ao próprio poder cognitivo e raciocinante: a virtude da humildade, a renúncia ao psiquismo gnóstico e admissão da verdade da ignorância fundamental que é a base da nossa experiência da vida e do mundo.

Pois bem, a maior parte dos membros da nossa raça parece não ter muita disposição para essa experiência espiritual de rendição, preferindo avançar na técnica milenar do autoengano com todos os requintes possíveis.

Eis que faz parte desse repertório também o poder de simular a ignorância, ou de fingir que não se percebeu algo, usando para isso de todo tipo de alegação possível. Quando alertamos, por exemplo, para as perversidades das artes das trevas que governam o mundo decaído e amaldiçoado desta humanidade perdida, é comum encontrar a reação de indiferença ou de suposta prudência cética.

Até certo ponto é verdade, digamos utilitariamente, que não se deve dispersar os nossos escassos recursos com a consideração de coisas que escapam ao nosso controle. Mas se não somos apenas seres funcionais e se já não estamos dispostos a olhar as coisas funcionalmente, podemos entender o sentido da vida no sentido mais amplo, onde a indagação sobre a natureza da nossa realidade deve entrar no escopo da mente humana interessada em compreender realmente o mundo onde vive.

É aí que as mais diversas artes diabólicas estão prontíssimas para repelir os avanços da mente humana em direção a qualquer verdade relevante, por uma série de artifícios.

Como já falei no Capítulo 9 do meu livro Monadofilia, há o vasto caminho da escravidão das massas através do bolchevismo espiritual da coletivização da humanidade como gado, mas há também alguns caminhos particulares designados para almas mais interessadas em qualquer aprofundamento, onde a uma mente desavisada é permitido, saindo do grande engano geral, cair em qualquer engano particular que lhe seja mais atraente.

Num desses caminhos particulares se criou o Projeto Mockingbird, com a intenção de direcionar as almas eventualmente atraídas para a consideração da grande mentira deste mundo para uma saudável “correção de curso”.

Se a mente humana é atraída a descoberta do segredo através da denúncia de conspirações reais que evidenciam a natureza da realidade em que vivemos, iniciativas como a do Projeto Mockingbird atuam para a dispersão da sua atenção e finalmente para o alívio catártico que permite a essa mente voltar à “vida real” mais ou menos como uma pessoa volta para casa em segurança depois de assistir a um filme de terror no cinema.

Esse tipo de ação funciona muito bem porque por natureza nenhuma mente humana fica confortável diante do caos e da insegurança a respeito das suas crenças mais elementares sobre a natureza da realidade em que vive. Isto é, a mentira já está meio pronta na cabeça do enganado, porque ele deseja profundamente continuar enganado a ter que tolerar que o seu mundo não seja exatamente como acredita que seja.

A maneira mais fácil para se descreditar as denúncias a respeito da profunda perversidade que atua no governo deste mundo (o “Mistério da Iniquidade” de que fala o Apóstolo, que é o Culto Ouroboros) é misturá-las com outras muitas denúncias que sejam obviamente falsas.

As mentes mais comuns estarão muito mais dispostas a atribuir falsidade às denúncias reais em virtude da óbvia mentira das realmente falsas, já que isso convém ao seu desejo profundo, do que a operar uma análise fria e calma das razões de credibilidade de cada alegação, de forma justa e precisa.

O modo como as iniciativas do tipo do Projeto Mockingbird atuam é simples: é uma combinação entre as falácias da falsa associação e da redução ao absurdo.

Por um lado, faz-se uma associação incorreta entre conspirações diferentes, confundindo objetos distintos pela semelhança do gênero maior, que é o do questionamento de uma verdade estabelecida e aceita pela opinião pública. Por outro lado, feita a falsa associação, reduz-se o argumento conspiracionista ao absurdo, levando à rejeição da possibilidade de algumas idéias legítimas pela evidente absurdidade da aceitação de outras a elas falsamente associadas.

Assim pode-se, por exemplo, escapar com alívio da hipótese sinistra de que o pouso do homem na Lua tenha sido forjado, forçando uma associação incorreta com a hipótese terraplanista.

O ser humano comum, amedrontado com a suposição de que o seu mundo seja governado por mentirosos psicopatas, sente grande conforto com o truque que lhe permite descartar uma idéia perigosa usando de um truque falacioso obviamente enganador.

É por isso que o Annuit Coeptis funciona tão bem e nós não devemos protestar contra esse estado de coisas: porque é algo permitido pelo Altíssimo para que a liberdade humana se realize plenamente, com uma salvação maior em vista.

A ousadia da verdade obrigatória por decreto humano

Se há algo forte o suficiente para se manter firme por sua própria virtude, é certamente a própria Verdade.

