Top 6 diferenças entre a Vida Religiosa e a Vida Espiritual

Uma das maiores dificuldades –se não mesmo a maior de todas–, na apresentação da liberdade da vida espiritual do ponto de vista cristão, surge do conflito com a mentalidade religiosa que já capturou o imaginário das pessoas a respeito dos temas fundamentais.

Quando digo que o diabo inventou a religião, à parte de um mero desejo de causar algum espanto que gere uma reflexão, sou movido também por uma evidência muito forte de que o tema do sentido da vida humana foi totalmente dominado por uma visão institucional criada com a única finalidade de garantir que ninguém vai chegar a lugar nenhum, e que tudo continue mais ou menos como está.

É por isso que vale a pena analisar a questão com maior atenção, para chamar a atenção para estas diferenças, de modo que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que quando falamos de vida espiritual nós não estamos falando de vida religiosa, embora estas tenham evidentemente pontos de convergência, ao menos nos temas de que tratam.

  1. Exterior vs. Interior: A Vida Religiosa é voltada a um resultado exterior, ao mundo das aparências, dos gestos e palavras corretos, para produzir a imagem de correção de acordo com o código religioso. Já a Vida Espiritual é voltada a um resultado interior, ao mundo dos significados, da consciência e da responsabilidade, para produzir um resultado que agrade a Deus em fidelidade ao seu Amor. Essa diferença é destacada por exemplo em Jo 2:23-25: “Enquanto estava em Jerusalém, para a festa da Páscoa, vendo os sinais que fazia, muitos creram em seu nome. Mas Jesus não tinha confiança neles, porque os conhecia a todos e não necessitava de que lhe dessem testemunho sobre o homem, porque ele conhecia o que havia no homem.”
  2. Templos mortos vs. Templos vivos: A Vida Religiosa é realizada com foco em templos de pedra, em locais onde o culto a Deus é supostamente preferido, e onde a comunidade pode se reunir para reafirmar a sua unidade cultural. A Vida Espiritual é realizada com foco no templo de carne e sangue, o próprio corpo do fiel que leva para onde vai o seu culto a Deus, e dá o testemunho da sua experiência espiritual a quem for conveniente, não precisando da participação numa comunidade para viver plenamente a sua crença;
  3. Ritos próprios vs. Vida comum: A Vida Religiosa requer a prática de determinados ritos próprios que reafirmam o conteúdo da sua crença, de tal maneira que sem essa ação específica a realização do sentido da fé fica prejudicado. A Vida Espiritual implica na experiência imediata do sentido de toda e cada experiência humana diante do Criador, de modo que tudo ganha valor espiritual e a força da fé depende apenas de um comprometimento interior de conectar todas as coisas ao plano do sentido transcendente;
  4. Calendário de Festas vs. Cotidiano: A Vida Religiosa faz a contagem dos dias para separar alguns para a prática da memória do culto e dos ritos. A Vida Espiritual considera que todos os dias são igualmente vividos diante de Deus, e mais ainda, que o que o ser humano vive no seu cotidiano tem maior valor espiritual do que o que ele representa em momentos separados no qual pode fingir que não é a pessoa que é quando leva a sua vida de cada dia;
  5. Conferência vs. Mistério: A Vida Religiosa é estruturada de tal forma que permite a contínua conferência da correção do comportamento alheio, o que favorece o julgamento do próximo, assim como permite o fingimento da correção própria. A Vida Espiritual é eminentemente uma realidade diante de Deus que não pode ser verificada exteriormente, senão indiretamente pelos frutos das crenças que se mostram com o tempo, o que significa que no fim das contas somente Deus sabe qual é a realidade no coração de cada ser humano, e cada um está livre e impedido, ao mesmo tempo, de julgar o próximo e de fingir que possui valor espiritual;
  6. Salvação como Conclusão vs. Salvação como Premissa: A Vida Religiosa entende que o Amor de Deus não é garantido e a Salvação só decorre como conclusão de um processo que pode eventualmente falhar à revelia da intenção do religioso, ou seja, a Vida Religiosa busca um o sucesso do Amor como resultado. A Vida Espiritual entende que o Amor de Deus é garantido pela própria infalibilidade da bondade divina, e que a Salvação é uma premissa para o relacionamento com Deus, desde que a vontade genuína pela salvação é a única exigência para a garantia dessa realidade, ou seja, a Vida Espiritual busca a glorificação do Amor como resultado.

Vale a pena lembrar que uma pessoa que vive uma vida religiosa pode também viver uma vida espiritual, aliás, por definição isso é necessário, já que o sentido espiritual da vida humana não pode ser “desligado”, só pode ser esquecido.

Sempre que falamos de vida espiritual, ao menos do ponto de vista cristão, estamos tratando do que foi exposto aqui, à revelia ou até mesmo em oposição com o que se entende como vida religiosa.

Se não soubermos fazer essa separação estaremos sempre expostos à confusão demoníaca que quer obrigar cada nova geração a submeter sua liberdade espiritual de relacionamento com o Criador aos protocolos e sistemas institucionais que foram justamente criados para impedir a verdadeira consciência e responsabilidade humana.

Moradores de rua, tremei: o governo está vindo para lhes salvar

Certa vez um político, que eu não me lembro quem foi, disse assim: “se você acha que os nossos problemas são graves, espere até conhecer as nossas soluções.”

