Top 6 diferenças entre a Vida Religiosa e a Vida Espiritual

Uma das maiores dificuldades –se não mesmo a maior de todas–, na apresentação da liberdade da vida espiritual do ponto de vista cristão, surge do conflito com a mentalidade religiosa que já capturou o imaginário das pessoas a respeito dos temas fundamentais.

Quando digo que o diabo inventou a religião, à parte de um mero desejo de causar algum espanto que gere uma reflexão, sou movido também por uma evidência muito forte de que o tema do sentido da vida humana foi totalmente dominado por uma visão institucional criada com a única finalidade de garantir que ninguém vai chegar a lugar nenhum, e que tudo continue mais ou menos como está.

É por isso que vale a pena analisar a questão com maior atenção, para chamar a atenção para estas diferenças, de modo que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que quando falamos de vida espiritual nós não estamos falando de vida religiosa, embora estas tenham evidentemente pontos de convergência, ao menos nos temas de que tratam.

  1. Exterior vs. Interior: A Vida Religiosa é voltada a um resultado exterior, ao mundo das aparências, dos gestos e palavras corretos, para produzir a imagem de correção de acordo com o código religioso. Já a Vida Espiritual é voltada a um resultado interior, ao mundo dos significados, da consciência e da responsabilidade, para produzir um resultado que agrade a Deus em fidelidade ao seu Amor. Essa diferença é destacada por exemplo em Jo 2:23-25: “Enquanto estava em Jerusalém, para a festa da Páscoa, vendo os sinais que fazia, muitos creram em seu nome. Mas Jesus não tinha confiança neles, porque os conhecia a todos e não necessitava de que lhe dessem testemunho sobre o homem, porque ele conhecia o que havia no homem.”
  2. Templos mortos vs. Templos vivos: A Vida Religiosa é realizada com foco em templos de pedra, em locais onde o culto a Deus é supostamente preferido, e onde a comunidade pode se reunir para reafirmar a sua unidade cultural. A Vida Espiritual é realizada com foco no templo de carne e sangue, o próprio corpo do fiel que leva para onde vai o seu culto a Deus, e dá o testemunho da sua experiência espiritual a quem for conveniente, não precisando da participação numa comunidade para viver plenamente a sua crença;
  3. Ritos próprios vs. Vida comum: A Vida Religiosa requer a prática de determinados ritos próprios que reafirmam o conteúdo da sua crença, de tal maneira que sem essa ação específica a realização do sentido da fé fica prejudicado. A Vida Espiritual implica na experiência imediata do sentido de toda e cada experiência humana diante do Criador, de modo que tudo ganha valor espiritual e a força da fé depende apenas de um comprometimento interior de conectar todas as coisas ao plano do sentido transcendente;
  4. Calendário de Festas vs. Cotidiano: A Vida Religiosa faz a contagem dos dias para separar alguns para a prática da memória do culto e dos ritos. A Vida Espiritual considera que todos os dias são igualmente vividos diante de Deus, e mais ainda, que o que o ser humano vive no seu cotidiano tem maior valor espiritual do que o que ele representa em momentos separados no qual pode fingir que não é a pessoa que é quando leva a sua vida de cada dia;
  5. Conferência vs. Mistério: A Vida Religiosa é estruturada de tal forma que permite a contínua conferência da correção do comportamento alheio, o que favorece o julgamento do próximo, assim como permite o fingimento da correção própria. A Vida Espiritual é eminentemente uma realidade diante de Deus que não pode ser verificada exteriormente, senão indiretamente pelos frutos das crenças que se mostram com o tempo, o que significa que no fim das contas somente Deus sabe qual é a realidade no coração de cada ser humano, e cada um está livre e impedido, ao mesmo tempo, de julgar o próximo e de fingir que possui valor espiritual;
  6. Salvação como Conclusão vs. Salvação como Premissa: A Vida Religiosa entende que o Amor de Deus não é garantido e a Salvação só decorre como conclusão de um processo que pode eventualmente falhar à revelia da intenção do religioso, ou seja, a Vida Religiosa busca um o sucesso do Amor como resultado. A Vida Espiritual entende que o Amor de Deus é garantido pela própria infalibilidade da bondade divina, e que a Salvação é uma premissa para o relacionamento com Deus, desde que a vontade genuína pela salvação é a única exigência para a garantia dessa realidade, ou seja, a Vida Espiritual busca a glorificação do Amor como resultado.

Vale a pena lembrar que uma pessoa que vive uma vida religiosa pode também viver uma vida espiritual, aliás, por definição isso é necessário, já que o sentido espiritual da vida humana não pode ser “desligado”, só pode ser esquecido.

Sempre que falamos de vida espiritual, ao menos do ponto de vista cristão, estamos tratando do que foi exposto aqui, à revelia ou até mesmo em oposição com o que se entende como vida religiosa.

Se não soubermos fazer essa separação estaremos sempre expostos à confusão demoníaca que quer obrigar cada nova geração a submeter sua liberdade espiritual de relacionamento com o Criador aos protocolos e sistemas institucionais que foram justamente criados para impedir a verdadeira consciência e responsabilidade humana.

