Eleuteriodiceia

Por que existe o mal no mundo?

A justificativa de Deus, ou Teodiceia, se dá pela incompatibilidade da natureza divina com qualquer ato criativo que viole a sua essência, ao mesmo tempo em que toda a razão limitada das criaturas contingentes deve ser entendida na sua posição de finitude como incapaz de produzir um juízo suficiente das razões que a transcendem.

Dado o rompimento da humanidade iluminista contra toda Metafísica que mantinha a segurança naquela noção da essência divina, restou à nossa época a desmoralização da Antropodiceia, ou a justificativa do homem por si mesmo.

Mas tudo que o ser humano encontra quando se enxerga no espelho é o pó que é por si mesmo e que nunca vai deixar de ser: uma arbitrariedade vaidosa e mentirosa. Sem Deus, seu caminho é o culto do Caos e do Nada, aquelas forças inferiores de que falavam os antigos quando se referiam ao tempo anterior ao Cosmos. Ou seja, esta humanidade tende à dissolução de uma entropia natural.

No entanto, podemos a qualquer momento romper com a própria ruptura. Maravilhosamente, ganhamos uma tal condição de distinção individual e de liberdade que conseguimos observar o resultado do movimento da história das ideias e julga-lo como insuficiente ou errôneo, ao ponto de nos movermos particularmente apartados da mentalidade da época. Isso sempre foi possível, é claro. Mas talvez nunca tenha sido tão fácil, ao menos para as almas mais desejosas que, em quantidade, podem ser inversamente as mais escassas de todos os tempos.

Voltamos, se quisermos, à justiça da Teodiceia, e ainda a qualificamos com uma crença cristã que torna a consciência ainda mais clara e pura na contemplação da majestade divina. E de tal ponto de vista privilegiado, com total confiança no Amor divino como causa fundamental, podemos avançar no que sempre foi mais interessante do que a disputa da legitimidade da Providência, isto é, o entendimento das razões mais profundas da realidade a partir da pacificação do tema da justiça maior do Ser.

Nesse intuito encontramos a Liberdade como eixo central, nas mônadas criadas à imagem e semelhança da Mônada Incriada, que explica a necessidade do mal realmente possível para que a escolha mais conveniente seja também uma possibilidade real e não mera intenção.

Entramos, assim, no território da Eleuteriodiceia, ou a justificativa da Liberdade.

Em Deus, a perfeição da sua Vontade já comunica a essência perfeitamente benéfica e amorosa para a total integridade do Arbítrio divino.

Mas na liberdade dos contingentes o mesmo não ocorre. Eles precisam receber uma justiça que lhes ultrapassa. Essa garantia transcendente é o próprio Amor divino que designa a perfeição das criaturas de acordo com a sua forma de ser desde a sua origem.

Há, de modo crítico, um ápice ou cume nas várias formas das mônadas possíveis, que consiste naquela semelhança com a essência divina e que permite por esse recurso extraordinário a satisfação de uma perfeição incomparavelmente maior que a das demais mônadas não livres. Isto é assim ao ponto de que uma mônada livre, como a de um anjo ou de um ser humano que viva num estado de Comunhão e Glória (Coruscância), pode ser reconhecida como divina diante das demais mônadas que lhes são inferiores.

Sendo essa forma de ser tão mais perfeita a mais conveniente para a felicidade divina e para a maior glória do Nome de Deus, ela deve ser realizada necessariamente, do contrário a Criação não restaria perfeita e acabada.

É assim que o mal deve ser permitido pois, contido pela Providência da Maldição, tem seus efeitos temporalmente limitados, o que compensa infinitamente a bem-aventurança daqueles que aceitarem a vida como Graça pelo Amor de Deus.

Convém por fim lembrar do totalitarismo espiritual do Paraíso, ou da vida em total comunhão com o Espírito Santo, onde o estado voluntário de participação na perfeição divina significa a sublimação da liberdade específica de negação da bondade de Deus, de modo que não poderíamos existir como almas livres num estado de perfeição imediato pois não teríamos o poder de rejeitar essa realidade, o que significa que não poderíamos ser quem somos, mas somente análogos, como criaturas menores do Omniverso Interior. Para que recebamos a Vida Eterna é preciso antes passar pela mediação de uma experiência temporal que nos permita aceitar ou rejeitar o Amor sem sermos oprimidos pela supremacia da sua perfeição paradisíaca.

Justifica-se, assim, com a Eleuteriodiceia, tanto a realidade atual de qualquer mal temporal, como a nossa presença num mundo que contenha esse tipo de realidade.

Esclarecimentos tempestivos

Estando certamente e por definição mais pertos do Fim como nunca antes, convém fazer alguns esclarecimentos tempestivos para que não haja confusão sobre o que é especulação e o que é crença firme na minha visão espiritual das coisas.

Primeiramente, com relação a questão da Trindade, recentemente eu disse que não via como tão necessária a pessoa do Espírito Santo quanto a de Jesus Cristo, exatamente porque a salvação reconhecendo Jesus como o Filho de Deus deve ser considerada sempre suficiente. Dizia eu que o que mais importa ao cristão é que reconheça em Jesus a revelação de Deus como Pai e Filho, já que isto revela a perfeição do Amor divino na própria essência de quem Deus é.

Mas isto não quer dizer que prudentemente não possamos considerar o Espírito Santo como pessoa, na nossa guerra aberta contra a Tradição. Não foi isto o que eu quis dizer, isto é, que não se deve considerar o Espírito Santo como pessoa divina. Meu problema é, como continua sendo, crer por convicção e não por costume. E isso porque o costume é o veículo da Cabala, da Tradição, que contaminou todas as religiões do mundo para produzir um grande engano com relação a quem Deus é e com relação ao sentido da condição humana neste mundo.

Isto quer dizer que a qualquer momento o Espírito Santo de Deus pode me esclarecer a sua pessoalidade quando isso lhe for conveniente para o propósito da minha mais perfeita conversão à Revelação de Deus. Cabe a Ele, e não a mim, assim o decidir. Vejam que até na minha linguagem eu já me alinho com todos os cristãos trinitários, atribuindo ação divina ao Espírito Santo. E de fato não tenho nenhum problema com isso deste modo, porque está muito de acordo com a natureza da santidade do Altíssimo.

Podemos ter problemas com a manifestação do Espírito em modos que possam ser falíveis, isto é, aparições, prodígios, milagres, etc.

Só para dar um exemplo, recentemente ouvi a exposição de um trinitário bastante escolado no tema, mostrando mais uma perversão talmúdica, que seria a equivalência do Anjo do Senhor a uma entidade criada com dignidade superior a dos anjos, mas inferior à de Deus, chamada Metatron. Isto é, para não reconhecer a pessoa do Espírito Santo, que tomou a forma de Anjo do Senhor nesta ou naquela situação, os rabinos deram um jeito de reconhecer um Anjo que teria a perfeição do Nome em si como um procurador, sem compartilhar a substância divina.

Isso nos indica que a Santíssima Trindade poderia ter sido reconhecida com mais facilidade se não fosse uma obstrução da tradição judaica. Mas a tradição cristã supostamente teria vencido isso e trazido a Verdade ao conhecimento dos fiéis. Acredito que possa ter sido assim e, para ficar bem claro, não vou disputar a doutrina da Trindade divina. E não o farei porque não o preciso fazer, simples assim. Não tenho nenhum problema com essa crença, desde que ela não fere qualquer princípio fundamental da vida espiritual.