É uma visão realista da condição humana de autogoverno num mundo decaído e amaldiçoado, onde nunca há uma situação tão ruim que não possa ser piorada pelas melhores intenções dos mais altruístas seres humanos.

O amigo do blog, meu xará Rodrigo, mandou no Whatsapp a notícia do PL 1635/22 de autoria daquele senador boníssimo chamado Randolfe Rodrigues, que trata da criação do Estatuto da População em Situação de Rua.

Pediu-me um comentário. Li e eis a minha opinião: o governo faz tudo menos endereçar o problema real, até porque esta não é realmente a sua função, porém certamente pode agravar indiretamente as causas próximas do fenômeno que se propõe a combater, como veremos.

Tudo o que qualquer governo faz, em primeiríssimo lugar, é garantir a sua própria subsistência e o seu crescimento contínuo. Qualquer solução política se converte de um ideal em uma burocracia. A primeira coisa garantida com esta legislação não é realmente a defesa do interesse da população nominalmente apontada, mas sim do interesse da população realmente beneficiada de imediato, isto é, a burocracia estatal.

Eis que o fenômeno que mais empobrece as pessoas e as leva à situação da miséria extrema, falando economicamente, é a inflação.

E o maior causador de inflação é o governo que, incapaz de gerar riquezas reais, só sabe se endividar e imprimir dinheiro falso que empobrece a população mais humilde.

Isso é o mais perverso: quem diz amar é quem menos cuida das causas reais do dano do suposto amado.

Além dessa questão fundamental, podemos explorar algumas questões paralelas que possam interessar ao público em geral.

O §1º do Artigo 4º diz que “o Poder Executivo deverá, em situações de caráter emergencial e nas localidades onde houver carência de vagas em abrigos institucionais já existentes, firmar convênios com a rede hoteleira local para garantir a destinação imediata de quartos vagos para a população em situação de rua“.

Atentem para que o termo é DEVER, ou seja, por omissão uma autoridade poderia ser punida se não cumprir o que foi determinado. Mas como é que alguém pode ser obrigado a firmar um convênio com a rede hoteleira, sem que isso se converta em obrigação para que essa outra parte aceite os termos do governo? Ou esta Lei é inviável, ou ela indiretamente instituiu a OBRIGAÇÃO de entes privados de colaborar com o governo firmando convênios nos termos que lhes forem impostos. Esse é o nível do nosso Legislativo: ou é incompetente, ou é insidioso.

O Artigo 5º fala dos princípios do Estatuto, entre os quais nomeia em seu item III: “direito à convivência familiar e comunitária“.

Ora, que eu saiba a todo direito corresponde uma obrigação. Quem tem a obrigação de oferecer a convivência familiar e comunitária aos moradores de rua, entre os quais existem, lembremos, elementos que livremente decidiram ter um estilo de vida antissocial? Acho que o senador que escreveu esta Lei deveria nos dar o exemplo e atender ao direito que propõe a toda e qualquer pessoa em situação de rua, e isso por tempo suficiente para que estejamos convencidos da sua elevadíssima intenção moral.

No item XI do Artigo 6º (diretrizes do Estatuto) propõe-se: “zerar a demanda por moradia e atendimento especializado para a população em situação de rua“. Como é que se vai zerar essa demanda? O governo vai mesmo garantir que todas as pessoas tenham abrigo no país? Quer dizer que se eu voluntariamente decidir não participar da economia e perder minha moradia, aqueles que produzem a riqueza são obrigados a garantir que eu tenha abrigo? Se isso for assim, até que ponto o senador autor entende que tal medida é sustentável? Mais adiante o item XXII do Artigo 7º se diz que incumbe ao governo “garantir o acesso à alimentação gratuita pela população […] assegurando-se, no mínimo, três refeições diárias […] que respeitem as demandas individuais de saúde“. Pois bem, um adulto requer umas 2 mil calorias por dia para sobreviver. O governo vai garantir isso em todos os casos? E novamente: até que ponto isso é sustentável?

O item XII do mesmo Artigo 6º propõe a “vedação da remoção e do transporte compulsório“. Então deixe-me entender: se eu for morador de rua e decidir morar exatamente na porta da casa do senador, ou na porta do Senado Federal, ninguém pode encostar a mão em mim e me deslocar para outro local? Somente eu posso sair dali, se quiser e quando quiser? É isso?

No item III do Artigo 7º se diz que incumbirá ao Poder Público: “instituir a contagem da população em situação de rua em censo oficial“. Este ponto é muito reforçado ao longo do documento, como nos itens XVII e XXXIII do mesmo artigo, e depois também nos Artigos 29º e 32º, inclusive com a menção de imigrantes e pessoas residentes em “ocupações consolidadas ou não-consolidadas” (sic). Minha pergunta é: quem não deseja ser contado é obrigado a ser contado e, principalmente, cadastrado? Um ser humano não pode objetar-se a participar da sociedade, por exemplo, ou ao menos de uma determinada política pública?

Escatologicamente, nós sabemos muito bem que é preciso inserir todos os seres humanos do planeta num sistema, antes de tornar esse sistema compulsório e vinculado a um determinado conjunto de princípios e valores, como garantia da integração das massas ao Sistema da Besta.

