Continuemos o estudo, com a leitura e comentário de mais uma citação de O Descortinar da Alta Magia, de Daniel Mastral:

Aqui já estamos no pleno domínio da Abominação que confunde as coisas de Deus com as coisas dos homens e dos demônios. Façamos os esclarecimentos necessários, aproveitando a ocasião para destacar a distinção da santidade de Deus perante a miséria das criaturas, especialmente a das que são desobedientes.
Para começar, Deus não justifica os meios pelos fins, em nenhum momento, e esta crença é indigna do Criador. O que existe, da parte da criatura, é a confusão entre a sua própria ignorância da excelência da Obra divina, mesmo na escolha dos meios, e uma suposta arbitrariedade que violasse a integridade da Justiça divina.
Em segundo lugar, a morte não pode ser um “mal necessário”, desde que está escrito, por exemplo, que “Eu não tenho prazer na morte de quem quer que seja“, e também que “o salário do pecado é a morte“, etc. A aceitação da morte como parte de uma natureza compõe a cultura de normalização da mistura de luz e trevas, exatamente o oposto do Discernimento e da Obra de Separação. Foram as decisões dos nossos antepassados, e as da nossa raça até hoje, que causaram e continuam causando a morte. Apenas por um aspecto isto já fica claro: quem não reproduz o Pecado Original, isto é, o Pacto Ouroboros, não contribui para a perpetuação da morte.
Em terceiro lugar, Bem e Mal não são relativos, os nossos conhecimentos do Bem e do Mal é que são relativos à limitação da nossa forma substancial, isto é, não podemos conhecer a verdade plena como só Deus pode. Por isso às vezes as coisas parecem ser de um modo agora, ou de outro modo noutro momento, ou para uma pessoa e então para a outra, etc.
Em quarto lugar, o Mal não foi criado por Deus, a Liberdade é que foi criada e, para que ela fosse real, a possibilidade do Mal sempre teve de ser igualmente real, como mera potência, para a efetividade da liberdade dos contingentes.
Em quinto lugar, todo o resto do argumento, baseado num raciocínio de causalidade eficiente, já é uma redução das qualidades formais e teleológicas que constituem o valor espiritual da liberdade humana, e sendo assim é completamente desprezível. Pode-se afirmar que os espíritos infernais agem de acordo com as leis dessa causalidade, mas isso somente depois da condicional legalidade das suas petições junto ao Altíssimo, que por sua vez requerem a confirmação dos mais importantes subsídios espirituais, especialmente o assentimento da liberdade humana. É o arbítrio humano que está em disputa, e não o controle dos instrumentos da ação posterior à permissão divina.
Como se vê, a extensão da correção de uma compacta coleção de mentiras precisa ter o dobro ou o triplo do volume que ela mesma ocupou. Mas tudo isso será devidamente vingado, mais dia, menos dia.