Mas eis que se eu tivesse que reconhecer a pessoalidade do Espírito Santo numa atuação manifestada de tal maneira que eu pudesse dizer “sim” ou “não” em uma situação concreta, como um teste, eu teria que recuar com o Temor do Senhor, o medo do mal, porque o Apóstolo já alertou que Satanás pode se apresentar como Anjo de Luz, tendo sido Lúcifer desde o princípio. Esta questão é muito preciosa para mim, na linha do que está escrito: “é sem mentira que se cumprirá a Palavra“. Ou seja: assim como é um grande erro testar o Amor de Deus, é um grande erro supor que Deus queira nos testar para ser dignos do seu Amor. Tendo sempre o Amor como premissa, e não como conclusão, entendo que é parte constituinte da misericórdia do Espírito Santo de Deus que não condicione nenhum ser humano a uma situação de risco, de temeridade, de jogo, e bem ao contrário, que Ele entregue o seu Amor incondicionalmente como já o fez, esperando que façamos o mesmo. É uma doação mútua de confiança, e não de cobranças e testes, como pode pensar uma crendice bastante corrompida e supersticiosa.

Outro esclarecimento tempestivo concerne a questão da pregação cristã.

Uma coisa é afirmar que a Igreja, ou seja, aqueles que receberam a Revelação Cristã e que acreditam em Jesus Cristo realmente, tenha a eleição divina da Salvação.

Outra coisa é afirmar que a Igreja tem toda a salvação possível, de modo que quem não receber a Revelação ou não acreditar em Jesus Cristo plenamente, na forma da religião cristã, não possa ser salvo de forma nenhuma.

Existe um plano excelente de Salvação a que todo cristão deve aderir integralmente: o de dar o testemunho da verdade em que crê. Essa é a nossa tarefa de pregação ao próximo, o que não tem nada a ver com proselitismo religioso. A ação religiosa apenas reforça a Tradição Primordial a qual está conectada, e afasta as pessoas de Deus. Pessoalmente, individualmente, monadofilicamente, podemos e devemos dar o testemunho toda e cada vez em que isso for circunstancialmente apontado como um dever de estado pela ação da Providência divina. Ou seja, a pregação cristã não deve violar a soberania da consciência individual que recebe o dom do Discernimento do Espírito, de modo que é sempre uma ação singular e nunca uma ação coletiva, religiosa, eclesiástica, etc.

Dito isso, apesar do plano excelente de Deus, “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos“, e “estreita é a porta“.

Há muitos religiosos que querem se achar como aqueles fariseus, partes de uma elite minoritária de salvos, mas a questão não é essa.

Deus esclarece-nos que nada pode ultrapassar o seu gesto de salvação, senão a liberdade da vontade humana que Ele mesmo nos concedeu.

É por isso que há duas Ressurreições: uma para os santos, os eleitos, aqueles que disseram “sim” sem a evidência do Bem, por pureza da sua confiança, e uma outra para os perdidos, aqueles que não foram capazes de dizer o mesmo “sim” por falta de confiança, mas a quem o Amor de Deus pode salvar por mérito da Sua própria glorificação.

Na minha terminologia falo dos destinos dos nascidos Sindar que podem ser Noldor ou Falmari, participando respectivamente da Primeira Ressurreição, ou da Segunda Ressurreição.

Não entendam mal: o Dia do Juízo Final é para a condenação de todos aqueles que não confiaram no Amor de Deus.

Mas aqueles que são chamados de volta à vida o são para viver, e não para morrer, porque Deus não faz uso da Justiça sem a perfeição da Misericórdia: é para que se declarem culpados e arrependidos, em terrível humilhação, que os Falmari, os Últimos, ressuscitarão. E com a sua anuência ao Amor, o Eterno será muito mais glorificado e exaltado por toda a Criação.

Posso ter dado, equivocadamente, a impressão de que seria contra a pregação cristã. Não sou. Não poderia ser! O que eu faço não é um trabalho de pregação?

Aquilo que eu combati e vou combater sempre é a hipocrisia mentirosa da Religião que se pretende santa e mestra, quando já se prostituiu faz tempo com o mundo.

Vamos pregar, sim, graças a Deus, e livres de toda mentira.

Uma definição provisória, mas necessária, de Mônada

Independentemente do que se possa entender por Mônada em Leibniz, que certamente me influenciou muito, convém trabalhar numa definição que se faz necessária ao esclarecimento da minha Monadofilia, embora esta deva ser obrigatoriamente provisória. Não tenho condições de sustentar verdades definitivas na minha pequenez. Deste modo, o que chamo de “definição” pode não passar de “ensaio de definição”.

Mas vamos lá, qual seria a tal definição, ou esboço de?

Mônada é uma unidade espiritual, metafísica e ontológica, capaz de ser tanto sujeito quanto objeto da experiência do amor.

Amor, como já defini antes, é o desejo que o amante tem pelo bem do amado.

Uma das maiores complicações na ontologia geral é a derivação do físico a partir do metafísico, já que isso requer uma certa decadência da contemplação do simples ao raciocínio do complexo. É assim que à influência de Leibniz preciso somar a de um Plotino, voltando ao fundamento dos princípios da razão suficiente, que é um ato contemplativo que pode ser vivido, mas não explicado. Disso não se deveria considerar que o idealismo é irracional, mas, antes, que ele é racional num nível que não nos pertence, que é o do próprio Logos divino. É muito abuso, ou pretensão, supor que o que escapa da razão humana é irracional.

Digo isso para que fique claro que considero as filosofias das evidências, demonstrações e raciocínios inferior à Filosofia como modo de honrar a Verdade no que ela tem de mais divino: sua inefabilidade e transcendência, um reflexo de Deus como Abscôndito, Inalcançável. E é por essa razão que não me importo em trabalhar o sentido de Mônada no meu próprio sistema com a composição dos corpos, por exemplo. Aliás, não alcançou já a Física moderna um tal nível de sofisticação que mostrou a fraqueza desse tipo de idéia?

Em torno do bom e velho conceito de substância, e entendendo o mundo desde um ponto de vista espiritual, o que me importou foi localizar os seres na sua relação bem definida com o Criador e entre si, desde o ideal do Bem. E esses foram localizados, no meu ponto de vista, como essas substâncias irredutíveis da experiência do amor como amados e amantes, sempre com vistas ao Bem como causa final e suprema de todas as coisas.

A derivação de uma manifestação material a partir de qualquer mônada é tão imediata e espontânea como é o reflexo de uma imagem num espelho. A causalidade eficiente que gera tal manifestação pode ser complexa o quanto for, e entreter a mente humana indefinidamente, mas isso se dá de forma totalmente alheia ao processo fundamental que ordena todos os seres a uma destinação excelente definida pela natureza amorosa de Deus.

É por isso que esse tipo de filosofia naturalista é uma prática inferior e mais ou menos dispensável para a humanidade, a não ser que seja um hobby para alguém que goste de pensar nessas coisas.

Assim como Deus é a Luz da luz, a origem não material da matéria-prima, ou melhor, supramaterial, ou metamaterial, também toda mônada é capaz de uma criatividade ad nihil a partir da concessão amorosa da potência divina.

Uma linha pode ser uma extensão formada por pontos não extensos porque a unidade é a forma do ser. Estranho seria qualquer coisa ser formada por uma substância que não fosse nada ela mesma. Sem a Unidade não há Multiplicidade. O mundo das extensões puras não criadas, ou seja, não derivadas do arbítrio divino, é um mundo impossível. É da Unidade primordial de Deus que derivam todos os seres contingentes, e da Mônada suprema incriada que derivam todas as mônadas criadas, das quais deriva toda a realidade extensa possível em consequência.