Preparação para o Halloween: guardem as crianças

No pleno espírito de Ingenuidade algumas pessoas podem crer que vivem num mundo razoável, dentro de uma normalidade esperada, de modo que a qualquer momento uma breve mas violenta ruptura nesse véu de mentiras pode fazer toda a visão de mundo dessas pessoas ruir subitamente, num grande choque.

Mas o pior é quando você não apenas não sabe onde está, mas decide enfiar mais pessoas inocentes neste mundo, ampliando o erro da Ingenuidade para o da Pretensão.

Com o intuito de tentar remediar ao menos em parte essa desesperadora linha de desastres, devemos fazer algumas observações aos desavisados a respeito do período do ano ao qual estamos nos aproximando, que no calendário popular do ocidente moderno se chama “Halloween”:

  1. Há seres humanos seriamente empenhados em práticas de magia, bruxaria, esoterismos e ocultismos que são orientados por um calendário astrológico que os indica os momentos corretos para realizar os seus rituais;
  2. Desde o primórdios dos tempos muitos desses rituais envolvem o sacrifício de sangue às diversas entidades espirituais que são invocadas e adoradas nesses rituais;
  3. Faz parte da preferência das entidades servidas nessas práticas ritualísticas o sacrifício de sangue de seres que possuam maior inocência, o que leva os praticantes desses rituais a buscar vítimas apropriadas para agradar a estas entidades, como animais, seres humanos em geral, mas especialmente crianças;
  4. Logo antes do início do período indicado pelo calendário astrológico que seja adequado aos rituais de sacrifício de sangue, os responsáveis pela preparação dos mesmos devem providenciar todas as coisas necessárias, inclusive as vítimas de sacrifício;

Isto quer dizer que todo o tempo imediatamente anterior ao Halloween é propício a um aumento na incidência de raptos de crianças para essas finalidades ritualísticas.

Desaparecimentos e sequestros são relatados durante todo o ano, mas esta época que antecede o Halloween tende a apresentar um aumento no risco desse tipo de situação.

O que quer dizer que quaisquer pais e mães desavisados, ingênuos e pretensiosos, que já colocaram vidas inocentes num mundo decaído e amaldiçoado, podem pelo menos tomar o cuidado para que o pior não aconteça.

As tarefas são simples: redobrar a atenção, evitar deixar filhos aos cuidados de estranhos mesmo que por breves momentos, evitar frequentar qualquer local em que haja aglomeração de pessoas, e se possível preferir uma programação mais caseira pelo menos até a passagem dessa época do ano. Já que colocaram essas crianças aqui, cumpram o seu dever de guardiões e protejam-nas custe o que custar.

Porque a negação de Jesus como Filho de Deus é idolatria

Já falamos, múltiplas vezes, da pena de morte por decapitação para todos os cristãos que reafirmarem a divindade de Jesus como Filho de Deus como punição pela desobediência à primeira das Leis de Noé (Noahide Laws) a serem implantadas durante o período da Grande Tribulação.

Mas a consciência do cristão deve estar tranquila com relação a sua própria crença, não movida por uma obediência a uma programação externa, como é o caso dos religiosos que perseguirão os cristãos espirituais a mando dos seus líderes, mas por uma convicção interior. No intuito de esclarecer a razão dessa convicção, convém entender porque a realidade espiritual vai na direção contrária ao suposto motivo que justificaria a perseguição dos cristãos na aplicação das Leis de Noé.

A verdade é que a negação de Jesus como Filho de Deus é a verdadeira idolatria, pela simples razão de que o nosso Deus, revelado como o puro e supremo Amor, não pode ser quem Ele é, íntegro e perfeito, se não realizar a sua natureza em Si Mesmo, ou seja, se depender de uma Criação exterior para ser um amante verdadeiro.

Isto quer dizer que o “deus” que não é Pai e Filho não é amante e amado em si mesmo, de modo que o seu relacionamento com a criação não é gratuito e analógico ao relacionamento entre o Pai e o Filho, mas uma necessidade para que pudesse ser amante de fato. Ora, o “deus” que precisa criar algo exterior para ser deus não é deus de fato, pois não tem uma essência absoluta, somente relativa (é somente um “deus” perante uma criatura que o reconheça como tal neste relacionamento). Assim, o “deus” que precisa de uma criação para ser deus plenamente não tem em si a verdadeira substância divina do Deus que é sempre suficiente em sua natureza interior, e portanto é sempre um falso deus, um ídolo.

Quando Jesus revelou o Pai como Amor, revelou-se a si mesmo como o Filho que satisfez eternamente a natureza amorosa de Deus.

As Pessoas divinas do Pai e do Filho não negam a unidade de Deus, ao contrário, reafirmam essa unidade, desde que para ser apenas Um e Absoluto, Deus experimenta a realidade de ser amante e amado eternamente em Si Mesmo de modo perfeito, totalmente independente de qualquer ato criativo no tempo, ato este que sempre é gratuito e analógico ao Amor perfeito que Deus realiza eternamente em sua própria essência divina.

Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir compreenderá esta mensagem. Através de Jesus Cristo nós adoramos ao Deus verdadeiro.

Por isso Jesus é O Caminho.

Por isso o Pai disse: “Eis meu Filho, em quem tenho prazer“, e o Filho disse: “Ninguém vai ao Pai senão por mim.”

É um testemunho do Amor verdadeiro que o Eterno realiza em Si Mesmo, e do qual provém todo gesto amoroso a toda criatura.