No item XXVII do mesmo artigo se diz que o governo deve “providenciar roupas de inverno, cobertores e alimentos quentes aos cidadãos em situação de rua que não possuam interesse em utilizar os serviços de acolhimento institucional“. Muito bem. Se é garantido o interesse individual de não usufruir de um serviço público, não deve o mesmo indivíduo ter o direito de não ser contado e cadastrado pelo governo, mesmo que isso signifique a sua exclusão voluntária dos serviço social? Se o interesse de não participação é reconhecido e protegido numa instância, não poderia ser em outras?

Mais adiante, nos itens III e IV do Artigo 15º, que tratam do financiamento do Fundo Nacional da População em Situação de Rua, menciona-se: “contribuições dos governos e organismos estrangeiros e internacionais” (III) e “o resultado de aplicações de governos e organismos estrangeiros e internacionais” (IV). Isto quer dizer que com a justificação de ajuda humanitária, por exemplo, agentes internacionais podem interferir em políticas públicas nacionais, como, por exemplo, o censo da população de rua, financiando sistemas de cadastro e atendimento. A bom entendedor meia palavra basta.

No item VI do Artigo 17º, que trata das atribuições do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (!), temos o protesto contra a injustiça na melhor linguagem socialista da nossa elite ilustrada: “instituir grupos de trabalho temáticos, em especial para discutir as desvantagens sociais a que a população em situação de rua foi SUBMETIDA historicamente no Brasil e analisar formas para sua inclusão e compensação social“. Se isto está na Lei, o senador e a sua tropa devem justificar o termo. Se esta população foi submetida a esta situação, que se diga por quem o foi, comprovadamente e acima de qualquer dúvida, para que se possa validar tal alegação. Ironicamente eu posso responder, mas não do jeito que os supostos protetores dos necessitados imaginam.

Na justificativa da Lei, diz-se que “com a pandemia da Covid-19, houve um aumento expressivo no tamanho da população de rua“. Está errado. O certo é dizer que com as políticas públicas de lockdown e isolamento social, de responsabilidade das autoridades públicas, as quais não eram de forma nenhuma mandatórias por autoridade superior que se responsabilizasse, e que foram arbitrariamente decididas, houve um aumento no tamanho da população de rua, além do gasto público imenso que levou ao cenário inflacionário que também contribuiu com a pobreza da população. Lembremos: países diferentes agiram de forma diferente com a questão. Cada autoridade que promoveu a idéia do fechamento da economia é diretamente responsável por sua decisão. Não tem essa de culpar essa muito conveniente abstração chamada “pandemia”, como se essa fosse a culpada por alguma coisa.

Avançando na justificativa da Lei, lemos que “de acordo com o Padre Júlio Lancelloti, da Pastoral do Povo de Rua, a crise econômica se agravou, o desemprego disparou, a inflação subiu e, nesse período, a política pública para essa população continuou a mesma“.

É verdade, seu padre. Mas também continuaram na mesma o gasto público excessivo que gera a inflação que joga os pobres na rua, para não falar do Pacto Ouroboros que força as pessoas a nascerem sob a maldição deste mundo. O senhor padre e a sua igreja já fizeram a sua parte para conscientizar as autoridades e o público em geral a respeito, ou preferem, como os governos, que o problema continue e piore indefinidamente, de modo que suas respectivas ocupações estejam garantidas?

Por fim se fala da criminalização da “aporofobia”, que é basicamente o medo de pobre. Este é um neologismo cunhado por uma filósofa chamada Adela Cortina. Não tenho problemas com neologismos. Mas é necessário criminalizar medos, quando as ações de violência e agressão de todos os modos já são tipificados no Código Penal? Gostaria que a filósofa explicasse o sentido de se classificar um medo humano como crime. Aliás, mesmo a criminalização do ódio requer explicação, se você pensar bem, friamente, desde que se faça a distinção entre o que é o ódio como sentimento que é propriedade da instância individual da consciência humana, e o que é uma ação ou manifestação gerada a partir do ódio.

Em suma, me parece que além do lixo de sempre, que é o aumento da burocracia e a disseminação da guerra de classes, a idéia do governo é cadastrar toda a população no seu sistema.

Falando dos fatos, a causa remota mais poderosa que produz a situação dos moradores de rua é o Pecado Original, o Pacto Ouroboros. Quem se abstém de participar desse primeiro crime dispensa todos os seus possíveis descendentes de viver neste tipo de situação. Essa é a solução mais poderosa, sempre: a imitação de Cristo.

Por que os socialistas e padres, tão interessados no combate à pobreza e à miséria, não divulgam a libertação da descendência como idéia cristã e humanitária? Porque não podem, porque fazem parte da escravidão das futuras gerações aos seus próprios interesses políticos e religiosos.

Essa é a questão.

As causas mais próximas que produzem a situação dos moradores de rua são as econômicas, onde o governo ajudaria muito se não sobrecarregasse a população mais carente com o abusivo imposto inflacionário, além de questões diversas como: acidentes, doenças mentais, abuso de álcool e/ou drogas, e desentendimentos familiares, principalmente separação de casais e abandono de menores.

Até onde eu sei, por já ter pesquisado algo do assunto antes, o que o morador de rua mais precisa, além de abrigo obviamente, é dinheiro (mais do que comida), segurança para manter sua propriedade privada, e acesso roupas limpas e secas, principalmente meias.