Resolvida qualquer confusão que possa haver entre a experiência subjetiva de uma verdade relativa e a necessidade de uma verdade objetiva, mesmo que esta escape completamente ao nosso domínio, resta-nos a tranquilidade do repouso de saber que o que é, é, e que o que não é, não é. Tiramos da autoevidência da supremacia da Verdade até mesmo os nossos princípios elementares de qualquer lógica possível, a saber, os de identidade, não-contradição, e terceiro excluso, razões supremas de qualquer conhecimento possível não produzidas como invenções, mas deduzidas como descobertas.

Vencida essa etapa epistemológica que ainda pode amolecer algumas mentes menos acostumadas com os rigores da ontologia geral, ou Filosofia Primeira, podemos entender como escapa obviamente ao domínio humano o poder de decretar que algo seja verdadeiro, de vez que a força da evidência torna o testemunho humano apenas um indicador de uma realidade transcendente a todo discurso possível. O papel humano não é o de produzir a verdade, mas de reconhecê-la e apontar para ela com maior ou menor eficiência. E faz parte desse recurso humano à investigação do império da Verdade que lhe é exterior e invencível, desnecessitada de defesa, a manutenção da liberdade de investigação e inquirição de tudo aquilo que não for universalmente considerado pacífico.

Assim, discute-se tudo o que é discutível, e o indiscutível não precisa ser defendido pela razão mesma –e exclusiva!– de que ninguém quer, ou consegue, fazer isso.

Mas quem segura a criatividade da nossa espécie para a propagação da mentira e para a perversão de todas as coisas?

Há “verdades” que são tão obviamente contestáveis, e diríamos que perigosamente contestáveis para determinados interesses de certos poderes, que precisam ser ridiculamente obrigadas por decretos humanos. A ousadia desse absurdo não precisaria ser explicada, é claro, mas aqui estamos nós, à beira do Fim do Mundo, tentando dar conta dos tempos em que vivemos.

Podemos usar como princípio elementar que qualquer verdade obrigatória por lei humana –e que fique claro que se trata de uma versão histórica da verdade, e não de um princípio moral necessário para a manutenção da ordem social– e cuja contestação incorra em punição, deve ser imediatamente considerada falsificável ainda mais do que o seria normalmente pelo método científico, justamente pelo agravante do uso do poder público para a sua proteção.

Quer fazer uma experiência para verificar que tipo de assunto entra nessa sistemática?

Experimente, por exemplo, gravar um vídeo no Youtube que verse claramente sobre quaisquer um desses temas:

  • Mudanças climáticas
  • Holocausto
  • Covid-19
  • Família Rothschild
  • Maçonaria
  • Atentados de 11/Setembro

Provavelmente você vai receber uma sinalização da plataforma indicando que há uma verdade estabelecida sobre o assunto, com a indicação, por exemplo, de um artigo no site Wikipedia.

Nosso dever de consciência é o de mantermos a mínima dignidade necessária à estatura da inteligência humana e recusar interiormente qualquer verdade imposta por vontade ou capricho de desejo de um grupo de interesses, qualquer que seja.

Reparem que não estou falando que esta ou aquela teoria da conspiração tenha embasamento real. Não é disso que se trata. Falo da absurdidade da proibição de um assunto como tema de investigação, pesquisa e entendimento.

O que honra realmente a Verdade na sua completude não é a sua imposição num molde acabado, mas a sua busca com a premissa de que ela nunca nos pertence completamente.

Vitória garantida: crie a Condenação e jogue os seus inimigos dentro dela

Como já disse várias vezes, a Arte da Guerra é a arte de mentir, de enganar o seu adversário, fazendo-o jogar o seu próprio jogo, onde a sua vitória é uma premissa do jogo todo, já que ele será disputado com as suas próprias regras que lhe darão toda a vantagem.

Este poder insidioso deveria ser considerado também, ou até principalmente, no cenário da guerra espiritual.

Uma prática que dá vitória garantida ao diabo é o de criar a certeza de uma Condenação, e depois jogar as almas humanas dentro dessa certeza, com o truque de forjar a aparência da verdade ou até da virtude naquele mesmo esquema onde mais tarde se revelará o truque.

Foi assim que o Cristianismo foi inventado pelo diabo, na forma das várias religiões cristãs que se espalham pelo mundo, trocando o objeto do culto espiritual verdadeiro, que é o Amor do Pai revelado pelo Filho, por objetos de idolatria e práticas condenáveis, como a adoração de imagens, santos, livros, relíquias, e a prática de sacrifícios de sangue, necromancia, magia na forma de sacramentos, etc.

Sei que tudo isso pode ser muito escandaloso, e peço a mim a proteção do Espírito Santo para que só uma alma madura persista na avaliação das coisas que escrevo e digo, contando para isso com a óbvia conveniência de que só me lê e me assiste quem quer, porque graças a Deus fui dispensado de qualquer falso papel de autoridade, ou da posse de um poder ilegítimo.