É evidente que isso tudo não muda o relacionamento do cristão com os seus irmãos menos esclarecidos.

Judeus e muçulmanos podem querer arrancar as nossas cabeças porque nisso darão o testemunho da sua filiação espiritual.

Nós não pediremos por nenhum ato de violência, ao contrário, incentivaremos a consciência e a responsabilidade, o perdão e a misericórdia, dando testemunho da nossa própria filiação espiritual.

E pelos frutos todos conhecerão a árvore.

As três eras da libertação cristã em direção à destruição do Ouroboros

Em uma linha totalmente independente e na verdade diretamente contrária à moralidade conservadora das religiões, a moralidade cristã verdadeira, baseada num discernimento espiritual que favorece a consciência e a responsabilidade individual, leva a uma constante e progressiva libertação do ser humano por si mesmo.

Para entender este processo é preciso distinguir claramente entre o que é a moralidade religiosa, e o que é a moralidade espiritual.

A primeira é formada por uma tradição cuja função principal é a preservação do status quo, ou seja, é uma moralidade fundada na continuidade de todo o esquema de poder, e contra qualquer libertação que perturbe essa realidade.

A segunda é formada por um discernimento espiritual através do qual o Espírito Santo esclarece a supremacia do Amor e a necessidade do jubileu moral, da libertação de toda servidão através da renúncia ao Poder de todos os modos não determinados pela Providência divina através das circunstâncias históricas.

Isto quer dizer que a libertação cristã verdadeira é uma ação divina que faz uso da consciência humana para levar as pessoas que são amigas de Deus a uma solução contra a escravidão criada pelos atos ancestrais de usurpação contra o Amor divino. É a rejeição da tradição e das justificativas dos costumes de opressão das vítimas dos vários esquemas de poder instalados neste mundo decaído.

Podemos identificar, dentro deste processo como um todo, ao menos três grandes eras de libertação do ser humano:

  1. Libertação dos Escravos: Era da emancipação dos servos tratados como posse material de seus proprietários, de modo que possam vender seus serviços conforme desejarem, algo que não diminui a escravidão da Maldição, mas retira ou atenua uma escravidão adicional do Poder humano;
  2. Libertação das Mulheres: Era de emancipação das mulheres, principalmente de seus papéis de esposas e mães, de modo que possam escolher o seu destino com maior autonomia, inclusive o dos papéis familiares se desejarem, mas sem que sejam forçadas a nada e sem que sejam diminuídas caso escolham viver alheias ao que é tradicionalmente esperado delas (vivemos no começo desta era);
  3. Libertação dos Filhos: Era de emancipação dos filhos pelo reconhecimento do direitos dos não concebidos de serem poupados do nascimento em condições amaldiçoadas, e de serem criados por uma autoridade legítima em circunstâncias adequadas ao que merecem.

É claro que o Ouroboros, a Antiga Serpente do Mundo, não deseja perder seu poder, e pretende lutar contra o processo de libertação do ser humano, especialmente contra a última era, a da liberação da descendência.

Isso pode ser feito com desculpas humanitárias, em nome da defesa da espécie humana, ou algo assim, com a proposta de uma solução estatal, como por exemplo a criação de seres humanos por um sistema que colete o DNA da população com essa finalidade de engenharia genética e social, como sugerido por Huxley em Admirável Mundo Novo. Mas este já é outro assunto para outro dia.

Uma visão cristã do Antinatalismo

Já falei tudo o que precisava ser dito para esclarecer a questão do Antinatalismo na última edição de meu último livro (A Coruscância, 3ª Edição, que terminou com um capítulo chamado “Contra o Antinatalismo”), mas convém distribuir uma breve visão cristã do assunto também por outros meios.

Em suma o Antinatalismo é a crença de que a procriação humana é moralmente condenável. A partir dessa base comum, várias linhas de pensamento se desenvolveram. Para termos uma visão cristã do Antinatalismo, convém primeiro explorar essas várias linhas de pensamento, representadas pelo esquema abaixo:

  1. Natalismo: A crença de que os seres humanos têm o direito natural de se reproduzir;
  2. Antinatalismo Utilitarista Marginal: A crença de que os seres humanos não têm o direito de se reproduzir porque a ausência de um benefício é melhor do que a presença de um malefício (argumento de Benatar), de modo que nenhuma existência é melhor do que uma existência que contenha malefícios. Esta linha de pensamento também explora malefícios para além da experiência humana imediata, como o colapso do funcionamento da sociedade, a mudança climática supostamente provocada pelo homem, o vegetarianismo, o ambientalismo, e o protesto geral contra guerras, pandemias e a fome;
  3. Antinatalismo Moral Absolutista: A crença de que os seres humanos não têm o direito de se reproduzir porque esta ação nunca é moralmente justificável sob nenhum ponto de vista, representando sempre apenas o interesse próprio dos procriadores. É a visão de que todo nascimento é um ato de violência, um fait accompli, uma decisão feita à total revelia do interesse da pessoa não concebida. Também afirma a total desproporcionalidade dos poderes de, por um lado, gerar uma vida cheia de necessidades e, por outro lado, não conseguir garantir de nenhuma forma a satisfação dessas necessidades. Por fim, esta visão consegue identificar na procriação humana a origem de todos os males, aproximando-se da visão espiritual do Pecado Original;
  4. Antinatalismo Evolucionário: A crença de que os seres humanos não devem se reproduzir conforme alcancem o ponto da sua evolução natural onde o grau da sua senciência lhes esclarece o dever da abstenção. O Antinatalismo seria, assim, uma realidade inevitável da evolução da senciência em qualquer cenário possível. Esta hipótese resolve o Paradoxo de Fermi, explicando que outras civilizações alienígenas não são observáveis porque elas não subsistiram, já que a partir do momento em que fosse viável o progresso material que permitiria o transporte ou a comunicação interestelar, ao mesmo tempo seria viável também o progresso moral que indicaria a conveniência da abstenção da procriação. Os aliens não aparecem porque eles estão todos mortos. Esta é a mesma linha de pensamento que indica que qualquer civilização senciente evolui para um terceiro estágio (depois dos dois primeiros de sobrevivência e sustentabilidade) que é o da escolha pela extinção voluntária;
  5. Antinatalismo Transcendental: A crença de que os seres humanos não devem procriar porque isso vai contra o desígnio divino do Criador de todas as coisas. A procriação humana é uma usurpação do direito divino de criar. É o Pecado Original no mito de Adão e Eva, o próprio Pacto Ouroboros. Esta linha de crença afirma que o ser humano carrega o fardo da Antropodicéia, a justificação da humanidade por si mesma (argumento de Cabrera), a qual jamais consegue dar conta senão por um ato de arbitrariedade sem base. Este Antinatalismo pode ser considerado o mais infalível se partir da hipótese do Omniverso, ou seja, de que Deus poderia criar todas as almas humanas dispensadas de nascer neste mundo em particular, o que elimina quaisquer resquícios não egoístas da crença Natalista (este argumento, na verdade, é invencível, partindo da inquestionável bondade divina como premissa, junto com a onipotência);
  6. Antinatalismo Final: A crença que eu mesmo desenvolvi com as noções de Monadofilia e Coruscância, entendendo que a nossa função espiritual é a da crença no Amor, de que nenhuma mônada deve possuir poder arbitrário sobre outra, e de que os Calaquendi experimentarão a solução da ânsia da vida no momento da sua realização eterna, pelos meios da Providência divina entre os quais está a produção dos Periannath, esposos e esposas legítimos, assim como filhos e filhas também legítimos, gerados em total comunhão com a pureza do Amor divino. Esta era a crença que eu tinha até antes da conclusão de que a liberdade humana deve ser preservada custe o que custar, dentro da confiança no plano divino. Alguns seres humanos simplesmente devem passar por certas experiência de vida para aceitar melhor o Amor divino no fim.

Entendendo todas essas linhas de argumentação em favor do Antinatalismo, a visão cristã do tema deve concluir pela condenação dessa idéia, por ser uma crença que tem razões, mas não tem razão: acerta na condenação da pretensão humana, mas erra na condenação da liberdade humana de agir pretensiosamente. Há uma razão espiritual para que neste mundo em particular as pessoas tenham esse poder de procriar como forma de realizar plenamente a sua liberdade, uma necessidade para a consecução do plano divino de salvação. Para maiores detalhes, recomendo a leitura do capítulo no qual trato deste assunto em particular.

O dever moral dos líderes cristãos na questão da guerra na Palestina

Vamos partir da premissa elementar de que todas as lideranças religiosas servem ao diabo, no papel de Bispo no Sistema da Besta, para legitimar a usurpação contra o governo divino e no incentivo da perpetuação do Pacto Ouroboros.

Segunda premissa da nossa análise: tatu não sobe em toco. Se o tatu está em cima do toco, alguém colocou ele lá. Quer dizer: Deus, o Criador de todas as coisas, não produziu essa situação hedionda que se vê. Foram os seres humanos que se colocaram nisso.

Terceira premissa: como a natureza profunda de todos os problemas humanos é a vida espiritual, e esta é um fenômeno individual, a única solução verdadeira é individual, a saber, a renúncia voluntária a todo tipo de poder não ditado por deveres de estado circunstanciais. Não existem soluções coletivas, políticas, para problemas fundados na traição individual de cada ser humano. Vivemos no meio da manifestação do encontro de cadeias complexas de ação e consequência, mas no fim das contas só temos a mesma realidade fundamental que deve ser vivida individualmente, com consciência e responsabilidade individual.

Dito isso, quando vemos a questão da guerra atual na região da Palestina entre Israel e o Hamas, podemos nos questionar sobre qual é o dever moral dos líderes cristãos nessa questão, ou seja, qual seria a indicação da solução do problema do ponto de vista dos seguidores de Jesus Cristo.

Tenham em mente, levando em conta a nossa premissa inicial, que não estamos falando dos office-boys do inferno, como o Papa ou os Bispos da religião católica, os Patriarcas Ortodoxos, ou dos ditos pastores e guias do rebanho evangélico. Quem é cristão confia e segue a Jesus Cristo, que mandou não chamar a ninguém de mestre, nem de pai, e nem de guia.

Se existisse uma liderança assim, o que ela diria a respeito desta situação toda que estamos vivendo hoje no Oriente Médio?