Imagino que se o governo quisesse mesmo ajudar a esta população, ao invés de criar soluções inchadas e impossíveis, poderia atacar essas questões específicas com o financiamento da iniciativa privada.

Mas quem sou eu diante da intelligentsia nacional?

As diferenças entre o Demiurgo e o Ouroboros

Há um engano comum no entendimento do sentido do que expliquei a respeito da Vida Espiritual, tanto com a Monadofilia quanto com A Coruscância, que é a de que minhas idéias são fundamentalmente gnósticas.

É fácil refutar isso desde que se reconheça que o Gnosticismo como culto requer a presença de dois elementos fundamentais na sua doutrina que são totalmente refutados na minha visão espiritual:

1) a identificação da manifestação material/corporal como um decaimento da substância espiritual;

2) que o mundo material foi gerado por uma entidade com poderes criativos chamado Demiurgo.

Mas é possível forçar uma comparação entre as figuras do Demiurgo gnóstico e do Ouroboros na minha exposição, de modo que nos convém agora fazer uma avaliação das diferenças entre essas duas figuras.

DemiurgoOuroboros
Criado através de um erro espiritualCriado impecavelmente, erra por iniciativa própria
Tem poderes criativosNão cria nada, apenas corrompe e perverte
Se opõe ao governo do Deus verdadeiro, com o poder de separar as criaturas livres do verdadeiro CriadorSe opõe ao governo do Deus verdadeiro, mas sem o poder de separar as criaturas livres do verdadeiro Criador
Corrompe a Criação num processo alheio à vontade dos entes livresCorrompe a Criação num processo dependente da vontade dos entes livres
Gera um mundo material corrompido por essência (decaimento da substância espiritual)Corrompe um mundo material criado impecavelmente pelo Deus verdadeiro
É enfrentado pela salvação através da Gnose que revela a verdade escondidaÉ enfrentado pela rejeição do mal na experiência responsável e consciente da vida

Uma definição provisória, mas necessária, de Mônada

Independentemente do que se possa entender por Mônada em Leibniz, que certamente me influenciou muito, convém trabalhar numa definição que se faz necessária ao esclarecimento da minha Monadofilia, embora esta deva ser obrigatoriamente provisória. Não tenho condições de sustentar verdades definitivas na minha pequenez. Deste modo, o que chamo de “definição” pode não passar de “ensaio de definição”.

Mas vamos lá, qual seria a tal definição, ou esboço de?

Mônada é uma unidade espiritual, metafísica e ontológica, capaz de ser tanto sujeito quanto objeto da experiência do amor.

Amor, como já defini antes, é o desejo que o amante tem pelo bem do amado.

Uma das maiores complicações na ontologia geral é a derivação do físico a partir do metafísico, já que isso requer uma certa decadência da contemplação do simples ao raciocínio do complexo. É assim que à influência de Leibniz preciso somar a de um Plotino, voltando ao fundamento dos princípios da razão suficiente, que é um ato contemplativo que pode ser vivido, mas não explicado. Disso não se deveria considerar que o idealismo é irracional, mas, antes, que ele é racional num nível que não nos pertence, que é o do próprio Logos divino. É muito abuso, ou pretensão, supor que o que escapa da razão humana é irracional.

Digo isso para que fique claro que considero as filosofias das evidências, demonstrações e raciocínios inferior à Filosofia como modo de honrar a Verdade no que ela tem de mais divino: sua inefabilidade e transcendência, um reflexo de Deus como Abscôndito, Inalcançável. E é por essa razão que não me importo em trabalhar o sentido de Mônada no meu próprio sistema com a composição dos corpos, por exemplo. Aliás, não alcançou já a Física moderna um tal nível de sofisticação que mostrou a fraqueza desse tipo de idéia?

Em torno do bom e velho conceito de substância, e entendendo o mundo desde um ponto de vista espiritual, o que me importou foi localizar os seres na sua relação bem definida com o Criador e entre si, desde o ideal do Bem. E esses foram localizados, no meu ponto de vista, como essas substâncias irredutíveis da experiência do amor como amados e amantes, sempre com vistas ao Bem como causa final e suprema de todas as coisas.

A derivação de uma manifestação material a partir de qualquer mônada é tão imediata e espontânea como é o reflexo de uma imagem num espelho. A causalidade eficiente que gera tal manifestação pode ser complexa o quanto for, e entreter a mente humana indefinidamente, mas isso se dá de forma totalmente alheia ao processo fundamental que ordena todos os seres a uma destinação excelente definida pela natureza amorosa de Deus.

É por isso que esse tipo de filosofia naturalista é uma prática inferior e mais ou menos dispensável para a humanidade, a não ser que seja um hobby para alguém que goste de pensar nessas coisas.

Assim como Deus é a Luz da luz, a origem não material da matéria-prima, ou melhor, supramaterial, ou metamaterial, também toda mônada é capaz de uma criatividade ad nihil a partir da concessão amorosa da potência divina.

Uma linha pode ser uma extensão formada por pontos não extensos porque a unidade é a forma do ser. Estranho seria qualquer coisa ser formada por uma substância que não fosse nada ela mesma. Sem a Unidade não há Multiplicidade. O mundo das extensões puras não criadas, ou seja, não derivadas do arbítrio divino, é um mundo impossível. É da Unidade primordial de Deus que derivam todos os seres contingentes, e da Mônada suprema incriada que derivam todas as mônadas criadas, das quais deriva toda a realidade extensa possível em consequência.