Moradores de rua, tremei: o governo está vindo para lhes salvar

Certa vez um político, que eu não me lembro quem foi, disse assim: “se você acha que os nossos problemas são graves, espere até conhecer as nossas soluções.”

É uma visão realista da condição humana de autogoverno num mundo decaído e amaldiçoado, onde nunca há uma situação tão ruim que não possa ser piorada pelas melhores intenções dos mais altruístas seres humanos.

O amigo do blog, meu xará Rodrigo, mandou no Whatsapp a notícia do PL 1635/22 de autoria daquele senador boníssimo chamado Randolfe Rodrigues, que trata da criação do Estatuto da População em Situação de Rua.

Pediu-me um comentário. Li e eis a minha opinião: o governo faz tudo menos endereçar o problema real, até porque esta não é realmente a sua função, porém certamente pode agravar indiretamente as causas próximas do fenômeno que se propõe a combater, como veremos.

Tudo o que qualquer governo faz, em primeiríssimo lugar, é garantir a sua própria subsistência e o seu crescimento contínuo. Qualquer solução política se converte de um ideal em uma burocracia. A primeira coisa garantida com esta legislação não é realmente a defesa do interesse da população nominalmente apontada, mas sim do interesse da população realmente beneficiada de imediato, isto é, a burocracia estatal.

Eis que o fenômeno que mais empobrece as pessoas e as leva à situação da miséria extrema, falando economicamente, é a inflação.

E o maior causador de inflação é o governo que, incapaz de gerar riquezas reais, só sabe se endividar e imprimir dinheiro falso que empobrece a população mais humilde.

Isso é o mais perverso: quem diz amar é quem menos cuida das causas reais do dano do suposto amado.

Além dessa questão fundamental, podemos explorar algumas questões paralelas que possam interessar ao público em geral.

O §1º do Artigo 4º diz que “o Poder Executivo deverá, em situações de caráter emergencial e nas localidades onde houver carência de vagas em abrigos institucionais já existentes, firmar convênios com a rede hoteleira local para garantir a destinação imediata de quartos vagos para a população em situação de rua“.

Atentem para que o termo é DEVER, ou seja, por omissão uma autoridade poderia ser punida se não cumprir o que foi determinado. Mas como é que alguém pode ser obrigado a firmar um convênio com a rede hoteleira, sem que isso se converta em obrigação para que essa outra parte aceite os termos do governo? Ou esta Lei é inviável, ou ela indiretamente instituiu a OBRIGAÇÃO de entes privados de colaborar com o governo firmando convênios nos termos que lhes forem impostos. Esse é o nível do nosso Legislativo: ou é incompetente, ou é insidioso.

O Artigo 5º fala dos princípios do Estatuto, entre os quais nomeia em seu item III: “direito à convivência familiar e comunitária“.

Ora, que eu saiba a todo direito corresponde uma obrigação. Quem tem a obrigação de oferecer a convivência familiar e comunitária aos moradores de rua, entre os quais existem, lembremos, elementos que livremente decidiram ter um estilo de vida antissocial? Acho que o senador que escreveu esta Lei deveria nos dar o exemplo e atender ao direito que propõe a toda e qualquer pessoa em situação de rua, e isso por tempo suficiente para que estejamos convencidos da sua elevadíssima intenção moral.

No item XI do Artigo 6º (diretrizes do Estatuto) propõe-se: “zerar a demanda por moradia e atendimento especializado para a população em situação de rua“. Como é que se vai zerar essa demanda? O governo vai mesmo garantir que todas as pessoas tenham abrigo no país? Quer dizer que se eu voluntariamente decidir não participar da economia e perder minha moradia, aqueles que produzem a riqueza são obrigados a garantir que eu tenha abrigo? Se isso for assim, até que ponto o senador autor entende que tal medida é sustentável? Mais adiante o item XXII do Artigo 7º se diz que incumbe ao governo “garantir o acesso à alimentação gratuita pela população […] assegurando-se, no mínimo, três refeições diárias […] que respeitem as demandas individuais de saúde“. Pois bem, um adulto requer umas 2 mil calorias por dia para sobreviver. O governo vai garantir isso em todos os casos? E novamente: até que ponto isso é sustentável?

O item XII do mesmo Artigo 6º propõe a “vedação da remoção e do transporte compulsório“. Então deixe-me entender: se eu for morador de rua e decidir morar exatamente na porta da casa do senador, ou na porta do Senado Federal, ninguém pode encostar a mão em mim e me deslocar para outro local? Somente eu posso sair dali, se quiser e quando quiser? É isso?

No item III do Artigo 7º se diz que incumbirá ao Poder Público: “instituir a contagem da população em situação de rua em censo oficial“. Este ponto é muito reforçado ao longo do documento, como nos itens XVII e XXXIII do mesmo artigo, e depois também nos Artigos 29º e 32º, inclusive com a menção de imigrantes e pessoas residentes em “ocupações consolidadas ou não-consolidadas” (sic). Minha pergunta é: quem não deseja ser contado é obrigado a ser contado e, principalmente, cadastrado? Um ser humano não pode objetar-se a participar da sociedade, por exemplo, ou ao menos de uma determinada política pública?

Escatologicamente, nós sabemos muito bem que é preciso inserir todos os seres humanos do planeta num sistema, antes de tornar esse sistema compulsório e vinculado a um determinado conjunto de princípios e valores, como garantia da integração das massas ao Sistema da Besta.

No item XXVII do mesmo artigo se diz que o governo deve “providenciar roupas de inverno, cobertores e alimentos quentes aos cidadãos em situação de rua que não possuam interesse em utilizar os serviços de acolhimento institucional“. Muito bem. Se é garantido o interesse individual de não usufruir de um serviço público, não deve o mesmo indivíduo ter o direito de não ser contado e cadastrado pelo governo, mesmo que isso signifique a sua exclusão voluntária dos serviço social? Se o interesse de não participação é reconhecido e protegido numa instância, não poderia ser em outras?

Mais adiante, nos itens III e IV do Artigo 15º, que tratam do financiamento do Fundo Nacional da População em Situação de Rua, menciona-se: “contribuições dos governos e organismos estrangeiros e internacionais” (III) e “o resultado de aplicações de governos e organismos estrangeiros e internacionais” (IV). Isto quer dizer que com a justificação de ajuda humanitária, por exemplo, agentes internacionais podem interferir em políticas públicas nacionais, como, por exemplo, o censo da população de rua, financiando sistemas de cadastro e atendimento. A bom entendedor meia palavra basta.

No item VI do Artigo 17º, que trata das atribuições do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (!), temos o protesto contra a injustiça na melhor linguagem socialista da nossa elite ilustrada: “instituir grupos de trabalho temáticos, em especial para discutir as desvantagens sociais a que a população em situação de rua foi SUBMETIDA historicamente no Brasil e analisar formas para sua inclusão e compensação social“. Se isto está na Lei, o senador e a sua tropa devem justificar o termo. Se esta população foi submetida a esta situação, que se diga por quem o foi, comprovadamente e acima de qualquer dúvida, para que se possa validar tal alegação. Ironicamente eu posso responder, mas não do jeito que os supostos protetores dos necessitados imaginam.