O ser humano nasce desde o Pecado Original, o Pacto Ouroboros, sob a Maldição e a Queda, e é criado em cativeiro sob a mentira do mundo, sendo tentado, assim, a considerar todas as coisas carnalmente.

Assim, o ser humano comum entende a sua relação com o Altíssimo, desconsiderado da pureza da sua santidade, como entende a relação entre um proprietário e um escravo, ou entre um negociante e um mercenário, comparando as coisas espirituais com as carnais com as quais foi condicionado a conviver desde que nasceu pelos seus pais. Também é deste modo que o ser humano aprende a ser idólatra, crente não só de relações de poder e troca, mas também de sinais e prodígios, menos disposto a ser afetado pela virtude e santidade das coisas de Deus do que pela impressão do sobrenatural.

Digo isso para que se entenda a realidade com o devido contexto, antes que caiamos na tentação de condenar o próximo que foi vendido como escravo ao diabo, sem chance de defesa senão a misericórdia divina da qual devemos ser os embaixadores neste mundo, se é que ousamos assumir a filiação adotiva do Pai em associação com Jesus Cristo como o Filho perfeito.

O que o diabo quer no fim das contas lhe será negado.

Porque não triunfará essa mentira toda, especialmente no caso dos cristãos que foram enganados pela invenção do Cristianismo, e isso pela intenção reta dos seus corações, que o Altíssimo experimentará infalivelmente.

Lembremos que por mais que a mentira tenha se insurgido no meio da veneração ao Deus verdadeiro, o testemunho legítimo da confiança no Amor de Deus nunca abandonou o seio da Igreja espiritual, o verdadeiro Corpo de Cristo. E isso porque o astuto inimigo do homem nunca foi capaz de produzir qualquer substituto da Verdade, dependendo sempre da parasitagem, o que o forçou a trabalhar a favor do plano divino para o esclarecimento daqueles fiéis que desejaram de fato a vida espiritual na Presença do seu Criador. É assim que todas as coisas serão justificadas no fim.

A vitória garantida no fim das contas se revelará uma derrota garantida: querendo corromper, perverter e subverter, o adversário apenas executou a providência divina que sempre odiou, servindo à força, para a sua maior humilhação.

Redenção vs. Normalização

Toda a perspectiva colaboracionista, de comprometimento e acordo com o espírito do mundo, deve ser entendida como componente do processo de Normalização dentro do Sistema da Besta, especialmente no desempenho da função do Bispo, como vemos, por exemplo, no papel das igrejas cristãs.

Qualquer Igreja Cristã verdadeira deveria ser em primeiro lugar isto mesmo: cristã.

O que isto quer dizer?

Cristão quer dizer Messiânico, a crença numa Unção especial designada para a Redenção de uma realidade decaída, desordenada, amaldiçoada e caótica.

Todo processo de Normalização vai no sentido contrário, o da justificação do estado caótico como derivação de um jusnaturalismo, isto é, de uma visão idólatra da natureza, de um naturalismo com sentido espiritual.

Ser cristão é o mesmo que ser Redencionista, crente numa Redenção, na consumação de um desígnio divino que implica na restauração do ideal criativo do Deus que ordena todas a coisas a sua finalidade ótima.

Deste modo entendemos, em confirmação com o que já pude explicar em A Coruscância a respeito do conservadorismo diabólico, que há uma perspectiva algo revolucionária na verdadeira visão cristã das coisas, embora esta revolução possa ser sempre pervertida ela mesma para uma finalidade equivocada, quando seu alvo é identificado fora da alma humana, ao invés de localizar seu objeto no interior do próprio ser humano.

Isto quer dizer que de todo modo a conservação do status quo sempre valida o Pacto Ouroboros com as suas consequências, ou seja, o governo de Satanás sobre este mundo, ao passo que a rejeição da traição contra o império de Deus não é inequívoca, sendo ambiguamente interpretável no sentido da revolução exterior do messianismo histórico, a reforma do mundo, ou no sentido da revolução interior do messianismo espiritual, a reforma do homem.

A ação de toda igreja “cristã” que serve apenas para a legitimação e normalização do governo do mal sobre o mundo é, assim, sempre equivocada, embora a solução de rompimento com esse estado de coisas não seja sempre inequívoca, conforme a exterioridade ou interioridade da ruptura com o Pacto Ouroboros se revele gnóstica e iniciática, com o objetivo de dominar o processo histórico na presunção da execução de um mandato divino (a origem das revoluções que implantam todo tipo de desordem no mundo, o alvo principal da iniciativa das defesas conservadoras), ou baseada na Humildade, com consciência e responsabilidade, com o objetivo de renunciar a todo poder que constitua traição ou usurpação contra a autoridade divina.