101 – O mistério das duas torres: O Portal do Inferno

Logo no começo daquele filme cheio de esoterismos iniciáticos, Matrix, encontramos um número comum no ocultismo na porta do apartamento de Neo, o neófito da história: 101.

Não por um acaso, o passaporte de Neo vence em 11/09/2001, como que dizendo que haverá uma nova passagem nesta data, e de fato pode-se dizer que a humanidade passou pelas duas torres que caíram em direção a um novo mundo no novo milênio.

Pode-se encontrar a referência ao número 101, ou alternativamente, e mais frequentemente, ao simbolismo das duas torres, em várias outras produções culturais de várias épocas. O que nos falta é o sentido profundo e simples desse símbolo, que só pode ser compreendido com o entendimento do seu fundamento real.

A iniciação do ser humano no mal se realiza com a sua encarnação neste mundo amaldiçoado. Por outros meios temos essa mesma noção, como quando verificamos aquele simbolismo do hexagrama com o Ouroboros que representa a união do masculino com o feminino como base de poder para a Serpente do Mundo, reabastecendo este plano de existência com almas novas. Exemplos abaixo:

Uma alma humana é iniciada no mal ao encarnar por um nascimento forçado, invocado por duas outras almas humanas que se juntaram para essa finalidade (por omissão ou comissão, mas de qualquer modo irresponsavelmente).

O número 101 ou o símbolo das duas torres representa a mesma coisa, desde que se entenda que as duas colunas representam a entrada, como um portal, por onde uma alma inocente vai transitar e passar do estado de Graça para o de Queda. Pai e Mãe, masculino e feminino, Sol e Lua, Yin e Yang, formam as duas colunas desse portal.

Podemos afirmar sem sobressaltos que este é um Portal do Inferno desde que os seres que habitam numa dimensão inferior precisam da realização desse ritual para a sua subsistência, como um parasita precisa da existência e da permanência de um hospedeiro à sua disposição. E é pela sugestão, influência e possessão desses seres infernais que o mal entra no mundo através da manipulação do livre-arbítrio humano.

Em suma: cada alma encarnada passa por esse portal e se torna ela mesma, consequentemente, um portal para a realização das potências ínferas que por si seriam incapazes de afetar essa dimensão superior, não fosse pela anuência dessas almas encarnadas num mundo que é amaldiçoado e dominado pelo Sistema da Besta. O que dá poder à Serpente do Mundo é o sacrifício humano contínuo das gerações dos filhos de Adão e Eva.

O mistério das duas torres, do 101, não é um mistério quando se tem a referência da perfeição da pureza do Amor divino que não requereria jamais a experiência do Mal para o exercício da liberdade, ou seja, a Queda é sempre uma escolha humana.

Ameaça ou esperança? O teste do inquilinato espiritual no Fim do Mundo

Gosto de soltar frases perigosas por aí, com o deleite de fazer uma provocação aliada a um testemunho verdadeiro.

Uma delas é:

“Amo o ser humano no varejo, mas odeio no atacado. Gosto de pessoas, mas detesto gente.”

Outra, mais relacionada com o nosso tema aqui, é a seguinte:

“Meu problema não é que o mundo acabe. É que ele continue, comigo dentro dele.”

Qualquer exilado espiritual que se sinta suficientemente despertencido vai desejar a mesma coisa, principalmente se confiar numa Providência transcendente que lhe garanta a confiança numa existência alheia à presente. O repouso na esperança em Deus deve chegar a tal ponto que toda a nossa vida atual possa ser considerada uma mera experiência passageira, de modo que tudo o que é desagradável se torna mais tolerável (Paixão), e tudo o que é desejável se torna mais resistível (Louvor). Somos como hóspedes temporários neste mundo. E, nesse espírito, não só a hipótese do Fim do Mundo se torna aceitável, como é algo francamente desejável na proporção da força do chamado daquela esperança. Este é um teste do nosso inquilinato espiritual: a possibilidade do fim de todas essas coisas é algo que nos soa como uma ameaça, ou como uma promessa?

Os moradores da Terra se identificam com ela. Não confiam muito em qualquer possibilidade que esteja para além. A aposta numa esperança que supere esta realidade parece ser algo muito arriscado. Ou até mesmo um tipo de loucura. Na idolatria das coisas presentes, não temem desprezar as ausentes. Ignorantes de sua própria dignidade espiritual, e do tamanho da herança que se lhes é oferecida, não imaginam como viveriam em maior liberdade e leveza se simplesmente confiassem num Amor superior que lhes deseja salvar. Preferem fazer todo tipo de acordo, concessão, compromisso, pacto ou tratado para tornar a sua vida aqui e agora o alvo de todos os seus anseios.

Os inquilinos, já acostumados com que a loucura do mundo julgue como louca a sabedoria fundada na pureza mais perfeita do Amor divino, longe de temerem o Fim do Mundo, anseiam por ele. E o mesmo decreto que estabeleceu a morte dos corpos produzidos em desobediência, o que aterroriza os moradores, é uma realidade aceita como verdadeira consolação divina, como um ato de Misericórdia, pelos inquilinos.