  1. Que um judeu, como qualquer outro ser humano que tenha qualquer outra religião, pode participar de uma nacionalidade qualquer como, por exemplo, os cristãos e os muçulmanos fazem, preservando a sua cultura religiosa dentro dessa coexistência pacífica;
  2. Que a opção Sionista, como solução de sobrevivência, se baseia na instrução de rabinos messiânicos que alarmam seus seguidores com os perigos da assimilação, o que obviamente incentiva a discórdia, o anti-semitismo e a perseguição nos países de origem;
  3. Que a mesma opção, ao justificar a fundação do Estado de Israel, propõe resolver um problema que ela mesma criou gerando um outro pior ainda, porque a Palestina já existia como realidade política dentro da qual poderia haver coexistência pacífica entre todos os credos, ordem essa rompida com a solução Sionista;
  4. Que a opção Sionista, representando uma segregação com base na presunção da eleição divina, vai gerar os resultados negativos que devem ser aceitos como consequência inevitável da discordância com o ponto de vista dos outros povos do mundo, em especial do povo Palestino e dos Árabes em geral;
  5. Que individualmente cada judeu é convidado a aceitação de Jesus Cristo como o verdadeiro messias, o que significa a liberação imediata desse condicionamento religioso e político que leva à guerra, convite este que por sinal é estendido aos muçulmanos que podem individualmente receber a mensagem da libertação de toda escravidão, e deixar para trás as obsessões de suas próprias lideranças religiosas e políticas;
  6. Que cada judeu, assim como cada muçulmano e cada cristão, pode verificar a maior conveniência da renúncia ao Pacto Ouroboros, impedindo a continuidade do sacrifício humano (o maldito cálculo das “perdas” na guerra) pela renúncia à geração tanto das vítimas quanto dos algozes da guerra.

É óbvio que se existir uma liderança cristã que aponte para esses tópicos, sua mensagem estará inevitavelmente soterrada pela violência da autojustificação religiosa e política que só quer a falsa justiça da continuidade do ódio, da vingança, do assassinato e da destruição.

De qualquer modo, é um dever moral fazer estes apontamentos, mesmo que seja para o desprezo de toda uma humanidade empenhada em seus próprios planos. Ser ignorado é uma prerrogativa a quem quer que queira imitar o amor à verdade dos Profetas, para não falar do próprio Jesus Cristo.

Ameaça ou esperança? O teste do inquilinato espiritual no Fim do Mundo

Gosto de soltar frases perigosas por aí, com o deleite de fazer uma provocação aliada a um testemunho verdadeiro.

Uma delas é:

“Amo o ser humano no varejo, mas odeio no atacado. Gosto de pessoas, mas detesto gente.”

Outra, mais relacionada com o nosso tema aqui, é a seguinte:

“Meu problema não é que o mundo acabe. É que ele continue, comigo dentro dele.”

Qualquer exilado espiritual que se sinta suficientemente despertencido vai desejar a mesma coisa, principalmente se confiar numa Providência transcendente que lhe garanta a confiança numa existência alheia à presente. O repouso na esperança em Deus deve chegar a tal ponto que toda a nossa vida atual possa ser considerada uma mera experiência passageira, de modo que tudo o que é desagradável se torna mais tolerável (Paixão), e tudo o que é desejável se torna mais resistível (Louvor). Somos como hóspedes temporários neste mundo. E, nesse espírito, não só a hipótese do Fim do Mundo se torna aceitável, como é algo francamente desejável na proporção da força do chamado daquela esperança. Este é um teste do nosso inquilinato espiritual: a possibilidade do fim de todas essas coisas é algo que nos soa como uma ameaça, ou como uma promessa?

Os moradores da Terra se identificam com ela. Não confiam muito em qualquer possibilidade que esteja para além. A aposta numa esperança que supere esta realidade parece ser algo muito arriscado. Ou até mesmo um tipo de loucura. Na idolatria das coisas presentes, não temem desprezar as ausentes. Ignorantes de sua própria dignidade espiritual, e do tamanho da herança que se lhes é oferecida, não imaginam como viveriam em maior liberdade e leveza se simplesmente confiassem num Amor superior que lhes deseja salvar. Preferem fazer todo tipo de acordo, concessão, compromisso, pacto ou tratado para tornar a sua vida aqui e agora o alvo de todos os seus anseios.

Os inquilinos, já acostumados com que a loucura do mundo julgue como louca a sabedoria fundada na pureza mais perfeita do Amor divino, longe de temerem o Fim do Mundo, anseiam por ele. E o mesmo decreto que estabeleceu a morte dos corpos produzidos em desobediência, o que aterroriza os moradores, é uma realidade aceita como verdadeira consolação divina, como um ato de Misericórdia, pelos inquilinos.

Inquilinos estes para quem muito mais próxima do que aquele evento único está a própria extinção de suas carcaças mortais, completando o ato de generosidade do Criador para com os seus amantes o fato de que este mundo sempre acaba para quem nele morre.

Porque as mulheres lêem mais livros e porque isto é crucial para o futuro da humanidade

Em minha labuta na produção do Livro das Tendências, identifico continuamente entre os livros mais vendidos (e supostamente mais lidos) aqueles títulos sobre os quais se diria que foram tipicamente produzidos para um público feminino, especialmente para as moças de até uma certa idade.

Isto quer dizer que as mulheres lêem mais que os homens?

Sim e não.