Na justificativa da Lei, diz-se que “com a pandemia da Covid-19, houve um aumento expressivo no tamanho da população de rua“. Está errado. O certo é dizer que com as políticas públicas de lockdown e isolamento social, de responsabilidade das autoridades públicas, as quais não eram de forma nenhuma mandatórias por autoridade superior que se responsabilizasse, e que foram arbitrariamente decididas, houve um aumento no tamanho da população de rua, além do gasto público imenso que levou ao cenário inflacionário que também contribuiu com a pobreza da população. Lembremos: países diferentes agiram de forma diferente com a questão. Cada autoridade que promoveu a idéia do fechamento da economia é diretamente responsável por sua decisão. Não tem essa de culpar essa muito conveniente abstração chamada “pandemia”, como se essa fosse a culpada por alguma coisa.

Avançando na justificativa da Lei, lemos que “de acordo com o Padre Júlio Lancelloti, da Pastoral do Povo de Rua, a crise econômica se agravou, o desemprego disparou, a inflação subiu e, nesse período, a política pública para essa população continuou a mesma“.

É verdade, seu padre. Mas também continuaram na mesma o gasto público excessivo que gera a inflação que joga os pobres na rua, para não falar do Pacto Ouroboros que força as pessoas a nascerem sob a maldição deste mundo. O senhor padre e a sua igreja já fizeram a sua parte para conscientizar as autoridades e o público em geral a respeito, ou preferem, como os governos, que o problema continue e piore indefinidamente, de modo que suas respectivas ocupações estejam garantidas?

Por fim se fala da criminalização da “aporofobia”, que é basicamente o medo de pobre. Este é um neologismo cunhado por uma filósofa chamada Adela Cortina. Não tenho problemas com neologismos. Mas é necessário criminalizar medos, quando as ações de violência e agressão de todos os modos já são tipificados no Código Penal? Gostaria que a filósofa explicasse o sentido de se classificar um medo humano como crime. Aliás, mesmo a criminalização do ódio requer explicação, se você pensar bem, friamente, desde que se faça a distinção entre o que é o ódio como sentimento que é propriedade da instância individual da consciência humana, e o que é uma ação ou manifestação gerada a partir do ódio.

Em suma, me parece que além do lixo de sempre, que é o aumento da burocracia e a disseminação da guerra de classes, a idéia do governo é cadastrar toda a população no seu sistema.

Falando dos fatos, a causa remota mais poderosa que produz a situação dos moradores de rua é o Pecado Original, o Pacto Ouroboros. Quem se abstém de participar desse primeiro crime dispensa todos os seus possíveis descendentes de viver neste tipo de situação. Essa é a solução mais poderosa, sempre: a imitação de Cristo.

Por que os socialistas e padres, tão interessados no combate à pobreza e à miséria, não divulgam a libertação da descendência como idéia cristã e humanitária? Porque não podem, porque fazem parte da escravidão das futuras gerações aos seus próprios interesses políticos e religiosos.

Essa é a questão.

As causas mais próximas que produzem a situação dos moradores de rua são as econômicas, onde o governo ajudaria muito se não sobrecarregasse a população mais carente com o abusivo imposto inflacionário, além de questões diversas como: acidentes, doenças mentais, abuso de álcool e/ou drogas, e desentendimentos familiares, principalmente separação de casais e abandono de menores.

Até onde eu sei, por já ter pesquisado algo do assunto antes, o que o morador de rua mais precisa, além de abrigo obviamente, é dinheiro (mais do que comida), segurança para manter sua propriedade privada, e acesso roupas limpas e secas, principalmente meias.

Imagino que se o governo quisesse mesmo ajudar a esta população, ao invés de criar soluções inchadas e impossíveis, poderia atacar essas questões específicas com o financiamento da iniciativa privada.

Mas quem sou eu diante da intelligentsia nacional?

A Figueira e os Rothschild

Uma das indicações mais fortes, senão mesmo a maior delas, entre as alegadas por Gabriel Ansley para justificar a previsão do retorno de Jesus Cristo a este mundo em Setembro de 2028 se baseia na profecia a respeito da Figueira, símbolo de Israel: desde que ela ressurja, a geração que viu o seu ressurgimento não passará sem que aconteça tudo o que foi profetizado a respeito do Fim do Mundo.

Ora, este Estado de Israel surgiu em 1948.

Se uma geração, usando a régua bíblica, dura de 70 a 80 anos, isto quer dizer que esse relógio escatológico se encerra no ano de 2028.

Dentro de seis meses teremos uma condição bem razoável de avaliar a assertividade da previsão de Gabriel Ansley, ao menos na direção de certas profecias e sob certos aspectos.

Mas é interessante observar como é que se chegou nessa data de 1948, o que certamente não ocorreu por acaso. A história da Figueira replantada na Palestina envolve a geopolítica européia e norte-americana, como podemos checar ao verificar o papel que os Rothschild teriam desempenhado no sentido da fundação do Estado de Israel.

Começamos com a situação na Primeira Guerra Mundial: a Inglaterra teme o domínio alemão no continente, e a Alemanha por sua vez teme o crescimento do potencial industrial da Rússia no futuro. Tudo estava pronto para o início da guerra em 1914, e de fato quando o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia, isso chamou a Rússia, que por sua vez chamou a Alemanha, que por sua vez chamou a França e então a Inglaterra.

Mas eis que em 1916 os Aliados não somente não tinham garantido a vitória, como poderiam muito bem sofrer um colapso a partir do momento em que a Revolução na Rússia gerasse um colapso do front oriental. Era preciso trazer os EUA para a guerra contra a Alemanha. Mas como?

A solução veio pela mão dos Rothschild em acordo com o governo inglês: em troca da garantia da entrada dos EUA no conflito, vencida a guerra e destruído o Império Otomano, os ingleses, ao invés de cumprir sua palavra com os árabes que apoiaram os Aliados em troca da sua independência política, trairiam essa promessa e administrariam a Palestina eles mesmos. Adicionalmente a essa traição contra os árabes, eles fariam concessões aos colonos judeus enviados para a região com o financiamento dos Rothschild, com a permissão de comprar terras e criar milícias locais sem a interferência da administração inglesa.

Por um lado você tem a intenção claramente sionista dos Rothschild, mas por outro lado há também o meio de obtenção da entrada dos EUA na guerra, que é claramente o da política maçônica de influência e infiltração, possivelmente com a chantagem do Presidente Wilson para forçar a participação americana.

Com a entrada dos EUA e a virada na guerra, o governo inglês selou sua parte do acordo na chamada Balfour Declaration de 02 de Novembro de 2017, carta assinada pelo Secretário de Assuntos Estrangeiros do Reino Unido e dirigida a Lionel Walter Rothschild, formalizando o acordo feito com os sionistas e a traição contra o povo árabe. Eis o documento, com a tradução abaixo:

Escritório de Assuntos Estrangeiros,

02 de Novembro de 2017.

Caro Lorde Rothschild,

É com muito prazer que lhe trago, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações judaico sionistas, que foi submetida e aprovada pelo Gabinete:

‘O Governo de Sua Majestade enxerga favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e usará seus melhores esforços para facilitar a conquista desse objetivo, estando bem claro que nada será feito que prejudique os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas da Palestina, ou os direitos e status político usufruído pelos judeus em qualquer outro país’.