Inquilinos estes para quem muito mais próxima do que aquele evento único está a própria extinção de suas carcaças mortais, completando o ato de generosidade do Criador para com os seus amantes o fato de que este mundo sempre acaba para quem nele morre.

O dever moral dos líderes cristãos na questão da guerra na Palestina

Vamos partir da premissa elementar de que todas as lideranças religiosas servem ao diabo, no papel de Bispo no Sistema da Besta, para legitimar a usurpação contra o governo divino e no incentivo da perpetuação do Pacto Ouroboros.

Segunda premissa da nossa análise: tatu não sobe em toco. Se o tatu está em cima do toco, alguém colocou ele lá. Quer dizer: Deus, o Criador de todas as coisas, não produziu essa situação hedionda que se vê. Foram os seres humanos que se colocaram nisso.

Terceira premissa: como a natureza profunda de todos os problemas humanos é a vida espiritual, e esta é um fenômeno individual, a única solução verdadeira é individual, a saber, a renúncia voluntária a todo tipo de poder não ditado por deveres de estado circunstanciais. Não existem soluções coletivas, políticas, para problemas fundados na traição individual de cada ser humano. Vivemos no meio da manifestação do encontro de cadeias complexas de ação e consequência, mas no fim das contas só temos a mesma realidade fundamental que deve ser vivida individualmente, com consciência e responsabilidade individual.

Dito isso, quando vemos a questão da guerra atual na região da Palestina entre Israel e o Hamas, podemos nos questionar sobre qual é o dever moral dos líderes cristãos nessa questão, ou seja, qual seria a indicação da solução do problema do ponto de vista dos seguidores de Jesus Cristo.

Tenham em mente, levando em conta a nossa premissa inicial, que não estamos falando dos office-boys do inferno, como o Papa ou os Bispos da religião católica, os Patriarcas Ortodoxos, ou dos ditos pastores e guias do rebanho evangélico. Quem é cristão confia e segue a Jesus Cristo, que mandou não chamar a ninguém de mestre, nem de pai, e nem de guia.

Se existisse uma liderança assim, o que ela diria a respeito desta situação toda que estamos vivendo hoje no Oriente Médio?

  1. Que um judeu, como qualquer outro ser humano que tenha qualquer outra religião, pode participar de uma nacionalidade qualquer como, por exemplo, os cristãos e os muçulmanos fazem, preservando a sua cultura religiosa dentro dessa coexistência pacífica;
  2. Que a opção Sionista, como solução de sobrevivência, se baseia na instrução de rabinos messiânicos que alarmam seus seguidores com os perigos da assimilação, o que obviamente incentiva a discórdia, o anti-semitismo e a perseguição nos países de origem;
  3. Que a mesma opção, ao justificar a fundação do Estado de Israel, propõe resolver um problema que ela mesma criou gerando um outro pior ainda, porque a Palestina já existia como realidade política dentro da qual poderia haver coexistência pacífica entre todos os credos, ordem essa rompida com a solução Sionista;
  4. Que a opção Sionista, representando uma segregação com base na presunção da eleição divina, vai gerar os resultados negativos que devem ser aceitos como consequência inevitável da discordância com o ponto de vista dos outros povos do mundo, em especial do povo Palestino e dos Árabes em geral;
  5. Que individualmente cada judeu é convidado a aceitação de Jesus Cristo como o verdadeiro messias, o que significa a liberação imediata desse condicionamento religioso e político que leva à guerra, convite este que por sinal é estendido aos muçulmanos que podem individualmente receber a mensagem da libertação de toda escravidão, e deixar para trás as obsessões de suas próprias lideranças religiosas e políticas;
  6. Que cada judeu, assim como cada muçulmano e cada cristão, pode verificar a maior conveniência da renúncia ao Pacto Ouroboros, impedindo a continuidade do sacrifício humano (o maldito cálculo das “perdas” na guerra) pela renúncia à geração tanto das vítimas quanto dos algozes da guerra.

É óbvio que se existir uma liderança cristã que aponte para esses tópicos, sua mensagem estará inevitavelmente soterrada pela violência da autojustificação religiosa e política que só quer a falsa justiça da continuidade do ódio, da vingança, do assassinato e da destruição.

De qualquer modo, é um dever moral fazer estes apontamentos, mesmo que seja para o desprezo de toda uma humanidade empenhada em seus próprios planos. Ser ignorado é uma prerrogativa a quem quer que queira imitar o amor à verdade dos Profetas, para não falar do próprio Jesus Cristo.

Uma visão cristã do Antinatalismo

Já falei tudo o que precisava ser dito para esclarecer a questão do Antinatalismo na última edição de meu último livro (A Coruscância, 3ª Edição, que terminou com um capítulo chamado “Contra o Antinatalismo”), mas convém distribuir uma breve visão cristã do assunto também por outros meios.