Vou dar um exemplo pessoal: certamente minha mãe leu mais que o meu pai durante sua vida, mas também é certo que eu li mais do que a minha mãe.

Acontece que por ter decidido aprofundar-me em questões intelectuais que exigiam o estudo mais dedicado, vi-me não só com o desejo, mas também com a oportunidade de fazer este trabalho específico (já que eu estive mais livre do que ela, que tinha que cuidar da casa, de um marido e de quatro filhos). De modo que eu só li mais do que a minha mãe, neste exemplo, porque este foi um propósito muito particular que eu me atribuí, e que tive a chance de realizar. Se meu pai tivesse desejado trilhar este caminho, ele poderia ter feito o mesmo, e ter lido até mais do que eu, como muitos outros o fazem, aliás.

Então o que quero dizer é que, fora de um propósito específico que o justifique, comparando-se o público não intelectualizado em geral, as mulheres lêem mais que os homens, e isso sempre foi assim.

Mas qual é o motivo?

Apelando para os recursos de entendimento que nos foram dados por um Weininger, por exemplo, vemos os homens idealizarem a vida e lançarem-se às suas aventuras de exploração, enquanto as mulheres suportam esses empreendimentos realizando da melhor maneira o ideal proposto. Alguns poucos homens certamente idealizaram uma vida mais intelectual, racional, ou ao menos culturalmente rica, e a estes poucos seguiram-se exércitos de mulheres dispostas a realizar esse ideal da forma mais perfeita que pudessem.

A mulher é preocupada em fazer o que deve ser feito, partindo da proposta que alguns homens idealistas colocaram, e nisso ela é mais fiel, responsável, diligente e esforçada que todos os outros homens que não têm o mesmo ideal. É assim que uma mulher, até mesmo uma moça, pode ser mais educada que seu pai, que seus irmãos, que seu marido, e que os seus próprios filhos.

Mas digamos que você deteste Weininger, ou ao menos a hipótese dele. Ainda assim, como explicar a realidade que observamos?

A mulher é a educadora natural e imediata de seus filhos.

Esse é um de seus maiores poderes, se não for o maior deles: o de educar nada menos que a humanidade inteira.

Alguns homens idealistas podem propor grandes coisas, mas quem vai transmitir isso para a próxima geração? Serão as mães dessa geração, capazes de captar o ideal proposto e de convertê-lo em uma visão de mundo que possa orientar os seus filhos.

As mulheres lêem mais, em comparação com o homem médio não intelectualizado que não tem a busca específica do conhecimento, porque elas se interessam pela sua grande responsabilidade de aprender o melhor para transmitir o melhor aos seus filhos. Essa é a sua grande responsabilidade, e o seu grande poder.

E por que isso é crucial para o futuro da humanidade?

Não está óbvio? A humanidade futura vai viver uma vida cujo sentido foi ensinado pelas mães dessas gerações vindouras.

A quem quiser influenciar o futuro, nada pode ser mais poderoso do que a interferência no papel da mulher na sociedade humana, em primeiro lugar na disseminação de idéias de continuidade, e em segundo lugar na disseminação de idéias de ruptura.

É a mulher que vai ter o futuro nas mãos, conforme escolha acreditar na conservação do status quo, ou na mudança.

É a mulher que vai fazer a cabeça do seu marido não-intelectual, e também a cabeça de seus filhos que vão levar muitos anos para entender o que aconteceu e anotar a chapa do caminhão que os atropelou.

Mas quem vai fazer a cabeça da mulher?

Até certo ponto, quem fazia isso era o homem mais intelectualizado, aquele que quando resolve se dedicar a esse tipo propósito muito específico acaba se tornando um líder na sua área.

Mas hoje, com a emancipação das mulheres, na consequência da verdadeira revolução da libertação cristã (que não tem nada a ver com o conservadorismo institucional, obviamente), já não sabemos mais.

Agora a mulher pode, finalmente, fazer a sua própria cabeça.

Que livros as mulheres vão querer ler, e no que vão querer acreditar?

Mais: que livros elas vão querer escrever?

O homem que idealiza uma mulher a quem só cabe realizar o seu desejo, esse homem que é um conservador, obviamente quer recapturar essa rebelde e colocá-la de volta no seu devido lugar. E muitas mulheres gostam disso, permanecendo presas ao decreto da Maldição que lhes determinou como destino, pela rejeição do Amor divino, o dever de agradar o homem e realizar o seu desejo.

Como a mulher pode se livrar dessa prisão imposta pela Maldição, essa mesma que os conservadores, servos da Serpente do Mundo, querem lhe impôr a todo custo?

Nenhuma mulher terá jamais o poder de fazer isso por si, como também nenhum homem é capaz de fazê-lo. Quem nos liberta é o Altíssimo. O mesmo que decretou a Maldição para limitar a nossa perdição é quem ofereceu a Salvação verdadeira, que vem somente pela sua mão.

Aí os sexos já não importam mais.

Como a mulher obtém a libertação?

Do mesmo modo que o homem deve fazer para sair da sua própria escravidão, ou seja, livrando-se dos atos de rebelião que levaram a esse estado de coisas: rejeitando o casamento e a maternidade, todo o Pacto Ouroboros, parando de seguir e imitar Adão e Eva para seguir e imitar a Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida.