Serei grato se você puder levar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

Arthur James Balfour

Dito e feito, com a derrota da Alemanha e a decomposição do Império Otomano, a Palestina, ao invés de ser entregue para a formação de um Estado Árabe, foi administrada por um governo inglês que permitiu e facilitou o processo de migração de colonos judeus e a formação de milícias locais sionistas, empreendimentos financiados pelos Rothschild.

Passando para a Segunda Guerra Mundial, temos a Alemanha e a União Soviética se armando rapidamente e gerando grandes desconfortos na Europa. Novamente uma situação de caos surgia no horizonte, oferecendo novas oportunidades para a mudança do status quo.

Depois que a Alemanha invadiu a Polônia e a França, e quase derrotou a Inglaterra, ficou claro que os colossos militares alemão e russo colidiriam em 1941 e então toda a Europa ficaria à mercê de quem saísse vitorioso dessa luta. Perigosamente, poderia ser a Alemanha de Hitler, que estava muito mais fora de controle do esquema maçônico internacional do que a URSS de Stalin. Novamente, era preciso trazer os EUA do seu isolacionismo para a guerra mundial. O acordo, desta vez, consistiria na participação norte-americana, primeiro via Lend-Lease para a Rússia e a Inglaterra, e então com participação militar direta, em troca da concessão inglesa do território administrado na Palestina para um Estado Judeu a ser criado no pós-guerra, sem nenhuma interferência na guerra que os sionistas fariam contra os palestinos.

Desta vez parece que o acordo foi muito mais fácil porque os líderes dos dois lados do Atlântico, ao que nos consta, já eram maçons eles mesmos, tanto Churchill em Londres quanto Roosevelt e depois Truman em Washington. Lembremos que o propósito número um dessa organização é a construção do Terceiro Templo em Jerusalém. Para isso era necessário estabelecer primeiro o Estado de Israel na Palestina.

Dito e feito, em 1948 Israel vence a sua guerra de independência e declara fundado o Estado Sionista na Palestina.

Diante de tamanha capacidade de organização em nível internacional, que chega ao ponto da produção de planos que atravessam mais de um século (v. a carta de Alfred Pike a Giuseppe Mazzini em 1871, por exemplo), que defesa podem os povos da Terra apresentar contra esse tipo de conspiração?

Veja o caso de um Ludendorff: apesar de estar atento ao poder maçônico agindo nas trevas, no fim era considerado um paranóico quase que sem influência nenhuma sobre a política real, tendo sido apenas usado para prestigiar a revolução nazista na Alemanha.

Do mesmo modo os árabes que denunciam que tanto o ISIS quanto o Hamas, e mesmo a Revolução Iraniana que instalou o regime dos aiatolás, sejam operações da CIA e do Mossad, são considerados simplesmente malucos demais para serem levados a sério.

A única solução para esse tipo de cenário, se é que ele é levado a sério, é o foco na vida espiritual em confiança plena no desígnio divino. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado. Vamos prevenir novas gerações de nascerem neste mundo decaído e amaldiçoado, e aguardar a execução dos decretos divinos.

Eu Sou a Ressurreição

O que significa a expressão: “Eu Sou a Ressurreição. Quem crer em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11:25-26)?

Como já deixei claro em meus livros Monadofilia e A Coruscância, com a maior confiança na pureza e supremacia do Amor divino não foi difícil renegar dogmas religiosos como os de sacrifício de sangue, condenação ao inferno, e eleição de uma minoria. No sentido deste último ponto montei minha visão espiritual de mundo contando com um grandioso gesto de salvação da parte do nosso Deus, algo que o glorifica mais do que o fracasso de uma salvação magra conforme crêem os que se vêem como parte de uma seleta elite espiritual, aquele clube de mentirosos do farisaísmo da Sinagoga de Satanás (os mesmos que pedem sangue, condenam ao inferno, etc.).

Lembrando da terminologia que usei em meu último livro, há uma salvação para os Vanyar que são criados pela Graça, uma outra para os Noldor que nasceram Sindar e se converteram ainda nesta vida, e por fim também para os Falmari que se perderam nesta vida, mas a quem será dada uma chance de escolher o Amor de Deus na chamada Segunda Ressurreição. E isso para não falar dos Teleri, com status espiritual análogo ao dos Vanyar.

Mas fiquemos aqui na nossa realidade decaída, nosso mundo de nascidos Sindar. É aí que entendemos o que Jesus quer dizer.

Ele é a Ressurreição porque é na crença dele, que é a crença no Amor do Pai que o Filho veio nos revelar, que se encontra a nossa salvação, a garantia da nossa Vida Eterna.

Mas então ele diz duas coisas: que quem crer, mesmo que morra, viverá, e que quem vive e crê não morrerá jamais.

Quem crê apesar de ter morrido é quem ressuscita no Dia do Juízo Final, quando abrir-se-ão todos os livros e o Livro da Vida: é a última chance. Este salvo, um Falmari, morreu sem crer naquilo que Jesus revelou, o Amor do Pai, mas foi ressuscitado para que em seu último gesto enquanto vivo possa se arrepender e ganhar a vida, se assim desejar. São os salvos da Segunda Ressurreição.

Quem vive e crê não morrerá jamais porque experimentará a Primeira Ressurreição dos Santos (o destino Noldor), voltando com Jesus antes do Juízo Final para a experiência do descanso no Milênio. Como estes já fizeram sua escolha em vida, não precisam experimentar a morte para uma última decisão na humilhação do Dia do Juízo.

A Lei do Amor é a Lei da Vida que o nosso Deus estabeleceu para que triunfe o seu desígnio de salvação e glória.

Àquele a quem foi dado o poder de julgar coube a magnanimidade de decretar a salvação pela Ressurreição.

Quem quiser disputar o poder da Ressurreição não tem que se ver comigo, que sou um mero humilde crente nessa esperança: deve disputar com o Rei dos Reis que está vindo para buscar o que lhe pertence para sempre.

Cinco razões pelas quais pais e mães podem se beneficiar da compreensão do Pacto Ouroboros

No intuito de demonstrar como não faz sentido aplicar o entendimento da traição primordial contra Deus na forma do Pacto Ouroboros para o julgamento de pais e mães, convém que exploremos algumas razões pelas quais estes possam se beneficiar da compreensão desse fenômeno, o que nos leva a praticar a caridade para com eles, no lugar de qualquer condenação.

1. Reconciliação com Deus: Qualquer pessoa que perceba a razão pela qual veio a nascer neste mundo tem a oportunidade imediata de reconciliar-se com Deus, observando que o Criador apenas protege a nossa liberdade por determinação do seu propósito amoroso, não restando qualquer dúvida na justificação da ação divina. Todos podem ficar em paz com Deus ao perceber que o mal entrou no mundo apesar do desígnio divino, e que o primeiro a ter sido traído pelo intuito maligno foi Ele próprio, o nosso Criador, antes que qualquer um de nós tivesse nascido;

2. Reconciliação com seus pais: É muito fácil, ao perceber o grau da perversidade da mentira do Ouroboros, ver como os nossos antepassados, até a geração dos nossos pais e incluindo esta, foram todos enganados e usados para a manutenção do mal, contra o seu próprio melhor interesse. Se são culpáveis por um crime de omissão ou comissão pretensiosa, muito mais ainda são perdoáveis por terem nascido todos em cativeiro como nós mesmos, sendo muito difícil a escolha da ruptura com o Pacto, ainda mais para eles do que para nós, conforme progride a noção moral de libertação dos filhos e do direito dos não-concebidos;