Em suma o Antinatalismo é a crença de que a procriação humana é moralmente condenável. A partir dessa base comum, várias linhas de pensamento se desenvolveram. Para termos uma visão cristã do Antinatalismo, convém primeiro explorar essas várias linhas de pensamento, representadas pelo esquema abaixo:

  1. Natalismo: A crença de que os seres humanos têm o direito natural de se reproduzir;
  2. Antinatalismo Utilitarista Marginal: A crença de que os seres humanos não têm o direito de se reproduzir porque a ausência de um benefício é melhor do que a presença de um malefício (argumento de Benatar), de modo que nenhuma existência é melhor do que uma existência que contenha malefícios. Esta linha de pensamento também explora malefícios para além da experiência humana imediata, como o colapso do funcionamento da sociedade, a mudança climática supostamente provocada pelo homem, o vegetarianismo, o ambientalismo, e o protesto geral contra guerras, pandemias e a fome;
  3. Antinatalismo Moral Absolutista: A crença de que os seres humanos não têm o direito de se reproduzir porque esta ação nunca é moralmente justificável sob nenhum ponto de vista, representando sempre apenas o interesse próprio dos procriadores. É a visão de que todo nascimento é um ato de violência, um fait accompli, uma decisão feita à total revelia do interesse da pessoa não concebida. Também afirma a total desproporcionalidade dos poderes de, por um lado, gerar uma vida cheia de necessidades e, por outro lado, não conseguir garantir de nenhuma forma a satisfação dessas necessidades. Por fim, esta visão consegue identificar na procriação humana a origem de todos os males, aproximando-se da visão espiritual do Pecado Original;
  4. Antinatalismo Evolucionário: A crença de que os seres humanos não devem se reproduzir conforme alcancem o ponto da sua evolução natural onde o grau da sua senciência lhes esclarece o dever da abstenção. O Antinatalismo seria, assim, uma realidade inevitável da evolução da senciência em qualquer cenário possível. Esta hipótese resolve o Paradoxo de Fermi, explicando que outras civilizações alienígenas não são observáveis porque elas não subsistiram, já que a partir do momento em que fosse viável o progresso material que permitiria o transporte ou a comunicação interestelar, ao mesmo tempo seria viável também o progresso moral que indicaria a conveniência da abstenção da procriação. Os aliens não aparecem porque eles estão todos mortos. Esta é a mesma linha de pensamento que indica que qualquer civilização senciente evolui para um terceiro estágio (depois dos dois primeiros de sobrevivência e sustentabilidade) que é o da escolha pela extinção voluntária;
  5. Antinatalismo Transcendental: A crença de que os seres humanos não devem procriar porque isso vai contra o desígnio divino do Criador de todas as coisas. A procriação humana é uma usurpação do direito divino de criar. É o Pecado Original no mito de Adão e Eva, o próprio Pacto Ouroboros. Esta linha de crença afirma que o ser humano carrega o fardo da Antropodicéia, a justificação da humanidade por si mesma (argumento de Cabrera), a qual jamais consegue dar conta senão por um ato de arbitrariedade sem base. Este Antinatalismo pode ser considerado o mais infalível se partir da hipótese do Omniverso, ou seja, de que Deus poderia criar todas as almas humanas dispensadas de nascer neste mundo em particular, o que elimina quaisquer resquícios não egoístas da crença Natalista (este argumento, na verdade, é invencível, partindo da inquestionável bondade divina como premissa, junto com a onipotência);
  6. Antinatalismo Final: A crença que eu mesmo desenvolvi com as noções de Monadofilia e Coruscância, entendendo que a nossa função espiritual é a da crença no Amor, de que nenhuma mônada deve possuir poder arbitrário sobre outra, e de que os Calaquendi experimentarão a solução da ânsia da vida no momento da sua realização eterna, pelos meios da Providência divina entre os quais está a produção dos Periannath, esposos e esposas legítimos, assim como filhos e filhas também legítimos, gerados em total comunhão com a pureza do Amor divino. Esta era a crença que eu tinha até antes da conclusão de que a liberdade humana deve ser preservada custe o que custar, dentro da confiança no plano divino. Alguns seres humanos simplesmente devem passar por certas experiência de vida para aceitar melhor o Amor divino no fim.

Entendendo todas essas linhas de argumentação em favor do Antinatalismo, a visão cristã do tema deve concluir pela condenação dessa idéia, por ser uma crença que tem razões, mas não tem razão: acerta na condenação da pretensão humana, mas erra na condenação da liberdade humana de agir pretensiosamente. Há uma razão espiritual para que neste mundo em particular as pessoas tenham esse poder de procriar como forma de realizar plenamente a sua liberdade, uma necessidade para a consecução do plano divino de salvação. Para maiores detalhes, recomendo a leitura do capítulo no qual trato deste assunto em particular.

As três eras da libertação cristã em direção à destruição do Ouroboros

Em uma linha totalmente independente e na verdade diretamente contrária à moralidade conservadora das religiões, a moralidade cristã verdadeira, baseada num discernimento espiritual que favorece a consciência e a responsabilidade individual, leva a uma constante e progressiva libertação do ser humano por si mesmo.

Para entender este processo é preciso distinguir claramente entre o que é a moralidade religiosa, e o que é a moralidade espiritual.

A primeira é formada por uma tradição cuja função principal é a preservação do status quo, ou seja, é uma moralidade fundada na continuidade de todo o esquema de poder, e contra qualquer libertação que perturbe essa realidade.

A segunda é formada por um discernimento espiritual através do qual o Espírito Santo esclarece a supremacia do Amor e a necessidade do jubileu moral, da libertação de toda servidão através da renúncia ao Poder de todos os modos não determinados pela Providência divina através das circunstâncias históricas.