A mim parece óbvio que a superação de todo sexismo se dá na busca pela perfeição mais universal que existe, que é a do Amor divino. Somos igualmente amados pelo Criador de todas as coisas, e antes de sermos maridos e esposas, pais e mães, filhos e filhas, devemos ser somente irmãos e irmãs desejosos pela Redenção prometida pelo nosso Salvador.

Se as mulheres vão acreditar nisto ou não, é um mistério.

Se confiarmos nas profecias bíblicas (e não o devemos?), não será esse o caso: quando vier o Filho do Homem, todos estarão comendo e bebendo, casando e dando-se em casamento, ou seja, estarão vivendo no pleno desejo da continuidade deste mundo decaído, desconfiando ou até mesmo desprezando qualquer possibilidade de redenção divina.

Mas o destino de muitas não determina o destino de cada uma.

Uma só mulher que procure a Deus basta para que no Céu os anjos façam toda uma festa, com certeza.

Qual é o significado da passagem de Apocalipse 22:15? Quem não vai entrar no Paraíso?

Diz a Escritura: “Ficarão de fora os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira.”

Essa “lista” pode variar um pouco dependendo da edição da Bíblia que cada pessoa usa. A citação acima veio da Bíblia de Jerusalém. Já a citação indicada pelo próprio autor da pergunta fala de feiticeiros no lugar de mágicos (até aí nada de muito diferente), mas inclui os adúlteros, que não constam da outra versão, e nem de outras mais antigas que podem ser consultadas. Por que existe esta diferença?

Para começo de conversa, devemos ter em mente que Deus não precisa de checklist para verificar quem entra ou não no Paraíso. E, aliás, os cristãos também não deveriam precisar. Pense comigo: se você está em paz com Deus e confia no Amor Dele, qual é o seu problema de saber quem vai ou não entrar no Paraíso? Esse assunto não diz respeito a nós e ao nosso relacionamento com Deus. Sendo assim, esse alerta existe, exatamente como a antiga Lei mosaica, para a advertência daqueles que desprezam o Amor de Deus, para que estes estejam notificados sobre o seu destino e não aleguem ignorância em sua defesa. Eventualmente pode servir também ao cristão morno, da Laodicéia, para que perceba sua própria mentira o quanto antes.

É claro que a inclusão dos adúlteros causa confusão, porque se estes são os adúlteros espirituais, essa categoria já está representada pelos idólatras (são sinônimos), e se, por outro lado, isso se refere aos adúlteros carnais, lá atrás essa questão já tinha sido levantada e resolvida (Mt 5:27), quando Jesus esclareceu que qualquer pessoa que tenha o desejo do adultério no seu coração já o cometeu diante de Deus, mais uma evidência de que o ser humano não pode se salvar por suas virtudes, mas somente pela pura força do Amor divino.

Ora, se é assim, por que alguém incluiu isto nesta passagem? É uma típica interferência religiosa que vai na direção à escravidão da carne e contra o discernimento espiritual. Ao invés de ensinar a libertação contra esse sacramento dos infernos chamado Matrimônio, as igrejas permanecem consagrando as uniões carnais, o que mantém o problema da desordem que advém do adultério, inevitavelmente tanto quanto à luz do dia se segue a escuridão da noite. O caos gerado pela ignorância e pelo desprezo da liberdade pode fazer a religião cristã chegar ao ponto de ter que colocar os adúlteros na lista de Ap 22. Novamente, se os adúlteros são os espirituais, esses já são os idólatras que constam da mesma passagem. Esse tipo de coisa é muito comum na religião. É o mesmo problema do aborto: as igrejas não ensinam a liberdade contra a reprodução de escravos neste mundo, bem ao contrário, incentivam a continuidade do esquema todo, e então devem lidar com a questão contínua da gravidez indesejada, algo que vai continuar existindo até o Fim do Mundo. Se o ensinamento moral estabelecesse toda gravidez como a continuidade do Pacto Ouroboros, a condenação do aborto seria mais absoluta e perfeita, porque qualquer ato que levasse a esta situação já seria condenável in limine, sem a necessidade de se fazer distinções cansativas que só geram mais confusão.

Esta é a nossa situação: já não basta ter que lidar com uma natureza decaída e com a vida num mundo governado por Satanás, é preciso também tratar com as perturbações adicionais que nos são acrescentadas pela Religião, essa gigantesca e inútil máquina de desentortar bananas. Claro que prefiro viver num mundo ordenado, onde a paz é mantida pela força desse tipo de instituição. Viver na total anarquia seria pior ainda. Mas um mal menor não deixa de ser um mal, não nos custa lembrar.

Mas, enfim, o que significa essa lista de pessoas que não vão entrar no Paraíso?

É uma descrição de pessoas que não querem viver com Deus.

Perceba que não se trata aqui de dizer que alguém QUER entrar no Paraíso, para a Vida Eterna, e então Deus chega e diz: não quero que você entre. Não é isso! Quem pratica essas coisas que Deus descreveu e se identifica com essas atitudes ao ponto de não ter nenhum arrependimento –ou seja, possui o desejo de continuar com a sua prática indefinidamente–, pois bem, essa pessoa não tem o que fazer no Paraíso, porque já é da sua escolha livre não querer viver com Deus e não querer se converter dessa decisão.