3. Reconciliação com seus filhos: Não foi por uma fatalidade ou uma determinação inescapável que tais filhos tenham nascido assim ou assado, e dado este ou aquele tipo de experiência frustrante ou de sofrimento. Cientes de que foram usados por um propósito espiritual enganoso, pais e mães podem se reconciliar com seus filhos vendo-os como vítimas iguais a si mesmos de um grande esquema de poder que governa este mundo. Vendo a vida humana de forma mais simples, como o que ela é, podem cuidar uns dos outros com muito maior paz e alegria, até porque não exigirão triunfos e sucessos absurdos da sua descendência, agora que a verdade lhes foi revelada. É mais fácil sobreviver em humildade e esperar uma salvação pela Graça (o fardo leve e o jugo suave de Jesus), do que conquistar a felicidade como um produto ensoberbado da ação humana que só traz maiores sofrimentos;

4. Vigilância e Discernimento: O mundo perde sua opacidade, e agora toda medida pode ser calculada considerando o sentido espiritual da vida num mundo decaído e governado por potências traidoras do Amor divino. É possível viver desprezando a farsa e a mentira, sem cair em um medo paralisante, contando com um Discernimento que não vem mais da cultura de legitimação e normalização gerada pelos Bispos do Sistema da Besta, mas do Deus verdadeiro através de seu Espírito Santo, amigo de todos os que são amigos de Deus;

5. Testemunho qualificado: Com a compreensão da profunda verdade por trás da realidade em que vivemos, esses pais e mães podem dar testemunho qualificado de sua própria experiência, em primeiro lugar aos seus próprios filhos e em seguida a todo o mundo. Na minha trajetória eu sempre fiquei impressionado com esse poder de testemunho que pais e mães podem dar, quando entendem a realidade que viveram e vivem, e quando não temem compartilhar a sua visão mesmo quando isso pareça depor contra a sua imagem. Isto está entre os testemunhos mais poderosos e qualificados a respeito do Pacto Ouroboros, diretamente pelas palavras daqueles que o experimentaram que não temem a sua denúncia.

É para a salvação de todos que recebemos a Boa Notícia do Amor de Deus através do testemunho de Jesus Cristo. Que ninguém pense, em grande equívoco, que o conhecimento dos meios pelos quais o mal veio a dominar a Terra sirva para a separação entre bons e maus por ações desqualificadas. É justamente o contrário que ocorre: a separação pela escolha livre, consciente e responsável. E neste intuito, o testemunho da verdade sempre beneficiará aqueles que desejam a liberdade do verdadeiro Amor.

Follow the Blood: a dialética entre exoterismo e esoterismo gnóstico

Meus amigos, hoje eu vou complicar as suas vidas. Ou o contrário? Depende de vocês.

Vou trazer uma especulação difícil, mas inevitável, sobre a qual devemos meditar não porque nos seja agradável, mas porque não podemos nos furtar a conceber que as coisas possam ser assim.

Desde que se assuma que aquele livro chamado Bíblia Sagrada não possua a infalibilidade da qual um cristão verdadeiro, discípulo do Espírito Santo, não só prescinde como precisa prescindir, podemos entender como foi profunda a traição dos cabalistas, os amantes da Tradição, contra o testemunho da verdadeira Revelação de Deus. Sabemos que ambos os Testamentos já fizeram essa denúncia (“transformou-a em mentira o cálamo do escriba“, e “invalidastes a palavra por causa da vossa tradição“). Mas será que temos coragem de enxergar até onde essa traição possa ter chegado?

Ora, eu já rompi até com a teologia do sacrifício de sangue, como vemos em Hebreus 9. E essa ousadia que alguns classificariam como temerária me fez ir até os confins do Gênesis para tentar entender a origem dessa história.

Um investigador da corrupção política segue aquele princípio elementar da pesquisa criminal: follow the money (“siga o dinheiro”).

Sendo assim, um investigador da corrupção espiritual deveria seguir um princípio semelhante, um análogo, a que eu dou o nome de follow the blood (“siga o sangue”).

Isto porque o sangue é espiritualmente considerado como a matéria da vida, o elemento da substância vital, aquilo que circula e mantém vivo qualquer ser. Não por um acaso, todas as entidades espirituais que disputaram poder com o Criador sempre pediram pagamentos na forma de sacrifícios de sangue. E até mesmo o Deus verdadeiro, Criador de todas as coisas, aceitaria esse tipo de oferta como já vimos inúmeras vezes no Antigo Testamento (apesar de que há uma estranha passagem em que Deus pergunta quando foi que Ele pediu por essas coisas).

Mas e a traição da Tradição? Não poderia ter contado toda essa história de forma errada? Será que o sangue não foi sempre pedido não pelo Deus verdadeiro, mas pelo Mentiroso que quer se colocar no lugar de Deus desde o princípio dos tempos?

Isto é perfeitamente possível e essa reflexão é muito conveniente, por difícil que possa parecer. Quando mais uma pessoa é religiosa, mais isso será difícil, é claro. O preço que eu pago é barato porque eu não tributo mais no altar da Tradição Primordial, do Culto do Ouroboros que governa todas as religiões do mundo. Cada um faça a sua escolha.

Na minha investigação eu encontrei teses gnósticas a esse respeito, e foi justamente na avaliação das alegações desses outros traidores de Deus que eu pude contemplar a sinistríssima possibilidade de uma tal conspiração para dominar as mentes dos seres humanos, que só mesmo a confiança no Amor do Altíssimo me permitiu manter a sanidade suficiente para não temer o cálculo da arte do inimigo.

Ocorre que alguns gnósticos cultuam Caim como o primeiro deles, seu patriarca, justamente como o primeiro herói contra a mentira do falso deus que seria o Demiurgo. Mas, já ciente de que o gnosticismo é um erro por razões muito claras, pude então compreender como é que existe uma dialética secreta na própria Gnose, montada de tal modo que nenhuma criatura pudesse escapar senão por uma providência divina de salvação.

Vejam bem, não digo que o diabo tenha escrito a Bíblia, porque ele é incapaz de criar qualquer coisa, só sabe mentir, perverter e corromper. Mas, sendo capaz de influenciar a humanidade a produzir grandes e profundas mentiras, até onde Lúcifer teria ido?

Durante um certo tempo, enquanto fazia os meus estudos bíblicos, tive a impressão de que a Revelação era criptografada pelo Espírito Santo, escondida dentro de um livro que seria mais ou menos indiferente espiritualmente, uma mera coleção de textos. Assim, a vida espiritual permitiria ativar o sentido da verdadeira Palavra escondida no texto bíblico. Hoje, porém, sou obrigado a considerar a hipótese de que o texto não é tão indiferente assim em si mesmo, e que na verdade a criptografia espiritual vence uma camada espessa de mentiras tão sofisticadas e consolidadas com o passar dos séculos, que a consideração da hipótese dessa conspiração bíblica se torna quase impossível para quem queira se dar a uma análise sóbria das coisas.

Mas graças a Deus eu não tenho medo. E cheguei então numa hipótese que explica a dialética da Gnose, que teria uma Tradição Primordial (a matriz de todas as religiões) e uma Revolução Primordial (a matriz de todas as heresias), dominando assim praticamente todo o panorama da espiritualidade humana, não fosse a intervenção de Deus com a Revelação de Jesus Cristo, para efeito naqueles que tem olhos e ouvidos para isso, os “espirituais” de Agostinho, contra os demais “carnais”.

De um lado temos a Gnose exotérica, a Tradição Primordial, o Culto Ouroboros: o Behemoth.