Isto quer dizer que a libertação cristã verdadeira é uma ação divina que faz uso da consciência humana para levar as pessoas que são amigas de Deus a uma solução contra a escravidão criada pelos atos ancestrais de usurpação contra o Amor divino. É a rejeição da tradição e das justificativas dos costumes de opressão das vítimas dos vários esquemas de poder instalados neste mundo decaído.

Podemos identificar, dentro deste processo como um todo, ao menos três grandes eras de libertação do ser humano:

  1. Libertação dos Escravos: Era da emancipação dos servos tratados como posse material de seus proprietários, de modo que possam vender seus serviços conforme desejarem, algo que não diminui a escravidão da Maldição, mas retira ou atenua uma escravidão adicional do Poder humano;
  2. Libertação das Mulheres: Era de emancipação das mulheres, principalmente de seus papéis de esposas e mães, de modo que possam escolher o seu destino com maior autonomia, inclusive o dos papéis familiares se desejarem, mas sem que sejam forçadas a nada e sem que sejam diminuídas caso escolham viver alheias ao que é tradicionalmente esperado delas (vivemos no começo desta era);
  3. Libertação dos Filhos: Era de emancipação dos filhos pelo reconhecimento do direitos dos não concebidos de serem poupados do nascimento em condições amaldiçoadas, e de serem criados por uma autoridade legítima em circunstâncias adequadas ao que merecem.

É claro que o Ouroboros, a Antiga Serpente do Mundo, não deseja perder seu poder, e pretende lutar contra o processo de libertação do ser humano, especialmente contra a última era, a da liberação da descendência.

Isso pode ser feito com desculpas humanitárias, em nome da defesa da espécie humana, ou algo assim, com a proposta de uma solução estatal, como por exemplo a criação de seres humanos por um sistema que colete o DNA da população com essa finalidade de engenharia genética e social, como sugerido por Huxley em Admirável Mundo Novo. Mas este já é outro assunto para outro dia.

Porque a negação de Jesus como Filho de Deus é idolatria

Já falamos, múltiplas vezes, da pena de morte por decapitação para todos os cristãos que reafirmarem a divindade de Jesus como Filho de Deus como punição pela desobediência à primeira das Leis de Noé (Noahide Laws) a serem implantadas durante o período da Grande Tribulação.

Mas a consciência do cristão deve estar tranquila com relação a sua própria crença, não movida por uma obediência a uma programação externa, como é o caso dos religiosos que perseguirão os cristãos espirituais a mando dos seus líderes, mas por uma convicção interior. No intuito de esclarecer a razão dessa convicção, convém entender porque a realidade espiritual vai na direção contrária ao suposto motivo que justificaria a perseguição dos cristãos na aplicação das Leis de Noé.

A verdade é que a negação de Jesus como Filho de Deus é a verdadeira idolatria, pela simples razão de que o nosso Deus, revelado como o puro e supremo Amor, não pode ser quem Ele é, íntegro e perfeito, se não realizar a sua natureza em Si Mesmo, ou seja, se depender de uma Criação exterior para ser um amante verdadeiro.

Isto quer dizer que o “deus” que não é Pai e Filho não é amante e amado em si mesmo, de modo que o seu relacionamento com a criação não é gratuito e analógico ao relacionamento entre o Pai e o Filho, mas uma necessidade para que pudesse ser amante de fato. Ora, o “deus” que precisa criar algo exterior para ser deus não é deus de fato, pois não tem uma essência absoluta, somente relativa (é somente um “deus” perante uma criatura que o reconheça como tal neste relacionamento). Assim, o “deus” que precisa de uma criação para ser deus plenamente não tem em si a verdadeira substância divina do Deus que é sempre suficiente em sua natureza interior, e portanto é sempre um falso deus, um ídolo.

Quando Jesus revelou o Pai como Amor, revelou-se a si mesmo como o Filho que satisfez eternamente a natureza amorosa de Deus.

As Pessoas divinas do Pai e do Filho não negam a unidade de Deus, ao contrário, reafirmam essa unidade, desde que para ser apenas Um e Absoluto, Deus experimenta a realidade de ser amante e amado eternamente em Si Mesmo de modo perfeito, totalmente independente de qualquer ato criativo no tempo, ato este que sempre é gratuito e analógico ao Amor perfeito que Deus realiza eternamente em sua própria essência divina.

Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir compreenderá esta mensagem. Através de Jesus Cristo nós adoramos ao Deus verdadeiro.

Por isso Jesus é O Caminho.

Por isso o Pai disse: “Eis meu Filho, em quem tenho prazer“, e o Filho disse: “Ninguém vai ao Pai senão por mim.”

É um testemunho do Amor verdadeiro que o Eterno realiza em Si Mesmo, e do qual provém todo gesto amoroso a toda criatura.

É evidente que isso tudo não muda o relacionamento do cristão com os seus irmãos menos esclarecidos.

Judeus e muçulmanos podem querer arrancar as nossas cabeças porque nisso darão o testemunho da sua filiação espiritual.

Nós não pediremos por nenhum ato de violência, ao contrário, incentivaremos a consciência e a responsabilidade, o perdão e a misericórdia, dando testemunho da nossa própria filiação espiritual.

E pelos frutos todos conhecerão a árvore.