É por isso que se diz que a Lei só serve para os que a odeiam, porque os amantes de Deus não precisam que nenhuma Lei lhes seja forçada desde fora, já que gostam de praticar as coisas que agradam a Deus porque apreciam a instrução que Ele lhes dá em seus corações, e se ainda assim eventualmente falham, não tardam a reconhecer seu erro e a persistir no caminho da Salvação, principalmente com Humildade, confiando no Perdão divino (“se tropeça, não chega a cair, porque Deus lhe sustenta“).

Então, quem vai ficar de fora da Vida?

Vai ficar de fora quem quer ficar de fora.

A Justiça de Deus é perfeita, e se chama Misericórdia, o poder de dar a cada um o que cada um pede, inclusive a morte a quem prefere a morte.

Um cheque sem fundo: Ahsoka, por Dave Filoni

Sempre foi verdade que os artistas, sendo também seres necessitados de recursos para subsistir, precisaram vender os seus serviços.

O Artista puro é o nosso Deus, que a tudo cria por ato amoroso, sem de nada necessitar para produzir a sua Arte.

Abaixo Dele, em especial neste mundo decaído, as coisas são bem diferentes. E faz parte da missão de um bom artista saber equilibrar os seus diversos interesses, a saber, os ligados à qualidade artística de sua obra com os ligados aos seus meios de subsistir.

Talvez um George Lucas tenha sabido encontrar seu equilíbrio ideal com Star Wars. Mas o que dizer dos atuais contratados da Disney? Poderiam eles, mesmo que quisessem, fazer a sua melhor arte, quando precisam atender a interesses corporativos tão mais complexos? Antes alguém precisava apenas comer e beber, vestir roupas e morar sob um teto. Hoje, a diretoria de uma corporação precisa justificar seus números no fechamento do último Quarter diante de um Conselho de Administração que representa os vastos e diversos interesses dos acionistas.

Ahsoka, a recente série da Disney, parece uma promessa falhada, não cumprida. É claro que os acionistas da Disney querem uma novela que se estenda o máximo possível. E isso impede que qualquer estória mais substancial seja contada. Já vimos isso antes. Tudo tem que ficar para depois. Sentimo-nos enrolados.

Gostei de Thrawn, e mais ainda de Skoll, mas o primeiro é mais saudado por memórias do que por realizações (que na série foram medíocres até aqui), e o segundo é só um representante de um futuro possível.

Ahsoka e sua aprendiz (como é mesmo o nome dela?) são murchas, sem gosto e incompetentes. Onde estão as suas virtudes? O máximo que acontece é que a Sabine (é esse o nome dela?) falha no seu dilema moral de abrir mão do resgate do seu amigo Ezra para impedir que o Império tenha chance de se reerguer com o retorno de Thrawn.

Apesar de tudo, não posso dizer que a série é ruim, espiritualmente falando. A coisa mais grave na mitologia de Star Wars sempre foi a adesão ao misticismo da idéia de mistura de Luz e Trevas através dos conceitos dos dois lados da Força. Mas isso não faz parte da temática de Ahsoka. Eles resolvem a questão? Também não. A esperança estaria em Skoll. Ele parece condenar o ciclo das existências, o que indiretamente poderia significar uma denúncia contra o Ouroboros. Eu não me importaria se essa hipótese viesse por meio da sua conversão numa espécie de supervilão apocalíptico. Talvez algo tão perigoso que forçaria até os lados da luz e das sombras (Ahsoka e Thrawn? Talvez ao ponto de justificar a ação de Sabine no fim das contas?) a se aliar contra essa nova ameaça. A Disney já nos acostumou com essa idéia de classificar os autores do Fim do Mundo como vilões (exemplos das franquias da Marvel: Ultron, Hela, Thanos, etc.). Afinal, esses cabalistas não odeiam Jesus Cristo? Ele não é o vilão mor contra o Sistema da Besta? Eles não temem o Retorno do Rei que está vindo para destruir o império da mentira?

Mas Skoll ainda não se tornou nada. Nem mesmo esse supervilão. E é claro que qualquer superação heróica dos lados da Força já foi abandonada com a fraqueza moral de Luke Skywalker no Episódio VIII de Star Wars. Ali nós tínhamos uma chance. Podemos falar mais disso no futuro.

Por enquanto, com apenas uma temporada de oito episódios, Ahsoka não significa nada e não mudou nada na nossa vida, como o depósito de um cheque sem fundo.

Notas (de 0 a 10):

Valor EMD:

Hipótese: P&A 5 (Morto-Vivo)

M. Maior – Gratidão/Soberba5
M. Maior – Obediência/Rebelião5
M. Menor – Perdão/Julgamento5
M. Menor – Libertação/Sadismo5
M. Primeira – Liberdade/Masoquismo5
Ataques Avari-Moriquendi5
Testemunho ES-Calaquendi5
Nota EMD5,0

Valor Espiritual:

Humildade/Presunção5
Presença/Idolatria 5
Louvor/Sedução 5
Paixão/Terror (Sabine não aceita a perda de Ezra)3
Soberania/Gnosticismo5
Vigilância/Ingenuidade5
Discernimento/Psiquismo 5
Nota Espiritual4,7

Cultural

Inspiração (moral, estética, etc.)3
Informação5
Diversão4
Nota Cultural4,0

Nota Final: 4,6 (IMDB: 7,7)