De outro lado temos a Gnose esotérica, a Revolução Primordial, a Iniciação Luciferina: o Leviatã.

E é nessa teratologia que a forma mentis da humanidade está afundada até o pescoço, e da qual o Filho de Deus veio nos tirar, se tivermos a coragem de acreditar nele contra toda a idolatria praticada pelos nossos pais.

Tudo teria começado com a traição do primeiro casal contra o governo de Deus no Jardim do Éden: tendo desejado conhecer o Bem e o Mal por si mesmos, acreditaram na mentira da Serpente.

Ora, a partir daí a Serpente do Mundo, o Ouroboros, se tornou o deus de Adão e Eva, o objeto de seu culto. O Deus verdadeiro os amaldiçoou para que morressem.

Mas o diabo fez pacto com eles: os ajudaria a enfrentar a Maldição com suas luzes, a primeira Gnose, dominando a Terra e fazendo guerra contra o governo divino, desde que em troca o adorassem como seu deus.

Foi aí que se estabeleceu o Culto do Ouroboros, a Tradição Primordial, selada com o ritual do sacrifício de sangue à Serpente do Mundo como forma de adoração.

Na primeira geração subsequente temos Caim e Abel convidados por seus pais a participarem do Pacto Ouroboros. Ambos, porém, foram certamente tocados pelo Espírito Santo do Deus verdadeiro, que jamais abandonou nenhuma das gerações nascidas da traição. O primogênito Caim teria então ouvido e aceitado a correção de Deus, enquanto o caçula Abel teria ouvido e aceitado a orientação de seus pais. O primeiro ofertou ervas e incenso ao Deus verdadeiro, e o segundo ofertou o sangue de um animal sacrificado ao falso deus. A Serpente obviamente preferiu o sacrifício de Abel.

É aí que se inicia o esoterismo gnóstico: dizem que Caim, tendo descoberto a traição de seus pais contra o Deus verdadeiro, decidiu fazer guerra contra o irmão para impedir a perpetuação da mentira no mundo, razão pela qual teria sido um “herói” gnóstico ao matar Abel.

Mas não podemos descartar a idéia de que Abel era inocente apesar de sua obediência aos pais, e que Caim cometeu assassinato por não suportar o triunfo do irmão num mundo decaído e mentiroso, apesar de ter sido alertado pelo Deus verdadeiro que lhe tinha chamado à Aliança que seus pais traíram.

Aqui é preciso observar que quando a nossa Bíblia fala que Deus disse isso ou aquilo, sendo o diabo esse grande mentiroso, nós temos uma mistura do que é uma Revelação verdadeira do que Deus fez e disse, e o que é ação e discurso da Serpente do Mundo que sempre quis disputar o lugar de Deus diante do homem.

Como fazer então esse discernimento entre a verdade e a mentira? Parece-nos que isso é impossível.

E certamente é impossível para nós, mas não é impossível para o nosso Deus que pode nos dar Discernimento. E Jesus Cristo já deu a instrução mais poderosa de todas: pelos frutos conhecereis.

Se o derramamento de sangue é a forma mais evidente de prática da violência, a própria transformação do assassinato em prática ritual, quem então pediu sangue como forma de culto?

Se, por outro lado, o perdão e a misericórdia é a forma mais evidente de prática do Amor, quem foi que alertou Caim para que não caísse na tentação de matar o seu irmão?

Pelos frutos conhecereis.

Abel era inocente, mas seu irmão não resistiu à humilhação de ser diminuído pela mentira do mundo e o matou, querendo fazer justiça contra o Ouroboros, sendo incapaz de perdoar e aceitar a instrução do Deus verdadeiro, como seus pais também não puderam fazer.

A partir de Caim temos então a dialética gnóstica: o exoterismo vindo de Set, que imitou seus pais como Abel teria feito, e o esoterismo vindo de Caim, em luta contra a Serpente por outros meios iluministas que também acabam cultuando o mesmo Lúcifer por outros modos.

Com a regra do follow the blood podemos ir longe na revisão de todos os relatos das Sagradas Escrituras, culminando obviamente na perversão da religião cristã contra a pureza da salvação de Jesus Cristo como se a morte deste fosse um justo e bom pagamento de sangue exigido pelo Pai, quando na verdade quem quis matar Jesus foi a Serpente.

E até hoje a maioria dos cristãos religiosos pedem pelo sangue do Filho como se fosse isso que os salvasse de uma dívida, e não a Revelação do Pai como Amor puro.

Jesus veio para revelar o Amor do Pai e a mentira da Serpente, e fez isso na Cruz justamente porque não merecia a morte.

Jesus morreu para a satisfação dos que acreditam no Assassinato, e ressuscitou para a satisfação dos que acreditam no Amor.

E pelos frutos conhecereis: quem odeia pede sangue, e quem ama pede misericórdia.

A guerra em Israel: até onde ela chega, vai longe ainda, ou pode através dela vir uma 3ª GM?

Pergunta enviada por Rodrigo no grupo do Whats: “Esta guerra em Israel, até onde ela chega, vai longe ainda, ou pode através dela vir uma 3ª GM?”

Em primeiro lugar, convém compreender que nenhuma Guerra Mundial começou jamais com um anúncio oficial nos jornais. Uma coisa é a história como disciplina científica, com visão em perspectiva temporal, e outra coisa é a história contemporânea como fenômeno atual. Fosse em Agosto de 1914 ou em Setembro de 1939, a classificação de “Guerra Mundial” nunca foi imediata, e até a discussão da realidade dessa interpretação não está totalmente vencida. Há quem chame a Guerra Fria de 3ª G. M., o que nos levaria agora à uma 4ª G. M., assim como há quem diga que a “Guerra ao Terror” iniciada em 2001/2002 já foi o começo da quarta grande guerra. Em suma: é mais fácil ler um livro de história do que estudar a discussão histórica (inclusive o revisionismo), e é mais fácil ainda estudar a discussão do que interpretar a própria história em tempo real enquanto ela é vivida.

Em segundo lugar, é bom lembrar que a imprevisibilidade em cenários de conflito é muito alta. Pode até ser fácil começar uma guerra, mas é muito difícil terminar uma, a não ser que se desista da vitória, o que obviamente nenhum dos beligerantes tem o interesse, ou não estariam lutando. Entre as várias ações humanas, a guerra provavelmente deve ser a mais cara e mais imprevisível de todas, a não ser que a assimetria de poderes seja muito grande. E, por definição, nenhuma guerra mundial poderia iniciar jamais se um poder hegemônico tivesse a capacidade de preveni-la por uma vantagem assimétrica. Isto quer dizer que se tivermos uma guerra mundial, isto já significa que não há um poder favorito, e a previsão de qualquer cenário resultante é muito difícil para não dizer impossível.

Até onde essa guerra chega?

Em princípio, até onde Israel estiver disposto a chegar em termos de cálculo político. Infelizmente isso pode depender muito de como o líder de Israel enxerga a sua própria sobrevivência política, já que a paz provavelmente vai destroná-lo. Teria ele, assim, interesse pela paz?

O maior problema da “Guerra ao Terror” é que o inimigo tem uma consistência mais ideológica do que militar. O Hamas não pode ser derrotado com armas, porque ele não é um grupo político que tem uma idéia, é uma idéia que tem um grupo político. E é por isso que muitos dizem que o verdadeiro objetivo de Israel é o domínio de Gaza, seja por razões econômicas, religiosas, etc.

No meu entendimento, sempre de olho na escatologia e no sentido espiritual das coisas, Israel pode ser sim o financiador do terrorismo tanto quanto os EUA o foram para justificar reformas legislativas e o aparato militar. Não estou acusando nada. Há lideranças palestinas que fazem isso. Minha questão é de mera especulação. Não é difícil para um serviço de inteligência bem financiado e treinado fazer ações de false flag, inclusive e principalmente as maiores atrocidades que produzem justamente o efeito moral de justificação da guerra.

Na maior perspectiva, porém, o alinhamento profético se daria no desejo que o rabinato cabalista messiânico tem de preparar Israel para a chegada do seu Messias. Isso inclui, obviamente a conquista do Monte do Templo. Como o Messias deles poderá reinstalar o antigo culto sem um Templo? É necessário construir o Terceiro Templo, portanto. A Maçonaria do mundo inteiro está pronta e atuante. Mas primeiro, antes que venha essa “paz” das Leis de Noé, é necessário que venha uma guerra que a justifique, de modo que todas as nações sucumbam ao apelo do Messias pela pax perpetua. Para isso, nada melhor do que trazer para a realidade a profecia da Batalha do Armageddom, Gog e Magog, etc. O atual Estado de Israel tem essa função política e escatológica, e nesse sentido Netanyahu é um servo do Messias judeu, levando sua nação e o mundo a esse abismo que requererá uma solução messiânica.

Então é isso que precisamos checar, para saber se essa guerra vai longe ainda, ou se fica por aqui: se Israel parar e um novo status quo for estabelecido na região, podemos desligar o alarme da guerra mundial e do Fim do Mundo.

Se eles continuarem a guerra, daí o alerta permanece e aumenta.

Quais sinais devem ser observados nesse sentido?

A expansão de Israel para a Cisjordânia, a entrada em massa do Hezbollah pelo Líbano, a interferência da Marinha Americana contra este grupo, e então o conflito do Irã contra os EUA na região, o que chamará a Rússia e a China ao cenário.

Em termos de gatilhos proféticos, atentem para a entrada da Turquia na guerra. Os turcos podem mobilizar mais de um milhão de tropas e chegar às Colinas de Golã em coisa de 48 horas, desde que obtenham um acordo com a Rússia para obter passagem pela Síria. É neste caminho da estrada para o sul que Israel poderia ativar o seu Protocolo Sansão e bombardear uma cidade como Damasco com armas nucleares. Este certamente é um enorme gatilho profético. A Turquia, por sua vez, poderia obter armas nucleares do Paquistão.

Todo o mundo muçulmano pode ser dragado pelo conflito já que suas profecias os obrigam a marchar para Jerusalém. Qual foi mesmo o nome da operação do Hamas no dia 07 de Outubro? Al-Aqsa Flood? Amaliyyat ṭūfān al-ʾAqṣā. O Dilúvio de Al-Aqsa.

Pode-se analisar isso tudo friamente, não crendo necessariamente no que estas pessoas crêem, mas simplesmente entendendo que as crenças delas as movem em certa direção.

Se o diabo está por trás de todas as religiões, como eu acredito, é muito natural que ele queira entronizar o Filho da Perdição em Jerusalém usando todas as filiais do inferno na Terra, judaísmo, cristianismo e islamismo: o judaísmo providenciando o sionismo que é a origem do conflito e o cabalismo que é a forma de culto do Terceiro Templo a ser erguido em Jerusalém, o cristianismo providenciando a conversão do Ocidente às Leis de Noé através da ação da Maçonaria e a oposição militar que vem do seu lado (o papel de Esaú/Edom à serviço de Israel), e o islamismo providenciando a mesma conversão às Leis de Noé no Oriente e a oposição militar que vem do outro lado (o papel de Ismael à serviço de Israel).

O outro grande gatilho profético nesta sequência seria o bombardeio de Jerusalém com armas convencionais pesadas, causando a destruição da Mesquita de Al-Aqsa. Quando todos estiverem cansados da guerra (e talvez animados com a descoberta da Arca da Aliança em Jerusalém?), a construção do Terceiro Templo será vista como a realização da paz para o mundo inteiro. Isso poderia coincidir com uma reeleição de Trump nos EUA, o que aliás faria bastante sentido por vários aspectos.

Este é um olhar espiritual da coisa.

Geopoliticamente, podemos entender como os EUA em declínio podem desejar um conflito antes da sua queda, evitando que os BRICS conseguissem poder suficiente nos próximos dez ou vinte anos. Seria uma opção arriscada, mas que não deixaria de fazer algum sentido. A Rússia teria que defender o Irã para impedir que a Turquia pendesse para o lado da OTAN, e a China teria que defender as rotas de importação do petróleo necessário para manter a sua economia.

Nós podemos ter, sim, uma guerra mundial, dependendo em primeiro lugar do quanto Israel estaria disposto a persistir nas suas metas, e em segundo lugar no quanto os EUA estariam dispostos a bancar a ofensiva israelense. Os BRICS ainda não têm iniciativa e poder suficiente para começar uma guerra mundial, e nem para pará-la.

Se me perguntarem, digo que o sinal mais importante para saber se iremos nessa direção é a postura de Israel na Cisjordânia, depois que a situação de Gaza estiver mais ou menos estabilizada.

Lembrem-se de que para que a previsão de Gabriel Ansley se cumpra, com o retorno de Jesus em Setembro de 2028, provavelmente será necessário que tenhamos um caos mundial até Abril ou Maio do ano que vem, 2024. O que significa que, pelo menos no sentido dessa previsão, teremos uma noção clara de confirmação ou desmentido nos próximos seis meses.

Para quê Deus precisa de uma espaçonave? Ou: como a mera confiança na excelência divina expõe a mentira do Ouroboros

Tem um filme chamado Jornada nas Estrelas: a Fronteira Final que conta uma história interessante, onde o pessoal vai até a suposta fronteira do universo conhecido e lá encontra uma entidade que diz ser “deus”.

Esse ser então afirma estar exilado por alguma razão obscura, e diz então que para ser libertado precisa tomar posse da espaçonave dos visitantes.

Daí o bom e velho Capitão Kirk, com a simplicidade de um ceticismo saudável, questiona: “com licença, para quê Deus precisa de uma espaçonave?

Bastou esse questionamento tão singelo para o tal “deus” se revelar um mentiroso, e de um ser aparentemente amoroso, ele se mostrou irado e vingativo.

É interessante notar que toda a temática de Star Trek é ateística, ou pelo menos agnóstica, mas mesmo assim não foi difícil colocar essa fala na boca do personagem principal, mostrando como a mera confiança no conceito da excelência divina pode servir para expor a mentira de qualquer falso deus. Isso já que o Deus verdadeiro, mesmo a uma mente cética, só poderá ser concebido como pleno e perfeito em si mesmo, portanto independente e desnecessitado de tudo, como amante pleno e total que é por sua natureza ideal.

Pois bem, eis a vergonha dos soi dissant cristãos que acreditam que depende deles a criação de uma descendência de almas humanas: até a lógica de um personagem ateu numa série de ficção científica supera a sua, porque vocês não são capazes de fazer o questionamento lógico mais básico que desfaria a mentira do Ouroboros.

A Serpente do Mundo é como aquela entidade exilada no fim do universo: quer fazer enganar que é deus apenas para adquirir o veículo necessário para poder escapar de seu estado de isolamento. E a mera lembrança da excelência da natureza divina é suficiente para se saber que isso é uma mentira.